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Da Polônia ao Rio Grande do Sul

20 de junho de 2013 0

No dia 20 de junho de 1933, há exatos 80 anos, Porto Alegre recebeu a visita do aviador polonês Stanislaw Skarzynski - que, no mês anterior, havia realizado a proeza de atravessar o Oceano Atlântico entre a costa africana e o Brasil, chegando a Maceió, num pequeno monomotor adaptado, estabelecendo então o recorde de 3.582 quilômetros para aviões particulares Classe II.

Após o feito, o capitão voou sobre o litoral brasileiro, parando em algumas cidades, especialmente aquelas onde havia poloneses. Em Porto Alegre, Skarzynski recebeu o carinho da colônia polonesa, o título de Sócio Honorário da Sociedade Polônia e uma cuia e uma bomba de chimarrão, como atesta a foto abaixo.

O aviador (no centro da foto) em meio à comunidade de origem polonesa da cidade.

Fotos: Acervo Sociedade Polônia de Porto Alegre

Acima e abaixo, outros momentos da recepção a Skarzynski

Originariamente militar da infantaria, Skarzynski participou da I Guerra e da Guerra Polono-Soviética e foi ferido e incapacitado para o combate a pé na Batalha de Radzymin. Tornou-se piloto, alistou-se na aeronáutica e, durante a II Guerra, participou da defesa da Pomerânia e da reestruturação da força aérea polonesa na França - e, depois, na Inglaterra. Piloto de um bombardeiro, morreu em 26 de junho de 1942, nos combates do Mar no Norte.

(colaborou Estácio Nievinski Filho)

O avião usado por Skarzynski na travessia do Atlântico em 1933. Foto: reprodução

Porto Alegre ganha novo consulado

20 de junho de 2013 0

Será inaugurado nesta quinta-feira (20), com cerimônia na Sociedade Polônia, o Consulado da República da Polônia em Porto Alegre. O órgão vai funcionar na Rua General Lima e Silva, 1.066, sala 204, no bairro Cidade Baixa.

Relações comerciais e culturais serão a prioridade do consulado, que inicialmente será atendido pelo cônsul honorário Wilson Rodycz.

O atendimento dos cidadãos poloneses e daqueles que pretendem obter a cidadania polonesa continuará sendo feito pelo Consulado Geral de Curitiba. Mas os interessados poderão realizar alguns atos do processo em Porto Alegre, pois um funcionário estará periodicamente no consulado para recolher documentos e impressões digitais, por exemplo.

Frase do dia: Stephen Frears

20 de junho de 2013 0

Foto: reprodução

O diretor britânico Stephen Frears, que hoje completa 72 anos, pode não ter conquistado nenhum Oscar. Mas, em quatro décadas de trajetória, lançou filmes que obtiveram sucesso e reconhecimento.

A fama veio com Minha Adorável Lavanderia (1985), que também promoveu o estrelato do ator Daniel Day-Lewis. Mas vários outros títulos marcantes vieram depois, como Ligações Perigosas (1988), Alta Fidelidade (2000), Coisas Belas e Sujas (2002) e A Rainha (2006). Vários deles renderam prêmios ao diretor, e A Rainha foi contemplado com o Oscar de Melhor Atriz para Helen Mirren no papel de Elizabeth II.

Tendo começado a trajetória na televisão britânica, Frears já dirigiu mais de 50 produções. Experiência suficiente para admitir que "para ter sucesso, em qualquer área, é preciso ter o direito de falhar" - frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quinta-feira.

Duelo na praça

19 de junho de 2013 0

A Praça Parobé surgiu em 1925, depois que a doca construída ao lado do Mercado Público foi aterrada, dando lugar a uma ampla área que foi ajardinada. Inclusive o lindo chafariz de ferro, antes instalado ao lado do Chalé da Praça XV, foi para ali transferido, antes de ser deslocado, definitivamente, para o Parque Farroupilha.

A praça nos anos 1930. Foto: Acervo Tecidos Raphael Dabdab

A grande enchente de 1941 causou grandes danos à praça. Mas, apesar disso, nos anos seguintes ela continuou concentrando as diversas atividades que se desenrolavam no Centro – como camelôs, fotógrafos lambe-lambe e chauffeurs de carros de praça que, com a gasolina racionada por causa da II Guerra, matavam o tempo jogando pauzinho (abaixo).

O jogo de pauzinho (acima) e o lambe-lambe (abaixo). Fotos: Revista do Globo, reprodução


Naquela época, dentre as atrações que procuravam chamar a atenção dos transeuntes, uma ficou célebre. O camelô português Eduardo Fonseca, enquanto anunciava seus produtos, mantinha no pescoço a famosa cobra Catarina, que ele havia comprado do Circo Sarrazani, na Bahia. Quando o público rareava, ele apelava para a infalível estratégia e anunciava, para dali a instantes, o "sensacional duelo entre a cobra Catarina e o lagarto Pascoal".

Fonseca e a cobra. Foto: Revista do Globo, reprodução

Pascoal era o fleumático mascote de um outro camelô, Felipe Lazcane, desafeto de Fonseca, que conseguira o animal em Rio Pardo e trabalhava ali perto, também na praça. A luta, obviamente, nunca aconteceu.

Lazcane e o lagarto. Foto: Revista do Globo, reprodução

Frase do dia: Pascal

19 de junho de 2013 0

Foto: reprodução

O francês Blaise Pascal (1623-1662) deu contribuições significativas para a ciência de seu tempo - e de tempos posteriores. Na matemática, ajudou a estabelecer as bases da geometria projetiva e da teoria das probabilidades. Na física, estudou a mecânica dos fluidos e as propriedades do vácuo.

Como escritor, exercitou uma prosa filosófica por vezes permeada de humor - como na série de cartas As Provinciais - e de religião - como nos textos curtos de Pensamentos, obra publicada postumamente em 1669. Dela, saiu a frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quarta-feira em que o nascimento do pensador completa 390 anos: "Quanto maior for um intelecto, mais originalidade irá encontrar nos homens".

Um duque no alto da colina

18 de junho de 2013 0

Foto: Acervo Museu Hipólito José da Costa

Uma das ruas mais tradicionais do centro de Porto Alegre, a Duque de Caxias já teve o aspecto calmo e relativamente despovoado retratado na imagem acima, feita no final da década de 1920, provavelmente retratando um dos primeiros quarteirões da via. Afinal, o número de automóveis que circulavam pela cidade naquele tempo ainda era relativamente baixo – o primeiro deles havia chegado em 1906.

Ao longo dos anos, a Duque teve as mais variadas denominações. Conforme o trecho, o caminho se chamava Rua Formosa, Rua de São José, Rua Alegre, Rua do Hospital ou Rua da Igreja. Este último era o nome mais aceito quando, em 1869, o nome atual foi adotado oficialmente, em homenagem ao militar Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880).

Busto em homenagem ao Duque de Caxias. Foto: Gilmar de Souza, BD, 13/4/2010

Luz de letra

18 de junho de 2013 0

Fotos: reprodução

Essa simpática lâmpada leitora reproduzida acima era a ilustração principal do anúncio da Osram publicado em dezembro de 1958. Surgida na Alemanha e batizada a partir dos nomes de dois componentes usados na produção de lâmpadas - "os", de ósmio, e "ram", de wolfram, termo alemão para tungstênio -, a indústria tinha se estabelecido no Brasil em 1955. A propaganda exaltava uma das maiores utilidades da iluminação elétrica: permitir as leituras noturnas.

Frase do dia: Bethânia

18 de junho de 2013 0

Foto: João Milet Meirelles, divulgação

A irmã mais nova do compositor Caetano Veloso só poderia mesmo ser cantora. Há exatos 67 anos, quando a menina baiana nasceu, o mano sugeriu o nome Maria Bethânia - título de uma canção do pernambucano Capiba gravada com sucesso pelo gaúcho Nelson Gonçalves. Escolha certeira: a garota, mais do que uma grande intérprete, tornou-se uma espécie de símbolo da música brasileira.

Com cinco décadas de trajetória musical, Bethânia é referência entre as vozes femininas do Brasil, um território no qual a qualidade e a quantidade são quase igualmente abundantes. A voz característica, a intensidade das interpretações, os flertes com o teatro e a literatura e a personalidade forte são alguns dos traços mais relevantes da artista, para quem "A coisa mais bonita que o Brasil tem é a cultura popular" - frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta terça-feira.

Da cartola

17 de junho de 2013 0

No último 22 de maio, aos 87 anos, morreu em Harmonia (a 64 quilômetros da Capital) Klaus G. Kurt Hanssen. Ele era filho de Ernesto Hanssen, um jogador de futebol dos primórdios do Grêmio, e neto de um imigrante alemão chamado Emílio Hanssen (1845-1923). Esse nome esteve por muitos anos pintado na fachada de uma tradicional casa de comércio instalada, desde 1872, nos números 417 e 419 da Rua da Praia.

A fábrica de chapéus (à esquerda). Foto: reprodução

Numa conhecida foto da Porto Alegre de antanho, datada de 1880 (acima), lá está, no lado esquerdo da imagem, a firma Emílio Hanssen – Fábrica de Chapeos (sic), com um chapéu bicorne pendurado num suporte, para não deixar dúvidas quanto ao tipo de negócio ali estabelecido.

A recente morte de Klaus obrigou seu único filho, Bernardo, a vir de São Paulo, onde mora, para organizar as coisas do pai, que era viúvo. Durante essa dolorosa e emocionante tarefa, veio a surpresa. Do interior de uma antiga e desbotada caixa de papelão, surgiu, vinda de um passado remoto, uma impecável cartola, em admirável estado de conservação.

A cartola (abaixo, um detalhe do forro). Fotos: Erika Hanssen Madaleno, arquivo pessoal

Uma relíquia dos tempos em que Emílio tinha artigos como esse nas prateleiras de sua loja, e mandava publicar no jornal A Federação anúncios como esse reproduzido abaixo, de uma edição de 1903, que apregoava a casa especial para chapéus "que vende mais barato que qualquer outra parte".

Foto: reprodução

(colaboraram Erika Hanssen Madaleno e Bernardo Hanssen)

Frase do dia: Bussunda

17 de junho de 2013 0

Bussunda como Ronaldo. Foto: Márcio de Souza, TV Globo, divulgação

Um dos criadores da grife humorística Casseta & Planeta, o carioca Cláudio Besserman Viana, o Bussunda, morreu aos 43 anos, em 17 de junho de 2006, durante a cobertura da Copa do Mundo, na Alemanha. Ali o humor brasileiro perdeu uma de suas figuras mais conhecidas e influentes, responsável por memoráveis imitações que iam de Lula a Maradona e por personagens como Marrentinho Carioca e Ulson Montanha.

Ex-monitor de colônia de férias e ex-estudante de jornalismo, Bussunda integrou-se ao jornal satírico Casseta Popular, feito pelos amigos Marcelo Madureira, Hélio de La Peña e Beto Silva nos anos 1980. Outro amigo, Cláudio Manoel, também se juntaria ao grupo. A turma mais adiante faria parceria com Reinaldo e Hubert, do Planeta Diário, escrevendo para o programa TV Pirata, da Globo. Em 1992, Casseta & Planeta tornou-se um programa próprio na emissora, combinando noticiário e humor.

Durante toda a trajetória, Bussunda buscou conciliar o humor popular e a piada refinada, sempre testando o limite entre o gracejo e mau gosto. "Quanto pior o governo, mais fácil a piada", frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta segunda-feira, é uma espécie de síntese dessa filosofia, que a turma do Casseta procura manter no site oficial do grupo.