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Mãos limpas

25 de maio de 2013 1

Fernando Ferrari em novembro de 1962. Foto: Assis Hoffmann, BD

Hoje se completam 50 anos do acidente aéreo fatal que interrompeu a carreira do político gaúcho Fernando Ferrari – ele tinha 42 anos incompletos. Em 25 de maio de 1963, a pequena aeronave Cessna, prefixo PP-BRR, colidiu com o Morro do Chimarrão, próximo a Torres, matando Ferrari, seu correligionário Ivan Macedo Coelho e o piloto Airton Braggio.

Como homenagem, em São Pedro do Sul, sua cidade natal, será lançado, às 19h, no Centro Cultural que leva seu nome, o livro Fernando Ferrari, Ensaio Sobre o Político das Mãos Limpas. A moralidade pública – assim como a justiça social e o desenvolvimento econômico – era uma das suas principais bandeiras.

Foto: arquivo pessoal

Dissidente do antigo PTB, Ferrari fundou o MTR (Movimento Trabalhista Renovador), foi três vezes deputado federal e chegou a concorrer a vice-presidente da República. O Centro Administrativo do Estado, em Porto Alegre, leva o seu nome.

Ferrari em entrevista coletiva, dois meses antes do acidente fatal. Foto: Banco de dados, 14/3/1963

Fernando Ferrari Filho, um dos autores da obra que resgata as ideias e propostas de seu pai, estará presente no evento deste sábado.

Encontros de família - os Aita

25 de maio de 2013 0

A 27ª edição do encontro da família Aita será no dia 2 de junho, em Silveira Martins. A festa reúne descendentes de diferentes ramos familiares estabelecidos na área de Val de Buia, interior de Silveira Martins, na segunda metade do século 19. Paoluzzi Aita, Copetti Aita, Nicoloso, Guerra, Protti e Comoretto são alguns dos sobrenomes tradicionalmente presentes na genealogia da região e nas festas da família.

Foto: arquivo pessoal

A foto acima mostra um dos descendentes, Mario Aita, filho de Elisa Pascoali e Valentim Aita, neto de Antonio e Teresa Aita.

Mais informações sobre a história das famílias e sobre o evento podem ser obtidas pelo e-mail encontrodosaita@gmail.com e no site da família.

Notícias da telinha

24 de maio de 2013 0

A televisão no Brasil começou com a inauguração da TV Tupi, em São Paulo, no dia 18 de setembro de 1950. Quatro meses depois, começaram as transmissões da TV Tupi no Rio de Janeiro. Depois veio a TV Record-SP, em 1953, que fez parceria com a TV Rio, surgida em 1955.

Em Porto Alegre, a primeira estação foi a TV Piratini Canal 5, que pertencia aos Diários e Emissoras Associados, donos da Tupi. Em 1960, veio a TV Excelsior de São Paulo, além de duas emissoras em Recife.

Em 1962, é inaugurada, aqui na Capital, a TV Gaúcha. A TV Excelsior do Rio começou em 1963. A TV Globo entrou no ar no Rio de Janeiro em 1965, e em São Paulo no ano seguinte. A TV Bandeirantes só viria em 1967.

Fotos: reprodução

Em 1963, quando a Editora Abril lançou a revista Intervalo, já havia, portanto, um grande público de telespectadores (e de televizinhos) carente de informação e fofocas sobre os bastidores da televisão.

Com certa ingenuidade, e sem o assédio brutal patrocinado pelos paparazzi de hoje, a Intervalo supriu modestamente, até o início dos anos de 1970, essa necessidade de mercado – que só viria a crescer, cada vez mais.

(colaborou Jorge Silva)

Hermano de mano caliente

23 de maio de 2013 2

Atahualpa Yupanqui na Califórnia da Canção Nativa, em 1980. Foto: Tude Munhoz, banco de dados

Nesta quinta-feira, em Buenos Aires, na Argentina, diversos artistas – entre eles, o gaúcho Demétrio Xavier – estarão reunidos no Salão Azul do Senado para prestar uma homenagem a Don Atahualpa Yupanqui, que morreu nesta data, 21 anos atrás. Quando nasceu, em 1908, ele recebeu o nome de Héctor Roberto Chavero mas, ainda adolescente, decidiu que adotaria o nome do último imperador inca.

Pajador, compositor, violonista, cantor e mito, ele se tornou um dos maiores nomes da música folclórica latino-americana. É autor de inúmeros clássicos da música criolla, como Los Hermanos ("Yo tengo tantos hermanos...") ou Los Ejes de mi Carreta ("Porque no engraso los ejes..."), e também foi ele quem resgatou do folclore popular Duerme Negrito, uma canção-símbolo da América do Sul.

Quem teve a oportunidade histórica de ouvi-lo, em dezembro de 1980, na Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, certamente entende a humildade irônica da frase que encerra a letra de El Payador Perseguido: "!Talvez alguno se acuerde que aqui cantó um argentino!".

(colaborou Geraldo Hasse)

Encontros de família - os Andreazza

23 de maio de 2013 2

Será no próximo domingo, dia 26, o encontro da família Andreazza, em Campo Largo (PR).

A família tem origem na província de Treviso, na região do Vêneto, nordeste da Itália. De lá, o imigrante Giuseppe Andreazza (1832-1920) veio para o Brasil em 1878, chegando no ano seguinte a Porto Alegre, de onde a família se espalhou pela Região Sul.

Foto: arquivo pessoal

A foto acima mostra as bodas de ouro de Giuseppe e Ana Polonatto, em 1903, em frente à Capela Nossa Senhora da Saúde, na periferia de Caxias do Sul.

Para mais informações sobre o encontro, o contato pode ser feito pelos e-mails claudete_andreassa@yahoo.com.br e armando.andreazza@gmail.com, ou no site da família.

Garimpando ouro puro

22 de maio de 2013 1

Se você curte ler este Almanaque, provavelmente sente grande prazer em se reencontrar com o passado. Eu, por exemplo, vibro quando encontro uma imagem-síntese de determinada época. Chego a sentir saudade de coisas que nem sequer vivi.

O jornalista Antônio Maria e seu quarto de hotel

Foto: Ademar Veneziano, Arquivo Público do Estado de São Paulo, 24/6/1959

A fotografia é imbatível nessa possibilidade de nos remeter a outros tempos. Ela nos coloca onde nunca estivemos, tanto no tempo como no espaço. Então clique aqui.

Danuza Leão e Vinícius de Moraes

Foto: Almeida, Arquivo Público do Estado de São Paulo, 2/6/1959

As fotos do post de hoje foram encontradas nesse site do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Eles estão desenvolvendo o projeto de digitalizar o acervo fotográfico do Jornal Última Hora. São 800 mil fotografias feitas entre 1951 e 1971.

O conjunto Brasilia Ritmo no Aeroporto do Galeão

Foto: Odyr, Arquivo Público do Estado de São Paulo, 5/5/1959

Nelson Rodrigues

Foto: Méra, Arquivo Público do Estado de São Paulo. 28/1/1960

Bom proveito!

Frase do dia: Wagner

22 de maio de 2013 0

Foto: reprodução

Polêmico, ambicioso e inovador, Richard Wagner (1813-1883) foi um dos maiores compositores da história. No dia em que o nascimento do compositor alemão completa 200 anos, a obra de Wagner ainda é frequente nos programas das orquestras sinfônicas, e suas opiniões ainda geram alguma controvérsia.

O fato é que a contribuição de Wagner para a música erudita em geral - e, em particular, para a ópera - é inegável. Com a pretensão de criar uma obra de arte total, apostou em peças nas quais poesia, prosa, arte visual, teatro e música estivessem profundamente integradas - a ponto de ele mesmo escrever os textos de suas óperas. O ciclo O Anel do Nibelungo, que inclui as óperas Die Walküre (cujo trecho mais famoso é A Cavalgada das Valquírias) e Siegfried, é um dos exemplos, assim como outra ópera aclamada, Tristão e Isolda.

O projeto de Wagner foi muito além da partitura. Ele chegou a idealizar e construir, com apoio do rei Ludwig II da Bavária, uma casa de ópera específica para suas peças, a Bayreuth Festspielhaus, sede de festivais anuais dedicados ao trabalho de Wagner - para quem "o verdadeiro artista se delicia não apenas com o alvo da criação, mas também no processo de criação", frase extraída do artigo Die Kunst und die Revolution ("Arte e Revolução"), de 1849, reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quarta-feira.

A interpretação da mitologia nórdica, o teor antissemita de alguns escritos e a admiração de Adolf Hitler bastaram para que Wagner fosse associado ao nazismo durante a II Guerra Mundial. A profundidade real de tal relação é tema de debates entre os estudiosos até hoje. O que sobrevive é a música deixada pelo compositor.

Gurizada medonha de 1950

21 de maio de 2013 0

Na edição número 503, de 4 de março de 1950, a Revista do Globo publicou um short fotográfico – hoje chamaríamos de ensaio – feito por Zygmunt Haar, mostrando a gurizada que vivia, como o próprio fotógrafo, nas ruas mais pacatas do Centro, próximo da Usina do Gasômetro.

Os garotos do ensaio fotográfico de 1950. Fotos: Zygmunt Haar, Revista do Globo

Naquele então, Haar incursionou pelo ruidoso “mundo do faz de conta” dos pirralhos valentões que desfrutavam um dia de folga sem preocupação com as lições de casa.

Cinco anos depois de acabada a II Guerra, os garotos simulavam o conflito, usando quepes, óculos de aviador e tampinhas de garrafa presas ao peito, como se medalhas fossem. Guerreando divididos entre azuis e vermelhos, no fim, tudo acabava em paz entre os camaradas. Nilo era comandante e tinha a cadela Kitty como mascote. Pinho tinha carranca de sargento. Gordo era um boa-praça. Mosquito era pequeno e inquieto. Mandinho, um malandro que queria ser piloto de avião. Pichurim, moleque decidido e a fim de viagens, e o Beto, com suas comendas de mentira, completavam o grupo.

Nilo e a cadela Kitty

Por onde andarão eles?

Frase do dia: Alexander Pope

21 de maio de 2013 0

Pope em retrato de Michael Dahl. Foto: reprodução

Alexander Pope (1688-1744) é considerado um dos maiores poetas britânicos da história, especialmente entre os escritores do século 18. Sua obra foi revalorizada no século 20, especialmente pelas qualidades líricas e satíricas. Embora criticado por teóricos esquerdistas e feministas, ainda é um autor muito citado na bibliografia poética de língua inglesa.

Nascido a 21 de maio de 1688, filho de uma família católica numa época em que essa religião era pouco aceita na Inglaterra, Pope deixou obras mais ambiciosas, como o poema filosófico Ensaio Sobre o Homem (1733-1734), do qual saiu a frase reproduzida no Almanaque Gaúcho de hoje ("A luz e as trevas estão misturadas no caos do homem").

Domingo no parque

20 de maio de 2013 0

"Nas tardes de domingo, os porto-alegrenses lotam o Parque Farroupilha", diz o texto da Revista do Globo numa de suas edições de 1947. A reportagem de sete páginas, com muitas fotografias de Ed Keffel e texto de José Amádio, permite perceber que, embora a Redenção continue a mesma, especialmente nos finais de semana, muita coisa mudou na paisagem e no comportamento dos frequentadores do parque.

O lago da Redenção nos anos 1940. Fotos: Ed Keffel, Revista do Globo

Na foto acima, se percebe, por exemplo, que naquela época os casais de namorados navegavam no lago em barcos de madeira, a remo. Na mesma cena se vê, ao fundo, parte do antigo pavilhão de alvenaria da representação do Estado do Pará na Exposição do Centenário Farroupilha em 1935 – era o último grande vestígio daquela festa, mas acabou por ser também demolido.

Chapéus masculinos (acima) e freiras com hábito (abaixo) agora também são raridade.

Veja mais imagens da reportagem:

Fotos: Ed Keffel, Revista do Globo