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Germanidade no RS

29 de julho de 2016 0

Durante toda esta semana, lembramos a presença alemã em nosso Estado. Primeiro, com um raro livro de 1924; depois, com o trabalho do professor Jean Roche sobre a colonização; na quarta-feira, com a nota sobre o coral da Igreja São José (Wohlklang Sankt Josef Kirche), e ontem com o Colégio São José de São Leopoldo. Recebemos manifestações simpáticas, como a do professor Alfredo Epitasio Kramer, de Campina das Missões, que nos enviou uma reprodução da bela capa da obra Hundert Jahre Deutschtum in Rio Grande do Sul, que ele encontrou no Arquivo Histórico, aqui da Capital. Como o exemplar ao qual tivemos acesso foi encadernado sem incluir a capa, foi a colaboração que nos permitiu conhecê-la.
Nosso leitor professor Raphael Copstein também fez referência ao mesmo livro, alertando-nos de que “há, desde 1999, uma tradução do ‘Hundert Jahre…’”, feita pelo meu amigo e colega Arthur Blásio Rambo, publicada pela Editora Unisinos, com o título de Cem anos de germanidade no Rio Grande do Sul.

00bc5b78Monumento a Otto Von Bismarck, que desapareceu e nunca foi  localizado

Ele disse ainda: “Além de integrar o corpo docente da UFRGS e da PUCRS como mestre em Literatura Francesa, o professor Jean Roche atuou no curso de Geografia e História da primeira. Posteriormente, ele foi homenageado pela UFRGS e pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul”.
Com a chegada dos colonos, o comportamento dos gaúchos foi tão influenciado, que até alguns escravos negros passaram a falar alemão. Mais tarde, com as guerras mundiais, especialmente durante a II, as relações com os descendentes germânicos azedaram. Clubes esportivos tiveram seus nomes nacionalizados, casas comerciais de imigrantes foram depredadas e manifestações antialemães foram frequentes.
Antes disso, havia muita demonstração de orgulho pelas origens. Por ocasião da celebração do nascimento de Otto Von Bismarck (1815-1898), foi realizada grande festividade em homenagem ao Chanceler de Ferro. A imprensa registrou: “Por iniciativa do Tiro Alemão, foi comemorada anteontem, na sede dessa sociedade, pela colônia alemã aqui domiciliada, a passagem do primeiro centenário do nascimento de Bismarck. [...] Encaminharam-se, em demanda da sede do Tiro Alemão, onde está erigido um busto do Chanceler de Ferro, [...] as sociedades germânicas Turner Bund, Germânia, Glemelvitaiger, Schützenverein, Einnache, Quartel 1887, Sängerriege, Harmonia e Leopoldina. Ali chegadas, junto ao monumento de Bismarck, e depois de terem as bandas de música executado marchas festivas, falou o Barão Von Stein, cônsul alemão, que terminou o seu discurso saudando o imperador Guilherme II. Finda que foi a saudação do Barão Von Stein, as sociedades reunidas cantaram o Ein Mann, ein Wort. [...]. Por toda a assistência foi cantado, então, o hino alemão Deutschland, Deutschland über alles. Em seguida, as sociedades ali presentes colocaram coroas de louro no monumento de Bismarck, sendo estas em número superior a 76. A comemoração cívica terminou com o canto Flamme Empor, executado por toda a assistência”.
Com a eclosão da II Guerra esse monumento, que ficava nas imediações de onde, hoje, está a Sociedade dos Caixeiros Viajantes, desapareceu. Teria sido enterrado e nunca mais descoberto.

Fonte: trabalhos acadêmicos de Stefan Chamorro Bonow e Janice Zarpellon Mazo

 

00bc5b77Capa do livro Hundert Jahre Deutschtum in Rio Grande do Sul 

Colégio São José

28 de julho de 2016 0

000cd8e8 Antiga escola, ao lado da Igreja Matriz de São Leopoldo

O Colégio São José, de São Leopoldo, foi a primeira instituição educacional do Brasil fundada pelas Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã da Terceira Ordem Regular de São Francisco de Assis. Vindas da Alemanha, elas chegaram em 2 de abril de 1872 e, três dias depois, no dia 5 (data de fundação da escola), iniciaram as aulas para 23 alunas, numa única sala, com três velhos bancos. Essa instituição juntou-se aos imigrantes alemães e foi muito importante para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Aos poucos, foram aumentando o número de alunas, em 1873, já eram 120. Em 1884, localizado ao lado da Igreja Matriz, à beira do Rio dos Sinos, o Colégio já recebia alunas oriundas do Rio de Janeiro, de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, do Uruguai e da Argentina, constituindo internato e externato. Nesse período, estava situada ao lado do Ginásio Conceição, dos padres jesuítas. Este local, depois, cedeu espaço para a antiga Unisinos.

001d546cFachada do Colégio São José, em 1923

Em 1923, o Colégio São José mudou-se para a Colina do Monte Alverne, onde se localizava o Sanatório Santa Elisabeth (nos dias atuais, Lar Santa Elisabeth, localizado em prédio vizinho). Durante todos esses anos, vem atuando de forma destacada no Ensino Básico: Educação Infantil, ensinos Fundamental e Médio, tendo contribuído para o exercício cidadão de muitas gerações, priorizando o foco no conhecimento e na humanização. Anualmente, a Associação de Ex-Alunos do Colégio São José promove o Encontro de Integração, o último foi realizado no mês passado.

Colaborou Arlete Maria Scherer

00bc54fePrimeira turma de normalistas em 1950, do Colégio São José de São Leopoldo

00bc54fd Turma de 1898 do Colégio São José de São Leopoldo

Coral eclético

27 de julho de 2016 0

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Foto dos componentes do Coral da Igreja São José (Sankt Josef Kirche), denominado Wohlklang (wohl = harmonioso / Klang = som), obtida provavelmente em 1937 ou 1938. Lá por 1936, foi inaugurado o novo órgão, importado da Alemanha pela Comunidade São José e considerado, então, o mais moderno da América do Sul. O anterior era um velho órgão, movido manualmente por um apêndice lateral que insuflava o ar para tirar som do instrumento.

O organista e regente, na época, era o professor Kurt Dutzig, que está na foto na última fila de cima, segundo da direita para a esquerda. Com a chegada do novo órgão, a comunidade decidiu convidar e trazer da Alemanha o organista e regente de corais Heinz Schreurs, que, na imagem, é o quarto da direita para a esquerda, na fila de baixo. Na foto, pode-se identificar, também, o professor Leonardo Tochtrop, autor de um dicionário alemão-português.

Na segunda fila, de baixo para cima e da esquerda para a direita, está o professor Herdes, que foi para a Alemanha antes da II Guerra, mas voltou após o conflito mundial. Ele foi o chefe do grupo de escoteiros do Colégio São José.

A segunda pessoa da direita para a esquerda na terceira fila, de baixo para cima, é Felipe Jacó Mayer, dentista que tinha consultório na Rua São Rafael (em 1936, tornou-se a Avenida Alberto Bins) e é pai do nosso leitor, de Rosário do Sul, João Flávio Mayer, que foi quem, gentilmente, nos enviou a fotografia.

João Flávio ainda identifica na foto o seu padrinho Bubi Mayer, que está na segunda fila, de baixo para cima. Ele registra que este texto baseou-se em suas lembranças de quase 80 anos atrás e, portanto, as informações estão sujeitas a erros e omissões. Dos demais componentes do coro, embora fossem pessoas conhecidas, ele não lembra todos os nomes. Ao sugerir o assunto, quer apenas recordar a emoção dos fiéis e da comunidade na estreia do moderno e extraordinário órgão. Quanto ao coral, ele relembra, ainda, que também interpretava música profana, inclusive com participação e apresentações nas principais rádios da cidade.

Colaborou Flávio José Mayer

Jean Roche e a colonização alemã

26 de julho de 2016 0

Em 1945, acompanhado de sua esposa, Nancy, funcionária do Ministério da Cultura da França, chegou a Porto Alegre o professor Jean Roche. Eles vieram para fundar, aqui, a Aliança Francesa. Roche, professor da Universidade de Toulouse, assumiu a cátedra de língua e literatura francesa na UFRGS e na PUCRS. O casal ficou em Porto Alegre até 1953.

Neste artigo, quero me referir ao seu livro, em dois volumes, A colonização alemã e o Rio Grande do Sul. Na minha estante, a obra foi objeto de eventuais consultas. Um dia, resolvi que deveria lê-la por inteiro. Fiquei maravilhado. Obra minuciosa, definitiva, um verdadeiro clássico. Acredito que não exista um estudo tão aprofundado e completo sobre outras etnias. Nesse trabalho de doutorado, Jean Roche revelou suas qualidades de incansável pesquisador. Para escrever o livro, Roche percorreu todo o Estado em busca de depoimentos, entrevistas e informações. Ele entrou em contato direto com os colonos e seus descendentes. As numerosas ilustrações, gráficos e dados estatísticos fundamentam as suas observações.
Deteve-se nos aspectos humanos, na estrutura agrária, nos usos e costumes, nos valores da família e da fé cristã. Concluiu que, “a agricultura dos colonos teve um caráter essencialmente pioneiro”.

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São Leopoldo vista do Rio dos Sinos, antes da construção do cais

Jean Roche analisou o início do povoamento, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães, a partir de 25 de julho de 1824, a ocupação do território e os “desbravamentos brutais” para a conquista de vastas áreas para exploração econômica. Referiu-se aos problemas nas diversas etapas da colonização, desde as promessas não cumpridas do governo imperial, até a “condenação ao isolamento” diante das grandes distâncias. Como não havia estradas, os núcleos se estabeleceram próximos aos rios para possibilitar o escoamento da produção colonial. Mereceram sua atenção, também, as migrações internas, na segunda e na terceira fase de imigração, especialmente na região serrana e missioneira, motivadas pelo esgotamento dos solos e pelas famílias numerosas.

O autor credita o sucesso às virtudes dos colonizadores: a disciplina, a moralidade, a iniciativa, o dinamismo e a religiosidade. E destaca: “Foi, sem dúvida, ao regime da pequena propriedade, através da produção agrícola diversificada, que o Rio Grande do Sul (então, NR) deveu sua superioridade sobre os outros Estados brasileiros”.

Com a edição original em língua francesa, A colonização alemã e o Rio Grande do Sul foi traduzido depois para o português, lançado pela Editora Globo – Coleção Província. Como a obra está esgotada, diante de sua importância, bem merecia uma nova edição.

Colaboração Hugo Hammes

00bc43d3 Livro sobre a colonização alemã no Estado

00bc43d5Jean Roche

Todi, o alfaiate

23 de julho de 2016 0

Na década de 1950, ou um pouco antes, quando se tinha mais tempo e a correria era menor, peritos artesanais como Theodoro Derenji, o Todi, amavam e valorizavam suas profissões, criando verdadeiras obras de arte. Todi era alfaiate, um verdadeiro artífice. Ele iniciou seu aprendizado aos 12 anos, com os tios, também alfaiates, e já com 20 anos, em 1955, abriu em sua residência, na Avenida Ceará, 410, em Porto Alegre,
a sua própria alfaiataria.

Naquele tempo, o traje masculino era o terno. Normalmente chamada de fatiota, essa roupa era usada em todos os lugares. Nas ruas, cafés e restaurantes, assim como nos cinemas de então, o traje-padrão dos homens era o terno e um belo chapéu, quem sabe um panamá, de fina palha clara, no verão, e um de pele de castor, de coelho ou mesmo de feltro, no inverno. Nos bondes, que circulavam por praticamente toda a cidade, também essa era a vestimenta comum e adequada.

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Todi, ainda jovem, no início da carreira de alfaiate

Tudo parecia ser, ou era mesmo, mais calmo e seguro. E, certamente, mais elegante. Para fornecimento aos alfaiates, havia toda uma estrutura de importação de tecidos finos. O português Manoel Antônio Costa, por exemplo, um tio emprestado, casado com a Clóris, prima do meu pai, foi craque nesse assunto de cortes de casimira inglesa, padronagem Príncipe de Gales, risca de giz etc.

O primeiro nome do ateliê do Todi foi Alfaiataria T.D., que depois ele trocou para, simplesmente, Derenji, como mostra a etiqueta nas imagens da coluna de hoje. Em 1959, ele passou a trabalhar nas Lojas Renner, primeiro na loja do Passo D’Areia, depois, na Otávio Rocha. Após essa experiência, Todi voltou para sua alfaiataria, na Ceará, onde prosseguiu trabalhando até falecer, em 1993.

No balcão do seu ateliê, ele cativou muitos fregueses com a qualidade do seu trabalho, seu largo sorriso e muito carisma. Entre esses clientes, constavam, por exemplo, os irmãos Bettanin e o nome do atual ministro Teori Zavascki, que fez vários ternos com o alfaiate, isso, provavelmente, nos anos 1970, no início da carreira do ministro, que já era casado e eventualmente aparecia com a família para provar as roupas. Todi casou-se com Maria de Lurdes, que, além de cuidar dos filhos Ricardo, Cristina e Sandra, pegava junto na costura e no acabamento das peças.

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O alfaiate, já maduro, em seu ateliê
O movimento era intenso e os dois não tinham folga, trabalhando até tarde, e também nos finais de semana, para entregar as roupas com pontualidade. Os primeiros ternos das nossas vidas, aqueles usados em bailes, festas de 15 anos, na missa aos domingos, ou eram feitos por alfaiates, ou comprados em lojas como Guaspari, Renner e Bier Ullmann, entre outras. Um quadro que havia na alfaiataria tem a estranha presença de um coelho. “Talvez quisesse dizer que o serviço da casa era rápido”, explica, brincando, Maria de Lurdes.

Colaborou Inácio Roberto Knapp

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Etiqueta da alfaiataria

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Quadro da alfaiataria

OAB/RS: a história

22 de julho de 2016 0

Conforme registrou Cláudio Lamachia, atual presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), “as instituições, assim como as civilizações, as nações e as comunidades em geral, precisam que os seus registros históricos sejam feitos continuamente, mantidos e preservados para a posteridade. Na realidade, tais registros serão nada mais, nada menos, do que a memória fidedigna da sua existência, que servirá de estímulo, de orgulho e, certamente, de exemplo para os sucessores de todos os tempos, notadamente no que a história tiver de melhor”.

Coerente com a posição, o livro OAB/RS – A história, obra coordenada por Sulamita Santos Cabral, junto com a historiadora Karla Viviane e a jornalista Nathalia Rech, reconstruiu vários períodos da existência da sociedade gaúcha sob o cenário de atuação da entidade. Na abertura do livro, o ex-presidente Justino Vasconcelos afirma: “A advocacia é, sobretudo, ideal, impulso para o certo, para o justo, para o bem. Na defesa, (o advogado) encarna a liberdade, soberania original do povo, não transferida, nem transferível ao Estado. Na acusação, reprime os crimes, os ódios e as prepotências.

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Getúlio Vargas com Macedônia e membros da OAB/RS

Cumprirás teu destino de grandeza, na medida em que aproveitares a herança de sabedoria, século após século, acumulada por nossos antecessores.
A advocacia é aprendizado que não finda”. O ancestral mais próximo da Ordem, o IAB (na época, Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros), teve seu surgimento reconhecido no dia 7 de setembro de 1843, 21 anos após a proclamação da independência do Brasil. O Instituto dos Advogados do RGS (IARGS) foi criado em 26 de outubro de 1926. O objetivo era congregar os bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais, ser gerador da cultura do Direito, promover o aperfeiçoamento da justiça e da sociedade, e, principalmente, esforçar-se pela regulamentação da profissão.

Leonardo Macedônia foi eleito seu primeiro presidente. O IARGS teve papel relevante para a criação da OAB, afinal Osvaldo Aranha era um dos sócios fundadores e um dos líderes da Revolução de 1930. No dia 19 de outubro daquele ano, Getúlio Vargas, chefe do governo provisório, assinou o decreto que criava a OAB. Outro decreto, de 1931, previa a criação de seccionais nos Estados. Em 11 de abril de 1932, foi constituída a primeira diretoria da OAB/RS, com Leonardo Macedônia sendo escolhido como seu primeiro presidente e ganhando a carteira número 1. A primeira mulher a se inscrever na OAB/RS foi Maria Else Iris Potthoff, no dia 22 de março  de 1937, sob o número 653.

00bc2af8 Leonardo Macedônia, dono da primeira carteira da OAB/RS

00bc2afa Maria Else Iris Potthoff, primeira mulher inscrita na OAB/RS

Terceira idade

21 de julho de 2016 0

De repente me dou conta de que cheguei na idade que tinha meu avô. Faço, hoje, 65 anos. Claro que lembro vagamente dele também com outras idades, mas, quando penso nele, ele tem 65 anos. Não adianta ver aquelas fotos formais dele jovem. Quando ele morreu, em 1964, poucos anos depois do falecimento da minha avó, eu tinha 13 anos. Ele, algo mais que 65 anos. Existe alguma dúvida quanto à data exata do seu nascimento, mas é certo que veio de Morano Calabro, onde nasceu, com oito anos de idade. Aqui, casou-se com minha avó Firmina, calabresa como ele. Eles são os pais de minha mãe, Nilce. Os pais do Hamilton, meu pai, não conheci.

 

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Seu Natale e dona Firmina, no batizado da primeira neta Maria Teresa

Recordo do vô Natale (Di Leone), esse era seu nome, trabalhando atrás do balcão de mármore do Açougue Duque de Caxias, no Alto da Bronze, no centro de Porto Alegre. Ali, havia um trilho preso à parede, com pontudos ganchos que se deslocavam, onde se penduravam grandes pedaços de carne. Havia também um enorme cepo, com três pés, em forma de mesa, onde ele serrava os ossos ou cortava, manualmente, a carne. Tinha, ainda, uma balança com pratos de metal e tampo também em mármore. Seu Natale reclamava de reumatismo, e não existiam próteses, como as que instalei nos joelhos alguns anos atrás. Ele gostava de bitter. Talvez para não despertar a ira e suspeita de dona Firmina, guardava a bebida numa garrafa de Coca-Cola, na geladeira.

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Natale, com a filha Nilce, no trenzinho do Corcovado, em 1951

 

Um dia, garoto ladino e equivocado, tomei um grande gole achando que era refrigerante. Desceu queimando garganta adentro. Talvez tenha começado aí minha paixão por Underberg. Meu avô, como eu, gostava muito de ferramentas. Convivemos pouco, mas o dia em que ele aproveitou a enxurrada, na sarjeta, para girar um moinho de brinquedo feito por ele, foi o máximo. Ainda não tenho netos, mas, o que é ser idoso? É andar de moto, como faço e amo? Ou é calcular cada gesto, para evitar imprevistos (como, agora, sou obrigado a fazer)? Ou, melhor dizendo: tentando evitar, na verdade, os previstos. Por pudor, deixo livre as vagas de estacionamento para os mais velhos? Ou seria porque ainda não caiu a ficha? Ser idoso, entre outras coisas, é dizer coisas como “caiu a ficha”. Pode parecer estranho, mas, não gostaria de ter nem sequer um ano a menos. Acho lindo, mas não invejo os jovens. Talvez seja apenas por uma curiosidade em saber como acaba isso…

 

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Catedral em obras

20 de julho de 2016 0

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No mesmo local onde agora está a Catedral Metropolitana, na Praça da Matriz, ou Praça Marechal Deodoro, que é o nome oficial, existiu no passado um outro templo, que foi derrubado na década de 1920. O autor do projeto dessa primeira igreja é desconhecido, mas se sabe que a planta veio do Rio de Janeiro, em 1774, e que naquele mesmo ano foram tomadas as providências para o início da sua construção, que efetivamente só começaria em fins de 1779. Em 1841, a velha matriz já estava muito pequena para a cidade e o prédio bastante arruinado.

A ideia de uma nova catedral foi alimentada pelos bispos Sebastião Dias Laranjeira e Cláudio José Ponce de Leão. Mas foi o arcebispo dom João Becker que, em 1915, deflagrou os estudos preliminares para que uma nova e grande catedral fosse erguida. Até um concurso foi feito para escolher o projeto. Apesar disso, a proposta vencedora foi descartada e o arcebispo resolveu encomendar um novo projeto ao arquiteto romano João Batista Giovenale, professor e responsável por muitas igrejas italianas. As obras da nova igreja começaram  em 1920, com a terraplenagem e as demolições necessárias.

A cripta foi inaugurada em 1929 e ali foram realizados, durante muito tempo, todos os ofícios religiosos. Somente 20 anos depois, as celebrações puderam passar da cripta (com entrada pela Rua Espírito Santo) para a nave principal com acesso pela Rua Duque de Caxias. Isso só aconteceu em 1948, quando dom Vicente Scherer já era o arcebispo. As torres só foram concluídas em 1971, e a cúpula em 1972. Finalmente, em 10 de agosto de 1986, após esforços de dom Cláudio Colling, pôde ser consagrada e dada por concluída a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre.

Fonte: Porto Alegre – Guia histórico, de Sérgio da Costa Franco

Encontro da Família Zoppas

20 de julho de 2016 0

O 4º Encontro da Família Zoppas será no próximo sábado, dia 23, no Clube Integração, em Garibaldi, com a motivação especial de comemorar os 88 anos de Rosalina Magdalena Zoppas Accorsi, neta do imigrante Antonio Zoppas.
A história da família Zoppas no Brasil começa em 1881, com a chegada de Antonio Zoppas, oriundo do Distrito de Vittorio Veneto, na Itália. Antonio Zoppas e sua esposa, Caterina Scottá, estabeleceram-se na colônia Conde d’Eu, atual Garibaldi, onde deram início à fábrica de gaitas Zoppas.
Foram localizados registros de recolhimento de impostos referentes a essa fábrica datados de 1897, o que a torna, até o momento, a primeira fábrica de gaitas do Brasil.
O Museu Municipal de Garibaldi registra parte da história da família Zoppas, inclusive com um exemplar da gaita Zoppas fabricado em 1930, além da certidão de recolhimento de impostos emitida pelo Arquivo Histórico de Bento Gonçalves. Na foto, netos de Antonio Zoppas, filhos de Luigi Zoppas e Maria Missiaggia: Antônio, José, Orestes, João, Adelina, Agustinho e Rosalina. Mais informações através de facebook.com/FamiliaZoppas.

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O poeta barrense

19 de julho de 2016 0

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Como diz Ana Maria Wurdig Ribeiro, “é fácil e mágico ser filha de um poeta, o difícil é preservar a memória de seus versos como era o seu desejo”. Por isso, no próximo sábado, dia 23 de julho, no Clube 7 de Setembro, em Barra do Ribeiro, a partir das 20h30min, haverá um evento (in memoriam) em comemoração aos cem anos do poeta. Na oportunidade, será lançado um DVD com poesias lidas por várias pessoas da comunidade, fotos, músicas feitas a partir de seus versos e documentos pessoais. Durante o ato, haverá apresentações de artistas barrenses e a renda será em benefício da Apae de Barra do Ribeiro.

Waldy Ribeiro Wurdig nasceu no bairro de Três Vendas, em Barra do Ribeiro, em 16 de julho de 1916. Desde a infância, manifestou gosto pelo ofício de escrever, tanto que, aos 15 anos, já escrevia contos infantis que eram publicados, na época, no Diário de Notícias. Apesar de ter estudado somente até a quarta série primária, Waldy sempre cultivou o gosto pela leitura, além, é claro, de amar sua terra natal como poucos o fizeram. Trabalhou como escrivão no cartório de registros civis, foi um cidadão respeitado, honesto e batalhador pelo progresso de sua cidade. Junto com amigos, lutou pela emancipação do município e foi seu primeiro prefeito, ganhando a eleição por um voto apenas, fato que foi notícia nos jornais de então.

Waldy sempre foi poeta, poeta na forma de escrever, na forma de falar e na forma de viver o amor e a vida. Publicou dois livros, O rio dos meus cantares e Floração de inverno, em que fala das suas maiores paixões: a natureza, sua cidade e sua esposa, Maria de Lourdes Nogueira Wurdig. Waldy e Maria foram casados durante 56 anos. Em setembro de 2001, sua companheira resolveu partir. O poeta, então, quase se calou. A tristeza tomou conta de seu poetar e, em dezembro do mesmo ano, foi encontrar-se com seu amor. Existem inúmeras poesias de Waldy, publicadas ou não, cada qual com sua beleza relacionada ao tema ou à época em que foram escritas, porém a que mais emociona entre todas é aquela escrita para sua musa e amor e que enfeita a lápide de sua última morada junto a ela. Contatos com Ana Maria, pelo telefone (51) 9916-1563.

Colaborou Jeferson Schimitt