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O avô do iPod

27 de abril de 2015 0

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A música é uma antiga parceira do homem. O primeiro passo para que ela pudesse ser reproduzida e dispensasse a apresentação ao vivo foi o fonógrafo de Thomas Edison, inventado em 1877. O segundo passo importante foi dado pelo alemão Emil Berliner, que criou o gramofone, em 1888. Todos lembram do cachorrinho ao lado de um deles que é símbolo da RCA Victor. Era um aparelho pesado, com uma grande corneta, movido a corda e manivela, que tocava discos de 78 rpm.

Era preciso torná-lo portátil. Foi o que fez a marca suiça Mikiphone, em 1920. Uma vitrola pequena e desmontável como essa das fotos trazida por Angelo De Carli, da Itália, em 1924. Esse estranho objeto pertence hoje ao acervo de seu neto, Claudio José Paglioli. Claudio fazia grande sucesso nos recreios do Colégio do Carmo, em Caxias do Sul, na década de 1940, quando exibia seus discos em audições relâmpago. Não deixa de ser uma versão jurássica dos aparelhos iPod Nano, que em sua quarta geração, de 2008, com 16 GB, podem armazenar 4 mil canções ou 24 horas de música. A coisa muda…

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Moinhos do passado

Hoje, às 19h30min, Gilberto Werner estará autografando seu livro Moinhos de Vento – Memória e Reconhecimento, no Z Café, na Rua Padre Chagas, 314. Na quinta-feira, dia 30, no mesmo horário, ele fará palestra com exibição de fotos sobre o passado do charmoso bairro, na Associação Leopoldina Juvenil. Eu vou.

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Encontros de famílias

25 de abril de 2015 0

Família Perin

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No ano de 1888, o casal Agustin Perin e Thereza Gava, com cinco filhos, partiu da Itália para o Brasil em busca da realização de um sonho. Aqui, se instalaram em Fagundes Varela e na região de Veranópolis, onde tiveram mais filhos, entre eles: Santo, José e Ricieri. Seus sonhos se tornaram realidade. Cento e vinte sete anos depois, os descendentes dessa família, que são hoje milhares de pessoas, irão fazer o 1º Encontro da Família Perin, na cidade de São Domingos do Sul, no dia 2 de maio de 2015. Contato e informações com Carlos Alberto Perin, pelo telefone (51) 9939-2230 ou pelo e-mail ca-perin@uol.com.br.

Família Feix

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José Feix nasceu na Áustria, em 17 de abril de 1870, era um sapateiro, filho de João Feix e Fiorentina Austel. Veio para o Brasil ainda jovem, tendo se radicado na Vila de Lageado, onde casou com Guilhermina Stein. Da união, nasceram oito filhos: Edmundo, Kuniberto, Otília, Pedro, Elvira, Beno, Elza e Alberto. Posteriormente, a família mudou-se para Venâncio Aires, onde José, ajudado pelos filhos Edmundo e Pedro, montou o seu estabelecimento de conserto e fabricação de calçados. Os filhos do casal tiveram destaque na sociedade local. Um deles, Edmundo, foi também jogador de futebol. O estádio do Esporte Clube Guarani leva, hoje, o seu nome.

Kuniberto se dedicou ao comércio e, com um sócio, manteve um grande armazém. Eles também desenvolveram atividades nos ramos fumageiro e ervateiro. Na área ervateira, produziam a erva-mate Madrugada, ainda hoje no mercado. Os descendentes de José Feix promovem, no dia 2 de maio, com um almoço na Cantina Tonet, localizada na Linha 40, proximidades dos Pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul, o  6º Encontro da Família Feix. Para reservas, contatar Edson Feix Estramar pelo telefone (54) 9979-0693 ou pelo e-mail edson@metroquadradoimoveis.com.br.

 

O pórtico do Cais

24 de abril de 2015 0

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A interminável novela da revitalização do Cais do Porto é acompanhada pelos porto-alegrenses com um misto de esperança e desânimo. A todo momento, é divulgada mais uma nova (velha?) informação de que “agora vai…”. E nada ou pouco acontece. Os mais velhos, como eu, aguardam a hora em que aquele pedaço da margem do Guaíba seja devolvido e possa ser aproveitado pela população da Capital e por eventuais visitantes. A construção do muro da Mauá, nos anos 1970, só veio consolidar o afastamento dos habitantes da cidade de seu rio.

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Considerado pela ditadura militar (1964-1985) como “área de segurança nacional”, o porto se tornou inacessível aos moradores. A visão da foto acima, à esquerda, que durante muito tempo foi o primeiro contato dos viajantes que chegavam via fluvial com Porto Alegre, está definitivamente prejudicada pelo muro. Quando criança, um dos meus passeios preferidos era acompanhar minha mãe, que ia ao Tesouro do Estado (Secretaria da Fazenda) buscar seus “vencimentos” de professora, e estendia o giro com uma breve, e deliciosa, passada pelo burburinho do Cais. Terminado o encantamento, essa era a cena que nos devolvia ao Centro.

Paisagem íntima

23 de abril de 2015 0

Artistas são aquelas pessoas com uma capacidade especial de nos fazer entender onde estamos metidos. A vida. As coisas materiais, e também as abstratas, que nos revelam como é, ou foi, determinado espaço de tempo. Os melhores traduzem isso com tamanha precisão e sensibilidade, que seus trabalhos tornam-se atemporais. O porto-alegrense Edgar Koetz (1914-1969) é um desses. Litógrafo, desenhista, ilustrador, pintor e referência nas artes gráficas, iniciou sua carreira trabalhando com Ernst Zeuner (1895-1967), que coordenou um grupo de feras nessa área da Editora Globo.

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Entre as décadas de 1930 e 1960, fez ilustrações para a Revista do Globo, capas de livros para grandes escritores, como Erico Verissimo, e, mais tarde, em São Paulo, criou para Samuel Wainer o logotipo do jornal Última Hora. Aqui, foi um dos fundadores do Clube de Gravura. Koetz, entre 1945 e 1950, morou em Buenos Aires, onde conviveu com Monteiro Lobato, e lá foi premiado mais de uma vez.

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Também mudou-se para São Paulo, em 1952, e só retornou a Porto Alegre, profundamente deprimido, com o golpe militar de 1964 e o consequente fechamento do Última Hora. Durante breve internação (um mês no Hospital São Pedro), produziu um conjunto exemplar de desenhos numa série chamada Alienados. Saiu revitalizado para continuar sua obra, mais focado na pintura. Registrou com maestria aspectos da Capital.

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Do alto do edifício do Hotel São Luiz, no início da Avenida Farrapos, fez uma tela mostrando premonitoriamente a área onde seria construída, posteriormente, a nossa Estação Rodoviária e onde se situa, atualmente, o Largo Edgar Koetz. O pintor foi casado com Liége Silveira, que lhe deu dois filhos, Sérgio (1938) e Celso (1940).

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A jornalista Clara Conti também foi sua companheira, até a sua morte. “Arte, para mim, é dizer aquilo que sinto, como que para acalmar uma inquietação”, revelou o artista, certa vez, numa entrevista. Nas palavras da crítica de arte Ana Albani de Carvalho, Koetz “captou, como poucos, o espírito das cidades onde viveu”.

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Bom conselho?

22 de abril de 2015 0

Taí uma coisa que eu acho que anda faltando: juízo. Faz muito tempo que, ao que parece, dar conselhos saiu de moda. Um dos mais comuns e genéricos que eu ouvia, na minha infância e juventude, era: “tome juízo, meu filho!”. Uma espécie de alerta. Um sinal amarelo, piscante, que deveria anteceder qualquer atitude ou decisão. Algo que continha implícita outra advertência que também parece andar em falta: tenha “vergonha na cara…”.

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É duplamente curioso verificar que, em 1950, quando esse anúncio de aguardente foi publicado na Revista do Globo nº 509, de 27 de maio, houvesse espaço no marketing para uma marca e uma propaganda tão politicamente incorretas, mas, inegavelmente, super bem- humoradas. Pura contradição. Como sabemos, uma das maneiras mais efetivas para que se perca rapidamente o juízo é, exatamente, a ingestão excessiva de álcool. “Na rua, em casa, em viagem, antes das refeições, antes de certos esportes (?)… Tome Juízo, meu amigo!”, dizia a publicidade. Para arrematar, afirmava ainda: “quem tem Juízo não toma outro aperitivo”.
Sem noção? Rs, rs, rs.

No caminho para a Azenha

20 de abril de 2015 1

A foto mostra a Avenida João Pessoa na primeira década do século 20. Um dia após a Revolução de 1930, um decreto alterou o nome da Avenida da Redenção para o atual. A decisão foi uma homenagem ao presidente do Estado da Paraíba, assassinado em Recife, em 26 de julho de 1930, e que tinha sido companheiro de Getúlio Vargas na chapa da Aliança Liberal. Essa via é uma das principais radiais que ligava o centro histórico da vila à periferia.

Em direção ao entroncamento com a Estrada do Mato Grosso (hoje Avenida Bento Gonçalves), que levava a Viamão, ela cruzava a Ponte da Azenha, depois de passar pela grande várzea onde foi criado o Parque Farroupilha. A ladeira próxima à antiga Praça do Portão, onde se situava o quartel do 8º Batalhão (posteriormente PE), demolido quando da construção do Viaduto Loureiro da Silva, só foi devidamente calçada por volta de 1857, com o apoio do governo da Província e a urbanização da Praça Independência (hoje Praça Argentina).

Nos primórdios da Capital, esse caminho em declive foi conhecido como Rua Nova do Portão, e posteriormente como Rua da Azenha (que portanto iniciava, com esse nome, muito antes de onde está a atual Avenida Azenha). As principais transversais eram: o Beco do Oitavo (atual Rua Desembargador André da Rocha), o Beco do Firme (Rua Avaí), o Beco da Olaria (atualmente Rua Sarmento Leite), Beco do Totta (hoje Rua da República) e o Beco de Dona Aurélia (Rua Otávio Corrêa).

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Mais adiante, depois de uma longa extensão de área vazia, ficava a Rua da Imperatriz (agora Avenida Venâncio Aires). Pela antiga avenida, também transitaram os bondes com tração animal, que por mais ou menos 30 anos serviram como transporte coletivo, até que, em 1908, se estabeleceram as linhas de bondes elétricos para o Menino Deus (foto), Glória, Teresópolis e Partenon.

Fonte: Porto Alegre, Guia Histórico, de Sérgio da Costa Franco

Estação a perigo

17 de abril de 2015 1

Ninguém mais viaja de trem aqui no Rio Grande do Sul. Com exceção das linhas metropolitanas, e de algum trecho turístico, esse meio de transporte, tão usado em outros países, sumiu. Nem sempre foi assim. Sou tão antigo, que lembro de ter ido, uma vez, para São Borja de trem. Foi lá que Luiz e Lida nos apanharam, nas férias de inverno de 1964, para 15 inesquecíveis dias na fazenda dos Monteiro, em Itaqui. Que viagem!

Agora, fico sabendo pelo leitor Celso Dornelles que o prédio da antiga estação férrea de São Borja, que deveria funcionar como centro cultural, está “abandonado, infestado de morcegos, e corre o risco iminente de desabamento”. Lamentável. Celso está colhendo adesões a um abaixo-assinado que pede providências à prefeitura para que faça obras emergenciais e preserve esse patrimônio histórico municipal tombado, que, mais do que dos são-borjenses, é de todos nós.

Fernando Rodrigues, presidente do Centro Cultural de São Borja, informa que, “de acordo com deliberação tomada em reunião extraordinária ocorrida no dia 25/03/2015, sua direção resolveu suspender, por tempo indeterminado, todas as atividades da entidade no prédio da antiga estação férrea”.

Fernando diz ainda: “Pouquíssimo resta neste município que lembre suas origens históricas. O descaso de uns, somado ao desconhecimento de outros com relação à importância e necessidade de resguardar o legado cultural do município, determinou que a nossa tricentenária São Borja chegue agora em 2015 como uma cidade quase esquecida de suas raízes.

Um povo que não preserva suas raízes é um povo esquecido de si mesmo, de sua história e de suas origens, sem legado a preservar ou a transmitir. Precisamos mobilizar a sociedade e salvar o pouco que nos resta”. A estação de São Borja foi inaugurada em 1913, pela The Brazil Great Southern Railway Co. Ltd. Deixá-la como está é uma viagem… sem volta.

Liberty sobre o Mercado

15 de abril de 2015 0
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O painel da Cia Souza Cruz sobre o Mercado Público

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A caixinha dos cigarros Liberty

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A carteira Gegê, do acervo de Selmar Gassen

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O colecionador Célio Alberto Eisenhut com seu certificado do Guinness

Outro dia, publicamos uma foto que mostrava um grande anúncio da marca de cigarros Elmo sobre o telhado do Mercado Público. Eu até comentei que meu avô, Natale di Leone, fumava Elmo. Agora, encontrei outra foto do Mercado, que exibe no painel de propaganda uma marca diferente: cigarros Liberty, também da Companhia de Cigarros Souza Cruz.

Estes tinham duas características especiais, vinham em uma embalagem de cartolina em forma de cigarreira e eram ovais. Quando eu era guri, fumar não era pecado (ao contrário, era charmoso). Naquela época, as coleções de embalagens de cigarros faziam parte das brincadeiras e do hobby da garotada.

Muita bronca levei ao chegar em casa com maços sujos e amassados cuja procedência era colocada sob suspeita de terem sido catados do lixo, o que, na verdade, não era incomum. Minha obsessão de colecionador durou pouco. Outros persistiram, como, por exemplo, o catarinense, de Jaraguá do Sul, Célio Alberto Eisenhut.

Em 2012, apesar de nunca ter fumado, ele contabilizava 72 mil embalagens em sua coleção, o que lhe assegurou o título de “maior colecionador de carteiras de cigarros da América”, com direito, inclusive, a registro no livro Guinness de recordes. O gaúcho Luiz Carlos Freitas de Oliveira é outro conhecido colecionador de raridades tabagistas. Selmar José Gassen, de Santa Cruz do Sul, tem no seu acervo a carteira de cigarros Gegê, lançados para homenagear e explorar a popularidade do presidente Getúlio Vargas.

Dano patrimonial

14 de abril de 2015 0
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O templo, como era nos anos 1960

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A demolição da igreja, na década de 1970

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A Avenida Getúlio Vargas, com a igreja ao fundo

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O templo nos dias de hoje.

Cada vez que me lembro da antiga Igreja do Menino Deus (que, quando criança, cheguei a frequentar com minha mãe), minha indignação volta forte. Não foi diferente quando, outro dia, pesquisando no Museu da Cidade (Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman) fotos para o Almanaque Gaúcho, encontrei essa imagem, bem de perto, do templo como ele era até ser demolido, em 1970. O assunto não é novo, mas é quase inacreditável que tenham posto abaixo a antiga igrejinha gótica de 1908.

Ela ficava perpendicular à Avenida José de Alencar e arrematava de forma harmônica, com sua fachada voltada para a vista de quem vinha pela Avenida Getúlio Vargas, uma das paisagens mais características daquele bairro. A igreja atual, construída paralela à avenida, permitiu que a parte de trás do terreno fosse usada para a construção de um prédio de apartamentos (?).

Gostaria muito de saber qual seria a opinião do doutor Manoel José de Campos, médico que, em 1860, generosamente doou aquele terreno para a municipalidade sobre o destino reservado posteriormente à sua propriedade. A chegada da maxambomba (um bonde com tração animal), em 1865, cujo fim da linha era exatamente no encontro das duas avenidas, talvez tenha sido o sinal de que novos tempos estavam se aproximando.

Mas que a falta de sensibilidade, relativamente recente, pudesse chegar ao ponto de cometer tamanha atrocidade contra a memória, ninguém poderia imaginar.
Fonte: Porto Alegre Guia Histórico, de Sérgio da Costa Franco

DE DON PEDRITO A DOM PEDRITO

13 de abril de 2015 0

A denominação do município gaúcho de Dom Pedrito tem origem no apelido, espanhol e diminutivo de Don Pedro de Ansuategui. Ele era chamado de Don Pedrito pelo seus companheiros de aventura.

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Don Pedro de Ansuategui era natural de Biscaia, norte da Espanha, no País Basco, na região denominada então como San Andrés de Etchevarria (hoje Etchevarria), cidade conhecida pela extração de minerais de ferro, atividade a que se dedicavam os Ansuategui, desde finais do século 14. Pedro de Ansuategui, fixado no Vice-Reino do Prata, desertou do exército, na segunda metade do século 18, instalando-se com um posto de contrabando na margem do Rio Santa Maria, região a que os primitivos pampianos denominavam Iñuvoti – campo das flores.

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Sua vida, misto de lenda e mistério, foi repassada aos moradores desse município pela história oral. Mas há registros confiáveis, como um de 1790, do comandante da Guarda Aduaneira de Montevideo, capitão Cipriano Mello, que aponta Pedro de Ansuategui como chefe de partida de contrabandistas a serviço de Rafael Pinto Bandeira, governador militar da Província de São Pedro. Também há a descrição do encontro de Bento Manuel Ribeiro com Ansuategui, na noite de 15 de março de 1836, narrado no diário do farroupilha. Fato divulgado pelo historiador Jorge Telles, na obra Farrapos, a Guerra que Perdemos.

Por outro lado, o jornalista Jose Antônio Dias Lopes conta que Gavino Machado da Silveira, proprietário da Gazeta Pedritense, teria encontrado pessoalmente Don Pedrito também em entreveiros da Guerra do Paraguai. Depois das investidas jesuíticas que criaram as bases das Redução de San Andrés dos Guenoas e, mais tarde, a de São Miguel e a de São Nicolau, as terras de Dom Pedrito passaram a pertencer definitivamente ao Brasil, com a independência da Cisplatina, 1825-1828. Com a criação dos quatro primeiros municípios na província, Dom Pedrito pertenceu a Rio Grande, depois a Piratini e, finalmente, a Bagé, da qual emancipou-se em 1872.

O principal fato histórico ligado a Dom Pedrito é a pacificação do Rio Grande do Sul, em 1845, que lhe garante o título de Capital da Paz. De hoje até sexta-feira, Dom Pedrito estará ocupando a Galeria dos Municípios, na Assembleia Legislativa, em uma exposição que terá a curadoria do Museu Paulo Firpo, quando a história desse município estará em evidência.