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Posts na categoria "Curiosidades"

Conheça o farol que virou poste em Capão da Canoa

19 de fevereiro de 2014 0
Foto: Damião Ribas, BD, 07/12/1982

Foto: Damião Ribas, BD, 07/12/1982

E dizer que o farol de Capão da Canoa já foi a construção mais alta daquela área do litoral gaúcho… Erguido em 1930, em volta só havia areia e, logo adiante, o mar imenso. No final dos anos de 1950 e início dos 60, os veranistas daquele balneário dispunham de duas opções para o banho de mar.

Eram dois postos de salva-vidas. Ou se tomava banho “no centro”, ou então a escolha era pelo “farol”. Minha família preferia o farol, pois ali havia ainda menos gente. Tem ideia? Caminhávamos até a Igreja e depois íamos por um grande e vazio gramado (onde agora está o minigolfe, táxis etc.) até o farol, onde começava a areia.

No pé, o farol era cercado por um muro alto com uma portinha de acesso, restrito, é claro, a quem fazia a sua manutenção. Uma das grandes traquinagens do grupo de garotos do qual eu fiz parte foi um dia pular o muro e subir a longa escada que levava até o topo, onde ficava a lâmpada protegida por um vidro espesso. Ver aquilo bem de perto e desfrutar a magnífica vista panorâmica da totalidade da zona urbanizada e do oceano infinito foi uma experiência inesquecível. Depois, o entorno passou a ser usado como local para instalação provisória dos parques de diversões.

Hoje, cercado de prédios, o velho e, antes imponente, farol está relegado a mero poste de iluminação do playground da Praça Caramuru. Ou da “Praça do Farol” como preferem chamar aqueles que lembram de seus tempos de glória e segurança para os navegadores. Para os mais nostálgicos, resta o consolo de saber que não foi posto abaixo e suprimido do mapa.

Foto: Ricardo Chaves, Agência RBS

Foto: Ricardo Chaves, Agência RBS

 

Para o "footing" da Rua da Praia

17 de julho de 2013 0

Uma embaixatriz, amiga desde os tempos de nossa juventude (que já vão longe), gosta de dizer, divertindo-se, especialmente diante de constatações nada abonadoras da nossa época: “Já vivemos dias mais glamourosos…”

Foi inevitável pensar nela, e em sua frase jocosa (opa!), quando encontrei, numa Revista do Globo de julho de 1939, a reportagem sobre a moda de inverno para aquele ano – da qual extraímos as fotos que ilustram o post de hoje.

Fotos: Revista do Globo, reprodução

“Vestido para tardes frias, corte simples e elegante, casaco fechado por botões brancos, chapéu, luvas, sapatos e carteira inteiramente pretos. Gracioso e juvenil, êste (sic) vestido estampado serve para visitas, passeios e excursões. A saia de pregas fechadas até uma certa altura empresta um encanto maravilhoso à moderna silhueta”, dizia a legenda da foto acima.

Nas fotos abaixo, estão mais quatro modelos práticos para o footing e “para os nossos inconstantes dias de inverno”.

Da Polônia ao Rio Grande do Sul

20 de junho de 2013 0

No dia 20 de junho de 1933, há exatos 80 anos, Porto Alegre recebeu a visita do aviador polonês Stanislaw Skarzynski – que, no mês anterior, havia realizado a proeza de atravessar o Oceano Atlântico entre a costa africana e o Brasil, chegando a Maceió, num pequeno monomotor adaptado, estabelecendo então o recorde de 3.582 quilômetros para aviões particulares Classe II.

Após o feito, o capitão voou sobre o litoral brasileiro, parando em algumas cidades, especialmente aquelas onde havia poloneses. Em Porto Alegre, Skarzynski recebeu o carinho da colônia polonesa, o título de Sócio Honorário da Sociedade Polônia e uma cuia e uma bomba de chimarrão, como atesta a foto abaixo.

O aviador (no centro da foto) em meio à comunidade de origem polonesa da cidade.

Fotos: Acervo Sociedade Polônia de Porto Alegre

Acima e abaixo, outros momentos da recepção a Skarzynski

Originariamente militar da infantaria, Skarzynski participou da I Guerra e da Guerra Polono-Soviética e foi ferido e incapacitado para o combate a pé na Batalha de Radzymin. Tornou-se piloto, alistou-se na aeronáutica e, durante a II Guerra, participou da defesa da Pomerânia e da reestruturação da força aérea polonesa na França – e, depois, na Inglaterra. Piloto de um bombardeiro, morreu em 26 de junho de 1942, nos combates do Mar no Norte.

(colaborou Estácio Nievinski Filho)

O avião usado por Skarzynski na travessia do Atlântico em 1933. Foto: reprodução

Duelo na praça

19 de junho de 2013 0

A Praça Parobé surgiu em 1925, depois que a doca construída ao lado do Mercado Público foi aterrada, dando lugar a uma ampla área que foi ajardinada. Inclusive o lindo chafariz de ferro, antes instalado ao lado do Chalé da Praça XV, foi para ali transferido, antes de ser deslocado, definitivamente, para o Parque Farroupilha.

A praça nos anos 1930. Foto: Acervo Tecidos Raphael Dabdab

A grande enchente de 1941 causou grandes danos à praça. Mas, apesar disso, nos anos seguintes ela continuou concentrando as diversas atividades que se desenrolavam no Centro – como camelôs, fotógrafos lambe-lambe e chauffeurs de carros de praça que, com a gasolina racionada por causa da II Guerra, matavam o tempo jogando pauzinho (abaixo).

O jogo de pauzinho (acima) e o lambe-lambe (abaixo). Fotos: Revista do Globo, reprodução


Naquela época, dentre as atrações que procuravam chamar a atenção dos transeuntes, uma ficou célebre. O camelô português Eduardo Fonseca, enquanto anunciava seus produtos, mantinha no pescoço a famosa cobra Catarina, que ele havia comprado do Circo Sarrazani, na Bahia. Quando o público rareava, ele apelava para a infalível estratégia e anunciava, para dali a instantes, o “sensacional duelo entre a cobra Catarina e o lagarto Pascoal”.

Fonseca e a cobra. Foto: Revista do Globo, reprodução

Pascoal era o fleumático mascote de um outro camelô, Felipe Lazcane, desafeto de Fonseca, que conseguira o animal em Rio Pardo e trabalhava ali perto, também na praça. A luta, obviamente, nunca aconteceu.

Lazcane e o lagarto. Foto: Revista do Globo, reprodução

Da cartola

17 de junho de 2013 1

No último 22 de maio, aos 87 anos, morreu em Harmonia (a 64 quilômetros da Capital) Klaus G. Kurt Hanssen. Ele era filho de Ernesto Hanssen, um jogador de futebol dos primórdios do Grêmio, e neto de um imigrante alemão chamado Emílio Hanssen (1845-1923). Esse nome esteve por muitos anos pintado na fachada de uma tradicional casa de comércio instalada, desde 1872, nos números 417 e 419 da Rua da Praia.

A fábrica de chapéus (à esquerda). Foto: reprodução

Numa conhecida foto da Porto Alegre de antanho, datada de 1880 (acima), lá está, no lado esquerdo da imagem, a firma Emílio Hanssen – Fábrica de Chapeos (sic), com um chapéu bicorne pendurado num suporte, para não deixar dúvidas quanto ao tipo de negócio ali estabelecido.

A recente morte de Klaus obrigou seu único filho, Bernardo, a vir de São Paulo, onde mora, para organizar as coisas do pai, que era viúvo. Durante essa dolorosa e emocionante tarefa, veio a surpresa. Do interior de uma antiga e desbotada caixa de papelão, surgiu, vinda de um passado remoto, uma impecável cartola, em admirável estado de conservação.

A cartola (abaixo, um detalhe do forro). Fotos: Erika Hanssen Madaleno, arquivo pessoal

Uma relíquia dos tempos em que Emílio tinha artigos como esse nas prateleiras de sua loja, e mandava publicar no jornal A Federação anúncios como esse reproduzido abaixo, de uma edição de 1903, que apregoava a casa especial para chapéus “que vende mais barato que qualquer outra parte”.

Foto: reprodução

(colaboraram Erika Hanssen Madaleno e Bernardo Hanssen)

Novas cenas do Graf Zeppelin

15 de junho de 2013 0

Antes de os aviões se tornarem estáveis o bastante para levar passageiros sobre o Oceano Atlântico, existiu uma opção de transporte aéreo entre a Europa e a América do Sul: os dirigíveis, conhecidos como zepelins, em homenagem ao alemão Ferdinand von Zeppelin (1838-1917), que idealizou e construiu os primeiros equipamentos desse tipo.

Ferdinand von Zeppelin. Foto: reprodução

Um dos mais famosos foi o Graf Zeppelin, que realizava voos comerciais regulares entre a Alemanha e o Brasil nos anos de 1930. Não é difícil imaginar o alvoroço que tomou conta de Porto Alegre em 1934, quando anunciou-se que a portentosa aeronave de 235 metros de comprimento iria sobrevoar a cidade, em um trajeto experimental entre Rio e Buenos Aires.

A passagem do Graf Zeppelin pelo Rio Grande do Sul, em 29 de junho de 1934, foi muito marcante para a cidade – como demonstram os registros fotográficos conhecidos – alguns deles já reproduzidos aqui no Almanaque Gaúcho ao longo dos anos. Neste post, trazemos imagens inéditas do evento.

Foto: Oscar Petersen, acervo de Graça Petersen

A foto acima, gentilmente cedida por Graça Petersen, foi feita do alto do morro Ricaldone pelo médico Oscar Petersen. Abaixo, a aeronave está passando sobre o Palácio Piratini, em imagem captada por Eduardo Hirtz – empresário e um dos pioneiros do cinema no Estado – e pertencente ao acervo de Rejane Hirtz Trein.

Foto: Eduardo Hirtz, acervo de Rejane Hirtz Trein

Um chá para as bonecas

13 de junho de 2013 0

Uma tradição, no início do século passado, nas famílias alemãs mais abastadas, era produzir um encontro denominado “Chá de Bonecas”. As mulheres, adultas ou crianças, eram convocadas para a brincadeira e avisadas para que levassem suas “filhinhas” – as mais chiques, de corpo de pano e cabeça de porcelana, ou mesmo as mais simples, feitas de trapo – para uma reunião em que era servido o infalível chá com tortas ou bolos.

Foto: acervo de Rejane Hirtz Trein

Na foto acima, vemos a família do empresário Eduardo Hirtz (de óculos), suas filhas e amigas, cada uma delas com sua boneca nas mãos, posando para o fotógrafo nos primeiros anos da década de 1930. Hirtz, que se casou com Dona Sibila Ruschel em 28 de janeiro de 1905, teve três filhos: Armando, o primogênito, e as meninas Malta Sibila e Elda Elmi.

A grande ursada

12 de junho de 2013 1

O amor é lindo! E hoje, Dia dos Namorados, vamos recordar a história de uma bem-sucedida teimosia.

Hamilton e Nilce começaram a namorar em 1944. Ela se formava em Música, pela Escola de Belas Artes, e no baile de formatura eles dançaram uma vez, depois mais uma, depois uma terceira… Como todos os namorados da época, passeavam na Rua da Praia, tomavam sorvete. Em 1948, o namoro já ia longe e, depois de noivar, o casal cogitava seriamente casar-se.

Os namorados Nilce e Hamilton. Foto: arquivo pessoal

Foi então que veio o conselho do amigo deles, o compositor Lupicínio Rodrigues, na forma da canção Esses Moços (veja a letra no final do post). Numa primeira e inesperada audição durante a festa de aniversário de Hamilton, Lupi – em pé, no centro da roda de violão – convocou Nilce, deu o tom e disse: “Fiz uma musiquinha pro seu noivo”. Desconcertada e irritada, Nilce confessaria anos mais tarde ao repórter Eduardo Veras: “Fiquei furiosa, eu querendo casar, e o Lupicínio me vem com essa… Quando ele terminou, me aproximei dele e só consegui dizer: ‘Que ursada, hein?’.”

Mas o jovem Hamilton, felizmente, era teimoso e não deu ouvidos ao poeta. Do contrário, eu e minhas duas irmãs, Maria Teresa e Maria Betânia, não estaríamos aqui para poder contar histórias como essa e testemunhar a favor dessa parceria que durou quase quatro décadas. Que Deus os tenha.

O casamento de Hamilton e Nilce, em 1948. Foto: arquivo pessoal

Esses Moços (Lupicínio Rodrigues)
Esses moços,
Pobres moços
Ah! se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que eu já passei
Por meus olhos,
Por meus sonhos,
Por meu sangue,
Tudo enfim,
É que eu peço
A esses moços
Que acreditem em mim
Se eles julgam que a um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive
Nos meus belos dias
Essa mania e muito me custou,
Pois só as mágoas
Que trago hoje em dia
E estas rugas que o amor me deixou

O "sputnik" que caiu em Ijuí

03 de junho de 2013 1

Quando os russos lançaram o Sputnik I, o primeiro satélite artificial colocado na órbita da Terra, no dia 4 de outubro de 1957, não só estavam dando a largada na corrida espacial disputada contra os americanos. O objeto, de 58 centímetros de diâmetro e 84 quilos, também provocou mudanças de comportamento pelo mundo afora.

Na virada dos anos de 1950 para os 60, dois fenômenos se tornaram comuns por aqui, mesmo nós estando tão longe dos EUA, e mais ainda da URSS. O primeiro: naquela época, todas as cadelas de estimação ganhavam o nome de Laika, em homenagem à involuntária tripulante (e vítima fatal) do Sputnik II, lançado em novembro de 1957. O segundo: virou mania olhar para o céu à procura de satélites – que, iluminados pela luz do sol, podiam ser vistos, a olho nu, durante a noite, em seu lento deslocamento ao redor do globo.

Provocado pelo amigo jornalista Aldo Renato Soares, nascido em Ijuí, indaguei do colega e conterrâneo dele Ademar Campos Bindé sobre um objeto que teria caído do céu, naquele município, no século passado. Bindé apurou e descobriu a história.

Os irmãos Bresolin – Dante, Paulo e Agostinho – lembram que olhavam para cima em busca de satélites artificiais quando viram uma bola de fogo cair relativamente perto de onde estavam. Muitas outras pessoas viram e, no dia seguinte, o tal objeto misterioso estava sobre uma mesa na Rádio Progresso, cercado de olhares curiosos.

O estranho objeto, diante do diretor da Rádio Progresso, Décio Barrichello, e do radialista e político Wilson Mânica (com a gola escura).

Foto: Alceu Feijó, arquivo pessoal

Encontrado numa lavoura de abóboras, tratava-se de uma metade do que seria um satélite americano, e era o assunto em toda a região. Não se sabe exatamente a data (algo entre 1959 e 1961) e nem o paradeiro da peça. Diz a lenda que teria sido recolhida por gente do consulado norte-americano na Capital, enviada a Ijuí.

(colaborou Ademar Campos Bindé)

PRH-2, a mais poderosa

30 de maio de 2013 2

No início do ano de 1950, um balanço do que ocorrera em 1949 e a divulgação do que estava planejado para o ano que começava, publicado em reportagem da Revista do Globo, davam a ideia exata da importância que a Rádio Farroupilha tinha no cenário da radiofonia local e nacional.

O desfile de celebridades que haviam ocupado o microfone da emissora era o testemunho do sucesso alcançado. Nomes internacionais – como as cantoras Maria Girão (portuguesa) e Mercedes Simone (argentina), os Meninos Cantores de Viena e o argentino Hugo del Carril – ao lado de astros nacionais – como “o Rei da Voz” Francisco Alves, Linda Batista e Ivon Cury – se revezavam no pequeno e sempre lotado auditório da rádio, ou em grandes salas de cinema que acomodavam melhor o público.

O auditório da PRH-2. Fotos: Revista do Globo, reprodução

A plateia do Cine Castelo ocupada para um show de Francisco Alves

Um dos responsáveis louvado pelo êxito era o programador, o “dinâmico radialista” Ernani Behs, “um rapaz que já passou por todas as fases de um trabalhador de rádio”. O radioteatro também era forte, com gente como o galã Walter Ferreira, Pepe Hornes, Amélia Rocha e Zaira Acauan, entre outros.

Walter Ferreira

A estação se encontrava, ainda, “em febril atividade” para dobrar sua potência de 25 para 50 quilowatts, igual à das três maiores do Brasil: Nacional (RJ) e das duas Tupis (RJ e SP).

Outras atrações da PRH-2: a Orquestra de Salvador Campanella (acima) e o Conjunto Vocal Farroupilha (abaixo)