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Jean Roche e a colonização alemã

26 de julho de 2016 0

Em 1945, acompanhado de sua esposa, Nancy, funcionária do Ministério da Cultura da França, chegou a Porto Alegre o professor Jean Roche. Eles vieram para fundar, aqui, a Aliança Francesa. Roche, professor da Universidade de Toulouse, assumiu a cátedra de língua e literatura francesa na UFRGS e na PUCRS. O casal ficou em Porto Alegre até 1953.

Neste artigo, quero me referir ao seu livro, em dois volumes, A colonização alemã e o Rio Grande do Sul. Na minha estante, a obra foi objeto de eventuais consultas. Um dia, resolvi que deveria lê-la por inteiro. Fiquei maravilhado. Obra minuciosa, definitiva, um verdadeiro clássico. Acredito que não exista um estudo tão aprofundado e completo sobre outras etnias. Nesse trabalho de doutorado, Jean Roche revelou suas qualidades de incansável pesquisador. Para escrever o livro, Roche percorreu todo o Estado em busca de depoimentos, entrevistas e informações. Ele entrou em contato direto com os colonos e seus descendentes. As numerosas ilustrações, gráficos e dados estatísticos fundamentam as suas observações.
Deteve-se nos aspectos humanos, na estrutura agrária, nos usos e costumes, nos valores da família e da fé cristã. Concluiu que, “a agricultura dos colonos teve um caráter essencialmente pioneiro”.

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São Leopoldo vista do Rio dos Sinos, antes da construção do cais

Jean Roche analisou o início do povoamento, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães, a partir de 25 de julho de 1824, a ocupação do território e os “desbravamentos brutais” para a conquista de vastas áreas para exploração econômica. Referiu-se aos problemas nas diversas etapas da colonização, desde as promessas não cumpridas do governo imperial, até a “condenação ao isolamento” diante das grandes distâncias. Como não havia estradas, os núcleos se estabeleceram próximos aos rios para possibilitar o escoamento da produção colonial. Mereceram sua atenção, também, as migrações internas, na segunda e na terceira fase de imigração, especialmente na região serrana e missioneira, motivadas pelo esgotamento dos solos e pelas famílias numerosas.

O autor credita o sucesso às virtudes dos colonizadores: a disciplina, a moralidade, a iniciativa, o dinamismo e a religiosidade. E destaca: “Foi, sem dúvida, ao regime da pequena propriedade, através da produção agrícola diversificada, que o Rio Grande do Sul (então, NR) deveu sua superioridade sobre os outros Estados brasileiros”.

Com a edição original em língua francesa, A colonização alemã e o Rio Grande do Sul foi traduzido depois para o português, lançado pela Editora Globo – Coleção Província. Como a obra está esgotada, diante de sua importância, bem merecia uma nova edição.

Colaboração Hugo Hammes

00bc43d3 Livro sobre a colonização alemã no Estado

00bc43d5Jean Roche

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