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Ipiranga, dilúvio de lembranças

31 de março de 2015 0

(Museu Joaquim José Felizardo, Fototeca Sioma Breitman)

Esta é uma daquelas fotos que nos mostram como a cidade se transforma rápido, ao longo da nossa existência. Digo isso porque a fotografia foi tirada em 1950, e, mesmo que eu tenha nascido somente no ano seguinte, tem muita gente andando por aí que vai lembrar que, na sua infância, adolescência ou juventude, as coisas eram como mostra a imagem. Hoje, as duas pistas da Avenida Ipiranga que margeiam o Arroio Dilúvio são vias quase obrigatórias para quem se desloca em Porto Alegre. Fica até difícil imaginar que, 60 anos atrás, elas ainda não haviam sido criadas. Perceba as obras dos prédios do Hospital Ernesto Dornelles e do Palácio da Polícia. Veja que, da ponte da Avenida João Pessoa para a extremidade inferior da foto, o arroio não era canalizado, e a área onde agora estão as ruas Delegado Grant, Santana, Gomes Jardim e São Luís era tomada por quarteirões de moradias. Em direção ao Guaíba, o Dilúvio havia sido retificado, e o canal já estava aberto até o rio, mas as avenidas marginais ainda eram projeto e não estavam urbanizadas. No canto superior esquerdo, observa-se que o bairro Menino Deus não possuía edifícios. Para a garotada, 70 anos é uma longa vida, mas, para a minha turma, quase tudo “parece que foi ontem”…

Antigo “ricordo”

30 de março de 2015 0

(Wilson Coelho da Silva, arquivo pessoal)

O professor de ciências Wilson Coelho da Silva tem 61 anos, vive em São Paulo, não conhece Porto Alegre e nunca frequentou a outrora famosa Confeitaria Rocco. Mas ele herdou do pai uma relíquia que remete a um tempo glamoroso da nossa Capital: uma cigarreira de 1931. Osvaldo, mecânico da empresa Light, ganhou a cigarreira numa rifa promovida no fim da década de 1950 por um italiano, seu colega de trabalho. Embora fumantes, nem o pai, antes, e nem o filho, agora, utilizaram o sofisticado objeto para transportar seus cigarros. Levado pela curiosidade, foi pela internet que, anos depois, Wilson conseguiu decifrar o “enigma” da frase em alto relevo estampada na face da cigarreira: “ricordo di Nicola Rocco”, junto à reprodução de um prédio que ele nunca vira. Nicola Rocco (1861-1932) foi um italiano que, depois de trabalhar na tradicional confeitaria El Molino, em Buenos Aires, veio para Porto Alegre, onde abriu uma casa do mesmo ramo chamada Sul Americana. O sucesso permitiu ao imigrante sonhar com um empreendimento muito maior, e foi assim que nasceu a Confeitaria Rocco. Nicola encomendou o projeto ao arquiteto italiano Salvador Lambertini, que faleceu antes da conclusão das obras, finalizadas, então, pelo mesmo profissional que, posteriormente, concebeu o Viaduto Otávio Rocha, Manoel Barbosa Assumpção Itaqui. A Rocco foi inaugurada em 20 de setembro de 1912. Durante muitos anos, foi lá que a elite gaúcha se reuniu para festas, confraternizações, ou um prosaico chá da tarde. As cigarreiras foram um brinde aos clientes especiais, que Nicola teria trazido de uma das suas viagens à Itália e oferecido pelo transcurso das festas de final de ano em 1931. Mesmo que as portas tenham sido fechadas em 1968, Wilson gostaria muito de conhecer o edifício, tombado pelo patrimônio em 1997. Ele planeja, para breve, uma viagem ao Sul.

(Lívia Stumpf, ESPECIAL)

Meu pecado: não fotografei Lupicínio Rodrigues

28 de março de 2015 0

Ah! Deixa-me sofrer que eu mereço

E por tudo que padeço, não pago nem um terço do que fiz

É tão grande, tão horrível meu pecado

Que sendo assim castigado É que me sinto feliz

Lupi com Hamilton, em 1952, diante da casa nº 97 da Travessa Batista, na lhota, onde nasceu.

Lupi com Hamilton, em 1952, diante da casa nº 97 da Travessa Batista, na lhota, onde nasceu (Pedro Flores, arquivo pessoal).

Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins compuseram a música Meu Pecado em 1944, sete anos antes do meu nascimento. Lupi também fez uma canção chamada Confissão!. Eu, agora aos 63 anos, vou confessar aqui aos meus leitores um dos meu grandes pecados. O mestre da dor de cotovelo foi muito amigo do meu pai, jornalista Hamilton Chaves (1925-1985). Lupi (1914-1974) era, portanto, 11 anos mais velho. Lupi morreu faltando menos de 20 dias para completar 60 anos. Hamilton morreu no dia em que fazia aniversário, quando completou 60 anos. Quando Lupi morreu, eu trabalhava como fotógrafo na revista Veja, na sucursal de Porto Alegre. Como fotojornalista, cobri os funerais do compositor e vi, aos 23 anos, meu pai chorando pela primeira vez. Só então, percebi a real importância, para o “meu velho”, daquele amigo. A curiosidade despertada naquele precioso momento me fez descobrir a dimensão extraordinária desse morto. Infelizmente, tarde demais. Lá em casa, esse amigo não gozava de trânsito muito livre, especialmente no conceito de minha mãe, “vítima” do comportamento boêmio do meu pai, “estimulado” por aquele tipo de “má companhia”, mulherengo e beberrão. Meu pai não bebia, mas gozava da mesma dificuldade em “voltar cedo” para casa. Isso, aliado a um certo ostracismo a que o grande compositor estava relegado naquela época da minha juventude, me fez perder uma grande oportunidade. Se eu não fosse tão tonto, a proximidade e a íntima amizade com aquela figura teriam me permitido um acesso único para realizar um perfil fotográfico que nem eu, nem ninguém fez, desse cara. Diante do belo trabalho realizado por Marcelo Campos, que lançou anteontem o livro biográfico Almanaque do Lupi, só fica mais evidente o tamanho do meu erro. Ah! Deixa-me sofrer que eu mereço…

Antes que a casa fosse demolida, o jornalista resgatou e guardou a placa.

Antes que a casa fosse demolida, o jornalista resgatou e guardou a placa (Maria Betânia Chaves Garcia, arquivo pessoal).

Escadaria de Estrela é revitalizada

27 de março de 2015 0

Arquivo Pessoal

 

Esta é uma boa notícia! No último sábado, dia 21 de março, uma obra de engenharia que faz parte da memória, especialmente da população do município de Estrela, voltou à vida depois de ser inteiramente recuperada. Inaugurada em 1924, era através daqueles degraus que os moradores e visitantes tinham acesso aos barcos a vapor que faziam a conexão daquela cidade com outras, entre elas a Capital. Depois de 50 anos de “bons serviços”, com as rodovias mais prestigiadas do que as hidrovias, a escada foi cedida, em 1974, para uso da Cervejaria Polar, que estava em plena expansão, mas contribuiu para descaracterizar aquele ponto. Desde os anos 1990, quando as atividades ali se encerraram, existia a aspiração popular pela retomada daquele patrimônio material e afetivo. Com o prefeito Carlos Rafael Mallmann e o vice Valmor Griebler à frente, os habitantes de Estrela finalmente puderam reproduzir a foto de 1924, ocupando festivamente aquele local na margem do Rio Taquari. Quando a Banda Municipal chegou em um barco, a música emocionou os mais velhos e arrancou algumas lágrimas. Enquanto isso, os mais jovens acionavam a câmera dos seus celulares em um sem-número de imagens e selfies.

 

Airton Engster dos Santos, Arquivo Pessoal

Porto Alegre completa 243 anos

26 de março de 2015 0

Hoje, dia em que Porto Alegre completa 243 anos, é uma boa oportunidade para refletirmos sobre o modo como nos relacionamos com nossa cidade. Mesmo destituídos da sensibilidade dos poetas ou artistas plásticos, que expressam através de suas obras a intimidade que sentem pela paisagem (urbana, ou não) da Capital, nós também podemos “dar um tempo” e pensar sobre o que vemos à nossa volta. É fácil perceber aquilo que vem de longe, tem valor, e deve ser alvo da nossa estima. O penoso desenvolvimento da história, as mesmas calçadas pisadas por nossos antepassados fazem parte do cenário por onde, agora, provisoriamente, transitamos. Quase dois séculos e meio foi tempo suficiente para alterações profundas na geografia e nos costumes, mas é preciso reconhecer que talvez ainda seja muito pouco para que possamos atingir um grau mais sofisticado no respeito pelos outros e pelas coisas que nos cercam. As duas obras que retratam o Paço Municipal são duas visões bacanas, e distintas, de sentir. A aquarela, de 1962, de Vitório Gheno, e a xilogravura de João Faria Viana (1905-1975) estão expostas em mostras comemorativas ao aniversário da “leal e valerosa”. Essa obra de Gheno, junto a outras, está no Espaço Flâneur, na Avenida Benjamin Constant, 1.023. No Paço (prefeitura velha), Praça Montevidéu, 10, de 23 de março a 24 de abril, de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h, o público pode conferir trabalhos de Faria Viana, como esse, recentemente doado pelo jornalista Luiz Carlos Lisboa à Pinacoteca Aldo Locatelli. Descubra um jeito seu de guardar Porto Alegre.

Encontro da família Oswald

25 de março de 2015 0

Arquivo pessoal

Os descendentes do imigrante Jacob Oswald (na foto, com a mulher e os filhos) dedicarão os dias 28 e 29 de março ao 2º Encontro da Família Oswald, em Santa Rosa, na região noroeste do RS. É uma homenagem ao patriarca, nascido na Rússia em 1897 e falecido naquela cidade em 31 de dezembro de 1985. Da união com Guilhermina Breier Oswald, nasceram 13 filhos: Alberto, Alfredo, Frida Martha, Hert Elma, Olinda, Edith, Clara, Albino, Erich, Erica, Hildegard, Ely e Wally. A confraternização acontece na Sede Recreativa da AGCO. Inscrições com Ricardo, (55) 9712-8543 (Santa Rosa), e Claudete, (51) 8254-5557 (Porto Alegre). Informações com Antonio Barcellos, pelos telefones (51) 3592-6932 e 9329-1950.

Encontro da família Silva

25 de março de 2015 0

Arquivo pessoal

Os descendentes de Narciso Silva (foto) farão seu primeiro encontro na cidade de Capão do Leão, no dia 28 de março, às 10h. Na ocasião, será inaugurado, por autoridades, familiares e convidados, um busto em homenagem ao patriarca, na avenida que leva seu nome. Narciso Silva foi homeopata, líder político, filantropo e próspero comerciante da região. Ele foi casado com Balbina Collacio da Silva, tendo 10 filhos e 21 netos e bisnetos. Informações: vascoseg@terra.com.br.

Encontro da família Wazlawick

25 de março de 2015 0

Arquivo pessoal

A família Wazlawick fará seu terceiro encontro no dia 29 de março (domingo), na Sociedade Cultural e Esportiva Linha Brasil, em Linha Brasil, Nova Petrópolis, RS. Os patriarcas da família, Johann e Bárbara Wazlawik (a grafia foi alterada com o tempo), emigraram com seus filhos da Boêmia, à época Império Austro-Húngaro (atualmente, República Tcheca), chegando ao Brasil em 1873. Aqui estabeleceram-se em Nova Petrópolis, trabalhando na agricultura. Hoje, somam mais de 1,5 mil descendentes espalhados pelo Brasil. Os familiares e colaboradores que organizam o encontro, entre eles Rejane Wolmeister (coproprietária do Hotel Vila Verde de Linha Imperial, em Nova Petrópolis), podem ser contatados através dos telefones (54) 3298-8135, com Eloide, (54) 3298-8020, com Carlos, e (54) 9996-2226, com Osmar. Eles solicitam que a presença seja confirmada até o dia 26 de março.
Na fotografia, o casamento de Johann e Bárbara Wazlawik na localidade de Schaumburg, em Tanvald, Boêmia.

Lions Clube Porto Alegre Centro comemora 60 anos

24 de março de 2015 0

Arquivo pessoal

O Lions Clube Porto Alegre Centro/LD3 fará hoje, a partir das 20h30min, no Grêmio Expedicionário Geraldo Santana (Rua Luiz de Camões, 337), a sua assembleia festiva em comemoração aos 60 anos de sua fundação. O Lions LD3 iniciou suas atividades em 1955 e é a unidade pioneira no Rio Grande do Sul do clube de serviços fundado nos EUA, em 1917, por Melvin Jones. O clube desenvolve importantes trabalhos voluntários e sociais, como a histórica campanha Faça Sorrir uma Criança (foto acima) ou, como agora, levando seu apoio à Rede dos Bancos de Alimentos da Fiergs. O professor Dante de Laitano (foto abaixo) foi quem primeiro presidiu a entidade aqui em nosso Estado.

Arquivo pessoal
*Colaborou Fé Emma Xavier.

Ari completa 80 anos

24 de março de 2015 0

Banco de dados

 

Hoje, às 19h, no Plenário da Câmara Municipal (Avenida Loureiro da Silva, 255), será realizada uma sessão solene em homenagem aos 80 anos da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). Na oportunidade, será divulgada a programação das festividades em comemoração à data. A entidade foi fundada por 114 jornalistas e intelectuais numa reunião no auditório da Casa Rural, em 19 de dezembro de 1935, e o atual presidente é João Batista de Mello Filho. Sua sede própria, a Casa do Jornalista – edifício Alberto André, com oito pavimentos, na Avenida Borges de Medeiros, 915 – teve sua pedra fundamental lançada em dezembro de 1942, depois que o prefeito Loureiro da Silva doou o terreno junto ao Viaduto Otávio Rocha. O jornalista Alberto André esteve à frente da associação por 32 anos. O primeiro presidente eleito foi Erico Verissimo (foto), que, em seu discurso de posse, afirmou que a ARI chegava para “criar o espírito de classe entre os trabalhadores de jornais. Nascia para uni-los e para lutar em liberdade por sua verdadeira valorização”.