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Todi, o alfaiate

23 de julho de 2016 0

Na década de 1950, ou um pouco antes, quando se tinha mais tempo e a correria era menor, peritos artesanais como Theodoro Derenji, o Todi, amavam e valorizavam suas profissões, criando verdadeiras obras de arte. Todi era alfaiate, um verdadeiro artífice. Ele iniciou seu aprendizado aos 12 anos, com os tios, também alfaiates, e já com 20 anos, em 1955, abriu em sua residência, na Avenida Ceará, 410, em Porto Alegre,
a sua própria alfaiataria.

Naquele tempo, o traje masculino era o terno. Normalmente chamada de fatiota, essa roupa era usada em todos os lugares. Nas ruas, cafés e restaurantes, assim como nos cinemas de então, o traje-padrão dos homens era o terno e um belo chapéu, quem sabe um panamá, de fina palha clara, no verão, e um de pele de castor, de coelho ou mesmo de feltro, no inverno. Nos bondes, que circulavam por praticamente toda a cidade, também essa era a vestimenta comum e adequada.

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Todi, ainda jovem, no início da carreira de alfaiate

Tudo parecia ser, ou era mesmo, mais calmo e seguro. E, certamente, mais elegante. Para fornecimento aos alfaiates, havia toda uma estrutura de importação de tecidos finos. O português Manoel Antônio Costa, por exemplo, um tio emprestado, casado com a Clóris, prima do meu pai, foi craque nesse assunto de cortes de casimira inglesa, padronagem Príncipe de Gales, risca de giz etc.

O primeiro nome do ateliê do Todi foi Alfaiataria T.D., que depois ele trocou para, simplesmente, Derenji, como mostra a etiqueta nas imagens da coluna de hoje. Em 1959, ele passou a trabalhar nas Lojas Renner, primeiro na loja do Passo D’Areia, depois, na Otávio Rocha. Após essa experiência, Todi voltou para sua alfaiataria, na Ceará, onde prosseguiu trabalhando até falecer, em 1993.

No balcão do seu ateliê, ele cativou muitos fregueses com a qualidade do seu trabalho, seu largo sorriso e muito carisma. Entre esses clientes, constavam, por exemplo, os irmãos Bettanin e o nome do atual ministro Teori Zavascki, que fez vários ternos com o alfaiate, isso, provavelmente, nos anos 1970, no início da carreira do ministro, que já era casado e eventualmente aparecia com a família para provar as roupas. Todi casou-se com Maria de Lurdes, que, além de cuidar dos filhos Ricardo, Cristina e Sandra, pegava junto na costura e no acabamento das peças.

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O alfaiate, já maduro, em seu ateliê
O movimento era intenso e os dois não tinham folga, trabalhando até tarde, e também nos finais de semana, para entregar as roupas com pontualidade. Os primeiros ternos das nossas vidas, aqueles usados em bailes, festas de 15 anos, na missa aos domingos, ou eram feitos por alfaiates, ou comprados em lojas como Guaspari, Renner e Bier Ullmann, entre outras. Um quadro que havia na alfaiataria tem a estranha presença de um coelho. “Talvez quisesse dizer que o serviço da casa era rápido”, explica, brincando, Maria de Lurdes.

Colaborou Inácio Roberto Knapp

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Etiqueta da alfaiataria

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Quadro da alfaiataria

OAB/RS: a história

22 de julho de 2016 0

Conforme registrou Cláudio Lamachia, atual presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), “as instituições, assim como as civilizações, as nações e as comunidades em geral, precisam que os seus registros históricos sejam feitos continuamente, mantidos e preservados para a posteridade. Na realidade, tais registros serão nada mais, nada menos, do que a memória fidedigna da sua existência, que servirá de estímulo, de orgulho e, certamente, de exemplo para os sucessores de todos os tempos, notadamente no que a história tiver de melhor”.

Coerente com a posição, o livro OAB/RS – A história, obra coordenada por Sulamita Santos Cabral, junto com a historiadora Karla Viviane e a jornalista Nathalia Rech, reconstruiu vários períodos da existência da sociedade gaúcha sob o cenário de atuação da entidade. Na abertura do livro, o ex-presidente Justino Vasconcelos afirma: “A advocacia é, sobretudo, ideal, impulso para o certo, para o justo, para o bem. Na defesa, (o advogado) encarna a liberdade, soberania original do povo, não transferida, nem transferível ao Estado. Na acusação, reprime os crimes, os ódios e as prepotências.

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Getúlio Vargas com Macedônia e membros da OAB/RS

Cumprirás teu destino de grandeza, na medida em que aproveitares a herança de sabedoria, século após século, acumulada por nossos antecessores.
A advocacia é aprendizado que não finda”. O ancestral mais próximo da Ordem, o IAB (na época, Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros), teve seu surgimento reconhecido no dia 7 de setembro de 1843, 21 anos após a proclamação da independência do Brasil. O Instituto dos Advogados do RGS (IARGS) foi criado em 26 de outubro de 1926. O objetivo era congregar os bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais, ser gerador da cultura do Direito, promover o aperfeiçoamento da justiça e da sociedade, e, principalmente, esforçar-se pela regulamentação da profissão.

Leonardo Macedônia foi eleito seu primeiro presidente. O IARGS teve papel relevante para a criação da OAB, afinal Osvaldo Aranha era um dos sócios fundadores e um dos líderes da Revolução de 1930. No dia 19 de outubro daquele ano, Getúlio Vargas, chefe do governo provisório, assinou o decreto que criava a OAB. Outro decreto, de 1931, previa a criação de seccionais nos Estados. Em 11 de abril de 1932, foi constituída a primeira diretoria da OAB/RS, com Leonardo Macedônia sendo escolhido como seu primeiro presidente e ganhando a carteira número 1. A primeira mulher a se inscrever na OAB/RS foi Maria Else Iris Potthoff, no dia 22 de março  de 1937, sob o número 653.

00bc2af8 Leonardo Macedônia, dono da primeira carteira da OAB/RS

00bc2afa Maria Else Iris Potthoff, primeira mulher inscrita na OAB/RS

Terceira idade

21 de julho de 2016 0

De repente me dou conta de que cheguei na idade que tinha meu avô. Faço, hoje, 65 anos. Claro que lembro vagamente dele também com outras idades, mas, quando penso nele, ele tem 65 anos. Não adianta ver aquelas fotos formais dele jovem. Quando ele morreu, em 1964, poucos anos depois do falecimento da minha avó, eu tinha 13 anos. Ele, algo mais que 65 anos. Existe alguma dúvida quanto à data exata do seu nascimento, mas é certo que veio de Morano Calabro, onde nasceu, com oito anos de idade. Aqui, casou-se com minha avó Firmina, calabresa como ele. Eles são os pais de minha mãe, Nilce. Os pais do Hamilton, meu pai, não conheci.

 

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Seu Natale e dona Firmina, no batizado da primeira neta Maria Teresa

Recordo do vô Natale (Di Leone), esse era seu nome, trabalhando atrás do balcão de mármore do Açougue Duque de Caxias, no Alto da Bronze, no centro de Porto Alegre. Ali, havia um trilho preso à parede, com pontudos ganchos que se deslocavam, onde se penduravam grandes pedaços de carne. Havia também um enorme cepo, com três pés, em forma de mesa, onde ele serrava os ossos ou cortava, manualmente, a carne. Tinha, ainda, uma balança com pratos de metal e tampo também em mármore. Seu Natale reclamava de reumatismo, e não existiam próteses, como as que instalei nos joelhos alguns anos atrás. Ele gostava de bitter. Talvez para não despertar a ira e suspeita de dona Firmina, guardava a bebida numa garrafa de Coca-Cola, na geladeira.

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Natale, com a filha Nilce, no trenzinho do Corcovado, em 1951

 

Um dia, garoto ladino e equivocado, tomei um grande gole achando que era refrigerante. Desceu queimando garganta adentro. Talvez tenha começado aí minha paixão por Underberg. Meu avô, como eu, gostava muito de ferramentas. Convivemos pouco, mas o dia em que ele aproveitou a enxurrada, na sarjeta, para girar um moinho de brinquedo feito por ele, foi o máximo. Ainda não tenho netos, mas, o que é ser idoso? É andar de moto, como faço e amo? Ou é calcular cada gesto, para evitar imprevistos (como, agora, sou obrigado a fazer)? Ou, melhor dizendo: tentando evitar, na verdade, os previstos. Por pudor, deixo livre as vagas de estacionamento para os mais velhos? Ou seria porque ainda não caiu a ficha? Ser idoso, entre outras coisas, é dizer coisas como “caiu a ficha”. Pode parecer estranho, mas, não gostaria de ter nem sequer um ano a menos. Acho lindo, mas não invejo os jovens. Talvez seja apenas por uma curiosidade em saber como acaba isso…

 

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Catedral em obras

20 de julho de 2016 0

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No mesmo local onde agora está a Catedral Metropolitana, na Praça da Matriz, ou Praça Marechal Deodoro, que é o nome oficial, existiu no passado um outro templo, que foi derrubado na década de 1920. O autor do projeto dessa primeira igreja é desconhecido, mas se sabe que a planta veio do Rio de Janeiro, em 1774, e que naquele mesmo ano foram tomadas as providências para o início da sua construção, que efetivamente só começaria em fins de 1779. Em 1841, a velha matriz já estava muito pequena para a cidade e o prédio bastante arruinado.

A ideia de uma nova catedral foi alimentada pelos bispos Sebastião Dias Laranjeira e Cláudio José Ponce de Leão. Mas foi o arcebispo dom João Becker que, em 1915, deflagrou os estudos preliminares para que uma nova e grande catedral fosse erguida. Até um concurso foi feito para escolher o projeto. Apesar disso, a proposta vencedora foi descartada e o arcebispo resolveu encomendar um novo projeto ao arquiteto romano João Batista Giovenale, professor e responsável por muitas igrejas italianas. As obras da nova igreja começaram  em 1920, com a terraplenagem e as demolições necessárias.

A cripta foi inaugurada em 1929 e ali foram realizados, durante muito tempo, todos os ofícios religiosos. Somente 20 anos depois, as celebrações puderam passar da cripta (com entrada pela Rua Espírito Santo) para a nave principal com acesso pela Rua Duque de Caxias. Isso só aconteceu em 1948, quando dom Vicente Scherer já era o arcebispo. As torres só foram concluídas em 1971, e a cúpula em 1972. Finalmente, em 10 de agosto de 1986, após esforços de dom Cláudio Colling, pôde ser consagrada e dada por concluída a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre.

Fonte: Porto Alegre – Guia histórico, de Sérgio da Costa Franco

Encontro da Família Zoppas

20 de julho de 2016 0

O 4º Encontro da Família Zoppas será no próximo sábado, dia 23, no Clube Integração, em Garibaldi, com a motivação especial de comemorar os 88 anos de Rosalina Magdalena Zoppas Accorsi, neta do imigrante Antonio Zoppas.
A história da família Zoppas no Brasil começa em 1881, com a chegada de Antonio Zoppas, oriundo do Distrito de Vittorio Veneto, na Itália. Antonio Zoppas e sua esposa, Caterina Scottá, estabeleceram-se na colônia Conde d’Eu, atual Garibaldi, onde deram início à fábrica de gaitas Zoppas.
Foram localizados registros de recolhimento de impostos referentes a essa fábrica datados de 1897, o que a torna, até o momento, a primeira fábrica de gaitas do Brasil.
O Museu Municipal de Garibaldi registra parte da história da família Zoppas, inclusive com um exemplar da gaita Zoppas fabricado em 1930, além da certidão de recolhimento de impostos emitida pelo Arquivo Histórico de Bento Gonçalves. Na foto, netos de Antonio Zoppas, filhos de Luigi Zoppas e Maria Missiaggia: Antônio, José, Orestes, João, Adelina, Agustinho e Rosalina. Mais informações através de facebook.com/FamiliaZoppas.

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O poeta barrense

19 de julho de 2016 0

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Como diz Ana Maria Wurdig Ribeiro, “é fácil e mágico ser filha de um poeta, o difícil é preservar a memória de seus versos como era o seu desejo”. Por isso, no próximo sábado, dia 23 de julho, no Clube 7 de Setembro, em Barra do Ribeiro, a partir das 20h30min, haverá um evento (in memoriam) em comemoração aos cem anos do poeta. Na oportunidade, será lançado um DVD com poesias lidas por várias pessoas da comunidade, fotos, músicas feitas a partir de seus versos e documentos pessoais. Durante o ato, haverá apresentações de artistas barrenses e a renda será em benefício da Apae de Barra do Ribeiro.

Waldy Ribeiro Wurdig nasceu no bairro de Três Vendas, em Barra do Ribeiro, em 16 de julho de 1916. Desde a infância, manifestou gosto pelo ofício de escrever, tanto que, aos 15 anos, já escrevia contos infantis que eram publicados, na época, no Diário de Notícias. Apesar de ter estudado somente até a quarta série primária, Waldy sempre cultivou o gosto pela leitura, além, é claro, de amar sua terra natal como poucos o fizeram. Trabalhou como escrivão no cartório de registros civis, foi um cidadão respeitado, honesto e batalhador pelo progresso de sua cidade. Junto com amigos, lutou pela emancipação do município e foi seu primeiro prefeito, ganhando a eleição por um voto apenas, fato que foi notícia nos jornais de então.

Waldy sempre foi poeta, poeta na forma de escrever, na forma de falar e na forma de viver o amor e a vida. Publicou dois livros, O rio dos meus cantares e Floração de inverno, em que fala das suas maiores paixões: a natureza, sua cidade e sua esposa, Maria de Lourdes Nogueira Wurdig. Waldy e Maria foram casados durante 56 anos. Em setembro de 2001, sua companheira resolveu partir. O poeta, então, quase se calou. A tristeza tomou conta de seu poetar e, em dezembro do mesmo ano, foi encontrar-se com seu amor. Existem inúmeras poesias de Waldy, publicadas ou não, cada qual com sua beleza relacionada ao tema ou à época em que foram escritas, porém a que mais emociona entre todas é aquela escrita para sua musa e amor e que enfeita a lápide de sua última morada junto a ela. Contatos com Ana Maria, pelo telefone (51) 9916-1563.

Colaborou Jeferson Schimitt

 

Chegar a Torres

18 de julho de 2016 0
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Uma das três balsas que eram utilizadas para se atingir a praia de Torres, no início dos anos 1950

A leitora Maria Helena Luce Schmitz, ao rever essa antiga foto, decidiu enviar ao Almanaque suas memórias das viagens entre a Capital e a praia de Torres, mais de seis décadas atrás. Diz ela: “Na aprazível, distante e bela Torres, meu pai e alguns dos irmãos Luce haviam comprado apartamentos de veraneio no início dos anos 50. Como as famílias eram grandes, o deslocamento até lá, a cada começo de temporada, tornava-se verdadeira expedição. Um caminhão lotado levava a mudança de todos com muitas malas, bicicletas, ranchos variados, repletos de latas de leite em pó. O comboio dos familiares era distribuído conforme o carro de cada um, como o Dodge Coronet de meu pai e os veículos Austin, Vauxhall e Citröen dos tios. Antes de nos acomodarmos, vinha a primeira pergunta: Quem ficaria na janela? Geralmente um rodízio era feito entre as crianças, espalhadas no banco de trás. Nossa primeira parada para abastecer era no Posto Texaco 35, situado na Plínio Brasil Milano. De quebra, cada um de nós ganhava um delicioso cachorro-quente vendido no local. Dali, o itinerário seguia com tanque lotado e barrigas idem! O trajeto seguinte era feito através da Assis Brasil, em direção a Gravataí, onde se inicia a RS-30, uma estrada sinuosa e causadora de muitos enjoos. Contudo, a promessa de férias felizes mais à frente tinha o poder de aplacar todo e qualquer desconforto. A seguir, vinham Glorinha, Miraguaia e Santo Antônio da Patrulha, dos famosos sonhos recheados com goiabada. Outra parada, e mais abastecimento duplo. A partir dali, à direita da estrada, a Lagoa dos Barros passava a nos acompanhar. Essa lagoa de águas turvas é cheia de lendas, como a da alma penada, devido ao corpo de uma jovem encontrada morta, nos anos de 1940, após sumir de um baile na Sociedade Germânia. Num misto de curiosidade e medo, eu tapava os olhos e espiava, enquanto ouvia com atenção o papo corrente e de voz baixa entre meus pais, algo que marcou toda a sociedade porto-alegrense.

A chegada a Osório vinha logo a seguir. Dessa cidade em diante, passávamos por Maquiné, Terra de Areia, Três Forquilhas e Três Cachoeiras, num caminho feito literalmente de chão batido, onde se comia muita poeira. De tanto em tanto, era comum ouvir alguém dizer em alto e bom som: ‘Fechem os vidros, pois lá vem um carro!’. O tempo chuvoso, na região montanhosa, também aprontava das suas, fazendo muito barro, inundando o pedaço e com queda de barreiras. Havia a travessia de rios por três balsas, duas feitas a “muque” pelos balseiros, mas uma delas, a de Três Forquilhas, era mais moderna  e tinha um barquinho a motor ao lado, que a impulsionava…

A afirmação dita pelas crianças de ‘Quero fazer xixi!’ era frequente e valia sempre a mesma resposta: ‘Espera um pouco, estamos quase chegando!’. No entanto, nunca chegávamos… Em algumas ocasiões, parávamos debaixo de uma exuberante figueira para descansar, fazer piquenique, esquentar as mamadeiras dos pequenos num fogareiro e ouvir histórias contadas por algumas mães. A expectativa para ver a Caverna dos Índios, a Gruta dos Morcegos, nos deixava de cabelo em pé. E se saísse algum de lá e viesse nos atacar! Passávamos incólumes! Felizmente! Porém, àquela altura da viagem, sabíamos que Torres estava chegando, e nada superava a forte emoção crescente entre os pirralhos. Mais um pouco, o carro sairia da estrada que levava a Santa Catarina. Dobraria à direita e subiria o morrinho. De lá, avistava-se o mar ao longe, com o imponente prédio da Sapt (Sociedade dos Amigos da Praia de Torres). Nos carros, a gritaria corria solta, pois quem falasse primeiro seria o vencedor dessa disputa familiar, uma lembrança jamais esquecida por quem a viveu, cujo troféu, muitas vezes, era um sorvete no Hotel Farol!

Pinceladas de um mestre da vida

16 de julho de 2016 0

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Na próxima quarta-feira, dia 20, às 20h, não posso não estar na Fundação Ernesto Frederico Scheffel (Avenida General Daltro Filho, 911, Hamburgo Velho/Novo Hamburgo), afinal, nessa data, hora e local, o fotojornalista Alceu Feijó (foto acima) estará lançando seu livro A imagem além do tempo (acima), que passa a limpo parte importante da sua longa trajetória de mais de 60 anos de fotografia e quase 90 de vida. A obra (edição da Um Cultural, 156 páginas) é apenas a mais recente das tantas coisas que Feijó protagonizou. Nascido em São Francisco de Paula, no dia 14 de junho de 1927, formou-se em Mecânica, na Escola Técnica Parobé, mas foi a fotografia que o realizou. Bisneto de Carlos Von Kozeritz e neto de Mário de Sá, ambos conhecidos jornalistas, Feijó trouxe no DNA o gosto pelas redações. Iniciou colaborando com o jornal O 5 de Abril (Cinquinho) e, nos anos 1950, começou a trabalhar para a Cia. Caldas Jr., na sucursal de Novo Hamburgo.

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No Grupo Sinos, atua desde os anos 1980 e colabora com o Jornal NH desde a sua primeira edição. Embora tenha feito coberturas importantes no Exterior, como a conquista do tricampeonato brasileiro de futebol, na Copa do México, em 1970, Feijó se enquadra mais na filosofia de trabalho do fotógrafo francês Doisneau, que se sentia mais à vontade quando tinha intimidade com os assuntos e com a comunidade que registrava com sua câmera. Não por acaso, a indústria de calçados é tema recorrente em suas fotos. A imagem de alunos descalços visitando o pavilhão da 1ª Feira Nacional do Calçado (Fenac), em 1963, fala tudo da sensibilidade e do homem que Feijó se tornou. Chega de conversa! Fiquem com o silêncio eloquente das fotos de Alceu Feijó.

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Rua Annes Dias

14 de julho de 2016 0

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Em seus primórdios, embora a Santa Casa estivesse edificada fora do arruamento urbano, foi mencionada pelo viajante francês Saint-Hilaire. Há um documento, de 1828, em que o hospital é situado como sendo na Rua do Portão, numa óbvia referência ao portão da vila que teria existido nas suas imediações. Mas logo prevaleceria a denominação de Rua da Misericórdia. A rua, que passa diante da Santa Casa de Misericórdia, só ganhou o nome de Rua Annes Dias, dado em homenagem ao médico gaúcho Heitor Annes Dias (falecido em 1943), no ano de 1952.

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Na foto que publicamos hoje, obtida na década de 1940, é curioso observar que o trecho do prolongamento da Rua Senhor dos Passos, junto à Praça Dom Feliciano, agora um paredão de edifícios, era composto apenas por velhos casarões de porta e janela, sem nenhuma construção mais alta. Pode-se ver também que, na esquina da Avenida Senador Salgado Filho, então recém aberta, local onde, depois, seria construído o viaduto, está o quartel do 8º Batalhão de Infantaria. Mais tarde, nos anos 1950, foi também sede da 3ª Companhia de Polícia do Exército. Com a construção do Viaduto José Loureiro da Silva, inaugurado em 1970, esse quartel desapareceu do cenário. Na Cidade Baixa, o casario era, também, tão baixo, que na parte superior da imagem se pode ver, ao fundo, o prédio do Pão dos Pobres, às margens do Guaíba.

Fonte: Porto Alegre – Guia Histórico, de Sérgio da Costa Franco

Memórias de um menino

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Nosso leitor Rui Antônio Gonzales (foto abaixo) era apenas um garoto de 11 anos, mas se lembra bem da mobilização em Santo Ângelo, naquele sábado, dia 11 de julho de 1959, quando um desastre aéreo traumatizou a população da cidade. Às 13h30min, depois de vários voos rasantes sobre o centro da sede do município, o avião NA T-6 da FAB (Força Aérea Brasileira) bateu num fio de alta-tensão e caiu, explodindo contra o solo, na Rua Marechal Floriano quase na esquina com a Rua Duque de Caxias. O acidente foi diante do Posto Texaco (hoje Posto Ipiranga), dos Irmãos Flach, e próximo à Agência Ford, à Fábrica de Balas e à Casa Comercial H. Weinert. Os dois militares que tripulavam o aparelho morreram carbonizados.

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Além dos bombeiros, que haviam iniciado lá as suas atividades naquele ano, diversos moradores, como Leopoldo Werlang, testemunharam a tragédia, assistiram ao incêndio e ajudaram na remoção dos corpos, que estavam irreconhecíveis, e dos escombros do avião. A desgraça poderia ter sido ainda pior se a aeronave tivesse atingido o posto de combustíveis. Mas, para Leopoldo, o drama se agravaria sobremodo quando, mais tarde, os mortos foram identificados. Um deles, o jovem tenente Ivo Leão Werlang, era seu filho, servia na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e havia ido à Região das Missões para uma visita de surpresa à família. A outra vítima foi o carioca, também tenente, Gilberto Castro Borges.

1  O infortúnio dos Werlang comoveu a cidade. Ivo tinha concluído o Ensino Médio no Ginásio Marista Santo Ângelo, em 1951, havia se casado um ano antes do acidente, no Rio de Janeiro, e morreu aos 24 anos, deixando, além da mulher e da família, um filho com 18 dias de vida. Em suas memórias de menino, Gonzales lembra também do fascínio que o caminhão Ford F-600 dos bombeiros despertou nele. Quinze anos depois, comprou um parecido para trabalhar, e esse tem sido seu fiel companheiro de viagem no tempo. Recordações e sonhos de menino.

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