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1930: a revolta no ar

18 de outubro de 2015 0

Há 85 anos, no dia 3 de outubro, eclodiu em Porto Alegre a Revolução de 1930. Num trem que partiu no dia 10 daquele mês, Getúlio Vargas seguiu para a capital federal rumo ao poder. Um aspecto pouco abordado na insurreição foi o papel da aviação nas forças rebeldes. Uma reportagem da Revista do Globo número 780, de outubro/novembro de 1960, quando o movimento completava 30 anos, nos dá algumas pistas de como foi precária a “força aérea” articulada pelos revolucionários.

Segundo a apuração, aqui no Estado, desde 1928, Carlos Sylla cogitava e intercedia junto à Secretaria do Interior para que fosse criada uma “aviação rio-grandense”. Até a revolução estourar, nada foi feito, mas, logo em seguida, ficou clara a necessidade de possuir uma “esquadrilha de guerra”.

O governo local decidiu, então, ocupar e aproveitar as companhias aéreas estrangeiras, estabelecidas em Porto Alegre. Na tarde de 3 de outubro, foram ocupados o aeroporto da Condor, na Ilha dos Marinheiros, e o aeródromo da Aéropostale, em Gravataí. No primeiro, foram aprisionados dois hidroaviões prontos para voar e um outro, de nome Atlântico, que estava em reparos. Em Gravataí, três aviões Laté 26 caíram nas mãos dos revoltosos.

Por casualidade, naquela tarde, pousou em Pelotas um avião caça Morane-Saulnier novo, pilotado por um aviador civil francês. O governo comprou o aparelho e, com o objetivo de armá-lo, despachou Sylla para Buenos Aires em busca de uma metralhadora que pudesse equipar a aeronave. A aviação paulista bombardeava o front, causando, segundo a matéria, “grande impressão moral sobre as tropas”.

O avião que trazia a metralhadora comprada teria capotado ao pousar em Laguna, e a arma nunca pôde ser usada. A falta de pilotos também dificultava o envio dos aviões para a frente de batalha. Quando Carlos Sylla voltou da Argentina, foi organizada a Diretoria de Aeronáutica para articular a força aérea revolucionária. No Chile e no Paraguai, foram adquiridos dois aviões de caça, equipados para a guerra. Quando esses se preparavam para decolar rumo ao front, a revolução acabou.

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