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A Borges sobre o aterro

05 de agosto de 2015 0

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A foto acima mostra o prolongamento da Avenida Borges de Medeiros, que foi construído sobre o aterro. Até a década de 1950, essa importante avenida acabava, em seu lado sul, nas imediações do Pão dos Pobres, da Ponte de Pedra e da margem do Guaíba. Com o plano diretor de 1959, que previa a abertura da Primeira Perimetral (nesse trecho, hoje é a Avenida Loureiro da Silva), e com as obras do aterro bastante adiantadas, foi possível estender a Avenida Borges rumo ao bairro Menino Deus.

Na foto mais antiga, de 1970, ainda sem o Viaduto dos Açorianos, pode-se ver à esquerda a esquina da Rua João Alfredo e o prédio do Pão dos Pobres, que antes do aterro ficava em frente ao rio. No alto dessa foto, ao centro, observam-se os edifícios do Daer e do Ipergs (em construção). À direita, se vê a área hoje ocupada pela Praça dos Açorianos. Na foto abaixo, de 1980, portanto 10 anos depois, o viaduto já tinha sido inaugurado e o aterro aparece bastante ocupado pelas edificações. O viaduto sobre a Avenida Loureiro da Silva foi inaugurado em novembro de 1973.

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Água na Boca

04 de agosto de 2015 0

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Entre 1979 e 1986, o club privé Água na Boca marcou a noite porto-alegrense. Logo após o sucesso de John Travolta em Embalos de Sábado à Noite (1977) no cinema, e de Sônia Braga na novela Dancin’ Days (1978/1979) na televisão, ficar em casa, sem sair para dançar, era quase impossível. Pedro Mello, um engenheiro metalúrgico recém-formado, tinha desenvolvido suas habilidades de promoter produzindo as festas do CEUE.

Em 1979, ele transformou uma boate chamada Macumba, na Rua José do Patrocínio, 527, onde eventualmente organizava festas, no clube noturno Água na Boca, nome inspirado no hit de Rita Lee. No ano seguinte, o local já não suportava a quantidade de frequentadores. Então, o proprietário transferiu o “Água” para um grande casarão na Praça Conde de Porto Alegre, 55 (Praça do Portão). Ele se associou a Rui Willig para ampliar o negócio.

O engenheiro, que chegou a dar aulas de metalografia e tratamento térmico na Escola Técnica Parobé, soube, como ninguém, naquela época, esquentar a noite da Capital. Hoje, Pedro Mello é consultor e agente de negócios, mas, depois de 21 empreendimentos, como Bunker, Veneza, Piazzolla, Lifebuoy, Tucano Café, entre outros, chegou aos 62 anos e prefere a noite não mais para trabalhar, mas para divertir-se ou… dormir.

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Tatata Pimentel e Figueroa

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Monique Evans

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Maria Creuza

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Cauby Peixoto e Hoffmeister

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Fafá de Belém e Pedro Mello

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Ney Latorraca, Pedro Mello e Monique Lafond

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Jô Soares

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Sérgio Mallandro

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O jogador Rivelino

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Narinha e Erasmo Carlos

A Universidade no ar

03 de agosto de 2015 0
Prof. Goetze e os locutores Carlos Mariante e Maria Derenje em 1952

Prof. Goetze e os locutores Carlos Mariante e Maria Derenje em 1952

A Universidade do Rio Grande do Sul (ainda não era federal) foi a primeira no Brasil a operar uma estação de radiodifusão. No dia 1º de julho de 1950, ela foi autorizada a colocar no ar uma estação de rádio destinada “à transmissão de ensinamentos, palestras etc., bem como informações de seu observatório astronômico, com a ressalva, entretanto, de não serem irradiados programas musicais e outros de natureza recreativa”. Com a autorização do reitor Alexandre Martins da Rosa, em janeiro de 1951, foi feita uma inauguração simbólica, e a Rádio da Universidade estava finalmente no ar. A antena foi montada no edifício do Instituto de Eletrotécnica e a rádio instalada nas dependências do Instituto de Física. Só no ano de 1960, a sede foi transferida para o atual endereço, na Rua Sarmento Leite, número 426, onde funcionava, desde a década de 20, a antiga Seção de Meteorologia do Observatório Astronômico da Escola de Engenharia.

O técnico J. Brodbeck, Petry  (em pé, no meio), Goetze (sentado) e Armando

O técnico J. Brodbeck, Petry (em pé, no meio), Goetze (sentado) e Armando

Em 1952, conforme reportagem de J. Braga Jr., para a Revista do Globo, as transmissões totalizavam apenas quatro horas e meia, distribuídas com interrupções, ao longo do dia. Em novembro de 1995, pela primeira vez, a Rádio da Universidade passou a transmitir sua programação, diariamente, por 24 horas. Em 1953, embora a reportagem registre que a emissora só tocava “música séria”, a rádio teve de ser retirada do ar, devido a irregularidade quanto à emissão de músicas, o que lhe era proibido até então. O reitor, professor Elyseu Paglioli, no ano seguinte foi ao Rio de Janeiro e, em audiência com o presidente da República, Getúlio Vargas, solicitou a concessão de um canal de rádio em ondas médias. A partir daí, a Rádio da Universidade é autorizada a operar na frequência de 1080 kHz. É justo lembrar que esse pioneirismo foi possível graças ao empenho, além dos reitores, de professores como Antônio Goetze, Paulo Petry, Heddy Pederneiras, Nilo Ruschel, de colaboradores como o senhor Armando Albuquerque, que organizou a programação e a discoteca, e de técnicos como J. Brodbeck.

Os professores Goetze e Petry montando o transmissor

Os professores Goetze e Petry montando o transmissor

Os professores Paulo Petry, Antonio Goetze e Heddy Pederneiras

Os professores Paulo Petry, Antonio Goetze e Heddy Pederneiras

O sambista infernal: Caco Velho

01 de agosto de 2015 0
Caco Velho

Caco Velho

É possível que Walt Disney, na criação do carioquísimo personagem Zé Carioca, tenha sido influenciado por um gaúcho. O Bairrista vai gostar dessa! Na verdade, pode ter sido apenas uma coincidência, mas um fato justifica a suspeita. Em 1941, quando Disney esteve no Brasil, para difundir a “política de boa vizinhança”, do presidente americano Franklin D. Roosevelt, que se propunha a estreitar relações econômicas e diplomáticas entre os Estados Unidos e os países latino-americanos, ele teve, naturalmente, incluída em seu programa, a visita a uma escola de samba. Exatamente nessa oportunidade, um sambista gaúcho, hóspede do Hotel Glória, que fazia sucesso em São Paulo e chegava ao Rio de Janeiro, foi convidado a exibir ali sua reconhecida performance de cantor e pandeirista. Depois de assistir à exibição, o americano aproximou-se do porto-alegrense Matheus Nunes, mandou algumas palavras em inglês, abraçou-o, tiraram fotos juntos, e o gringo demonstrou interesse pelo instrumento. Todo mundo sabe que Zé Carioca é um papagaio brasileiro que toca pandeiro. Poucos sabem que Matheus Nunes (1919-1971) é Caco Velho. E quem lembra de Caco Velho? Recordemos. Ainda garoto, frequentava o Bar Florida, uma boate familiar na Rua da Praia, onde vendia balas e cigarros para a clientela, que também se encantava ao ouvi-lo batucar numa caixa de fósforos cantando a música Caco Velho, de Ary Barroso. Um dia, o maestro Paulo Coelho, que tinha um conjunto que se apresentava ali, chamou o moleque ao microfone apelidando-o de Caco Velho. Ele não gostou, mas aproveitou a oportunidade e mandou ver. Seria Caco Velho até a morte. Chegou a trabalhar também nas oficinas da Revista do Globo, mas sempre, à noite, a música era sua companheira. Tocou pandeiro, bateria, baixo e piano, cantou, compôs, e fez sucesso, primeiro nacionalmente, depois no Exterior. Participou de filmes, como Carnaval na Atlântida e Mulheres de Verdade. Teve em suas plateias gente como Fred Astaire, Amália Rodrigues e Cantinflas. Morou em Paris e em Portugal. Casou-se com Nirza Gomes Nunes, tiveram quatro filhas. Morreu no dia 14 de setembro de 1971, em São Paulo. Tinha 52 anos.

Em busca da Alegria perdida

31 de julho de 2015 0
Pórtico em 1943

Pórtico em 1943

Todos o conhecem como Portão da Praia da Alegria. Ele é carinhosamente assim chamado por toda a comunidade da vizinha cidade de Guaíba, desde 1942, quando foi construído e inaugurado. O nome oficial é “Pórtico Otaviano Manoel de Oliveira Junior” (1895-1940), que foi professor, vereador e prefeito daquele município.
Agora, com o apoio financeiro e logístico da Celulose Riograndense, está sendo restaurado. A iniciativa envolve também a prefeitura e tem projeto e execução do Atelier Alice Prati. Uma pesquisa histórica, promovida pelo instituto fundado pela restauradora (IAP), foi elaborada e ficou a cargo do professor doutor Edison Hüttner (PUCRS). Alice salienta que “é preciso incentivar a iniciativa privada a arregaçar as mangas e nos ajudar a conservar nosso patrimônio histórico e nosso referencial cultural, tão importantes para o Brasil, país com deficiências culturais/educacionais marcantes que devem ser revertidas urgentemente. A situação é caótica tanto de conservação quanto de restauração da memória brasileira”.
No início da década de 1970, a indústria de celulose que trazia a esperança de prosperidade, com a instalação da fábrica Borregaard, acabou por inviabilizar um dos mais tradicionais balneários do já poluído Guaíba, a Praia da Alegria. Esse antigo e agradável refúgio para banhistas faz parte da memória dos mais velhos. Minha mãe, quando jovem, passava lá os finais de semana, nos tórridos verões dos anos de 1940. Hoje, com a consciência ambiental em outro patamar, a Celulose Riograndense investe alto para quadruplicar a sua produção causando o mínimo impacto possível ao meio ambiente. Sonhar custa caro, mas vale a pena. Tomara que um dia, além de ter preservado os vestígios da nossa memória, possamos ter de volta nossos banhos de rio.

Pórtico atualmente

Pórtico atualmente

Um brinde à saúde

30 de julho de 2015 0

No ano passado, as equipes médicas do Hospital São Francisco realizaram 2.872 cirurgias, 3.154 internações e 23.020 atendimentos ambulatoriais. A instituição conta com 93 leitos (22 deles de UTI), cinco salas cirúrgicas e tecnologia de ponta. Inaugurado em 31 de julho de 1930 pelo então presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Dr. Getúlio Vargas, o Hospital São Francisco (HSF) destinava-se a ser o braço diferenciado da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre para dar-lhe sustentação financeira. Hoje, 85 anos depois, além de cumprir o objetivo da sua criação, o HSF é a unidade da Santa Casa especializada em cuidados clínicos e procedimentos cirúrgicos de alta complexidade em cardiologia e atua em cirurgia geral e cirurgia laparoscópica complexa. No dia da inauguração, o provedor Aurélio Py e irmãos da mesa administrativa da Santa Casa acolheram as autoridades e 655 visitantes que prestigiaram o evento. Dois meses depois, por ocasião da revolução deflagrada em 3 de outubro, liderada por Getúlio, no hospital recém-inaugurado, foram operados os primeiros pacientes feridos, encaminhados do 7º Batalhão de Caçadores, em decorrência do combate entre a guarnição do Exército e os revolucionários. Agora, o Hospital São Francisco é referência brasileira no campo da cardiologia intervencionista e da cirurgia cardíaca e integra o seleto grupo de hospitais latino-americanos que detêm a maior experiência e volume em implantes de válvulas cardíacas através de cateter. O São Francisco é também um dos centros mais importantes do país para implantes de marca-passo e desfibriladores. Destaca-se ainda pelo pioneirismo em procedimentos híbridos, os quais associam a aplicação de bisturi e cateter, em sala cirúrgica especialmente equipada. A pesquisa é outra importante área da atuação do HSF, sobretudo por sua contribuição em estudos multicêntricos internacionais em diversas subespecialidades da cardiologia.

Inauguração do Hospital São Francisco pelo presidente do Estado, Dr. Getúlio Vargas

Inauguração do Hospital São Francisco pelo presidente do Estado, Dr. Getúlio Vargas

Ijuhy 1893/1925

29 de julho de 2015 0
Colônia de Ijuhy em 1893

Colônia de Ijuhy em 1893

“No fim do mês de março cheguei à colônia de Ijuhy, situada entre as cidades de Cruz Alta e Santo Ângelo de Missões, no planalto do Rio Grande. Numa extensão de cerca de 170 km, tinha atravessado campos abertos e limpos sem interrupção e estava a cerca de 30 km ao norte de Cruz Alta quando a estrada repentinamente entrou numa mata alta… Após outros 30 km de caminho por essa região florestal, cheguei ao centro da colônia. Havia somente dois anos e meio que Ijuhy tinha recebido os seus primeiros colonos (novembro de 1890). Deram-me para habitação uma casinha de tábuas (foto acima), construída há pouco, cujo arquiteto tinha sido um alemão, o primeiro que neste lugar fizera tinir o machado…”
Esse texto faz parte de um livro raro, A Vegetação no Rio Grande do Sul (Brasil Austral), escrito pelo botânico sueco Carl Axel Magnus Lindman (1856-1928), que visitou o Rio Grande do Sul em 1893. Ele descreve o ambiente, salientando que já havia grandes roças de milho, mas que “em muitos lugares derrubadas se achavam em coivaras (técnica agrícola rudimentar) para secar e depois serem queimadas. A maior parte da mata virgem, porém, ainda existia em todo o seu grandioso isolamento, apenas atravessada pelas linhas ou ruas largas e direitas, há pouco abertas de acordo com o plano da colônia”, completa o intrépido sueco.
Após 32 anos, o panorama era bem diferente, como se pode ver nesse fragmento de cartão-postal (foto abaixo). No verso da imagem, se constata que ele foi remetido para “a querida Biloquinha”, da cidade de Júlio de Castilhos, em julho de 1925, pela “amiguinha grata” Alayde. O cirurgião dentista Firmino Chagas Costa é uma das poucas pessoas que sabem que, “Biloquinha”, era o apelido da veterana professora Belmira Pimentel, que foi sua cliente.

Colaborou Firmino Chagas Costa

Colônia de Ijuí em 1925

Colônia de Ijuí em 1925

Uma vida, uma história

27 de julho de 2015 0


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A matéria-prima do jornalismo é a vida. Como a vida também é feita de coisas improváveis, o jornalismo não poderia ser diferente. Na última quarta-feira (dia 22), publicamos uma foto de jovens na Rua da Praia, numa nota sobre o “point” da juventude em 1959. A moçada aparecia encostada num carro e três deles tinham garotos engraxates polindo os sapatos.
Um senhor de 70 anos, que tomava café num bar do Mercado, viu a foto do Almanaque Gaúcho e imediatamente se reconheceu. Mário Vieceli, mesmo de costas na imagem, não teve dúvida de que era um daqueles engraxates, por um detalhe quase imperceptível: sua caixa era diferente de todas as outras dos colegas, porque a dele era carregada a tiracolo, suspensa por uma cinta, e não direto no ombro como os demais levavam. E havia uma explicação para isso. Além das latas de graxa, só ele transportava junto vidros de tinta para calçados, preta, marrom e branca, que, sem cautela, poderiam vazar.
O pai de Mário, Isaco, era um carpinteiro, imigrante italiano, casado com dona Maria, pai de nove filhos e morador do Partenon. Não é difícil entender por que Mário, aos 12 anos, tendo completado apenas o terceiro ano do primário, já começou a trabalhar. Iniciou como office boy numa seguradora. Comia a marmita do almoço num banco da Estação de Trens Ildefonso Pinto, onde baleiros e jornaleiros se reuniam. Conversando, descobriu que com um tabuleiro de guloseimas os meninos ganhavam cinco vezes mais do que o soldo de assalariado. Virou baleiro. Mas o “rapa”, da fiscalização, fez com que ele se tornasse engraxate.
A tinta foi seu diferencial, ganhava bem, e mais do que os outros. Depois, foi cobrador e motorista de ônibus. Aos 23 anos, casou-se com Nara, tiveram quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Trabalhou com o sogro no Armazém do Celso. Instalou um depósito de secos e molhados. Comprou um caminhão. Teve box na Ceasa. Abriu o supermercado Bacefar (usando as letras iniciais de: batata, cebola, feijão e arroz). Montou uma loja de produtos agropecuários para ajudar a encaminhar os filhos.
Uma das moças mora na Alemanha, casada com um designer de carros. Antes de falecer, em 2011, dona Nara visitou a filha, na Europa, por duas vezes. Mário também já esteve na Alemanha e na Itália dos seus antepassados. Aposentado, com os filhos encaminhados, e sete netos, Mário tem aquela tranquilidade do homem realizado que cumpriu, com mérito, a sua missão.
A ponta recente dessa história chegou a nós pela mensagem de Mercelí Fülber, nora de Mário. No final, ela disse: “Escrevo esse e-mail com os olhos repletos de lágrimas e com a garganta embargada de grande emoção, não só a minha, como nora desse homem exemplar, mas também por meu marido Laurício, sempre fiel a seus ensinamentos. Muito obrigada por nos proporcionar este momento emocionante”. Mário guardou a sua velha caixa de engraxate por mais de meio século. Atacada irremediavelmente por cupins, três anos atrás, ela se acabou, mas, como viram, muito ficará.
Muito obrigado a você, Mercelí.

 

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Uma pulga na camisola

25 de julho de 2015 0

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Lá pela metade do ano de 1953, não era recomendável visitar ninguém nas noites de terça-feira, especialmente próximo das 21h30min. Nesse dia e horário, parte expressiva da população de Porto Alegre e de outras cidades da Região Sul estaria ocupada e atenta, ouvindo rádio. Era o momento de sintonizar a Rádio Farroupilha, para dar boas risadas, acompanhando o programa humorístico Uma pulga na camisola. Esse foi o grande sucesso radiofônico nos primeiros anos da década de 1950. A atração era escrita por Max Nunes (1922-2014), um médico que foi, além de cronista e compositor, um dos maiores humoristas brasileiros. Max já tinha feito sucesso na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, com o Balança mas não cai e logo depois criaria, em 1952, para a Rádio Tupi o Uma pulga… A Farroupilha, que, como a Tupi, também fazia parte dos Diários e Emissoras Associados, adaptou o programa para seu elenco local com o mesmo êxito. Sob o comando dos diretores J. Antônio D’Avila (artístico), Walter Ferreira (radioteatral) e Salvador Campanela (musical) e contando com o talento de gente como Walter Broda, Pinguinho, Nelson Silva, Fabio Silveira, Amandio Silva Filho, Ivan Ribamar, Nelita Aguiar, Lilia Maria, Lili Ferreira e Linda Gay, o programa lotava o auditório da emissora, que não tinha instalações suficientes para abrigar a todos os fãs que queriam assistir, ao vivo, às encenações da transmissão radiofônica. Uma reportagem da Revista do Globo, nessa época, alertava que, devido à grande procura pelos raros “convites especiais”, a solução era “chegar cedo e entrar na bicha para ingressar no velho casarão onde a Rádio Farroupilha mantém seu auditório”.

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Lugar para ver e ser visto

21 de julho de 2015 0
O point de 1959 era a Rua da Praia, onde a juventude se encontrava

O point de 1959 era a Rua da Praia, onde a juventude se encontrava

Quando a gente é jovem, sabe exatamente qual o “point” que se deve frequentar. Com o tempo, muitas vezes sem razão aparente, determinado local cai, fica “out”, e o “point” muda para um novo lugar.

Claro que, agora, as coisas são muito diferentes de 1959, quando o repórter Flávio Carneiro fez uma reportagem, para a Revista do Globo, intitulada “Um Reinado de Gente Moça”.

Hoje, a Capital cresceu, as tribos se multiplicaram, o comportamento mudou também e existem muitos “points”, com características diferentes, espalhados pela cidade. Mas, no fim dos anos de 1950, tudo indica que o trecho da Rua da Praia entre Bragança e Rosário, (ruas Mal. Floriano e Vig. José Inácio) era “O” lugar.

O jornalista constata que ali “garotas e rapazes, vestidos desde os trajes mais luxuosos até as vestimentas mais excêntricas, desfilam ‘bossas novas’, e os últimos modelos de carros que seus pais recebem…”. Lá, diz ele, “as garotas se desrecalcam e fumam publicamente. Se as mães chegassem, de repente, numa hora destas, haveria correrias. Poucas pessoas podem citar o fenômeno como um ponto pernicioso de juventude transviada, embora, às vezes também apareçam lambretas…”.

Entre 17h e 19h, especialmente às sextas-feiras, ou nos sábados pela manhã, alguém que estivesse organizando uma festa conseguiria, facilmente, encontrar todos os convidados para encher a casa. Afinal, nesse lugar, “todo jovem soçaite se reúne e marca encontro”. Na calçada ou no “barzinho”, fazendo um lanche de cachorro-quente com Coca-Cola, “nasceram namoros, paixões não correspondidas, ou simples amizades”. Como acontece sempre, quando a gente é jovem. Eu fiz 64 anos ontem.