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Ocaso no Belo Horizonte

21 de junho de 2016 0
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O restaurante Belo Horizonte, na Rua Riachuelo, funcionou até 1978

américo

Américo Fernandes Gomes, proprietário do Belo Horizonte de 1940 a 1957, e um dos clientes do estabelecimento

domingues

Antônio Rodrigues Branco e, em primeiro plano, Manoel Domingues, sócios-proprietários do restaurante de 1957 até o fechamento, em 1978

Trinta e oito anos atrás, numa sexta feira, dia 30 de junho de 1978, um tradicional ponto de encontro da cidade encerrou suas atividades e deixou triste uma grande turma que diariamente “batia ponto” no Bar, Café e Restaurante Belo Horizonte. O estabelecimento estava aberto desde 1940 e, dessa época até 1957, seu proprietário foi Américo Fernandes Gomes. Depois disso, Américo passou o negócio para uma parceria de dois novos sócios, lusitanos como ele: Antônio Rodrigues Branco e Manoel Domingues.

No dia em que o Belo Horizonte fechou definitivamente as suas portas, o antigo proprietário ocupou uma das mesas e, tomando uma cerveja preta junto a outros frequentadores, pôde se despedir da casa que lhe deu tanto trabalho quanto satisfação. Recordou as visitas que o compositor Lupicínio Rodrigues fazia com a sua turma e disse que, embora teoricamente o encerramento das atividades estivesse previsto para acontecer entre 23h e meia-noite, muitas vezes as portas eram fechadas mas o pessoal continuava por lá bebendo, tocando violão e até fazendo galeto na grelha que havia no pátio dos fundos, sob um parreiral.

A solução era esperar que decidissem “bater em retirada”, o que só acontecia próximo das 4h da madrugada. Os novos proprietários mantiveram a tradicional hospitalidade e a comida honesta que garantiam a presença constante, com a casa cheia do café da manhã ao jantar. Mas, em 1978, Antônio Branco e Manoel Domingues também cansaram e tomaram a difícil decisão de se aposentar. O número 1.510 da Rua Riachuelo deixou saudade. Ali, com outro nome, estava por abrir uma lanchonete. O diagnóstico do velho Américo foi preciso: “Hoje, ninguém tem mais tempo e nem dinheiro para sentar num restaurante e almoçar. Tem que comer um lanche rápido e correr de volta ao trabalho…”.

Colaborou Carlos Branco

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