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Porre e entrevero histórico

17 de dezembro de 2014 0

Na última segunda-feira, na nota com o título Boa safra de lembranças, que divulgava a obra Memória do Vinho Gaúcho, acabamos atropelando a história. Mesmo que tivéssemos ultrapassado níveis etílicos razoáveis, o que não foi o caso, isso não se justificaria. Alertados por gentis leitores, e como não temos compromisso com o erro, aqui vão nossas desculpas e alguns esclarecimentos.

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Os irmãos Aparício (esquerda) e Gumercindo Saraiva

Falamos em “comandantes da Revolução Federalista de 1923”, entre eles, Gumercindo Saraiva, que foram fotografados, sob uma parreira, em Dom Pedrito. Pura confusão. Os autores dos livros sobre o vinho colheram a foto no volume 1910/1930 da Coleção Nosso Século. Lá, a legenda identifica três dos sete personagens: Osvaldo Aranha, Saraiva e Flores da Cunha. O texto do fascículo esclarece que o Saraiva fotografado é Nepomuceno Saraiva. Ele é filho de Aparício Saraiva. Aparício (1856-1904), e o irmão Gumercindo (1852-1894) foram rebeldes, estes sim, da Revolução Federalista de 1893.

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Os “chimangos”, identificados no texto

A Revolução de 1923, data da foto, é conhecida como Revolução Assisista (Assis Brasil). Foi um levante contra Borges de Medeiros e suas sucessivas reeleições, que só acabou com o Tratado de Pedras Altas, em dezembro de 1923. A foto, que voltamos a publicar hoje, mostra, na verdade, líderes “chimangos” (borgistas), e encontramos a identificação completa no livro Vargas of Brasil: a political biography, de John W.F.Dulles (1967). Da esquerda para a direita, estão: Arlindo Duarte, Osvaldo Aranha, Nepomuceno Saraiva, José Antonio Flores da Cunha, Guilherme Flores da Cunha, José Alvares e Aires Maciel.

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As páginas da Coleção Nosso Século, de onde foi tirada a foto dos líderes da Revolução de 1923

Os Saraiva eram a típica família de caudilhos da fronteira Brasil/Uruguai, uns nascidos em nosso país e outros na “banda oriental”, naqueles tempos animados. O avô de Nepomuceno, Francisco (pai de Gumercindo e Aparício, entre outros tantos filhos), participou da Revolução Farroupilha. Êta gurizada medonha…

Casa de Portugal, 80 anos

16 de dezembro de 2014 0
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A Casa de Portugal, na Avenida João Pessoa, foi palco de memoráveis reuniões dançantes domingueiras e referência em gastronomia lusitana

No dia 16 de dezembro de 1934, um grupo de portugueses, aqui radicados, se reuniu em assembleia e fundou a Casa de Portugal. O primeiro presidente eleito foi Paulo Francisco Portas. Dispostos a preservar os costumes da sua pátria, cultivar as lembranças “da terrinha” e apoiar aqueles que chegassem em busca de novas oportunidades, eles criaram um clube que marcou fortemente a vida social da cidade e chegou a congregar 4 mil sócios em seus dias mais gloriosos. A primeira sede foi instalada em um espaço alugado no número 131 da Rua Capitão Montanha, no centro da Capital. Já na década de 1950, foi adquirido um bom terreno no número 579 da Avenida João Pessoa, para a construção da sua primeira sede própria. As célebres reuniões dançantes, aos domingos, foram um dos programas preferidos da juventude porto-alegrense, até a década de 1980. Igualmente, o restaurante, a cargo de Joaquim Gomes, foi referência gastronômica de boa comida portuguesa, por mais de 30 anos, desde o fim dos anos de 1950. Em 1972, o clube decidiu comprar uma área de cinco hectares, parte com mata nativa, na Avenida Bento Gonçalves, 8.333, onde foi construída a sede campestre, com piscinas, etc. Com a venda do terreno da Avenida João Pessoa para o Grupo Zaffari, todos os departamentos (social, cultural e esportivo) se transferiram para a sede da Avenida Bento Gonçalves. Com menos portugueses natos imigrando para o Brasil, a agremiação foi se abrindo, ampliando o acesso ao seu quadro social e acolhendo também associados de outras etnias. O atual presidente, Antonio David da Graça, agora que a Casa de Portugal faz seu aniversário de 80 anos, está empenhado, e arrematando negociações, para a abertura de um restaurante na sede da Bento. Um lugar que ofereça estacionamento fácil e, quem sabe, mate nossa saudade dos velhos tempos, e da saborosa cozinha lusa do “seu” Joaquim. Seria um bom presente para nossa cidade.

Boa safra de lembranças

15 de dezembro de 2014 0

Hoje, no Ecomuseu da Cultura do Vinho, um espaço instalado dentro do Parque Dal Pizzol, em Faria Lemos, Bento Gonçalves, haverá o lançamento da obra Memórias do Vinho Gaúcho. Em 752 páginas, distribuídas em três volumes, os autores Rinaldo Dal Pizzol e Sérgio Inglez de Sousa concentraram um trabalho de 30 anos recolhendo imagens e documentos de fatos relacionados ao universo vitivinícola em nosso Estado. O levantamento das memórias começa pelos primórdios da vitivinicultura gaúcha, entre 1600 e 1875, em que trata, por exemplo, dos jesuítas como os primeiros viticultores gaúchos, e se encerra com as grandes transformações do vinho brasileiro entre 1990 e 2000.

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Os três volumes da obra

Entre os registros, destacam-se fotos históricas, como a cena, em 1923, de comandantes da Revolução Federalista, entre eles Oswaldo Aranha, Gumercindo Saraiva e Flores da Cunha, embaixo de uma pérgola de videira em Dom Pedrito; e um anúncio da fazenda Quinta do Seival, de propriedade de João Marimon e seus filhos, em Bagé, considerada o maior estabelecimento vitivinícola do Estado naquela época.

Além disso, a obra traça um perfil do imigrante ítalo-vêneto e resgata informações como a quantidade de vinho que as colônias Dona Isabel e Conde d´Eu, hoje Bento Gonçalves e Garibaldi, , respectivamente, produziam em 1883. Como fatos mais recentes, o livro trata da criação do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), em 1998, e da primeira Avaliação de Vinhos da Associação Brasileira de Enologia (ABE), em 1993.

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Colono esmaga uva com os pés

O trabalho se propõe a ultrapassar o papel de simples suporte de memórias do segmento e lança elementos para a compreensão da verdadeira essência da atividade vitivinícola gaúcha, qualquer que seja o ponto de vista: técnico, social, político e cultural. A intenção foi trazer a público o vinho gaúcho enquanto produto do esforço humano em suas comunidades e vinculado a seus modos de vida, sempre carregado de conotações simbólicas e de sentidos.

Além da pretensão de produzir análises e reflexões, os autores esperam incentivar a comunidade vinícola gaúcha a vasculhar as evidências de seu passado para, assim, contribuir com essa história e estimular que a obra possa ser ampliada, aprofundada e modificada, se for preciso. Depois do evento de hoje, na Serra, haverá também outro, no dia 17 de dezembro, na Farsul, em Porto Alegre.

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Os revolucionários de 1923, embaixo de uma pérgola de videira

No início de 2015, os livros serão lançados em São Paulo e, nos dias 25 e 26 de fevereiro, ocorrerá uma apresentação especial para o setor vitivinícola em Bento Gonçalves e em Flores da Cunha. Dal Pizzol gostaria que a extensa busca realizada sobre o vinho gaúcho e sua cultura pudesse despertar outros setores para que contem suas histórias, “pois esse tipo de registro é uma boa forma de difundi-las”, ressalta.

Um doutor na arte de viver

13 de dezembro de 2014 0

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Amanhã, dia 14 (domingo), às 18h30min, no espaço de eventos da Rossi (Avenida Ipiranga, 7.454), será inaugurada a Rua Doutor Edgar Diefenthaeler, logradouro público localizado no bairro Jardim do Salso. A denominação é homenagem ao renomado médico oncologista de Porto Alegre, que durante 20 anos trabalhou na Santa Casa de Misericórdia. Diefenthaeler costumava veranear na praia de Itapeva, em Torres, onde foi um dos veranistas pioneiros.

Foi lá, em um dos lugares que ele mais gostava, sua casa à beira-mar, que, em 8 de fevereiro de 2013,  aos 92 anos, o médico faleceu, depois de dedicar mais de 66 anos da sua longa vida à medicina. Casado com Helena, eles tiveram quatro filhos: Edgar, Marília, Eunice e Eleonora. Um homem voltado essencialmente para sua profissão e para sua família, desenvolveu uma importante trajetória. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Também fundou e dirigiu o Hospital de Câncer Santa Rita. Ele concluiu os estudos na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 1942. No final dos anos 50, foi estudar na Universidade de Munique, com o professor Walter Bungler, na época, o mais famoso especialista em Patologia, e, depois, com o professor Bauer, da Universidade de Heidelberg, uma das mais antigas universidades do mundo, local em que complementou sua especialização em cirurgia oncológica.

Fundador também da então Faculdade Católica de Medicina, organizou e, por mais de 10 anos, foi chefe do departamento de cirurgia. Como reflexo do seu trabalho no hospital e em outras instituições, doutor Edgar recebeu diversas homenagens. Entre as mais importantes distinções: medalha do centenário de nascimento do professor Mário Kröeff, do Serviço Nacional de Câncer, pela luta contra o câncer no país; destaque da Secretaria de Saúde, pelo reconhecimento ao seu trabalho no Estado; título honorífico de Cidadão Emérito de Porto Alegre e, hoje, o bloco cirúrgico do Hospital Santa Rita leva o seu nome.

Um dos seus legados foi sempre salientar a importância da boa relação médico-paciente e, outro, seu empenho em aliviar o sofrimento das pessoas. A preocupação com o conhecimento médico e a sua postura de humildade fizeram com que, muitas vezes, não hesitasse em consultar os colegas frente a grandes dificuldades. Com essa atitude, conquistou o respeito e a admiração de muitos seguidores, como confirmam seu filho Edgar e a neta Liliane, que foram seus alunos na Faculdade de Medicina, bem como o seu genro, doutor Nilton Herter, seu assistente na cadeira de cirurgia.

Com generosidade e dedicação, desenhou uma longa e brilhante carreira, e, apesar de reconhecer o momento de se aposentar, após tantos anos trabalhando, seus pacientes continuavam ligando para agendar consultas. Doutor Edgar desfrutou sua vida até o último momento. Talvez o grande prazer em viver tenha sido a motivação para lutar pela saúde de seus pacientes. Médico referência e nacionalmente reconhecido como pioneiro no combate ao câncer, é, agora, em mais uma justa homenagem, nome de rua da Capital.

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Petrobras

12 de dezembro de 2014 0

Logo após a Segunda Guerra, ficou ainda mais clara a importância que o petróleo teria nos tempos seguintes. No início dos anos de 1950, o Brasil estava dividido entre os descrentes na capacidade do país para, de forma autônoma, explorar seus recursos naturais e os defensores da frase “o petróleo é nosso”, contrários à extração e comercialização do produto por empresas estrangeiras.

Em 3 de outubro de 1953, foi sancionada a Lei 2004, que criava a Petrobras. “O Congresso acaba de consubstanciar em lei o plano governamental para a exploração do nosso petróleo. A Petrobras assegurará não só o desenvolvimento da indústria petrolífera nacional, como contribuirá decisivamente para limitar a evasão de nossas divisas. Constituída com capital, técnica e trabalho exclusivamente brasileiros, a Petrobras resulta de uma firme política nacionalista no terreno econômico, já consagrada por outros arrojados empreendimentos, cuja visibilidade sempre confiei.

É, portanto, com satisfação e orgulho patriótico, que hoje sancionei o texto da lei aprovada pelo Poder Legislativo e que constitui novo marco da nossa independência econômica”, afirmou o presidente Getúlio Vargas ao assinar a lei. O capital da nova empresa foi constituído também por contribuições compulsórias. Ao emplacar um novo carro, ou consumir combustível, parte da arrecadação obtida era destinada, então, à consolidação da Petrobras.

O leitor Alcides Francisco Veronese talvez seja um dos poucos brasileiros que guarda um documento dessa época. Quando o pai dele, José Veronese, emplacou uma camioneta Dodge 1951, em Farroupilha, em 1954, pagou Cr$1,6 mil à Coletoria Federal da cidade, através da guia de recolhimento (reprodução), “para os fins previstos” em lei. Ao enviar cópia do documento, Veronese lembra que a Petrobras foi feita com o esforço de muitos brasileiros.

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Colaborou Alcides Francisco Veronese

Guaporé 111 anos

11 de dezembro de 2014 0

11048303 Neste 11 de dezembro, Guaporé comemora 111 anos de autonomia política como região desmembrada de Lajeado e Passo Fundo. O “vale deserto”, provável significado do nome Guaporé, em guarani, apresentou rápido crescimento graças ao trabalho incansável dos imigrantes, em sua maioria de descendência italiana. Na década de 1950, os 1,5 mil quilômetros quadrados do município tornaram-no um grande produtor agrícola. Nessa época, já produzia muito milho e ocupou o primeiro lugar na produção de nozes. Foi destaque no cultivo de trigo, de cevada e na criação de suínos. O município tinha seis frigoríficos. Hoje, a sua economia está baseada nas indústrias de joias e de lingerie e na metalurgia. O desmembramento dos distritos de Casca (Vila Maria, Serafina Corrêa, Muçum, Dois Lajeados e União da Serra) gerou novos municípios, que, por sua vez, deram origem a outras cidades, como São Domingos do Sul, Vanini, Santo Antônio do Palma, Montauri, Vespasiano Corrêa e São Valentim do Sul. A extensão territorial de Guaporé, agora, não ultrapassa os 300 quilômetros quadrados. A foto acima, de 1924, mostra a Praça Central Vespasiano Corrêa, a mesma da foto atual, abaixo. Sobre a foto antiga, na época em que ela foi batida, alguém escreveu: “Em franca prosperidade, promete ficar uma beleza”. A profética mensagem de novos e bons tempos para o município que estava apenas nascendo confirma a confiança no futuro e nos permite reforçar nossos votos de felicidades, em mais este aniversário de Guaporé. 11048302

Carroceiro VIP

10 de dezembro de 2014 0

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Na próxima sexta-feira, dia 12, às 20h, durante o 14º Rodeio Crioulo, Artístico e Cultural das Barrancas do Jacuí, em Espumoso, será lançado, pelo Grupo de Arte Nativa Sepé Tiaraju, o troféu O Carreteiro João Bertani. É a homenagem a um homem simples e trabalhador, descendente de imigrantes italianos e pai de sete filhos. Quando ele nasceu, em 1895, na localidade de Barracão, interior de Bento Gonçalves, foi batizado como Giovanni Bertani. Casou-se com Dozolina Donatti Bertani e instalou-se onde hoje é o município de Victor Graeff, junto ao rio da Glória, em terras de parentes da família Pértile, dividindo a atividade na abertura de lavouras com a de barqueiro.

Quando serviu ao exército, o nome estrangeiro foi trocado para João. Com suas economias, fez a primeira aquisição de terras em Espumoso, onde é hoje a Cooperativa Tritícola de Espumoso Ltda (Cotriel). Do primeiro casamento, teve cinco filhos: Hortenila, Zulmiro, Romilda, Armídio e Zanir (todos falecidos). Depois casou-em com Emma Favaretto Bertani (que residia em Não-Me-Toque) e teve mais dois filhos: Mário Luiz e Lucia Maria (falecida). Durante sua vida, João só teve 30 dias de aulas com um professor italiano.

Mesmo assim, conseguiu alfabetizar-se e sempre deu enorme valor à educação, incentivando muito a que os filhos estudassem. Um deles, Armídio, foi presidente da Cotriel durante sete mandatos e, hoje, empresta o nome ao Parque Municipal de Exposições, onde será realizado o Rodeio. Outro dos filhos dele, Mário (56 anos), o mais novo, também presidiu a cooperativa durante uma gestão (1993-1996), foi vice-presidente em outra, e prefeito de Espumoso, entre 1997 e 2000. O “velho” João Bertani foi carroceiro, conforme atesta a sua “carteira de condutor de carroça” (reprodução acima), e fazia o trajeto de Espumoso até as “colônias velhas”, como chamavam a região, e Encantado, Bento Gonçalves e arredores.

Foi ele quem comprou uma das primeiras trilhadeiras do município. Foi proprietário, também, de uma olaria e de uma atafona (fábrica de farinha de mandioca), pioneiras na região. Com os filhos Armídio e Zanir, adquiriu o primeiro trator (Ford a gasolina) do município, um dos primeiros conjuntos mecânicos para colher trigo: a corta-e-ata (diziam “cortaiata”), uma colheitadeira que era rebocada pelo trator.

A festa do rodeio começa na quinta-feira e vai até domingo. Terá shows, praça de alimentação, atrações culturais, parque de diversões e feira de produtos campeiros. O campeão geral do rodeio artístico, o campeão da prova de tiro de laço homenageado e a orgulhosa família de João Bertani, um carroceiro verdadeiramente importante, serão os agraciados com o troféu.

Hotel Majestic

09 de dezembro de 2014 1
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A primeira etapa do prédio, concluída em 1923

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O edifício completo, como é hoje.

No último dia 2, com a retirada dos tapumes usados na restauração externa do edifício, a cidade pôde voltar a desfrutar, integralmente, do visual de um dos prédios mais icônicos da Capital: o antigo Hotel Majestic, que hoje abriga a Casa de Cultura Mario Quintana. É um bom momento para que se voltar no tempo e recuperar algumas informações do passado. O Hotel Majestic foi fruto da ousadia empresarial de Horácio Carvalho e do talento de Theo Wiederspahn. Horácio Carvalho (Alegrete, 1860 – Porto Alegre, 1938) tornou-se um comerciante de sucesso, antes mesmo dos 40 anos. Depois de trazer sal e açúcar do Nordeste, adotou novos empreendimentos, como a importação de cimento e ferro da Alemanha, de outros materiais de construção, além de continuar com os negócios de origem.

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As obras da segunda etapa sobre a Travessa Araújo Ribeiro

Ele comprou, então, extensos terrenos à beira do Guaíba, onde mandou construir trapiches, para ali atracarem navios. Construiu, também, armazéns que tomavam parte da Rua Sete de Setembro, da Rua Júlio de Castilhos e da Siqueira Campos. Em suas viagens à Europa, encantou-se com o bom gosto e a solidez dos prédios que estavam sendo construídos. Como queria, além de sua vida de empresário, revolucionar também a arquitetura da cidade, estendeu sua audácia, desejando um prédio que se destacasse entre os demais, e que fosse reconhecido e identificado ao primeiro olhar. Horácio encontrou no alemão Theodor Alexander Josef Wiederspahn, o profissional reconhecido, com visão e estilo, que não tinha receio de utilizar novas ideias. O projeto de Theo era belo, novo, impressionante: dois blocos de cinco andares, separados pela Travessa Araújo Ribeiro e ligados por cima desta, a partir do segundo andar, por passarelas vazadas e sustentadas por pilares. Os trâmites da construção começaram em 1913. O início da Primeira Guerra atrapalhou e só em 1918 a primeira parte do edifício ficou pronta. Em 1923, o prédio foi arrendado para Masgrau Irmãos e Cia., que lhe deram o nome de Majestic Hotel. O ambiente sofisticado, com mármores portugueses nas escadarias e nos pisos, os gradis das sacadas, a refinada cozinha e a orquestra tocando todas as noites atraíram hóspedes ilustres, entre os quais, Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, João Neves da Fontoura, Lindolfo Collor e João Goulart, ou artistas como Francisco Alves e a vedete Virgínia Lane.

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O casal Horácio e Leocadia, com as filhas.

Entre 1927 e 1929, foi complementada a segunda etapa do hotel, que, pronto, possuía 300 quartos, todos com luz e ar diretos, alguns apartamentos especiais para famílias e salão de refeições para 600 pessoas. O Hotel Majestic fechou, já decadente, em 1980. O Centro Cultural (CCMQ) abriu as portas em 1990.

A gruta da Praça XV

08 de dezembro de 2014 0
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A gruta e a ponte ornamental foram destruídas na modernização da Praça XV, em 1925, na gestão Otávio Rocha

A Praça XV de Novembro, sendo uma das mais importantes áreas centrais da cidade, já passou por muitas transformações ao longo da história. Nos primeiros anos do século 19, o lugar, sem urbanização, já era conhecido como Praça (ou Largo) do Paraíso. Em 1842, ali, foi construído um primeiro mercado. O espaço foi ocupado por quitandeiros e vendedores de peixe. Para auxiliar a chegada dos produtos, que vinham de carreta ou pelo rio, foi criada uma doca onde hoje está a Praça Parobé. Com a inauguração do atual Mercado Público, na virada dos anos de 1860 para os de 1870, a praça foi rebatizada com o nome de Conde D’Eu e se cogitou uma efetiva urbanização, que acabou só acontecendo no início da década 1880, quando foram implantadas melhorias, como a construção de um primitivo chalé de madeira, arborização e instalação de gradis de ferro, com quatro portões de acesso aos jardins. Em 1881, o logradouro ganhou uma gruta e uma ponte ornamental, que teriam sido projetos encomendados pela prefeitura ao cenógrafo italiano Oreste Colliva. Três anos depois, a praça ganhou um lindo chafariz de ferro, que hoje está no Parque Farroupilha. Em 1889, a Proclamação da República ensejou que o nome fosse trocado pelo atual, Praça XV de Novembro. Em 1911, foi inaugurado o belo Chalé que até hoje lá está. Em 1919, a doca foi aterrada e, ali, foi criada a Praça Parobé. Em 1925, na gestão de Otávio Rocha, a Praça XV passou por novas mudanças. A gruta foi demolida e o chafariz foi transferido para o centro da Praça Parobé, onde ficou até ser transferido, no início dos anos de 1940, para a Redenção.

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O chafariz de ferro fundido, que estava na Praça XV, foi transferido, em 1925, para a recém criada Praça Parobé

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Turma de Direito da PUCRS completa 60 anos

06 de dezembro de 2014 0

Com um almoço, hoje, no Hotel Everest, a 4ª Turma graduada pela Faculdade de Direito da PUCRS, que se formou em 23 de dezembro de 1954, celebrará os 60 anos de conclusão do curso. Na cerimônia de colação de grau, a turma teve como paraninfo o professor Armando Câmara, de quem foram alunos no primeiro ano. Foram 50 os bacharéis que se formaram naquela data, dos quais ainda vivem mais de uma dezena. A turma iniciou o curso em 1950, com 72 alunos. Entre os seus integrantes, além dos que se dedicaram especialmente à advocacia, muitos se destacaram na atividade pública e na iniciativa privada (agricultura, indústria, comércio).

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O paraninfo, professor Armando Câmara, entrega o diploma ao formando em Direito, Alexandre Henrique Gruszynski

 

Entre os que optaram pela magistratura, três chegaram a desembargador (ao tempo em que estes eram 25), vários atuaram no Ministério Público, outros como procuradores do Estado, mais de um foi deputado, um foi ministro do TCU. Muitos, a par dessas atividades, exerceram o magistério jurídico, na própria PUC e em outras universidades. Devem estar presentes: Alcidina Josende do Canto, Alexandre Henrique Gruszynski, Aloysio Rôa, Edison Barbosa Cécere, Genésia Minatto Brandão, Gladys Merlotti O’Donnel, Ivar Serrano Pacheco, Jacy de Souza Mendonça, Olavo Jorge Kuhn, Sruli Mordco Zilbermann e Telmo Kretzmann. Também fizeram parte da turma, entre outros: Ademar Ghisi, Celestino Goulart, José Barison, Hermann Homem de Carvalho Roenick, Mário Rocha Lopes, Alberto Klumb e Cyro Pereira Aquino.