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O Galpão do Lupi

30 de outubro de 2015 0

Lupi

Na primeira metade da década de 1950, a revista O Cruzeiro, a mais importante da época, dedicou a uma reportagem de Mario de Moraes, com fotos de Antônio Ronek, três páginas. Lupi, com suas músicas tocando direto no rádio, fazia sucesso nacional, ganhava bom dinheiro e dividia sua atenção entre a família, a Sbacem (Sociedade Brasileira de Autores Compositores e Escritores de Música) e o seu novo empreendimento, a churrascaria Galpão do Lupi.

De acordo com um amigo, o jornalista Hamilton Chaves (meu pai), o compositor vivia constantemente peregrinando, de bar em bar, quando encontrou um conhecido que estava mal de finanças e tinha uma churrascaria para vender. Para ajudar o cara e para que ele não ficasse desempregado, Lupi adquiriu a casa e colocou o sujeito como gerente. Na visão de Hamilton, era como a velha história “da pulga que compra um cachorro, para uso próprio…”.

Como o novo dono não era de negócios, a coisa virou “a casa da sogra”. Os amigos chegavam, comiam, bebiam, apanhavam cigarros e, na maior parte das vezes, não pagavam. O próprio gerente aprontou tantas, que foi mandado embora. Lupi argumentava que “isso foi no início…” e que a coisa iria melhorar, pois tinha arranjado um sócio francês(?). “Vamos endireitar a fachada da casa, abastecer a despensa, e os fregueses vão chover”, dizia ao repórter o autor de Vingança.

“Vingança”, aliás, era o apelido do flamante automóvel Hudson, com o qual o compositor, de origem humilde, mas bem de vida, deslocava-se pela Capital. O jornalista perguntou-lhe se, com seus sucessos, já estava rico. Levantando as sobrancelhas, Lupi respondeu:  “qual nada, coitado do velhinho…”.

Colaborou Guilherme Ely

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