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No lugar certo

25 de junho de 2016 0

Por Rosane Tremea, editora de Zero Hora

Repare na foto. O que você vê bem ao centro? Uma mulher, quase uma menina, sentada em uma cadeira de palha com um livro na mão. É minha mãe. Chamava-se, então, Rosa De Conto Dadalt e era professora. Foi professora no município de Encantado dos 14 aos 28 anos, quando se casou. Tirou licença do cargo por um bom tempo, até ter certeza de que não conseguiria conciliar a profissão que tanto amava, a casa na colônia, sem babá e sem estrutura, e os filhos que viriam em seguida.

fotosábado

Crédito: Arquivo Pessoal

Para compensar a falta de alunos de verdade, nos ensinava em casa, e alguns de nós seis chegamos ao colégio já alfabetizados. Enquanto passava roupas com o ferro a brasa num canto da mesa, nos posicionava na outra ponta e tomava a lição. Estava acostumada a lecionar para crianças de idades diferentes em salas multisseriadas. Era um tempo em que se decorava, e graças a isso eu sabia como poucos todas as capitais dos Estados e de países das Américas e da Europa, pelo menos. Causava impressão para uma criança de pouca idade.

Repare na foto de novo. Foi tirada nos anos 1940, e no centro está minha mãe numa festa que a escola onde lecionava, no Palacin, pequena comunidade rural de Encantado (hoje pertencente a Doutor Ricardo), promoveu na casa de meu avô. Mas no centro, no lugar de minha mãe, poderia estar qualquer professor. Era a posição que ocupavam nas suas comunidades. Queridos e reverenciados. Mudou tudo. Mudaram as escolas, a educação, os professores, os pais, os alunos. Não que o professor deva ser o centro de tudo. Comunidade, pais, alunos, professores têm um lugar na escola. Ninguém ousaria defender autoritarismo nem decoreba. Mas alguma coisa se perdeu nesse tempo todo. Talvez a palavra seja respeito

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