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Ijuhy 1893/1925

29 de julho de 2015 0
Colônia de Ijuhy em 1893

Colônia de Ijuhy em 1893

“No fim do mês de março cheguei à colônia de Ijuhy, situada entre as cidades de Cruz Alta e Santo Ângelo de Missões, no planalto do Rio Grande. Numa extensão de cerca de 170 km, tinha atravessado campos abertos e limpos sem interrupção e estava a cerca de 30 km ao norte de Cruz Alta quando a estrada repentinamente entrou numa mata alta… Após outros 30 km de caminho por essa região florestal, cheguei ao centro da colônia. Havia somente dois anos e meio que Ijuhy tinha recebido os seus primeiros colonos (novembro de 1890). Deram-me para habitação uma casinha de tábuas (foto acima), construída há pouco, cujo arquiteto tinha sido um alemão, o primeiro que neste lugar fizera tinir o machado…”
Esse texto faz parte de um livro raro, A Vegetação no Rio Grande do Sul (Brasil Austral), escrito pelo botânico sueco Carl Axel Magnus Lindman (1856-1928), que visitou o Rio Grande do Sul em 1893. Ele descreve o ambiente, salientando que já havia grandes roças de milho, mas que “em muitos lugares derrubadas se achavam em coivaras (técnica agrícola rudimentar) para secar e depois serem queimadas. A maior parte da mata virgem, porém, ainda existia em todo o seu grandioso isolamento, apenas atravessada pelas linhas ou ruas largas e direitas, há pouco abertas de acordo com o plano da colônia”, completa o intrépido sueco.
Após 32 anos, o panorama era bem diferente, como se pode ver nesse fragmento de cartão-postal (foto abaixo). No verso da imagem, se constata que ele foi remetido para “a querida Biloquinha”, da cidade de Júlio de Castilhos, em julho de 1925, pela “amiguinha grata” Alayde. O cirurgião dentista Firmino Chagas Costa é uma das poucas pessoas que sabem que, “Biloquinha”, era o apelido da veterana professora Belmira Pimentel, que foi sua cliente.

Colaborou Firmino Chagas Costa

Colônia de Ijuí em 1925

Colônia de Ijuí em 1925

Uma vida, uma história

27 de julho de 2015 0


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A matéria-prima do jornalismo é a vida. Como a vida também é feita de coisas improváveis, o jornalismo não poderia ser diferente. Na última quarta-feira (dia 22), publicamos uma foto de jovens na Rua da Praia, numa nota sobre o “point” da juventude em 1959. A moçada aparecia encostada num carro e três deles tinham garotos engraxates polindo os sapatos.
Um senhor de 70 anos, que tomava café num bar do Mercado, viu a foto do Almanaque Gaúcho e imediatamente se reconheceu. Mário Vieceli, mesmo de costas na imagem, não teve dúvida de que era um daqueles engraxates, por um detalhe quase imperceptível: sua caixa era diferente de todas as outras dos colegas, porque a dele era carregada a tiracolo, suspensa por uma cinta, e não direto no ombro como os demais levavam. E havia uma explicação para isso. Além das latas de graxa, só ele transportava junto vidros de tinta para calçados, preta, marrom e branca, que, sem cautela, poderiam vazar.
O pai de Mário, Isaco, era um carpinteiro, imigrante italiano, casado com dona Maria, pai de nove filhos e morador do Partenon. Não é difícil entender por que Mário, aos 12 anos, tendo completado apenas o terceiro ano do primário, já começou a trabalhar. Iniciou como office boy numa seguradora. Comia a marmita do almoço num banco da Estação de Trens Ildefonso Pinto, onde baleiros e jornaleiros se reuniam. Conversando, descobriu que com um tabuleiro de guloseimas os meninos ganhavam cinco vezes mais do que o soldo de assalariado. Virou baleiro. Mas o “rapa”, da fiscalização, fez com que ele se tornasse engraxate.
A tinta foi seu diferencial, ganhava bem, e mais do que os outros. Depois, foi cobrador e motorista de ônibus. Aos 23 anos, casou-se com Nara, tiveram quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Trabalhou com o sogro no Armazém do Celso. Instalou um depósito de secos e molhados. Comprou um caminhão. Teve box na Ceasa. Abriu o supermercado Bacefar (usando as letras iniciais de: batata, cebola, feijão e arroz). Montou uma loja de produtos agropecuários para ajudar a encaminhar os filhos.
Uma das moças mora na Alemanha, casada com um designer de carros. Antes de falecer, em 2011, dona Nara visitou a filha, na Europa, por duas vezes. Mário também já esteve na Alemanha e na Itália dos seus antepassados. Aposentado, com os filhos encaminhados, e sete netos, Mário tem aquela tranquilidade do homem realizado que cumpriu, com mérito, a sua missão.
A ponta recente dessa história chegou a nós pela mensagem de Mercelí Fülber, nora de Mário. No final, ela disse: “Escrevo esse e-mail com os olhos repletos de lágrimas e com a garganta embargada de grande emoção, não só a minha, como nora desse homem exemplar, mas também por meu marido Laurício, sempre fiel a seus ensinamentos. Muito obrigada por nos proporcionar este momento emocionante”. Mário guardou a sua velha caixa de engraxate por mais de meio século. Atacada irremediavelmente por cupins, três anos atrás, ela se acabou, mas, como viram, muito ficará.
Muito obrigado a você, Mercelí.

 

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Uma pulga na camisola

25 de julho de 2015 0

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Lá pela metade do ano de 1953, não era recomendável visitar ninguém nas noites de terça-feira, especialmente próximo das 21h30min. Nesse dia e horário, parte expressiva da população de Porto Alegre e de outras cidades da Região Sul estaria ocupada e atenta, ouvindo rádio. Era o momento de sintonizar a Rádio Farroupilha, para dar boas risadas, acompanhando o programa humorístico Uma pulga na camisola. Esse foi o grande sucesso radiofônico nos primeiros anos da década de 1950. A atração era escrita por Max Nunes (1922-2014), um médico que foi, além de cronista e compositor, um dos maiores humoristas brasileiros. Max já tinha feito sucesso na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, com o Balança mas não cai e logo depois criaria, em 1952, para a Rádio Tupi o Uma pulga… A Farroupilha, que, como a Tupi, também fazia parte dos Diários e Emissoras Associados, adaptou o programa para seu elenco local com o mesmo êxito. Sob o comando dos diretores J. Antônio D’Avila (artístico), Walter Ferreira (radioteatral) e Salvador Campanela (musical) e contando com o talento de gente como Walter Broda, Pinguinho, Nelson Silva, Fabio Silveira, Amandio Silva Filho, Ivan Ribamar, Nelita Aguiar, Lilia Maria, Lili Ferreira e Linda Gay, o programa lotava o auditório da emissora, que não tinha instalações suficientes para abrigar a todos os fãs que queriam assistir, ao vivo, às encenações da transmissão radiofônica. Uma reportagem da Revista do Globo, nessa época, alertava que, devido à grande procura pelos raros “convites especiais”, a solução era “chegar cedo e entrar na bicha para ingressar no velho casarão onde a Rádio Farroupilha mantém seu auditório”.

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Lugar para ver e ser visto

21 de julho de 2015 0
O point de 1959 era a Rua da Praia, onde a juventude se encontrava

O point de 1959 era a Rua da Praia, onde a juventude se encontrava

Quando a gente é jovem, sabe exatamente qual o “point” que se deve frequentar. Com o tempo, muitas vezes sem razão aparente, determinado local cai, fica “out”, e o “point” muda para um novo lugar.

Claro que, agora, as coisas são muito diferentes de 1959, quando o repórter Flávio Carneiro fez uma reportagem, para a Revista do Globo, intitulada “Um Reinado de Gente Moça”.

Hoje, a Capital cresceu, as tribos se multiplicaram, o comportamento mudou também e existem muitos “points”, com características diferentes, espalhados pela cidade. Mas, no fim dos anos de 1950, tudo indica que o trecho da Rua da Praia entre Bragança e Rosário, (ruas Mal. Floriano e Vig. José Inácio) era “O” lugar.

O jornalista constata que ali “garotas e rapazes, vestidos desde os trajes mais luxuosos até as vestimentas mais excêntricas, desfilam ‘bossas novas’, e os últimos modelos de carros que seus pais recebem…”. Lá, diz ele, “as garotas se desrecalcam e fumam publicamente. Se as mães chegassem, de repente, numa hora destas, haveria correrias. Poucas pessoas podem citar o fenômeno como um ponto pernicioso de juventude transviada, embora, às vezes também apareçam lambretas…”.

Entre 17h e 19h, especialmente às sextas-feiras, ou nos sábados pela manhã, alguém que estivesse organizando uma festa conseguiria, facilmente, encontrar todos os convidados para encher a casa. Afinal, nesse lugar, “todo jovem soçaite se reúne e marca encontro”. Na calçada ou no “barzinho”, fazendo um lanche de cachorro-quente com Coca-Cola, “nasceram namoros, paixões não correspondidas, ou simples amizades”. Como acontece sempre, quando a gente é jovem. Eu fiz 64 anos ontem.

Vô Marcelino / E os sinos dobraram por Hemingway

20 de julho de 2015 0

Vô Marcelino

O maquinista Marcelino

O maquinista Marcelino

Para nós, jornalistas, é sempre gratificante quando tocamos o coração dos leitores, como atesta a querida mensagem, abaixo, que recebemos. Obrigado, Ellen Cinara.
“Quero agradecer ao Almanaque Gaúcho, pela matéria O trenzinho de Osório. Sou neta do sr. Marcelino Freitas e fiquei muito orgulhosa de ver uma pequena parte da história do meu avô contada com muito carinho.
Ele sempre foi um exemplo de vida para os filhos, nós, seus netos, e até mesmo os bisnetos, que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo e ouvir suas histórias, da sua vida pessoal e da Bíblia, pois ele era muito dedicado à Igreja Metodista.
Só como curiosidade, foi numa dessas viagens de trem, entre Osório e Palmares, que ele conheceu minha vó, Iracema, mais conhecida por vó Dassa. Ela era natural de Palmares e ficava na janela de sua casa olhando o trem passar, aí o cupido acertou suas flechas em ambos, e hoje estamos aqui. Somos em cinco filhos, 10 netos, 18 bisnetos e quatro tataranetos, mais os agregados.
Essa reportagem encheu-nos de orgulho e saudade. Como é bom saber que pessoas simples, como o vô Marcelino, são partes significativas da história do nosso Rio Grande.
Agradeço, por mim e pelos meus familiares. Um abraço a todos da Redação.
Ellen Cinara Freitas dos Santos.”

 

***

E os sinos dobraram por Hemingway

 

O escritor Hemingway fotografado por Robert Capa

O escritor Hemingway fotografado por Robert Capa

No dia 21 de julho (amanhã) de 1899, nasceu Ernest Hemingway. Há 54 anos, em 2 de julho de 1961, o escritor americano suicidou-se com um tiro de uma arma de caça, faltavam menos de 20 dias para completar 62 anos.
Em 1953, ele ganhou o Prêmio Pulitzer, e no ano seguinte, o Prêmio Nobel de Literatura. Essa morte marcou o fim da era do repórter herói. Ele foi ferido na I Guerra Mundial, sobreviveu a acidentes aéreos, cobriu a guerra civil espanhola, participou do desembarque junto aos soldados, na Normandia, caçou na África, envolveu-se em diversos acidentes automobilísticos.
Hemingway conviveu com as maiores figuras de seu tempo, de Picasso a Fidel Castro. Era beberrão, mulherengo e cultivava tanto os amigos como a solidão. Dizia que “literatura não é decoração, mas arquitetura”.
No fim da estrada, deprimido, descobriu a efemeridade do herói. Filho de um suicida, obcecado pela vida e pela morte, acabou optando pela última. Sobre ele, Marlene Dietrich disse: “Hemingway não é um homem, é um modo de vida…”

Fonte: artigo de Louis Wiznitzer, Revista do Globo

Um carro em Passo Fundo

18 de julho de 2015 0

No final dos anos 1920, o notário Ruy Leite Vergueiro (à esquerda na foto) adquiriu um dos primeiros carros a circular por aquela cidade do planalto gaúcho. Na foto, dessa época, ele aparece com um amigo não identificado (usando uma echarpe, ao fundo) e com Astrogildo Palmeiro de Azevedo (de sobretudo, com a mão no bolso), filho de Luiz Augusto de Azevedo, que foi primeiro tabelião de Notas em Porto Alegre.

Astrogildo exerceu, por vários anos, o cargo de oficial dos Registros Especiais, ou seja, tabelião de Protesto, registrador de Títulos e Documentos e das Pessoas Jurídicas, em Passo Fundo. Astrogildo (1900-1976) foi casado com Dalva Nogueira Azevedo (in memoriam), e eles tiveram seis filhos: Evandro, Luiz Juarez, Vilson, Régis, Beatriz Maria e Astrogildo.

Rapazes posam com o carro nos anos 1920

Rapazes posam com o carro nos anos 1920

Como é de praxe, Evandro Nogueira de Azevedo, assim como alguns de seus irmãos, seguiu os passos do pai e do avô e agora, aos 73 anos, é primeiro tabelião de Protesto de Títulos de Porto Alegre.

O Primeiro Tabelionato de Protesto de Títulos de Porto Alegre funcionou durante muitos anos na Rua da Ladeira. Era muito comum, quando uma pessoa tinha uma dívida, a expressão “ou pagas ou vais subir a ladeira”.

Para a geração anterior, pagar suas dívidas em dia, e manter seu crédito, era necessário. O protesto era um meio vexatório para qualquer pessoa física ou jurídica.

O carro é, provavelmente, um Chevrolet Ramona.

Praia de Belas 1950

17 de julho de 2015 0
Avenida Praia de Belas em 1950 com o Morro Santa Teresa ao fundo

Avenida Praia de Belas em 1950 com o Morro Santa Teresa ao fundo

Essas duas fotos mostram como era a Avenida Praia de Belas no início da década de 1950. Na foto aérea, podemos observar a foz do Arroio Dilúvio antes das obras do aterro e depois da sua canalização concluída. No canto inferior direito, está o local onde hoje foi instalado o Shopping Praia de Belas, construído sobre a área aterrada, que antes pertencia ao Guaíba.
É curioso constatar que, 65 anos atrás, ainda não tinham sido urbanizadas as margens do arroio – onde logo foram abertas as duas mãos desse trecho da Avenida Ipiranga – e tampouco a via de chão batido que margeava o rio, antigo caminho que levava à parte sul da cidade. No passado, ele chegou a ser conhecido por Caminho de Belas, que se iniciava ali no prédio
do Pão dos Pobres e rumava em direção à Avenida José de Alencar.
Poucos sabem que já em 1905 uma companhia holandesa propôs ao governo aterrar o Guaíba unindo a Ponta do Gasômetro à Ponta do Dionísio (Estaleiro Só), acabando com a enseada, em troca dos terrenos que seriam conquistados, afastando o rio. Isso acabou sendo feito no fim da década de 1950.
Em 1918, um engenheiro alemão, Dr. Arhonds, fez uma proposta que também não foi aceita. Ele queria construir, em troca de áreas, uma avenida beira-rio nos moldes da Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Seriam plantadas árvores e construída uma amurada, como a Rambla de Montevidéo ou o Malecón de Havana.

Praia de Belas em 1950 antes do aterro do Guaíba

Praia de Belas em 1950 antes do aterro do Guaíba

Maria-fumaça 605

16 de julho de 2015 0
A locomotiva 605

A locomotiva 605

A locomotiva 605, da antiga VFRGS, uma Mallet, francesa na origem, porém fabricada, em 1911, nos EUA, pela American Locomotive Company (Alco), antes da I Guerra Mundial, fez parte do período dourado das ferrovias, quando o progresso do RS corria sobre trilhos. Na primeira metade do século passado, possantes marias-fumaças a vapor, alimentadas por carvão ou lenha, cruzavam o Estado em todas as direções, puxando comboios de passageiros ou de carga, alavancando o desenvolvimento de um Estado antes apenas pastoril. Na imagem, a marca pujante de VFRGS e o número 605 se destacam como orgulho de um tempo em que populosas vilas de ferroviários se espalhavam pelo Rio Grande, impulsionando uma forma de transporte que não deveria ter ficado só na lembrança. Alguém saberia nos dizer onde foi fotografada a locomotiva 605? Colaborou Luiz Carlos Vaz Fonte: engenheiro ferroviário João Edmundo Max Conrad

Encontro da família Mosena

15 de julho de 2015 0
Casa de Michele Mosena, na serra gaúcha, em 1912

Casa de Michele Mosena, na serra gaúcha, em 1912

A história da família Mosena, no Brasil, começa com a imigração de Michele Mosena, nascido no distrito de Fornesighe, município de Forno di Zoldo, província de Belluno, nos Alpes Dolomíticos, no norte da Itália, região vizinha da fronteira austríaca. Ele chegou ao Brasil em 1882, com sua mulher, Maria Calchera, o seu filho primogênito, Pellegrino, e sua irmã Maria, já casada com Giovanni Pezzuol. Estabeleceu-se com sua família no lote rural número 09, seção sul, no atual distrito de Arcoverde, antiga Boa Vista, que atualmente é o primeiro distrito de Carlos Barbosa, no Rio Grande Sul.
Era reconhecido por suas habilidades em construção, ferraria e serraria, além de outras qualidades. No Brasil, tiveram mais nove filhos: Marta Giovanna, Angelo, Theresa Angela Antonia, Luigi, Giacomo, Nino, Pietro, Margherita e Maria. Como é comum na trajetória das famílias italianas que imigraram para o nosso Estado, os filhos de Michele e Maria, netos e bisnetos, conforme foram formando novas famílias, emigraram para outros lugares do Rio Grande do Sul, além de outros Estados do Brasil. Estes deslocamentos de famílias de origem italiana, em conjunto com outras, de diversas origens, ajudaram a criar e desenvolver novas cidades e regiões, principalmente nas novas fronteiras agrícolas brasileiras.
Para celebrar a história da família, manter a memória e os laços entre os descendentes, acontecerá o IV Encontro da Família Mosena, nos dias 18 e 19 de julho (próximo fim de semana), em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, organizado pelos descendentes de Nino Mosena, filhos de Gradazzo Mosena, falecido no ano passado. Para mais informações, entrar em contato pelo e-mail assessoriacomercial1@mosena.com.br, pelo telefone (67) 9827-3839, com Ana Paula, ou pelo grupo Família Mosena/Mozena no Facebook

O trenzinho de Osório

14 de julho de 2015 0
O trenzinho que fazia o trajeto Osório-Palmares

O trenzinho que fazia o trajeto Osório-Palmares

No início da década de 1960, um trenzinho ainda ligava as cidades de Osório e Palmares. Desenvolvendo apenas 20 km/h, fazia o percurso de 55 quilômetros em seis longas horas, com algumas paradas. Mas essas eram as últimas vezes em que a velha locomotiva 203 percorreria o trajeto levando alguma carga e raros passageiros, como registrou o repórter Joaquim da Fonseca, numa reportagem para a Revista do Globo. A velha ferrovia, inaugurada em 1918, pelo governador Borges de Medeiros, que nunca esteve lá, estava sendo substituída por uma nova rodovia. Um dos maiores atingidos pela decisão de desativar a linha, que dava prejuízo ao Estado, era o maquinista Marcelino Freitas, um dos primeiros a pilotar aquela maria-fumaça. Além de pioneiro, Marcelino era também herói, reconhecido pela população que utilizava aquele meio de transporte. Em 1932, uma fagulha da locomotiva provocou um incêndio num dos vagões de combustível que faziam parte do comboio. Isso foi na estação de Passinhos. Com grande “presença de espírito e coragem”, o maquinista mandou que todos os passageiros desembarcassem do trem e levou a composição em chamas para longe da estação, onde desengatou o vagão sinistrado, salvando vidas. “Isso foi na época da revolução”, revelaria, orgulhoso, o funcionário da Rede Ferroviária. “Nunca trabalhamos tanto na vida, como naqueles dias.” O trem havia sido requisitado pelo governo para o transporte de tropas e alimentos. “Naquela época, o trem andava mais rápido, fazia 50 km/h.” O repórter encerra o texto lembrando que os veranistas não mais encontrarão o “velho trenzinho de Osório” para seus passeios de férias. A História estava, definitivamente, saindo dos trilhos.

O maquinista Marcelino Freitas

O maquinista Marcelino Freitas

Passageiros no trem durante a viagem que durava seis horas

Passageiros no trem durante a viagem que durava seis horas