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Paisagem íntima

23 de abril de 2015 0

Artistas são aquelas pessoas com uma capacidade especial de nos fazer entender onde estamos metidos. A vida. As coisas materiais, e também as abstratas, que nos revelam como é, ou foi, determinado espaço de tempo. Os melhores traduzem isso com tamanha precisão e sensibilidade, que seus trabalhos tornam-se atemporais. O porto-alegrense Edgar Koetz (1914-1969) é um desses. Litógrafo, desenhista, ilustrador, pintor e referência nas artes gráficas, iniciou sua carreira trabalhando com Ernst Zeuner (1895-1967), que coordenou um grupo de feras nessa área da Editora Globo.

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Entre as décadas de 1930 e 1960, fez ilustrações para a Revista do Globo, capas de livros para grandes escritores, como Erico Verissimo, e, mais tarde, em São Paulo, criou para Samuel Wainer o logotipo do jornal Última Hora. Aqui, foi um dos fundadores do Clube de Gravura. Koetz, entre 1945 e 1950, morou em Buenos Aires, onde conviveu com Monteiro Lobato, e lá foi premiado mais de uma vez.

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Também mudou-se para São Paulo, em 1952, e só retornou a Porto Alegre, profundamente deprimido, com o golpe militar de 1964 e o consequente fechamento do Última Hora. Durante breve internação (um mês no Hospital São Pedro), produziu um conjunto exemplar de desenhos numa série chamada Alienados. Saiu revitalizado para continuar sua obra, mais focado na pintura. Registrou com maestria aspectos da Capital.

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Do alto do edifício do Hotel São Luiz, no início da Avenida Farrapos, fez uma tela mostrando premonitoriamente a área onde seria construída, posteriormente, a nossa Estação Rodoviária e onde se situa, atualmente, o Largo Edgar Koetz. O pintor foi casado com Liége Silveira, que lhe deu dois filhos, Sérgio (1938) e Celso (1940).

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A jornalista Clara Conti também foi sua companheira, até a sua morte. “Arte, para mim, é dizer aquilo que sinto, como que para acalmar uma inquietação”, revelou o artista, certa vez, numa entrevista. Nas palavras da crítica de arte Ana Albani de Carvalho, Koetz “captou, como poucos, o espírito das cidades onde viveu”.

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