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Posts na categoria "memória"

Monumento sobre as coxilhas

07 de junho de 2013 1

Fotos: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Hoje as ruínas da igreja de São Miguel Arcanjo, na região das Missões, são um sítio arqueológico preservado com monumentos restaurados, recebem centenas de turistas mensalmente, possuem um pequeno mas valioso museu, contam com acesso asfaltado e têm ao lado a infraestrutura da jovem cidade que se emancipou de Santo Ângelo em abril de 1988. É impossível a gente não se emocionar quando se chega nesse lugar, impregnado de história, e se vê a majestosa construção, especialmente se for pela primeira vez.

Os conflitos após o Tratado de Madrid, em 1750, destruíram as reduções jesuíticas. O que restou ficou abandonado por todo o século 19 e também no início do século 20. Foi só lá por 1925 ou 1927 que o Governo do Estado procedeu a limpeza e a consolidação dos remanescentes do povoado. No final dos anos 1930, com a criação do Iphan (Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional), o Governo Federal passou a dar atenção ao lugar, tombado como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1983.

Fico imaginando um gaúcho do passado, viajando a cavalo, que subitamente viesse a encontrar o cenário das fotos desta página...

(fonte: livro O Tempo e o Rio Grande nas Imagens do AHRS)

Viagem pelas águas

04 de junho de 2013 1

Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

A foto acima remete a uma tradição que vigorou no Rio Taquari entre o final do século 19 e a primeira metade do 20: o transporte fluvial.

Embarcações como essa, retratada provavelmente entre as décadas de 1930 e 1940, levavam centenas de passageiros a cidades como Taquari, Porto Alegre e Estrela. Em 1930, por exemplo, a companhia de navegação de Jacob Arnt transportou ao todo 66,3 mil pessoas na rota do Taquari.

Arnt foi um dos quatro grandes empreendedores fluviais do Estado daquela época. Os outros, curiosamente, eram homônimos: Jacob Becker trabalhava no Rio Jacuí, Jacob Michaelsen, no Rio Caí e Jacob Blauth, no Rio dos Sinos. Os Quatro Jacós, como ficaram conhecidos, hoje dão nome a uma rua da Cidade Baixa, em Porto Alegre.

Um palco, muita história

27 de maio de 2013 0

A partir desta terça-feira (28), o palco mais tradicional do Estado vai ter mais espaço no meio virtual.

Estará acessível, na página oficial do Theatro São Pedro na internet, o Acervo Digital do teatro, que cobre boa parte dos 155 anos de história da casa – inaugurada em junho de 1858, fechada na década de 1970 e reaberta em 1984.

A restauração do teatro, em imagem de 1976. Foto: Acervo Digital do Theatro São Pedro

Montagem da iluminação do teatro, em 1984. Foto: Luiz Carlos Felizardo, Acervo Digital do Theatro São Pedro

Internautas e pesquisadores poderão visitar virtualmente o acervo, formado por cerca de 2 mil itens – entre eles, programas de espetáculos e documentos impressos. Em torno de mil fotografias, tanto de artistas e peças como da restauração do edifício, também estarão disponíveis para consulta.

Reprodução de um programa de espetáculo. Foto: Acervo Digital do Theatro São Pedro

A atriz Tônia Carrero na peça A Divina Sarah, apresentada no teatro em 1985.
Foto: Marisa Alvarez Lima, Acervo Digital do Theatro São Pedro

Instituições e pessoas que quiserem contribuir com informações ou doações para o acervo também são bem-vindas.

Domingo no parque

20 de maio de 2013 0

"Nas tardes de domingo, os porto-alegrenses lotam o Parque Farroupilha", diz o texto da Revista do Globo numa de suas edições de 1947. A reportagem de sete páginas, com muitas fotografias de Ed Keffel e texto de José Amádio, permite perceber que, embora a Redenção continue a mesma, especialmente nos finais de semana, muita coisa mudou na paisagem e no comportamento dos frequentadores do parque.

O lago da Redenção nos anos 1940. Fotos: Ed Keffel, Revista do Globo

Na foto acima, se percebe, por exemplo, que naquela época os casais de namorados navegavam no lago em barcos de madeira, a remo. Na mesma cena se vê, ao fundo, parte do antigo pavilhão de alvenaria da representação do Estado do Pará na Exposição do Centenário Farroupilha em 1935 – era o último grande vestígio daquela festa, mas acabou por ser também demolido.

Chapéus masculinos (acima) e freiras com hábito (abaixo) agora também são raridade.

Veja mais imagens da reportagem:

Fotos: Ed Keffel, Revista do Globo

Águas de maio

13 de maio de 2013 0

Para nós, porto-alegrenses deste início do século 21, que desfrutamos os belos e ensolarados dias de outono da semana passada, fica até difícil imaginar as dificuldades que os cidadãos da Capital enfrentaram, exatamente nessa época do ano, 72 anos atrás.

A água na Rua José Montaury em 1941. Foto: reprodução do livro Águas de Maio, de Vitor Minas

Na publicação Águas de Maio - A Grande Enchente de 1941, o autor Vitor Minas resgata o que aconteceu e faz o "relato de um tempo extraordinário". Diz ele:

"Choveu, choveu e choveu. Uma chuva bíblica com tal pertinaz insistência que, ao final de três semanas, os gaúchos já estavam criando guelras e nadadeiras... Conforme anotou o Diário de Notícias, na 'quinta-feira negra', dia 8 de maio, o Guaíba atingiu a incrível marca de quase cinco metros acima de seu nível médio. Sem energia, as bombas do sistema de fornecimento de água potável deixaram de funcionar. A cidade ficou às escuras e só nas torneiras não havia água. O Instituto de Educação foi transformado em hospital de emergência. Os bondes e alguns jornais não circularam. O futebol foi suspenso. O abastecimento de alimentos, muito prejudicado, era precário".

Uma manchete da época da cheia. Foto: reprodução do livro Águas de Maio, de Vitor Minas (abaixo, a capa da publicação)

"Entre 10 de abril e 14 de maio, houve 22 dias de chuva na cidade. Setenta mil pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares", registra o historiador Sérgio da Costa Franco, em seu livro Porto Alegre Ano a Ano.

A antiga estação ferroviária da Rua da Conceição ficou inundada. Ao fundo, o Edifício Ely (atual Tumelero). Foto: reprodução do livro Porto Alegre Ano a Ano, de Sérgio da Costa Franco. Abaixo, a capa do livro

Felizmente, nada parecido voltou a acontecer por aqui desde então.

Encanto coral

24 de abril de 2013 0

O Orpheão Rio Grandense em 1933. Foto: Dutra e Azevedo, acervo de Rejane Hirtz Trein

Talvez pela forte presença de alemães e italianos na formação étnica do nosso Estado, a tradição de reunir um grupo de pessoas para cantar em conjunto há muito faz parte das atividades culturais no Rio Grande do Sul.

Um importante coral fundado em 1930 foi o Orpheão Rio Grandense. No site Porto Alegre Antigo - O Maior Presente, o autor JPM nos conta que João Sigismundo Baldauf – um cantor alemão que participara do Coral Misto Santa Cecília, da Igreja São José, e também de outros grupos, como o da Sociedade Eintracht – foi procurado por um colega, o cantor de câmara Comendador Obstätter, e convidado a reunir outros artistas para estudar e apresentar no Theatro São Pedro um arranjo que havia feito, para quatro vozes, do Hino Nacional Brasileiro.

Com o professor Léo Schneider escolhido como maestro, estava fundado o Orpheão Rio Grandense, que teria sido a primeira sociedade organizada aqui para cantar em português.

Escola Prudente

23 de abril de 2013 1

Nesta terça-feira, 23 de abril, a Escola Estadual Prudente de Morais, em Osório, lança o livro Prudente de Morais: a Escola na Memória dos seus Professores 1942-2012, obra organizada pelos professores Ana Maria Rocha Rufino, Elaine Medeiros Perfeito e Paulo César Cardoso de Medeiros.

Capa do livro. Foto: reprodução

A escola foi criada originalmente em Passinhos, em 1942. Em 21 de julho de 1944, foi instalada nas proximidades do Porto, em Osório, como Grupo Escolar Porto Lacustre, para atender a cerca de cem crianças, filhas dos funcionários dos Serviços de Transporte entre Palmares do Sul e Torres. O primeiro prédio da escola, de propriedade de Antônio da Silva Neto, foi alugado pela prefeitura, e a primeira diretora foi a Professora Clotilde Amaral, esposa do ex-prefeito Osvaldo Amaral, e a primeira professora na pessoa de Maria Madalena Queiroz Weber. Durante os primeiros anos, a escola teve como sala de aula, além do prédio alugado, também a capela e a casa da própria professora.

Em 1948, a escola foi transferida para um prédio reformado na Lacustre e, em 1963, o Estado, sob governo de Leonel Brizola, construía novos prédios para atender a demanda crescente de alunos, as chamadas "Brizoletas".

Entre 1961 e 1988, funcionou no bairro, dividindo espaço com a Escola Prudente, o Ginásio Industrial Abramo Eberle. Em 1974, o Ginásio foi transformado em Centro de Artes, Ciências e Tecnologia, o CACT. Depois de 1988, Prudente e CACT passaram a formar uma só escola, ocupando todo o espaço físico onde havia se estabelecido a empresa de navegação.

No Prudente de Morais localiza-se importante patrimônio histórico da região, o "Sobrado da Lacustre", ou o "Casarão", prédio construído entre 1925 e 1926 que serviu de escritório e residência aos engenheiros do Serviços de Transporte entre Palmares do Sul e Torres. Em 1998, o prédio foi reinaugurado, após restauração financiada pelo governo Estadual, servindo hoje como secretaria da escola.

O casarão restaurado. Foto: Tiago Trespach, arquivo pessoal

(colaborou Rodrigo Trespach)

Mão na estrada

01 de abril de 2013 0

Foto: Arquivo Histórico de Caxias do Sul

O início do século passado foi um tempo em que deslocar-se pela serra gaúcha podia ser uma aventura. A imagem acima, feita na década de 1920, dá uma ideia da dificuldade que os ônibus da época enfrentavam para trafegar naquela região. Muitas vezes, as próprias comunidades serranas se reuniam em mutirões para abrir as estradas.

Semana Santa em Rio Pardo

29 de março de 2013 0

Rio Pardo é um dos quatro municípios mais antigos do Rio Grande do Sul. Em 1633, padres jesuítas já conviviam com os nativos Tapes. Em 1715, chegaram os primeiros colonos portugueses e, em 1752, a construção do Forte Jesus, Maria e José abriu caminho para o surgimento da cidade, que foi crescendo em torno da fortificação. Rio Pardo deu origem a outros 200 municípios que foram se emancipando.

A capela de São Francisco de Assis, uma das primeiras do período colonial, recebeu do Vice-Ministro da Ordem Terceira, Joaquim José de Oliveira, em 1807, a doação de preciosas imagens sacras, em tamanho natural.

Uma das imagens do Museu de Arte Sacra de Rio Pardo. Foto: banco de dados

Durante muito tempo, a cidade teve em Biagio Tarantino um guardião de seu patrimônio histórico e cultural. Nos anos de 1970, Biagio recebia com grande cordialidade, especialmente durante a Semana Santa, os visitantes que chegavam para a tradicional Procissão do Senhor Morto. Muitos eram convidados para saborear, em sua antiga casa colonial, a célebre galinha ao molho que mandava preparar para a ocasião.

Criador do Museu de Arte Sacra e hoje nome de uma escola, muito a preservação da memória rio-pardense deve a Biagio Tarantino.

Outra das imagens do museu. Foto: banco de dados

Defendendo a fé

19 de março de 2013 0

Com a chegada do argentino Mario Bergoglio à condição de Sumo Pontífice, são principalmente duas as novidades: é o primeiro latino-americano a ser escolhido papa e também a primeira vez que um jesuíta chega lá.

Aqui, como sabemos, os jesuítas já estão, há muito tempo. A Redução Jesuítica de São Miguel Arcanjo data de 1735-1745. Duzentos anos antes, em 1534, em Paris, era criada a Companhia de Jesus – a nova ordem foi aprovada pelo papa Paulo III em 1540.

As Ruínas de São Miguel nos anos 1930. Foto: acervo Marcelo Rech