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Foto da década de 1930 mostra a ponte férrea sobre o Rio Pelotas, em Marcelino Ramos

02 de setembro de 2014 0
A ponte fazia parte da estrada de ferro que ligava Rio Grande a São Paulo. Foto: Acervo de Firmino Chagas

A ponte fazia parte da estrada de ferro que ligava Rio Grande a São Paulo. Foto: Acervo de Firmino Chagas

Nosso colaborador Firmino Chagas Costa nos enviou duas fotos, provavelmente de 1935, da ponte férrea sobre o Rio Pelotas, no atual município de Marcelino Ramos. O pai de Firmino era ferroviário e, por esse motivo, ele viveu nessa localidade quando tinha cinco anos de idade. O encontro das águas do Rio Pelotas com o Rio do Peixe, bem diante da cidade, é reconhecido, embora existam controvérsias, como nascedouro do Rio Uruguai, que delimita grande parte da divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e também da fronteira com a Argentina. A estrada de ferro que ligava Passo Fundo e Marcelino Ramos a Porto União, em Santa Catarina, (parte da ferrovia São Paulo-Rio Grande) e a consequente construção dessa importante ponte ferroviária foram decisivas para o desenvolvimento do norte gaúcho.

A construção da ponte foi um fato determinante para o desenvolvimento da cidade. Foto: Acervo de Firmino Chagas

A construção da ponte foi um fato determinante para o desenvolvimento da cidade. Foto: Acervo de Firmino Chagas

Aquela região do Vale do Rio Uruguai só começou a ser povoada quando algumas famílias buscaram ali refúgio seguro para se proteger na Revolução Federalista de 1893. Um dos primeiros habitantes de onde hoje se encontra a sede  do município foi João Antônio Speranza, que ali chegou em 1904. Os pioneiros cultivavam a cana-de-açúcar e produziam seus derivados: cachaça, açúcar mascavo, melaço e rapadura. Também se dedicaram a industrializar a erva-mate, mas foram as obras da companhia Chemins de Fer Sud-Ouest Brésiliens que de fato provocaram um salto no desenvolvimento. As obras da ponte foram realizadas de 1909 até 22 de junho de 1913, quando ela foi inaugurada com pompa e orgulho.

Três obras de João Faria Vianna voltam ao Estado

01 de setembro de 2014 0
Gravura reproduz as docas do cais do Porto da Capital. Foto: Reprodução

Gravura reproduz as docas do cais do Porto da Capital. Foto: Reprodução

Não se sabe como três das clássicas gravuras de João Faria Vianna foram parar em Sergipe. Mas é certo que, na semana passada, elas voltaram para casa. O responsável pelo retorno foi o jornalista Cláudio Dienstmann, que, furungando na rede, encontrou os trabalhos sendo leiloados naquele Estado, os adquiriu e, com zelo, encaminhou-os às mãos habilidosas do Atelier Alice Prati de Restaurações, para um processo de limpeza e conservação.

Gravura mostra o casario colonial da Rua da Praia. Foto: Reprodução

Gravura mostra o casario colonial da Rua da Praia. Foto: Reprodução

Os pequenos e lindos quadros, de mais de 70 anos, estão duplamente assinados, na placa e fora. Portanto, as gravuras foram impressas e firmadas pelo artista enquanto vivo. Elas medem 47 centímetros de largura por 32 de altura. As cenas mostram uma Porto Alegre antiga – esse, aliás, o tema principal do gravador, pintor e desenhista.

Gravura mostra, no fundo, à esquerda, o Mercado Público de Porto Alegre, quando ainda tinha só um andar. Foto: Reprodução

Gravura mostra, no fundo, à esquerda, o Mercado Público de Porto Alegre, quando ainda tinha só um andar. Foto: Reprodução

João Faria Vianna nasceu e morreu na Capital (1905-1975) e era um apaixonado pela cidade. Os desenhos foram produzidos sob encomenda, em 1940, e dois deles foram publicados originalmente – com excelente qualidade – no raro livro Imagens sentimentais da cidade, de Athos Damasceno Ferreira. Faria Vianna foi também professor, ilustrador da Revista do Globo e, em 1938, fundou a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (cujo nome homenageia o Aleijadinho), tendo sido o seu primeiro presidente.

O professor Faria Vianna, em 1970. Foto: Banco de Dados, 06/11/1970

O professor Faria Vianna, em 1970. Foto: Banco de Dados, 06/11/1970

No Brasil, obteve diversas premiações. Existem obras dele em várias coleções particulares nos Estados Unidos da América, Inglaterra, França, Portugal e Itália, o que de certa forma explica a presença destas no nordeste brasileiro. As cenas, baseadas em antigas fotos do final do século 19, reproduzem as docas, o antigo Mercado Público e o casario colonial da Rua da Praia.

A restauradora Elisane Quintana, do Atelier Alice Prati de Restaurações, trabalhando nas obras. Foto: Alice Prati, Arquivgo Pessoal

A restauradora Elisane Quintana, do Atelier Alice Prati de Restaurações, trabalhando nas obras. Foto: Alice Prati, Arquivgo Pessoal

Encontros de família

30 de agosto de 2014 0

MATZENBACHER

Foto: Arquivo Pessoal

Olga Maria e os cinco filhos. Foto: Arquivo Pessoal

Os netos de Maria Olga Matzenbacher reúnem-se pela segunda vez, em 14 de setembro, em Porto Alegre, para celebrar a trajetória da matriarca. Nascida em 1886, em Montenegro, casou-se com Balduíno Gustavo Seibel Thom e teve cinco filhos. Também serão comemorados os 95 anos da trisavó Clotildes Thomé Merker. Informações: (51) 3207-9671 e (51) 9913-1497, com Vitor Hugo.

BENETTI

Foto: Arquivo Pessoal

Gasparo e Luigia com os filhos e alguns netos. Foto: Arquivo Pessoal

Gasparo Benetti e Luigia Cervo saíram de Posina, na Itália, em 1883, e se estabeleceram em Silveira Martins no mesmo ano. Para relembrar a história do casal, seus descendentes se reunirão, pela segunda vez, em Catuípe, em 14 de setembro. Informações pelos telefones (55) 3336-1437 e (55) 8401-6960, com Janete, e (55) 3336-1092, com Dulce.

 

AUGUSTIN

Foto: Arquivo Pessoal

Um dos descendentes de Hieronymus, Albin Augustin, casando-se com Linda Stroher. Foto: Arquivo Pessoal

Será em 14 de setembro, em Estância Velha, o segundo encontro da família Augustin. Nascidos em Hunsrück, hoje no Estado da Renânia-Palatinado, na Alemanha, os irmãos Peter e Paul Augustin emigraram para o Brasil em 1827. Em 1847, chegou o terceiro irmão, Hieronymous Augustin. A princípio, foram todos para Baumschneis (Picada dos Baum), hoje Dois Irmãos. Devido a inúmeros problemas, abandonaram suas terras, e cada irmão migrou para uma região diferente. Por isso, hoje há representantes da família em Montenegro, Sapiranga, Araricá, Linha Nova e Estância Velha.Informações com Signe, pelos telefones (51) 9966-4276 e (51) 3649-2938 ou pelo e-mail signehetzel@hotmail.com.

Nascimento de Apolinário Porto-Alegre completa 170 anos

29 de agosto de 2014 0
Apolinário Porto-AlegreFoto: Acervo de Benedito Saldanha

Apolinário Porto-AlegreFoto: Acervo de Benedito Saldanha

Apolinário Porto-Alegre nasceu em Rio Grande, no dia 29 de agosto de 1844. Portanto, nesta sexta-feira, quando se completam 170 anos do seu nascimento, é justo que ele seja lembrado e homenageado. Um painel, às 10h, no Plenário Ana Terra, da Câmara de Vereadores da Capital, conduzido pelo diretor do Memorial daquela Casa, Jorge Barcellos, enaltecerá a obra desse importante autor da literatura gaúcha, com a leitura de textos e poesias. A figura e a memória de Apolinário Porto-Alegre merecem toda a consideração, afinal ele foi  fundador, com outros intelectuais, da Sociedade Partenon Literário, principal agremiação cultural do Estado no século 19.

Casa onde o jornalista e escritor morou no final do século 19, no morro Santana. Foto: Acervo de Benedito Saldanha

Casa onde o jornalista e escritor morou no final do século 19, no morro Santana. Foto: Acervo de Benedito Saldanha

Essa associação, criada em 18 de junho de 1868, participou de campanhas abolicionistas, propagou os ideais republicanos, e até temas como feminismo ou pena de morte fizeram parte da sua agenda de debates. Três décadas antes que fosse criada a Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro, aqui, principalmente graças ao médico e escritor José Antônio do Vale Caldre e Fião e ao jornalista, professor, escritor e poeta Apolinário José Gomes Porto-Alegre, essa entidade organizada estimulava o intercâmbio de informações e se preocupava em expandir a cultura entre os gaúchos, inclusive publicando diversas obras e uma revista. Extinto por volta de 1925, o Partenon foi refundado em 1997. Apolinário morreu em 1904.

Colaborou Benedito Saldanha

O turfe gaúcho perde Jarbas Plínio de Mello

29 de agosto de 2014 0
Jarbas Plínio de Mello (camisa estampada) é homenageado pelo presidente do Jockey Club de Montevidéu, Aureliano Rodrigues Larreta, no salão de festas do JCP, em 1960. Foto: Cesar Larrossa, Arquivo Pessoal

Jarbas Plínio de Mello (camisa estampada) é homenageado pelo presidente do Jockey Club de Montevidéu, Aureliano Rodrigues Larreta, no salão de festas do JCP, em 1960. Foto: Cesar Larrossa, Arquivo Pessoal

Nesta sexta-feira, às 17h, no Santuário de Adoração (Rua 7 de Setembro, 145), no centro de Pelotas, ocorre a missa de sétimo dia de Jarbas Plínio de Mello. Um dos mais antigos e tradicionais cronistas do turfe brasileiro, ele morreu aos 87 anos, em casa, na madrugada do último sábado. Jornalista, trabalhou durante mais de três décadas no Jockey Club de Pelotas (JCP) e foi sempre um incansável divulgador do turfe gaúcho. No ano passado, Jarbas comemorou 55 anos de atuação no jornal Diário Popular.

Sua trajetória profissional começou em 1953, na Rádio Pelotense. Depois trabalhou nas emissoras Tupanci, Cultura e Universidade. Voltou mais tarde à Rádio Cultura, em que, em 2008, encerrou suas atividades. Um apaixonado pelas corridas de cavalos, dedicou sua vida a disseminar os encantos do turfe. Mesmo durante as fases mais complicadas de sua batalha contra um câncer, ou quando o JCP esteve fechado, em 2011, o cronista não deixou de escrever sua coluna no jornal. Frequentador do Café Aquários, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, e bom contador de histórias, sua morte deixa os muitos amigos e o mundo do turfe em profunda tristeza.

Colaborou Gabriela Mazza

O carro de passeio da família Fernandez Peña

28 de agosto de 2014 0
Foto: Arquivo Pessoal

Membros da família Fernandez Peña a bordo de um Peugeot conversível, em 1918. Foto: Arquivo Pessoal

Se hoje, com todos os inconvenientes do trânsito e inevitáveis congestionamentos, possuir um bom carro e poder desfrutar dele é um conforto e continua proporcionando algum prazer, imagine o que era isso no início do século passado. A família Fernandez Peña guarda uma bela fotografia dos seus antepassados, bastante reveladora desse privilégio que, naquela época, era reservado a pouquíssima gente.

Em 1918, a bordo de um flamante Peugeot conversível, estão comodamente instalados cinco membros do clã – pai e quatro filhos. Na frente, ao lado do cinesíforo, está o patriarca Agustin. O filho Francisco maneja o volante. Atrás, estão os outros três filhos: José, Pilar e Augusto.Agustin nasceu na Espanha, em 1875, e aos 21 anos veio para o Brasil.

Primeiro, morou em Pelotas, onde começou trabalhando num banco. Depois, ingressou como funcionário numa loja de tecidos. Cresceu, destacou-se e foi desafiado a abrir uma filial daquele estabelecimento na Capital. Foi o que fez. Na esquina da Avenida Borges de Medeiros com a Rua José Montaury, ele manteve, até 1934, a loja Lopez & Fernandez. Quando morreu, em 1940, era um empresário de sucesso.

Seu neto, Cláudio Fróes Peña, filho de Francisco, é um engenheiro de 76 anos ­e decidiu compartilhar essa imagem bacana com os leitores do nosso Almanaque. Também ele é pai de quatro filhos. Com Maria Inês, Cláudio, Ana Lúcia e Luciana, e muita vitalidade, continua tocando em frente a sua firma de engenharia mecânica.

Encontros de família

28 de agosto de 2014 0

SCHÖNHOFEN

Os descendentes de Johann Schönhofen e Margarida Weiand promovem o primeiro encontro da família, em Porto Alegre, no dia 31 de agosto. Johann, nascido em Konfeld, na Alemanha, imigrou com a mulher, Katharina Klauck, que morreu após a chegada ao Brasil.

Depois casou-se com Margarida, nascida na cidade alemã de Merl. Eles se estabeleceram inicialmente em Dois Irmãos e, na última década do século 19, mudaram-se para onde atualmente se localiza o município de Sertão Santana. Informações pelo telefone (51) 9623-2337, com André.

Jango e Parahim: de colegas de time a defensores da Legalidade

27 de agosto de 2014 0
Parahim, que está ajoelhado, à direita das flores, jogava com Jango, o segundo, da direita para a esquerda, em pé, atrás dele. Foto: Arquivo Pessoal

Parahim, que está ajoelhado, à direita das flores, jogava com Jango, o segundo, da direita para a esquerda, em pé, atrás dele. Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, Parahim Pinheiro Machado Lustosa estaria fazendo 100 anos. Na foto acima, ele é o segundo da direita para a esquerda, ajoelhado ao lado das flores, na fila da frente. A imagem mostra a equipe de futebol das turmas de 1935 e 1936 da Faculdade de Direito da URGS. Parahim, hoje, empresta seu nome ao Centro Municipal de Cultura de Novo Hamburgo. Foi lá que ele atuou como advogado dos anos de 1940 em diante. Ele foi também, naquela cidade do Vale do Sinos, secretário de Educação e de Administração, nos governos de Nélson Toohei Schneider e Alberto Severo. No jornalismo, assinou, com o pseudônimo de “Bugre Velho”, uma coluna do extinto jornal O 5 de Abril.

Apesar de filiado ao antigo PSD, 53 anos atrás, exatamente nesta época, em 1961, durante a Campanha da Legalidade, o advogado fez questão de vir a Porto Alegre para alistar-se na resistência ao golpe que tentava impedir que seu colega de faculdade e de time de futebol, João Goulart, assumisse a Presidência da República. Jango é o atleta que, na foto, está às costas de Parahim, também o segundo da direita para esquerda, mas na fila de trás. João Goulart (1918-1976) tinha por volta de 17 anos quando esse registro fotográfico foi feito. Ele era, portanto, quatro anos mais moço do que Parahim.

Conforme reportagem de Diogo Schelp (feita para a revista Veja de 4 de julho de 2001) baseada em documentos pessoais do ex-presidente, em carta de 1937, enviada a um amigo, Jango confessava que estava se recuperando de uma enfermidade: “Recém estou ficando bem bom, já posso sentar e até já comecei a treinar os primeiros passos… Parece mentira, depois de velho terei de aprender a caminhar de novo. Muitos bailes e festas?… Estou fazendo uma ginástica incrível a ver se não fico com a perna dura, pois, se tal acontecesse, ficaria impedido de fazer tanta cousa” (sic). Nesses tempos de estudante, na capital do Estado, o presidente, que morreria no exílio, teria contraído uma doença venérea que, como sequela, o deixou levemente manco. Parahim Lustosa morreu em 1978, aos 64 anos.

Colaborou Caio Lustosa

O histórico casarão de Júlio de Castilhos

26 de agosto de 2014 0
Foto: Acervo de Firmino Costa

O prédio que serviu provisoriamente como Intendência Municipal de Vila Rica ainda existe, no centro de  Júlio de Castilhos. Foto: Acervo de Firmino Costa

Uma das povoações mais antigas do centro do Estado teve seu início em 1774, como Forte de São Martinho (ou Entrincheiramento de São Martinho). Era a ponta mais avançada dos Sete Povos das Missões, e pertencia aos espanhóis. Foi tomado militarmente por Rafael Pinto Bandeira (1740-1795) em 1776. No ano seguinte, a linha de fronteira definida pelo Tratado de Santo Ildefonso passou exatamente por ali, demarcando as terras pertencentes a Portugal e Espanha. Em 1801, a Coroa portuguesa retomou definitivamente o forte.

Em 1876, São Martinho foi elevada à condição de vila, emancipando-se de Cruz Alta. Resistiu como município independente até 17 de julho de 1901, quando seu território foi dividido. A maior parte coube a Vila Rica (atual Júlio de Castilhos) e uma porção foi anexada a Santa Maria. A rara fotografia acima foi tirada em 22 de agosto de 1901, por Josino Lima, um literato de Cruz Alta, e marca o festejo dessa anexação, organizado por Luiz Gonzaga Azevedo, primeiro prefeito eleito de Vila Rica.

A casa (prédio histórico que ainda hoje existe, com pouca descaracterização, no centro da cidade de Júlio de Castilhos) pertenceu ao italiano Antonio Carbone e serviu provisoriamente como Intendência Municipal.Para o evento, chegou por trem, vindo de Cruz Alta, o 1o Regimento Provisório da Brigada Militar com sua banda marcial. Nesse mesmo prédio, houve, de acordo com informações publicadas por A Convenção (primeiro jornal de Júlio de Castilhos), “um baile que começou com uma polca-havanera executada pelo sexteto do regimento”.

Ainda de acordo com o periódico, “à uma hora foi servida uma mesa de doces, vinho e chás, enquanto Josino Lima (o mesmo que tirou a foto), um exímio pianista de Cruz Alta, se apresentava. O baile foi até quatro horas e trinta da manhã”. Com o nome de São Martinho da Serra, uma parte desse antigo rincão do Rio Grande voltou a ter autonomia político-administrativa em 1992, quando desmembrou-se de Santa Maria.

Colaborou Firmino Chagas Costa

Há 30 anos, a neve surpreendia os porto-alegrenses (e os meteorologistas)

25 de agosto de 2014 1
Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

Antes de 1984, o único registro oficial de neve em Porto Alegre foi feito em 1909. Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

Como sabemos, gaúcho adora uma polêmica polarizada. Mais do que polarizadas, as divergências que ocorreram na tarde de 24 de agosto de 1984 foram polares. Por volta das 16h desse dia, os técnicos do 8º Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura se dividiam entre duas alternativas: alguns meteorologistas achavam que estava nevando na Capital, enquanto outros diziam que o que estava acontecendo era a precipitação de escarcha. O dicionário Aurélio define esse vocábulo como sendo “geada branca”.A resistência em se convencer de que, de fato, nevava na cidade, fazia  sentido na medida em que esse fenômeno meteoreológico nunca tinha sido assinalado desde de que o acompanhamento dos registros climáticos se oficializou, em 1909.

Os tetos dos carros ficaram cobertos pelos flocos de neve. Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

Os tetos dos carros ficaram cobertos pelos flocos de neve. Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

Com surpresa e alegria, os porto-alegrenses passaram por essa rara experiência no inverno daquele ano. A breve “nevasca”, que se iniciou por volta das 15h e se prolongou até 16h ou 18h, dependendo do local, não chegou a provocar acúmulos inconvenientes, mas foi suficiente para cobrir de branco telhados, para-brisas e tetos de carros, folhas de tropicais bananeiras e algumas áreas do solo. Foi a primeira – e para muitos a única – vez que alguns gaúchos presenciaram essa manifestação da natureza.

Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

Cena atípica em um país tropical: a bananeira coberta de neve Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

Os bairros Teresópolis, Glória (especialmente no Morro da Embratel), Medianeira, Belém Velho e Partenon (Morro da Cruz) foram os que mais se destacaram com o inusitado cenário invernal. No dia anterior, uma quinta-feira, a temperatura máxima chegou aos 22ºC; mas, naquela sexta-feira incomum, fazia em torno de 3ºC no momento em que caíram os primeiros flocos de neve. No Estado, naquele dia, a temperatura máxima foi de 17,2ºC, em Cruz Alta, e a mínima foi de 0,2ºC, em Encruzilhada do Sul. Nevou também em pelo menos 30 outros municípios do Rio Grande do Sul. Mas, desta vez, o assunto principal, que estava na boca de todos, foi o dia em que nevou em Porto Alegre.

Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984

As crianças brincaram de fazer boneco de neve. Foto: Fernando Gomes, Banco de Dados, 24/08/1984