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Propagandas para atrair o público gaúcho

23 de abril de 2014 0
Foto: Revista do Globo, Reprodução

Anúncio da erva Fontana destaca as qualidades do chimarão, inclusive para as crianças. Foto: Revista do Globo, Reprodução

Os três anúncios que reproduzimos na coluna de hoje foram publicados numa mesma edição, a de número 687, da Revista do Globo de abril de 1957. Eles têm em comum o forte apelo às tradições gaúchas para cativar o público. Naquele em que o produto é a herva mate do Brasil (sic), nada mais adequado. O Chimarrão Fontana é apresentado como “o prazer que é tradição”, ou “o chimarrão da família gaúcha”. A ilustração reforça o texto que afirma que a bebida é “tão saudável às crianças”.

Foto: Revista do Globo, Reprodução

Publicitários compararam a qualidade dos aparelhos à famosa bebida gaúcha. Foto: Revista do Globo, Reprodução

O anúncio da linha Philips Super M de rádios e radiofones diz que os aparelhos são tão bons como “a chimarrita e o chimarrão!”. A Real Aerovias, empresa de linhas aéreas, batizou, então, um dos seus voos de Gaúcho, e recomendava: o Gaúcho sai mais cedo. Apesar do gaudério a cavalo no desenho, a sugestão enfatizava: “você viaja nos moderníssimos Super-Convair com um serviço de hotel de luxo.” Pelo jeito, na época, o pessoal dos departamentos de criação das agências de publicidade trabalhava pilchado.

Foto: Revista do Globo, Reprodução

Empresa de linhas aéreas batizou um dos voos de Gaúcho.       Foto: Revista do Globo, Reprodução

A Porto Alegre by night dos anos luminosos

22 de abril de 2014 1
Rua da Praia na década de 1950. Foto: Leo Guerreiro

Rua da Praia na década de 1950. Foto: Leo Guerreiro

A letra da música Gás Neon, feita por Gonzaguinha na década de 1970, remete a uma cidade que já não existe, mas foi fotografada, mais de 20 anos antes, por Leo Guerreiro. A Porto Alegre by night dos anos luminosos em que brilhavam, nas fachadas de alguns prédios do centro da Capital, nomes como American Boite, Maipú e Mocambo, entre outros com menos sex appeal, mas com igual poder de sedução ao consumo. Eram os anúncios coloridos fabricados com frágeis tubos de vidro que continham gases nobres, genericamente chamados de gás neon, e que eram alimentados por eletricidade de alta voltagem.

Montagem com luminosos de marcas que faziam sucesso no final da década de 1940. Foto: Leo Guerreiro

Montagem com luminosos de marcas que faziam sucesso no final da década de 1940. Foto: Leo Guerreiro

Novas tecnologias e o uso mais econômico e racional da energia, somados à legislação que restringe o uso de mercúrio (que também era empregado), fizeram com que praticamente desaparecessem as glamourosas publicidades de antigamente. O neon foi descoberto pelos químicos ingleses Willian Ramsey (1852-1916) e Morris Travers (1872-1961) por volta de 1898. O aproveitamento industrial em anúncios luminosos começou em 1912 e se popularizou quando, no início dos anos de 1920, se disseminou pela América do Norte.

O neon voltou a ser empregado como referência nostálgica. Foto: Ricardo Chaves

O aproveitamento do neon na propaganda começou em 1912. Foto: Ricardo Chaves

O gás Neon (ou Neônio) é raro na atmosfera terrestre. Há uma parte dele para cada 65 mil, considerando o volume, ou 83 mil, considerando a massa. É obtido pelo resfriamento do ar e pela destilação fracionada do líquido criogênico resultante. Outros gases nobres como Hélio, Argônio, Criptônio e Xenônio também foram usados para obtenção de cores diferentes. Depois de longa exclusão, os luminosos de Neon voltaram à moda, como coisa cult ou em forma de expressão artística. Aos mais nostálgicos e inconformados com a sem gracisse de alguns cartazes noturnos de agora, resta uma viagem a Las Vegas, onde poderão visitar o Neon Museum. Lá estão mais de 150 anúncios antigos, retirados de hotéis e cassinos. A maioria deles, para nossa tristeza, irremediavelmente apagados.

Foto: Ricardo Chaves

Luminosos de neon voltaram à moda como coisa cult ou forma de expressão artística. Foto: Ricardo Chaves

Museu Paulo Firpo, de Dom Pedrito, recebe 30 obras do artista Armando Almeida

21 de abril de 2014 0
Armando Almeida no ateliê do bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Foto: Divulgação

Armando Almeida no ateliê do bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Foto: Divulgação

Durante esta semana, o Museu Paulo Firpo, de Dom Pedrito, comemora seu aniversário. Fundada em 23 de abril de 1968 e inaugurada em 26 de abril de 1971, a instituição vai ganhar, amanhã, um valioso presente. Em sessão solene, às 20h, no Salão Nobre da prefeitura, a viúva do gravurista e escultor Armando Almeida, a também artista plástica Mara Caruso de Almeida, fará a doação de 30 obras do marido ao acervo do museu.

Obra em xilogravura, xilogravura, técnica na qual Armando se especializou e pela qual era mais conhecido. Foto: Divulgação

Obra em xilogravura, xilogravura, técnica na qual Armando se especializou e pela qual era mais conhecido. Foto: Divulgação

Nascido naquela cidade em 1939 e falecido em Porto Alegre no ano passado, José Armando Vargas de Almeida ficou conhecido por seu trabalho em xilogravura, gravura em metal e também por sua atuação como professor de artes. Armando Almeida foi ainda o primeiro coordenador de artes plásticas da Secretaria Municipal de Cultura da Capital e dirigiu o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs) de 1972 a 1973. Ele se graduou no Instituto de Artes da UFRGS, onde, mais tarde, viria a ser professor. Lecionou também no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.

O artista quando jovem. Foto: Arquivo Pessoal

O artista quando jovem. Foto: Arquivo Pessoal

Fez cursos com Xico Stockinger, José Assunção, João Quaglia, Mário Dóglia, Ana Letícia Quadros e Garo Andreasian. Realizou várias exposições coletivas e individuais aqui no RS, em outras cidades do Brasil e no Exterior. Expôs em lugares como Uruguai, Colômbia, Rússia, Portugal, França, Japão, Egito e Estados Unidos. Nas palavras do crítico de arte Armindo Trevisan, “o artista valorizava a figura como portadora de um significado supraindividual e tematizava o cotidiano das multidões anônimas, sem abusar de recursos estilísticos desgastados”. Parabéns ao Museu Paulo Firpo.

 Colaborou Adilson Nunes de Oliveira

Escultura " Carregadores de esterco", cena comum na região da Campanha, que Armando presenciou quando guri, no interior de Dom Pedrito. Foto: Divulgação

Escultura ” Carregadores de esterco”, cena comum na região da Campanha, que Armando presenciou quando guri, no interior de Dom Pedrito. Foto: Divulgação

Encontros de família

19 de abril de 2014 0

FENGLER

Foto: Arquivo Pessoal

Família do casal August Fengler e Matilde Reis. Foto: Arquivo Pessoal

Para relembrar os antepassados oriundos da Silésia Prussiana (hoje Polônia), de onde emigraram em 1854 e 1870 para a região de Santa Cruz do Sul e em 1890 para a região de Ijuí, a família Fengler realizará a sétima Fenglerfest, em Santa Cruz do Sul. O encontro será no dia 26 de abril, na Comunidade Católica Santos Mártires. Informações pelo telefone (51) 8117-0647, com Hélio, ou pelo e-mail familiafengler@gmail.com.

 

SAUSEN

Foto: Arquivo Pessoal

O casal Jacob e Margarida Sausen. Foto: Arquivo Pessoal

O nono encontro da família Sausen será no dia 27 de abril, na Associação dos Funcionários da Cermissões, em Caibaté. O primeiro representante da família a chegar ao Brasil, em 1858, foi o imigrante alemão Peter Josef Sausen. Ele viajou com a mulher e quatro filhos e fixou residência em Santa Cruz do Sul, onde tiveram mais seis filhos. Em 1912, cinco filhos se mudaram para a colônia Cerro Azul, que hoje é o município de Cerro Largo. Informações pelo telefones (55) 3355-1061 e (55) 9979-2938, com Guido, (55) 9938-5208, com Nelci, e (55) 8147-1847, com Sandro.

Biagio Tarantino, o zelador do patrimônio histórico e cultural de Rio Pardo

18 de abril de 2014 0
No altar, Biagio Tarantino zela pela imagem de Cristo. Foto: Arquivo Pessoal

No altar, Biagio Tarantino zela pela imagem de Cristo. Foto: Arquivo Pessoal

Ninguém é insubstituível… Mentira! Biagio Tarantino é um exemplo. Nunca haverá alguém como ele. Sempre que se falar na história de Rio Pardo e, principalmente, na preservação de seu patrimônio histórico e cultural, o nome dele terá de ser lembrado. Não porque ele se tornou nome de rua, de escola e também do Arquivo Histórico. Ao contrário, ele se tornou nome disso tudo pelo trabalho que realizou e pelo amor que dedicou a sua cidade natal.

Crianças na janela de um casarão colonial em Rio Pardo. Foto: Arquivo Pessoal

Crianças na janela de um casarão colonial em Rio Pardo. Foto: Arquivo Pessoal

Biagio foi barbeiro e hoteleiro, mas estimava tanto o passado que o nome de Moderno Hotel foi trocado para Hotel Centenário. Trabalhou no Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), e depois assumiu a sua verdadeira vocação de pesquisador, museólogo e historiador, trabalhando para a prefeitura. Sem formação acadêmica, cursou só o 1º Grau, agora é merecidamente nome de escola.

Na Semana Santa, Biagio conversa com um pescador. Foto: Arquivo Pessoak

Na Semana Santa, Biagio conversa com um pescador. Foto: Arquivo Pessoak

Reuniu tantos objetos e documentos antigos que, quando não havia mais lugar em casa para guardar, foi obrigado a doar ao poder público. Ele está na raiz da criação do importante Museu de Arte Sacra de Rio Pardo e, entre outras iniciativas, impediu que a primeira rua calçada do Estado fosse descaracterizada, tendo suas grandes pedras removidas. Biagio Soares Tarantino nasceu em 1903 e foi casado com Dona Eva, com quem teve oito filhos. Depois que morreu, em 1976, não fez falta só para a família. Continua fazendo falta para todos nós.

Capela de São Francisco, onde está o Museu de Arte Sacra. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

Capela de São Francisco, onde está o Museu de Arte Sacra. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

Confluência de épocas

17 de abril de 2014 1
Em primeiro plano, o bebedouro, e, ao fundo, o Cine Orfeu, que, no final dos anos 1960, se tornaria o Cine Astor. Foto: Leo Guerreiro, Arquivo Pessoal

Em primeiro plano, o bebedouro, e, ao fundo, o Cine Orfeu, que, no final dos anos 1960, se tornaria o Cine Astor. Foto: Leo Guerreiro, Arquivo Pessoal

O Cine Orfeu foi inaugurado em 6 de outubro de 1923, como propriedade da empresa Mendelski & Irmão. A sala possuía 1.395 lugares. Anos depois, no final dos anos de 1960, o nome foi trocado para Cine Astor e essa nova versão chegou com duas grandes novidades trazidas pela modernidade. A tela era mais ampla, com projeção de 70 mm, e o som, estereofônico. O futuro havia chegado. A demonstração cabal e definitiva foi o programa escolhido. Ali os porto-alegrenses assistiram deslumbrados ao lançamento do filme 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. A fita prognosticava um porvir asséptico e enigmático.

O cinema ficava na confluência de importantes vias da Capital, as avenidas Cristóvão Colombo e Benjamin Constant, e pelo encontro das ruas Coronel Bordini e Quintino Bocaiuva. Ao deixar o escuro da matiné, ofuscados pelo sol tropical da tarde, retrocedíamos de imediato cem anos. Naquele entroncamento, durante muitos e muitos anos, a referência foi o bebedouro que ficava junto a um posto de combustível e onde os animais de carroceiros e cavaleiros matavam a sede. O ano de 2001 passou já faz 13 anos, do Cine Astor só resta a fachada deteriorada, e o presente não nos apresenta aquele futuro tão limpo, mas, pelo menos, já não precisamos parar, ali naquela esquina, para dar de beber aos animais.

Igreja São Pedro Apóstolo, de Paverama, completa 100 anos

17 de abril de 2014 0
A igreja em 1948. Foto: Arquivo Pessoal

A igreja em 1948. Foto: Arquivo Pessoal

Fruto do esforço de uma comunidade de Paverama, a Igreja São Pedro Apóstolo da Linha Boa Esperança completa um século de existência neste ano. A construção da pequena Capela São Pedro começou em 1913, após a doação do terreno por João Sparrenberger e Felipe Klock. Eles eram os patriarcas de duas das cinco famílias que formavam a Comunidade São Pedro Apóstolo – também composta pelos clãs de José Luiz Becker, Pedro José Scherer e João Akwa (1855-1940), imigrante russo-alemão que foi o primeiro líder e fundador do grupo católico. A inauguração ocorreu em 1914, quando também foi adquirida a área para o pequeno cemitério ao lado da capela.

A igreja em 2013. Foto: João Vicente Akwa, Arquivo pessoal

A igreja em 2013. Foto: João Vicente Akwa, Arquivo pessoal

Nascimento de Vasco Prado completa 100 anos

16 de abril de 2014 0
Vasco Prado suspende no ar o filho Dadaio, enquanto Zoravia trabalha. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

Vasco Prado suspende no ar o filho Dadaio, enquanto Zoravia trabalha. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

O mítico centauro Quíron era a força aliada à bondade, a serviço dos bons combates. Não é possível pensar no escultor Vasco Prado, nascido há exatos cem anos, em Uruguaiana, sem lembrar dos cavalos que modelava. Conheci o artista, no início dos anos 1970, quando fiz algumas fotos dele para uma reportagem do meu colega na sucursal do Jornal do Brasil, Alexandre Garcia. Vasco fizera uma polêmica escultura, usando sucata de máquinas, para a nova sede do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). Gostou, e me pediu que lhe enviasse cópias das fotos. Pediu mais. Que eu fosse até a casa da família, na Pedra Redonda, onde vivia com a mulher, a artista plástica Zoravia Bettiol, e os filhos.

O escultor junto à obra realizada diante do edifício do Daer. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

O escultor junto à obra realizada diante do edifício do Daer. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

Vasco e Zoravia ficaram casados de 1960 até 1985. Eles tiveram três filhos: Fernando (1960), Eleonora/Nora Prado (1962) e Eduardo (1971). Vasco morreu em dezembro de 1998. Quando a gente tem 20 anos e encontra as pessoas certas, acontece uma mágica que muda a nossa vida para sempre. Aconteceu comigo. O casal tornou-se meu amigo e passei a fazer fotos e visitas àquela casa encantada, cheia de arte por todos os lados. Generosamente, me emprestavam exemplares de uma revista polonesa de grande qualidade gráfica e me davam alguns toques. Eu não confessava, mas sabia que a oportunidade me remetia a David Douglas Duncan fotografando Picasso. Passados tantos anos, percebo o privilégio que foi testemunhar a criação de algumas obras importantes desse artista singular, como o painel para a Assembleia Legislativa. Vi, de perto, quando nasceram marcas na cidade. Grato.

Vasco realiza os primeiros ensaios para o painel que ornamenta o Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

Vasco realiza os primeiros ensaios para o painel que ornamenta o Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

 

Vasco realiza os primeiros ensaios para o painel que ornamenta o Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

Vasco realiza os primeiros ensaios para o painel que ornamenta o Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa. Foto: Ricardo Chaves, Banco de Dados

 

Livro relembrará história do bairro Moinhos de Vento

15 de abril de 2014 1
Pavilhão do Hipódromo dos Moinhos de Vento. Foto: Divulgação

Pavilhão do Hipódromo dos Moinhos de Vento. Foto: Divulgação

Um saudável vento alísio está previsto. Logo ele vai começar a soprar sobre um nobre, e outrora aristocrático, bairro de Porto Alegre. Por iniciativa do pesquisador e historiador diletante Gilberto Domingues Werner um livro a ser lançado em breve vai contar com imagens antigas e atuais a vida do Moinhos de Vento. Werner, um apaixonado por essa área da cidade, na qual morou por 35 anos, aceitou as pressões dos companheiros que se reúnem todas as tardes na mesa de um café na Rua Padre Chagas e resolveu concretizar a obra. Ela é uma declaração de amor ao lugar que o acolheu, quando, aos 10 anos, chegou de Santana do Livramento, onde o pai era pecuarista, para morar na Rua Álvaro Nunes Pereira, 245. O autor foi testemunha das transformações pelas quais passou o bairro.

Foto áerea do bairro em 1956: 1. Hipódromo dos Moinhos de Vento (atual área do Parcão); 2. Antiga Baixada Tricolor; 3. Atual Moinhos Shopping; 4. Rua Dr. Timóteo; 5. Rua 24 de Outubro; 6. Rua Mostardeiro; 7. Grêmio Náutico União. Foto: Divulgação

Foto áerea do bairro em 1956: 1. Hipódromo dos Moinhos de Vento (atual área do Parcão); 2. Antiga Baixada Tricolor; 3. Atual Moinhos Shopping; 4. Rua Dr. Timóteo; 5. Rua 24 de Outubro; 6. Rua Mostardeiro; 7. Grêmio Náutico União. Foto: Divulgação

Apoiado em fotos do Museu Joaquim José Felizardo e dos acervos de Laudelino Teixeira de Medeiros e do fotógrafo Léo Guerreiro, contrapondo com outras atuais, feitas por Neila Sanches, traçou um roteiro visual dessas mudanças. Serão mais de 100 páginas e 150 imagens, com projeto gráfico de Marília Ryff-Moreira Vianna. O garoto que, aos 15 anos, frequentou ao lado do pai o lindo pavilhão do Hipódromo, na Avenida 24 de Outubro, já maduro, em 2002, tentou plantar, no Parcão, um monumento ao Jockey Club do Rio Grande do Sul. Mesmo com sua ideia rejeitada, ele não desistiu. O livro, que está quase pronto, pode funcionar como uma resposta àqueles que não conseguem entender que “o tempo é o senhor da razão.”

Capa do livro sobre as memórias do bairro Moinhos de Vento. Foto: Reprodução

Capa do livro sobre as memórias do bairro Moinhos de Vento. Foto: Reprodução

Os vilões e os mocinhos do Ringue Doze

14 de abril de 2014 3
Gran Caruso vence a luta contra Romano no Ginásio da Brigada Militar. Foto: Lemyr Martins, Banco de dados, 03/02/1967

Gran Caruso vence a luta contra Romano no Ginásio da Brigada Militar. Foto: Lemyr Martins, Banco de dados, 03/02/1967

Nestes tempos de superprofissionalismo e hipermarketing nas megaproduções das lutas do UFC, fica até constrangedor lembrar das ingênuas peleias no Ringue Doze, que tomavam nossa atenção nas noites dos domingos dos anos de 1960. Verdade que era tudo muito tosco, mas também era muito divertido. Os protagonistas vilões eram personagens como “Fantomas, O Gigante Demolidor”, a “Múmia, Centenária e Vingativa” ou “Barba Roja, A Cor Do Mal”. Havia também galãs como “Ted Boy Marino, O Espetáculo Vivo” ou o “Tigre Paraguaio, A Beleza Felina das Multidões”.

Os confrontos, que se realizavam no Ginásio da Brigada Militar, eram transmitidos ao vivo pela TV Gaúcha (hoje RBS TV) e faziam tanto sucesso que no verão eram transferidos para o Litoral, com ringues montados sobre a areia na beira da praia. O apresentador era, invariavelmente, Éldio Macedo, e o juiz, Nilo Rizzo. Além de duelos históricos como aqueles entre Gran Caruso e Romano, tinham outros chamados de Luta Australiana, que envolviam quatro lutadores, e havia também a Luta Campal entre seis deles.

Em momentos especialmente dramáticos, longe do olhar do juiz, era comum o vilão esconder uma lâmina de barbear, ou soqueira, que logo seria usada contra o adversário para indignação e delírio da torcida. Eu tinha um motivo particular para desconfiar daquela animosidade toda. A caminho da escola, sempre via alguns destes implacáveis rivais em alegre e cordial convivência através da janela de uma casa alugada por eles na Rua General Auto. Isso quando não estavam fazendo compras triviais no Bar do Vidal, na esquina com a Rua Fernando Machado.

Colaborou Guilherme Ely

Na galeria abaixo, relembre outros astros do Ringue Doze (clique na imagem para ampliá-la):