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Para solteiros e casados

23 de janeiro de 2016 0

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O maranhense João Mohana desde cedo pensava em ser padre. Mas, para atender ao desejo do pai, formou-se em Medicina. Aos 30 anos, com a morte do genitor, decidiu seguir a vocação original. Em 1955, veio para o Rio Grande do Sul, onde ingressou no Seminário Maior de Viamão. Trouxe na bagagem, além de uma experiência em pediatria, uma carreira literária promissora e um noivado desfeito.

Em 1960, pouco antes de ordenar-se sacerdote, Mohana me procurou na redação da Revista do Globo. Em traje clerical, trazia sob o braço os originais de um livro. Queria oferecê-lo à Editora Globo. Fiz a apresentação ao editor Henrique Bertaso e ao filho José Otávio. Ao verem o título da obra – A Vida Sexual dos Solteiros e Casados –, os dois trocaram olhares, não falaram, mas, intimamente, devem ter-se perguntado: “Que experiência pode ter um padre para escrever sobre vida sexual?”.

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Ficou acertado que o trabalho seria lido por um avaliador da casa, e a resposta, dada dentro de alguns dias. Uma semana depois, veio o parecer, favorável e com muitos elogios. Na assinatura do contrato, ao ser informado de que a primeira tiragem seria de 4 mil exemplares e o documento teria validade até serem completados os 20 mil, o autor festejou: “Senhores Bertaso, em menos de dois anos atingiremos este total”. Os editores ouviram com reserva a manifestação otimista.

Ambos seriam surpreendidos em prazo bem mais curto. Sucesso em todo o Brasil e em Portugal. As edições foram se repetindo em ritmo fora do comum. A Vida Sexual, até a venda da Globo para a Rio Gráfica, em 1986, havia alcançado 26 edições, colocando-se entre os recordistas da casa.

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O livro trata do assunto de forma científica e sob a ótica religiosa. O capítulo “A lua de mel do cristão” ocupa nada menos do que 30 páginas e traz todos os detalhes que possam interessar a qualquer iniciante, em especial aos da época em que a obra foi escrita. O padre João Mohana morreu em São Luís, em 1995, aos 70 anos, após intensa atividade pastoral, tendo deixado mais de 40 títulos, entre romances, peças de teatro e ensaios religiosos.

* Texto produzido pelo colunista interino, Antônio Goulart, pois Ricardo Chaves está em férias

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