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Discutindo a relação

15 de outubro de 2015 0

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Em qualquer relação conjugal, ou seja, de vida em comum, as crises são inevitáveis. A histórica e indissolúvel convivência de Porto Alegre com o Guaíba não está, portanto, imune a altos de baixos. A felicidade, o humor e a vida dos porto-alegrenses dependem inúmeras vezes do nível proposto, no caso, pelo rio. Os habitantes, que fundaram uma cidade na margem desse grande manancial de água onde hoje está situada a Capital do nosso Estado, nem sempre souberam corresponder às dádivas que a natur eza lhes ofereceu. Indiferenças, maus-tratos e infidelidades que resultam em verdadeiras traições têm sido constantemente punidas com a violência das águas que, ao que parece, não se deixam subjugar e respondem com reações sobre as quais temos pouco ou nenhum controle.

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Dessa forma, a relação não poderia ser diferente e, como se vê, é conturbada. Dos momentos idílicos embalados pelo pôr do sol (o mais bonito do mundo?) na água dourada ou pelos passeios de barco nos dias quentes do verão até o drama e a tristeza dos desalojados pelas cheias, nós alternamos nossas expectativas entre o céu e o inferno. O respeito dos homens pela geografia da região sempre foi relativo e, normalmente, nos comportamos com aquela arrogância de quem tem necessidades que nos obrigam a “domar” os elementos, sem levar em conta alternativas. O progresso tomou áreas do rio e redesenhou a paisagem. Aterramos e condicionamos o fluxo do rio. Talvez tenhamos feito o que era necessário, mas, em dias como os de agora, o rio nos avisa que tem poder e que é alguma coisa além do antigo leito para transporte de passageiros e mercadorias, e a principal fonte de água que mata a nossa sede.

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