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Posts na categoria "aviação"

Cortesias de bordo

18 de janeiro de 2013 0

Foto: reprodução

Voar em um Super H Constellation, ou a bordo de um Super Convair (foto acima), já foi motivo de júbilo para muita gente, em um tempo de aviões com motores a pistão e dotados de hélices. Guardar cartões-postais com imagens daquelas aeronaves resgata, em parte, a alegria e a ilusão de preservá-los.

Os brindes distribuídos aos passageiros durante os voos foram, inicialmente, algodões para os ouvidos e chicletes, tudo em embalagens delicadas. No decorrer dos anos 1950 e 1960, as companhias aéreas – como Real, Panair e Varig – sofisticaram seus serviços e incluíram vários itens como cortesia: pentes com calçadeiras, pequenas escovas e pastas de dente e máscaras de olhos.

O pente-calçadeira (acima) e as máscaras de olhos (abaixo). Fotos: Fernando Gomes

Também eram distribuídos fôlderes repletos de mapas com roteiros de viagens e cartões-postais com fotos de suas aeronaves e das cidades para as quais os voos se destinavam.

Foto: reprodução

A imagem acima, de um dos quatro Super H Constellation da Real Aerovias, mostra um dos mais belos aviões a voar no Brasil. Esbanjava elegância com seu formato de golfinho e sua tripla empenagem, ganhando o apelido de "Cadillac dos ares". Tinha fuselagem reforçada e potência levemente superior à dos demais modelos.

A Real, com dificuldades financeiras, foi adquirida pela Varig em 1961. Restaram os cartões-postais e a saudade.

Cartão para reserva de lugar. Fotos: Fernando Gomes

(colaborou Guilherme Ely)

Um rasante na memória da aviação

08 de novembro de 2012 0

O homem sempre deu asas à imaginação e sonhou em voar. Acabou conseguindo. Das relativamente recentes conquistas tecnológicas da civilização essa é, seguramente, uma das que mais evoluiu e se transformou rapidamente. Se pensarmos nos tipos de aparelhos em que voavam nossos pais e avós, e compararmos com as aeronaves que, hoje, estão a nossa disposição, veremos que nessa área tudo tem sido muito veloz.

Quando o passado não é tão remoto, e muitas das testemunhas e protagonistas das mudanças ainda podem dar seu depoimento, fica mais saboroso desfrutar das histórias narradas e do folclore que sempre envolve qualquer atividade.

Luiz Felipe B. de Barros é um destes homens privilegiados que sabe voar. Piloto de linhas aéreas e doutorando em desenvolvimento regional, ele autografa, amanhã às 17h na feira da Praça da Alfândega o seu livro Asas do Passado (R$30).

A obra publicada pela Edunisc (Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul), narra em 168 páginas e 74 ilustrações a evolução das empresas aéreas regionais entre as décadas de 20 a 60 (Condor Syndikat, Varig, Savag e Arco Íris) e conta detalhes de como, por aqui, o sonho foi se tornando realidade.

Piloto Egydio Flach se prepara para a Revoada Salgado Filho rumo a Buenos Aires

Getúlio Vargas com o comandante Gustavo Cramer no avião da Savag

Hidroavião Dornier, no Guaíba, em Porto Alegre

Piloto Irineu Noal, um dos personagens do livro

Capa do livro Asas do Passado (R$ 30), da editora Edunisc

A aposentadoria das hélices

16 de outubro de 2012 1

Anúncio do Caravelle publicado em 1959. Fotos: reprodução

No segundo semestre de 1959 e no primeiro de 1960, a modernidade chegou à aviação comercial com a introdução dos aviões a jato, nos quais hélices e motores de explosão interna foram substituídos por turbinas. Exclusivas e top, como se cavalos puro-sangue fossem, essas aeronaves representavam o ingresso dos passageiros na "era do jato puro".

Anúncio de 1960

O pioneirismo da Varig trouxe "o mais moderno bi-reator (sic) da atualidade", o Caravelle, com 60 lugares, que fez enorme sucesso quando chegou a Porto Alegre pela primeira vez. Autoridades foram convidadas a conhecer o aparelho pousado na pista do aeroporto Salgado Filho. Produzidos na França pela Sud Aviation, os aviões vinham com propaganda instigante: "Imagine-se a bordo. Ambiente luxuoso, com requinte da decoração francesa. Cabine pressurizada, com ar-condicionado. Serenidade completa. Silêncio absoluto. Você está a 10 mil metros de altitude e cruza o espaço à fantástica velocidade de 800 km/h... É o impulso de dois reatores Rolls Royce – o jato em toda a sua força – o jato puro".

Anúncio de 1961

As aeromoças já não precisavam distribuir algodão (para ser colocado nos ouvidos e atenuar o barulho) e Mentex (para ajudar a engolir saliva e equilibrar a pressão auricular, especialmente em subidas e descidas) aos passageiros. Logo em seguida, chegariam também os grandes Boeing 707 com quatro turbinas. Como dizia o anúncio: "Mais que um voo... Quase um sonho".

Pouso forçado

20 de agosto de 2012 4

Aquela manhã do dia 3 de agosto de 1971 foi diferente de todas as outras manhãs vividas pelos gaúchos da Capital. Apreensão, medo, suspense, lágrimas e, principalmente, expectativa foram emoções sentidas pela população por mais de seis horas. O repórter Otálio Camargo ligou do Aeroporto Salgado Filho para informar a redação de ZH e a Rádio Gaúcha que o avião Avro da Varig, prefixo PP-VDV – que decolara às 7h30min de Porto Alegre para Bagé e Livramento, com 14 passageiros e quatro tripulantes –, tinha problemas e estava retornando para tentar um pouso de emergência.

Logo após a subida, o comandante, ao recolher o trem de pouso dianteiro, foi alertado pela luz vermelha do painel da aeronave: algo não ia bem. Tentou mais uma vez, e nada. Voltar, pousando sem as rodas do nariz do aparelho, era o que restava. Ele avisou a torre de controle: sobrevoaria a cidade até consumir todo o combustível, para aumentar a segurança, e tentaria a aterrizagem por volta das 13h. O serviço de radioescuta da Gaúcha colocou no ar os diálogos do comandante Paulo Survilla (então com 33 anos) com a torre.

A cada hora, aumentava mais a tensão e a presença de bombeiros, ambulâncias, jornalistas, parentes e populares dentro e fora da estação de passageiros.

Fotos: Lamas e Nagassawa, BD, 3/8/1971

Lá pelas tantas, o avião apareceu no céu e iniciou a aproximação: “Porto Alegre... O delta vitor está dentro da dois oito...”

As rodas das asas, devidamente abaixadas, tocaram suavemente o solo. Enquanto deslizava, o avião levantou a cauda e começou a raspar a fuselagem dianteira no chão, sulcando a pista. Foi parando aos poucos.

O silêncio deu lugar a gritos de alegria e salvas de palmas ao comandante herói.

O comandante Paulo Survilla

Luto histórico

28 de julho de 2012 1

Neste mês, o Brasil lembrou com tristeza os cinco anos do desastre do voo 3054 da TAM, em São Paulo, que deixou 199 vítimas. Há seis décadas, outros dois acidentes assustaram os gaúchos.

Exatamente a 28 de julho de 1950, 12 dias depois da derrota brasileira para o Uruguai na Copa do Mundo, um avião Constellation PP-PCC da Panair do Brasil chocou-se contra o Morro do Chapéu, em Sapucaia do Sul, provocando o que até aquele dia era o maior desastre aéreo brasileiro – morreram os 49 ocupantes do avião.

Veja a notícia do acidente no Jornal do Dia, de Porto Alegre:

Foto: reprodução

Dois dias depois, houve nova tragédia: o bimotor que levava o político Joaquim Pedro Salgado Filho a São Borja, para um encontro com Getúlio Vargas, chocou-se contra uma colina na região de São Francisco de Assis e causou a morte do político, que veio a dar nome ao aeroporto internacional de Porto Alegre. A sequência de acidentes enlutou o Rio Grande do Sul e até hoje é lembrada com pesar.

Joaquim Pedro Salgado Filho. Foto: reprodução

Veja a capa do jornal O Pioneiro do Sul (atual Pioneiro), de Caxias do Sul, sobre os dois acidentes:

Foto: reprodução

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