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Praça da Harmonia

22 de dezembro de 2014 0

A Praça Brigadeiro Sampaio é, hoje, um triângulo formado pela Avenida João Goulart (continuação da Avenida Mauá, rumo à Zona Sul), pela Rua General Portinho e pelos primeiros quarteirões da Rua dos Andradas, que tem belas e antigas árvores e muita sombra.

Tem, também, o monumento ao patrono da infantaria brasileira, que dá nome à praça, e foi um bravo cearense, nascido em 1810 e morto em 1866, em decorrência de ferimentos sofridos na Batalha de Tuiuti, durante a Guerra do Paraguai. Aquela área da Capital teve diversas denominações e atravessou diferentes momentos de valorização e desprezo por parte da população e seus representantes.

Nos primórdios da vila, fazia parte da Praia do Arsenal e ficou marcada como o Largo da Forca, já que ali eram executados os condenados à morte.

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Em 1865, o fotógrafo Luiz Terragno fez a imagem estereoscópica da Praça da Harmonia. Esse tipo de fotografia dupla, que exigia um visor especial para observar o efeito tridimensional, fazia grande sucesso naquela época…

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… Ao isolar uma das fotos, pretendemos enfatizar o conteúdo, que mostra a praça como ela foi.

Em 1856, o nome adotado foi Praça do Arsenal. Por volta de 1858, ela foi melhorada sob três alegações: 1 – de que “era o ponto mais destacado para a visão dos que entravam no porto e o que mais penúria exibia”, 2 – a epidemia de cólera (1855) tinha feito ali muitos estragos pela “falta de asseio e mísera situação”, e 3 – “porque a cidade não possuía um lugar de refrigério e de passeio, além da Praça da Independência (hoje Praça Argentina), concluída há pouco.

Nessa época, passou a se chamar Praça da Harmonia. Em 1865, época destas fotos,
o logradouro foi revitalizado. O nome chegou a ser trocado outras vezes, para Praça Martins de Lima, depois para 3 de Outubro, mas para sempre o local será tratado como Praça da Harmonia.


Fonte: Porto Alegre – Guia Histórico , de Sérgio da Costa Franco

Espaço para a educação

20 de dezembro de 2014 0

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Entre as duas fotos da nossa página de hoje, existe um espaço de tempo de 27 anos. A primeira (acima) foi tirada em 1901. Nela, aparecem os pavilhões da exposição estadual, que foi evento importante para a cidade no início do século passado. Bem à direita, na imagem, se vê o prédio da Faculdade de Engenharia, construído entre 1898 e 1900, com projeto do engenheiro João José Pereira Parobé. É curioso observar que ele foi concebido com dois pavimentos (como na foto), mas, numa reforma, em 1950, ganhou mais um, e hoje são três.

A centenária edificação, localizada diante da Praça Argentina, é conhecida como Engenharia Velha. Projetado seguindo modelos de palacetes renascentistas, com fachadas planas e decoração sóbria, sua construção contou com recursos derivados dos impostos sobre a conservação de passeios públicos. A segunda cena, tomada praticamente do mesmo ângulo (abaixo), é de 1928, parte da área do Campo da Redenção, já se mostra urbanizada e é ocupada por diversos edifícios de instituições de ensino.

A fundação da Escola de Farmácia e Química, em 1895, e, em seguida, da Escola de Engenharia, marca o início daquilo que veio a ser a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o começo da Educação Superior em nosso Estado. Ainda no século XIX, foram fundadas a Faculdade de Medicina de Porto Alegre e a Faculdade de Direito, que, em 1900, marcou o início dos cursos humanísticos no Rio Grande do Sul.

A Universidade de Porto Alegre, integrada inicialmente pela Escola de Engenharia, com os Institutos de Astronomia, Eletrotécnica e Química Industrial; Faculdade de Medicina, com as Escolas de Odontologia e Farmácia; Faculdade de Direito, com sua Escola de Comércio; Faculdade de Agronomia e Veterinária; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e pelo Instituto de Belas Artes, só seria criada em 28 de novembro de 1934.

Em 1947, passou a ser denominada URGS. Em dezembro de 1950, a Universidade foi federalizada, passando à esfera administrativa da União. Desde então, a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) passou a ocupar posição de destaque no cenário nacional.

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Colaboraram Rosângela Gomes da Silva e Guilherme Ely

Meirelles Duarte: cronista emérito

19 de dezembro de 2014 0

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Com Flávio Bicudo, do Inter, na concentração, em 1961

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Com jogadores da Seleção Brasileira

Dos 80 anos completados no mês passado, Meirelles Duarte dedicou pelo menos 63 ao jornalismo esportivo. Aliás, dedicou não é o tempo adequado do verbo, pois ele continua atuando na imprensa de sua querida Passo Fundo, onde nasceu em 1934. Com uma história de vida riquíssima, que lhe dá vigor e disposição contagiantes, o jornalista mantém uma coluna semanal no jornal O Nacional e três participações semanais pelos canais da NET, tendo deixado o rádio após 43 anos narrando futebol e fazendo seus programas diários. A popularidade lhe garantiu o reconhecimento da comunidade e o levou a exercer a vereança naquela cidade em cinco legislaturas.

Tendo iniciado em 1951 na cidade de Getúlio Vargas, na Rádio Vera Cruz, hoje Sideral, foi levado, com um ano de profissão, para Passo Fundo, indicado por seu amigo Maurício Sirotsky Sobrinho, que deixava a pioneira Rádio Passo Fundo, onde foi seu primeiro gerente, para ingressar na Rádio Farroupilha e, posteriormente, na Rádio Gaúcha, onde nasceu o grupo de comunicações da RBS. Meirelles, como é conhecido, depois de 63 anos de profissão, sem nenhum intervalo, é hoje um dos comunicadores mais veteranos, em todo o país, em plena atividade após tanto tempo.

Ele já recebeu inúmeras homenagens. Em 2000, foi eleito  “o melhor comunicador do interior do Estado” e, num jantar em Gramado, recebeu seu diploma  das mãos do locutor Pedro Ernesto Denardin, da Rádio Gaúcha. Ardoroso torcedor do Internacional, preferência que nunca negou, mesmo sendo um profissional da comunicação, também recebeu, de Arthur Dallegrave, a identidade de Sócio Honorário, em documento gravado numa grande placa com as justificativas e assinado pelo presidente Fernando Carvalho em 20 de agosto de  2055.

Por duas vezes, foi homenageado pela Federação Gaúcha de Futebol: primeiro, com o título de Cronista Emérito por serviços prestados ao futebol gaúcho, assinado pelo presidente Rubens Hofmeister, em 10 de março de 1982, e, depois, como Sócio Honorário, em 10 de novembro de 2011, assinado pelo presidente Emídio Perondi. Também foi eleito personalidade da década na comunicação esportiva, em premiação promovida pela Lider, em 31 de dezembro de 1999, e presidiu por sete gestões a Academia Passo-Fundense de Letras. Na formatura de Direito, em 1979, foi escolhido o orador de sua turma. O homem certo, no lugar certo.

 

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Com o zagueiro Airton, do Grêmio

 

 

 

Coesão e resistência

18 de dezembro de 2014 0

Hoje, com um almoço no restaurante Fragata (Avenida do Forte, 1.862, Porto Alegre), a turma de 1964 da Faculdade de Ciências Econômicas vai celebrar o cinquentenário de formatura. Esta turma é a do ano dos expurgos impostos pela ditadura militar, que se instalou no país naquela ocasião.

Sete remanescentes mantêm a tradição: o paraninfo Cláudio Accurso, Acmene Fraenkel, José Francisco Kanarzveski, Marlene Amanda de Jesus, Mário Ruy Zacouteguy, Ruy Remy Rech, Walter Raimundo Hahn. Também compunham a turma de formandos: Adão Rodrigues da Silva, André Zomer, Arideu Galdino da Silva Raimundo, Carlos Alberto Drumond de Macedo, Carlos Silveira Hessel, Ernesto Weber Rossa, Gabino do Vale, Gilberto Fraenkel, Henrique Kurylo, Herbert José Lau, Jaques Alberto Bensussan, Luiz Picarelli, Marcos Oeste, Marina Maja Merkel, Nilto Menelli, Pedro Floriano Hoerde, Valmor Lothário Keller. Em 1964, por unanimidade, foi escolhido paraninfo o economista Cláudio Accurso.

Como o professor Accurso fora expurgado da UFRGS, a comissão de sindicância a serviço do golpe militar proibiu que a cerimônia se realizasse com o paraninfo escolhido. Numa atitude de resistência ao arbítrio, os formandos, diante da proibição, mantiveram a escolha e realizaram a formatura fora da faculdade (18 de dezembro de 1964), considerando que nenhum dos expurgos ocorreu por corrupção ou improbidade administrativa, mas somente por motivações político-ideológicas e até mesmo devido a mesquinharias do cotidiano.

Em 2005, o economista Cláudio Accurso dedicou um de seus livros à turma de formandos de 1964: “Aos formandos de Economia da URGS de 1964, dos quais fui paraninfo, ano do golpe militar e da perda da democracia brasileira, pelo seu gosto à liberdade e por seu gesto em defendê-la, manifestos por unanimidade. Meu reconhecimento”. Os 49 anos de reuniões desses formandos e sua coesão, além da amizade que os une, demonstram uma reafirmação de repúdio às formas de domínio espúrias como as impostas pela Comissão de Inquérito da Universidade. Nesses 49 anos transcorridos desde a formatura, todos os anos, sem exceção, houve almoços de confraternização pela data. Agora, o 50º!

Colaborou Niamara Pessoa Ribeiro

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Porre e entrevero histórico

17 de dezembro de 2014 0

Na última segunda-feira, na nota com o título Boa safra de lembranças, que divulgava a obra Memória do Vinho Gaúcho, acabamos atropelando a história. Mesmo que tivéssemos ultrapassado níveis etílicos razoáveis, o que não foi o caso, isso não se justificaria. Alertados por gentis leitores, e como não temos compromisso com o erro, aqui vão nossas desculpas e alguns esclarecimentos.

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Os irmãos Aparício (esquerda) e Gumercindo Saraiva

Falamos em “comandantes da Revolução Federalista de 1923”, entre eles, Gumercindo Saraiva, que foram fotografados, sob uma parreira, em Dom Pedrito. Pura confusão. Os autores dos livros sobre o vinho colheram a foto no volume 1910/1930 da Coleção Nosso Século. Lá, a legenda identifica três dos sete personagens: Osvaldo Aranha, Saraiva e Flores da Cunha. O texto do fascículo esclarece que o Saraiva fotografado é Nepomuceno Saraiva. Ele é filho de Aparício Saraiva. Aparício (1856-1904), e o irmão Gumercindo (1852-1894) foram rebeldes, estes sim, da Revolução Federalista de 1893.

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Os “chimangos”, identificados no texto

A Revolução de 1923, data da foto, é conhecida como Revolução Assisista (Assis Brasil). Foi um levante contra Borges de Medeiros e suas sucessivas reeleições, que só acabou com o Tratado de Pedras Altas, em dezembro de 1923. A foto, que voltamos a publicar hoje, mostra, na verdade, líderes “chimangos” (borgistas), e encontramos a identificação completa no livro Vargas of Brasil: a political biography, de John W.F.Dulles (1967). Da esquerda para a direita, estão: Arlindo Duarte, Osvaldo Aranha, Nepomuceno Saraiva, José Antonio Flores da Cunha, Guilherme Flores da Cunha, José Alvares e Aires Maciel.

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As páginas da Coleção Nosso Século, de onde foi tirada a foto dos líderes da Revolução de 1923

Os Saraiva eram a típica família de caudilhos da fronteira Brasil/Uruguai, uns nascidos em nosso país e outros na “banda oriental”, naqueles tempos animados. O avô de Nepomuceno, Francisco (pai de Gumercindo e Aparício, entre outros tantos filhos), participou da Revolução Farroupilha. Êta gurizada medonha…

Casa de Portugal, 80 anos

16 de dezembro de 2014 0
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A Casa de Portugal, na Avenida João Pessoa, foi palco de memoráveis reuniões dançantes domingueiras e referência em gastronomia lusitana

No dia 16 de dezembro de 1934, um grupo de portugueses, aqui radicados, se reuniu em assembleia e fundou a Casa de Portugal. O primeiro presidente eleito foi Paulo Francisco Portas. Dispostos a preservar os costumes da sua pátria, cultivar as lembranças “da terrinha” e apoiar aqueles que chegassem em busca de novas oportunidades, eles criaram um clube que marcou fortemente a vida social da cidade e chegou a congregar 4 mil sócios em seus dias mais gloriosos. A primeira sede foi instalada em um espaço alugado no número 131 da Rua Capitão Montanha, no centro da Capital. Já na década de 1950, foi adquirido um bom terreno no número 579 da Avenida João Pessoa, para a construção da sua primeira sede própria. As célebres reuniões dançantes, aos domingos, foram um dos programas preferidos da juventude porto-alegrense, até a década de 1980. Igualmente, o restaurante, a cargo de Joaquim Gomes, foi referência gastronômica de boa comida portuguesa, por mais de 30 anos, desde o fim dos anos de 1950. Em 1972, o clube decidiu comprar uma área de cinco hectares, parte com mata nativa, na Avenida Bento Gonçalves, 8.333, onde foi construída a sede campestre, com piscinas, etc. Com a venda do terreno da Avenida João Pessoa para o Grupo Zaffari, todos os departamentos (social, cultural e esportivo) se transferiram para a sede da Avenida Bento Gonçalves. Com menos portugueses natos imigrando para o Brasil, a agremiação foi se abrindo, ampliando o acesso ao seu quadro social e acolhendo também associados de outras etnias. O atual presidente, Antonio David da Graça, agora que a Casa de Portugal faz seu aniversário de 80 anos, está empenhado, e arrematando negociações, para a abertura de um restaurante na sede da Bento. Um lugar que ofereça estacionamento fácil e, quem sabe, mate nossa saudade dos velhos tempos, e da saborosa cozinha lusa do “seu” Joaquim. Seria um bom presente para nossa cidade.

Boa safra de lembranças

15 de dezembro de 2014 0

Hoje, no Ecomuseu da Cultura do Vinho, um espaço instalado dentro do Parque Dal Pizzol, em Faria Lemos, Bento Gonçalves, haverá o lançamento da obra Memórias do Vinho Gaúcho. Em 752 páginas, distribuídas em três volumes, os autores Rinaldo Dal Pizzol e Sérgio Inglez de Sousa concentraram um trabalho de 30 anos recolhendo imagens e documentos de fatos relacionados ao universo vitivinícola em nosso Estado. O levantamento das memórias começa pelos primórdios da vitivinicultura gaúcha, entre 1600 e 1875, em que trata, por exemplo, dos jesuítas como os primeiros viticultores gaúchos, e se encerra com as grandes transformações do vinho brasileiro entre 1990 e 2000.

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Os três volumes da obra

Entre os registros, destacam-se fotos históricas, como a cena, em 1923, de comandantes da Revolução Federalista, entre eles Oswaldo Aranha, Gumercindo Saraiva e Flores da Cunha, embaixo de uma pérgola de videira em Dom Pedrito; e um anúncio da fazenda Quinta do Seival, de propriedade de João Marimon e seus filhos, em Bagé, considerada o maior estabelecimento vitivinícola do Estado naquela época.

Além disso, a obra traça um perfil do imigrante ítalo-vêneto e resgata informações como a quantidade de vinho que as colônias Dona Isabel e Conde d´Eu, hoje Bento Gonçalves e Garibaldi, , respectivamente, produziam em 1883. Como fatos mais recentes, o livro trata da criação do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), em 1998, e da primeira Avaliação de Vinhos da Associação Brasileira de Enologia (ABE), em 1993.

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Colono esmaga uva com os pés

O trabalho se propõe a ultrapassar o papel de simples suporte de memórias do segmento e lança elementos para a compreensão da verdadeira essência da atividade vitivinícola gaúcha, qualquer que seja o ponto de vista: técnico, social, político e cultural. A intenção foi trazer a público o vinho gaúcho enquanto produto do esforço humano em suas comunidades e vinculado a seus modos de vida, sempre carregado de conotações simbólicas e de sentidos.

Além da pretensão de produzir análises e reflexões, os autores esperam incentivar a comunidade vinícola gaúcha a vasculhar as evidências de seu passado para, assim, contribuir com essa história e estimular que a obra possa ser ampliada, aprofundada e modificada, se for preciso. Depois do evento de hoje, na Serra, haverá também outro, no dia 17 de dezembro, na Farsul, em Porto Alegre.

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Os revolucionários de 1923, embaixo de uma pérgola de videira

No início de 2015, os livros serão lançados em São Paulo e, nos dias 25 e 26 de fevereiro, ocorrerá uma apresentação especial para o setor vitivinícola em Bento Gonçalves e em Flores da Cunha. Dal Pizzol gostaria que a extensa busca realizada sobre o vinho gaúcho e sua cultura pudesse despertar outros setores para que contem suas histórias, “pois esse tipo de registro é uma boa forma de difundi-las”, ressalta.

Um doutor na arte de viver

13 de dezembro de 2014 0

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Amanhã, dia 14 (domingo), às 18h30min, no espaço de eventos da Rossi (Avenida Ipiranga, 7.454), será inaugurada a Rua Doutor Edgar Diefenthaeler, logradouro público localizado no bairro Jardim do Salso. A denominação é homenagem ao renomado médico oncologista de Porto Alegre, que durante 20 anos trabalhou na Santa Casa de Misericórdia. Diefenthaeler costumava veranear na praia de Itapeva, em Torres, onde foi um dos veranistas pioneiros.

Foi lá, em um dos lugares que ele mais gostava, sua casa à beira-mar, que, em 8 de fevereiro de 2013,  aos 92 anos, o médico faleceu, depois de dedicar mais de 66 anos da sua longa vida à medicina. Casado com Helena, eles tiveram quatro filhos: Edgar, Marília, Eunice e Eleonora. Um homem voltado essencialmente para sua profissão e para sua família, desenvolveu uma importante trajetória. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Também fundou e dirigiu o Hospital de Câncer Santa Rita. Ele concluiu os estudos na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 1942. No final dos anos 50, foi estudar na Universidade de Munique, com o professor Walter Bungler, na época, o mais famoso especialista em Patologia, e, depois, com o professor Bauer, da Universidade de Heidelberg, uma das mais antigas universidades do mundo, local em que complementou sua especialização em cirurgia oncológica.

Fundador também da então Faculdade Católica de Medicina, organizou e, por mais de 10 anos, foi chefe do departamento de cirurgia. Como reflexo do seu trabalho no hospital e em outras instituições, doutor Edgar recebeu diversas homenagens. Entre as mais importantes distinções: medalha do centenário de nascimento do professor Mário Kröeff, do Serviço Nacional de Câncer, pela luta contra o câncer no país; destaque da Secretaria de Saúde, pelo reconhecimento ao seu trabalho no Estado; título honorífico de Cidadão Emérito de Porto Alegre e, hoje, o bloco cirúrgico do Hospital Santa Rita leva o seu nome.

Um dos seus legados foi sempre salientar a importância da boa relação médico-paciente e, outro, seu empenho em aliviar o sofrimento das pessoas. A preocupação com o conhecimento médico e a sua postura de humildade fizeram com que, muitas vezes, não hesitasse em consultar os colegas frente a grandes dificuldades. Com essa atitude, conquistou o respeito e a admiração de muitos seguidores, como confirmam seu filho Edgar e a neta Liliane, que foram seus alunos na Faculdade de Medicina, bem como o seu genro, doutor Nilton Herter, seu assistente na cadeira de cirurgia.

Com generosidade e dedicação, desenhou uma longa e brilhante carreira, e, apesar de reconhecer o momento de se aposentar, após tantos anos trabalhando, seus pacientes continuavam ligando para agendar consultas. Doutor Edgar desfrutou sua vida até o último momento. Talvez o grande prazer em viver tenha sido a motivação para lutar pela saúde de seus pacientes. Médico referência e nacionalmente reconhecido como pioneiro no combate ao câncer, é, agora, em mais uma justa homenagem, nome de rua da Capital.

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Petrobras

12 de dezembro de 2014 0

Logo após a Segunda Guerra, ficou ainda mais clara a importância que o petróleo teria nos tempos seguintes. No início dos anos de 1950, o Brasil estava dividido entre os descrentes na capacidade do país para, de forma autônoma, explorar seus recursos naturais e os defensores da frase “o petróleo é nosso”, contrários à extração e comercialização do produto por empresas estrangeiras.

Em 3 de outubro de 1953, foi sancionada a Lei 2004, que criava a Petrobras. “O Congresso acaba de consubstanciar em lei o plano governamental para a exploração do nosso petróleo. A Petrobras assegurará não só o desenvolvimento da indústria petrolífera nacional, como contribuirá decisivamente para limitar a evasão de nossas divisas. Constituída com capital, técnica e trabalho exclusivamente brasileiros, a Petrobras resulta de uma firme política nacionalista no terreno econômico, já consagrada por outros arrojados empreendimentos, cuja visibilidade sempre confiei.

É, portanto, com satisfação e orgulho patriótico, que hoje sancionei o texto da lei aprovada pelo Poder Legislativo e que constitui novo marco da nossa independência econômica”, afirmou o presidente Getúlio Vargas ao assinar a lei. O capital da nova empresa foi constituído também por contribuições compulsórias. Ao emplacar um novo carro, ou consumir combustível, parte da arrecadação obtida era destinada, então, à consolidação da Petrobras.

O leitor Alcides Francisco Veronese talvez seja um dos poucos brasileiros que guarda um documento dessa época. Quando o pai dele, José Veronese, emplacou uma camioneta Dodge 1951, em Farroupilha, em 1954, pagou Cr$1,6 mil à Coletoria Federal da cidade, através da guia de recolhimento (reprodução), “para os fins previstos” em lei. Ao enviar cópia do documento, Veronese lembra que a Petrobras foi feita com o esforço de muitos brasileiros.

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Colaborou Alcides Francisco Veronese

Guaporé 111 anos

11 de dezembro de 2014 0

11048303 Neste 11 de dezembro, Guaporé comemora 111 anos de autonomia política como região desmembrada de Lajeado e Passo Fundo. O “vale deserto”, provável significado do nome Guaporé, em guarani, apresentou rápido crescimento graças ao trabalho incansável dos imigrantes, em sua maioria de descendência italiana. Na década de 1950, os 1,5 mil quilômetros quadrados do município tornaram-no um grande produtor agrícola. Nessa época, já produzia muito milho e ocupou o primeiro lugar na produção de nozes. Foi destaque no cultivo de trigo, de cevada e na criação de suínos. O município tinha seis frigoríficos. Hoje, a sua economia está baseada nas indústrias de joias e de lingerie e na metalurgia. O desmembramento dos distritos de Casca (Vila Maria, Serafina Corrêa, Muçum, Dois Lajeados e União da Serra) gerou novos municípios, que, por sua vez, deram origem a outras cidades, como São Domingos do Sul, Vanini, Santo Antônio do Palma, Montauri, Vespasiano Corrêa e São Valentim do Sul. A extensão territorial de Guaporé, agora, não ultrapassa os 300 quilômetros quadrados. A foto acima, de 1924, mostra a Praça Central Vespasiano Corrêa, a mesma da foto atual, abaixo. Sobre a foto antiga, na época em que ela foi batida, alguém escreveu: “Em franca prosperidade, promete ficar uma beleza”. A profética mensagem de novos e bons tempos para o município que estava apenas nascendo confirma a confiança no futuro e nos permite reforçar nossos votos de felicidades, em mais este aniversário de Guaporé. 11048302