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As águas de 1941

26 de outubro de 2015 0

O imigrante italiano Pedro Ellera (1871-1945), oriundo de Lonigo, na região do Vêneto,  chegou a Porto Alegre em 1892, aos 21 anos.  Aqui na Capital, ele construiu sua vida e casou-se com Luisa Pedron Ellera. Eles tiveram um único filho: Leonello. Trabalhou no comércio, no ramo de exportação e importação e, aos 70 anos, morava com a mulher num sobrado com garagem, no número 123 da Rua Gaspar Martins. Essa é a primeira rua depois da Ramiro Barcelos e paralela a esta, no sentido centro-bairro Floresta.
casainundada gASPTARMARTINS
A residência de Ellera ficava no longo quarteirão entre as avenidas Farrapos e Voluntários da Pátria.
Em 1941, dos 34 dias entre 10  de abril e 14 de maio, 22 foram  com chuva. O resultado disso foi que Porto Alegre sofreu, naquele ano, a maior inundação da sua história, e Pedro entrou  nas estatísticas como uma das 70 mil pessoas que foram obrigadas a abandonar seus lares.

No dia em que Pedro e Luisa foram resgatados, o filho Leonello fez o registro fotográfico da cena em que os pais saíam por uma das janelas do andar superior. A foto da fachada da mesma casa, tirada em 1970, época em que o Guaíba mantinha seu nível normal, nos permite constatar o tamanho da encrenca que representou a cheia que traumatizou toda uma geração de porto-alegrenses.

LIVRO

Ainda em 1943, o médico, escritor e poeta gaúcho Belmonte Marroni (1914-1992) publicou um romance, com o título …E as Águas Invadiram a Metrópole, em que a grande enchente de dois anos antes serve de pano de fundo para a trama, que relata a angústia de um médico que vem do interior e enfrenta dificuldades para chegar à Capital, tomada pelas águas, onde uma criança estava prestes a nascer. Na realidade ou na ficção, as vítimas são sempre os personagens mais importantes de qualquer história.

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