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Um duque no alto da colina

18 de junho de 2013 0

Foto: Acervo Museu Hipólito José da Costa

Uma das ruas mais tradicionais do centro de Porto Alegre, a Duque de Caxias já teve o aspecto calmo e relativamente despovoado retratado na imagem acima, feita no final da década de 1920, provavelmente retratando um dos primeiros quarteirões da via. Afinal, o número de automóveis que circulavam pela cidade naquele tempo ainda era relativamente baixo – o primeiro deles havia chegado em 1906.

Ao longo dos anos, a Duque teve as mais variadas denominações. Conforme o trecho, o caminho se chamava Rua Formosa, Rua de São José, Rua Alegre, Rua do Hospital ou Rua da Igreja. Este último era o nome mais aceito quando, em 1869, o nome atual foi adotado oficialmente, em homenagem ao militar Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880).

Busto em homenagem ao Duque de Caxias. Foto: Gilmar de Souza, BD, 13/4/2010

Luz de letra

18 de junho de 2013 0

Fotos: reprodução

Essa simpática lâmpada leitora reproduzida acima era a ilustração principal do anúncio da Osram publicado em dezembro de 1958. Surgida na Alemanha e batizada a partir dos nomes de dois componentes usados na produção de lâmpadas - "os", de ósmio, e "ram", de wolfram, termo alemão para tungstênio -, a indústria tinha se estabelecido no Brasil em 1955. A propaganda exaltava uma das maiores utilidades da iluminação elétrica: permitir as leituras noturnas.

Frase do dia: Bethânia

18 de junho de 2013 0

Foto: João Milet Meirelles, divulgação

A irmã mais nova do compositor Caetano Veloso só poderia mesmo ser cantora. Há exatos 67 anos, quando a menina baiana nasceu, o mano sugeriu o nome Maria Bethânia - título de uma canção do pernambucano Capiba gravada com sucesso pelo gaúcho Nelson Gonçalves. Escolha certeira: a garota, mais do que uma grande intérprete, tornou-se uma espécie de símbolo da música brasileira.

Com cinco décadas de trajetória musical, Bethânia é referência entre as vozes femininas do Brasil, um território no qual a qualidade e a quantidade são quase igualmente abundantes. A voz característica, a intensidade das interpretações, os flertes com o teatro e a literatura e a personalidade forte são alguns dos traços mais relevantes da artista, para quem "A coisa mais bonita que o Brasil tem é a cultura popular" - frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta terça-feira.

Da cartola

17 de junho de 2013 0

No último 22 de maio, aos 87 anos, morreu em Harmonia (a 64 quilômetros da Capital) Klaus G. Kurt Hanssen. Ele era filho de Ernesto Hanssen, um jogador de futebol dos primórdios do Grêmio, e neto de um imigrante alemão chamado Emílio Hanssen (1845-1923). Esse nome esteve por muitos anos pintado na fachada de uma tradicional casa de comércio instalada, desde 1872, nos números 417 e 419 da Rua da Praia.

A fábrica de chapéus (à esquerda). Foto: reprodução

Numa conhecida foto da Porto Alegre de antanho, datada de 1880 (acima), lá está, no lado esquerdo da imagem, a firma Emílio Hanssen – Fábrica de Chapeos (sic), com um chapéu bicorne pendurado num suporte, para não deixar dúvidas quanto ao tipo de negócio ali estabelecido.

A recente morte de Klaus obrigou seu único filho, Bernardo, a vir de São Paulo, onde mora, para organizar as coisas do pai, que era viúvo. Durante essa dolorosa e emocionante tarefa, veio a surpresa. Do interior de uma antiga e desbotada caixa de papelão, surgiu, vinda de um passado remoto, uma impecável cartola, em admirável estado de conservação.

A cartola (abaixo, um detalhe do forro). Fotos: Erika Hanssen Madaleno, arquivo pessoal

Uma relíquia dos tempos em que Emílio tinha artigos como esse nas prateleiras de sua loja, e mandava publicar no jornal A Federação anúncios como esse reproduzido abaixo, de uma edição de 1903, que apregoava a casa especial para chapéus "que vende mais barato que qualquer outra parte".

Foto: reprodução

(colaboraram Erika Hanssen Madaleno e Bernardo Hanssen)

Frase do dia: Bussunda

17 de junho de 2013 0

Bussunda como Ronaldo. Foto: Márcio de Souza, TV Globo, divulgação

Um dos criadores da grife humorística Casseta & Planeta, o carioca Cláudio Besserman Viana, o Bussunda, morreu aos 43 anos, em 17 de junho de 2006, durante a cobertura da Copa do Mundo, na Alemanha. Ali o humor brasileiro perdeu uma de suas figuras mais conhecidas e influentes, responsável por memoráveis imitações que iam de Lula a Maradona e por personagens como Marrentinho Carioca e Ulson Montanha.

Ex-monitor de colônia de férias e ex-estudante de jornalismo, Bussunda integrou-se ao jornal satírico Casseta Popular, feito pelos amigos Marcelo Madureira, Hélio de La Peña e Beto Silva nos anos 1980. Outro amigo, Cláudio Manoel, também se juntaria ao grupo. A turma mais adiante faria parceria com Reinaldo e Hubert, do Planeta Diário, escrevendo para o programa TV Pirata, da Globo. Em 1992, Casseta & Planeta tornou-se um programa próprio na emissora, combinando noticiário e humor.

Durante toda a trajetória, Bussunda buscou conciliar o humor popular e a piada refinada, sempre testando o limite entre o gracejo e mau gosto. "Quanto pior o governo, mais fácil a piada", frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta segunda-feira, é uma espécie de síntese dessa filosofia, que a turma do Casseta procura manter no site oficial do grupo.

Novas cenas do Graf Zeppelin

15 de junho de 2013 0

Antes de os aviões se tornarem estáveis o bastante para levar passageiros sobre o Oceano Atlântico, existiu uma opção de transporte aéreo entre a Europa e a América do Sul: os dirigíveis, conhecidos como zepelins, em homenagem ao alemão Ferdinand von Zeppelin (1838-1917), que idealizou e construiu os primeiros equipamentos desse tipo.

Ferdinand von Zeppelin. Foto: reprodução

Um dos mais famosos foi o Graf Zeppelin, que realizava voos comerciais regulares entre a Alemanha e o Brasil nos anos de 1930. Não é difícil imaginar o alvoroço que tomou conta de Porto Alegre em 1934, quando anunciou-se que a portentosa aeronave de 235 metros de comprimento iria sobrevoar a cidade, em um trajeto experimental entre Rio e Buenos Aires.

A passagem do Graf Zeppelin pelo Rio Grande do Sul, em 29 de junho de 1934, foi muito marcante para a cidade – como demonstram os registros fotográficos conhecidos – alguns deles já reproduzidos aqui no Almanaque Gaúcho ao longo dos anos. Neste post, trazemos imagens inéditas do evento.

Foto: Oscar Petersen, acervo de Graça Petersen

A foto acima, gentilmente cedida por Graça Petersen, foi feita do alto do morro Ricaldone pelo médico Oscar Petersen. Abaixo, a aeronave está passando sobre o Palácio Piratini, em imagem captada por Eduardo Hirtz – empresário e um dos pioneiros do cinema no Estado – e pertencente ao acervo de Rejane Hirtz Trein.

Foto: Eduardo Hirtz, acervo de Rejane Hirtz Trein

O teatro morto foi sepultado

14 de junho de 2013 0

Que o Teatro Leopoldina já tinha morrido, faz tempo, todo mundo sabe. Mesmo para aqueles que já o conheceram como Teatro da Ospa, também não é novidade que a casa de espetáculos já estava, há muito, fechada. Apesar disso, para quem tantas vezes cruzou pelas largas portas de vidro, atravessando o amplo saguão, para viver momentos inesquecíveis no número 925 da Avenida Independência, é chocante ver sua fachada sepultada por uma parede de tijolos que nos aparta, definitivamente, das nossas mais gratas memórias culturais.

A fachada do teatro na tarde desta quinta-feira. Foto: Ricardo Chaves

O Teatro Leopoldina, com seus 1.230 lugares, foi inaugurado no dia 24 de outubro de 1963. Em abril de 1964, recebeu o musical My Fair Lady, com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Os tempos se tornariam bicudos e a peça Liberdade, Liberdade, com Paulo Autran e Tereza Rachel, chegou a ganhar o palco do Leopoldina antes de ser proibida pela ditadura. Em 1968, a peça Roda Viva, de Chico Buarque, teve dois atores sequestrados e espancados por forças de direita, que picharam a fachada do teatro e provocaram a interrupção da temporada.

Pichações na fachada durante a temporada de Roda Viva. Foto: Lahire Guerra, BD, 4/10/1968

Os anos 1970 trouxeram ao Leopoldina a peça Hair e as cantoras Ella Fitzgerald e Elis Regina, entre outras atrações. Depois de fechado por um período, o Teatro Leopoldina reabriu, em março de 1984, como Teatro da Ospa. Nos anos 1990, fracassaram as tentativas de compra da casa, pelo governo estadual.

No dia 1º de julho de 2008, regida por Isaac Karabtchevsky, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre fez, pela última vez, um concerto naquele local. A peça final foi Uma Vida de Herói, de Richard Strauss.

Foto: Floriano Bortoluzzi, BD, 5/10/1968

(colaborou Pedro Haase)

Frase do dia: Dalton Trevisan

14 de junho de 2013 0

O escritor curitibano Dalton Trevisan, que hoje completa 88 anos, é um dos mais célebres reclusos da literatura brasileira. É um sujeito completamente avesso a entrevistadores, câmeras e fotógrafos - tanto que há pouquíssimas imagens dele à disposição. Tanto que ele passou a ser conhecido pelo título de um de seus livros mais famosos, o volume de contos O Vampiro de Curitiba (1965).

Foto: reprodução

Os contos são o território de Trevisan, e neles é considerado um dos maiores nomes das letras nacionais. Outros de seus livros mais conhecidos, muitos deles premiados, são Morte na Praça (1964), Cemitério de Elefantes (1964), A Guerra Conjugal (1969), Crimes de Paixão (1978) e Pico na Veia (2002). Em Ah, É? (1994), explorou um estilo mais minimalista - é desse livro a frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta sexta-feira ("De que serve fazer bem uma gaiola se nenhum passarinho quer entrar?").

Veja um documentário sobre o escritor:

Um chá para as bonecas

13 de junho de 2013 0

Uma tradição, no início do século passado, nas famílias alemãs mais abastadas, era produzir um encontro denominado "Chá de Bonecas". As mulheres, adultas ou crianças, eram convocadas para a brincadeira e avisadas para que levassem suas "filhinhas" – as mais chiques, de corpo de pano e cabeça de porcelana, ou mesmo as mais simples, feitas de trapo – para uma reunião em que era servido o infalível chá com tortas ou bolos.

Foto: acervo de Rejane Hirtz Trein

Na foto acima, vemos a família do empresário Eduardo Hirtz (de óculos), suas filhas e amigas, cada uma delas com sua boneca nas mãos, posando para o fotógrafo nos primeiros anos da década de 1930. Hirtz, que se casou com Dona Sibila Ruschel em 28 de janeiro de 1905, teve três filhos: Armando, o primogênito, e as meninas Malta Sibila e Elda Elmi.

Coisa de pele

13 de junho de 2013 0

Falar em casaco de pele, nos dias de hoje, é criar controvérsia na certa. Já não pega bem usar uma roupa que teria custado a vida de um inocente animal.

Foto: reprodução

Essa preocupação parecia não existir em abril de 1910, quando foi publicado o anúncio acima, no antigo Jornal do Commercio, oferecendo peças em "legitimas pelles" de vison e marta, entre outras espécies. Mas a propaganda também oferecia "imitações perfeitas", como que reconhecendo o quanto os produtos originais viriam a ser repudiados no futuro.