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Posts na categoria "memória"

Façanha sambística

04 de março de 2014 0
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Em fevereiro de 1984, próximo da inauguração, o arquiteto Oscar Niemeyer visitou sua obra dedicada ao samba, que neste ano completa 30 anos

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Leonel Brizola entre sambistas, em 1984

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Darcy Ribeiro

O sambódromo da Avenida Marques de Sapucaí, que em 2014 completa 30 anos, é fruto do talento e sensibilidade de um carioca (arquiteto Oscar Niemeyer, 1907-2012), da criatividade delirante e genial de um mineiro (professor Darcy Ribeiro, 1922-1997) e da coragem e obstinação de um gaúcho (Leonel Brizola, 1922-2004). A obra foi realizada em um tempo recorde de pouco mais de quatro meses, durante o primeiro mandato de Brizola como governador do Rio de Janeiro (1983-1987), quando Darcy era o vice.

Até então, as arquibancadas da passarela do samba, feitas com estacas tubulares, eram construídas e demolidas todos os anos, em um longo e caro processo que consumia o tempo de uns oito meses. A ousadia de interromper esse método viciado ainda dotou a cidade de novas salas de aula, aproveitando permanentemente o espaço criado.

A decoração anual da Avenida, que competia visualmente com as cores das escolas, também foi suprimida, tornando o maior espetáculo do mundo mais limpo, ainda mais deslumbrante e modelo à toda terra.

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Os católicos no Parque Farroupilha

28 de fevereiro de 2014 0

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Entre os dias 29 de julho e 1º de agosto de 1937, milhares de católicos se reuniram no Parque Farroupilha diante do pórtico de entrada construído, dois anos antes, para a Grande Exposição do Centenário da Guerra dos Farrapos (1835-1935). Ali foi erigido um monumental altar de quatro faces. De acordo com a Revista do Globo de 14 de agosto de 1937, o Primeiro Congresso Eucarístico do Rio Grande do Sul. Foi uma “soberba demonstração de fé católica e uma glorificação pública e viva da Eucaristia, o mais augusto sacramento da Igreja Católica Apostólica Romana.

O encontro atraiu a atenção de todo o mundo cristão”. Exageros à parte, as fotos indicam que foi um belo e comovente espetáculo. Dentre as imponentes cerimônias do extenso programa, destacou-se como uma das mais encantadoras e especiais a Comunhão das Crianças, em homenagem a Jesus-Hostia. Mais de 50 sacerdotes distribuíram, por mais de 30 minutos, o “sagrado corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo” à mais de 15 mil crianças e adolescentes. Dom João Becker (1870-1946) era o arcebispo metropolitano de então. Três meses depois, Getúlio Vargas decretaria o Estado Novo. Em 1948 Porto Alegre viria a sediar o 5º Congresso Eucarístico Nacional, outro grande evento de fé.

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Quem precisa de quem?

22 de julho de 2013 0

Foto: reprodução

Esse anúncio da Companhia Telephonica Rio Grandense (acima) – publicado há exatos 74 anos, na Revista do Globo de 22 de julho de 1939 – faz uma clara alusão ao famoso pôster desenhado pelo artista americano James Flagg (abaix0).

Foto: reprodução

No cartaz, o personagem Tio Sam, com o dedo indicador apontado para a frente, recrutava soldados para a I Guerra Mundial com a célebre frase “I want you for U.S. Army”. A antiga propaganda da CTR – empresa criada em 1908 por Juan Ganzo Fernandez, que a vendeu para a ITT em 1927 – inverte a lógica, como se o aparelho telefônico exclamasse: “Você me necessita!”.

O tempo passou e o texto profético parece se confirmar cada vez mais nos dias atuais, em que algumas pessoas chegam a carregar consigo mais de um aparelho telefônico celular. Eu, que ontem completei 62 anos, lembro-me bem que, quando criança, possuir um telefone particular era um luxo garantido a alguns poucos.

Meu pai era jornalista e não teve um telefone em casa até o início dos anos de 1960, quando tornou-se secretário de Imprensa do governador Brizola. Este, mais de uma vez, teve de recorrer a um batedor da BM – que, montado numa possante motocicleta Harley Davidson, ia do Palácio Piratini até a nossa casa, na Rua Fernando Machado, distante quatro quarteirões, levar algum recado ou fazer alguma convocação para reuniões não previstas.

Antes disso, morávamos na Vila dos Comerciários, que era um distante arrabalde e hoje está logo ali, na duplicação da Avenida Tronco. Minha mãe, para ligar para o jornal onde meu pai trabalhava, ou para o meu avô, que tinha um açougue e um telefone comercial na Rua Duque de Caxias, ia até um posto telefônico ao lado da Savic (Sociedade Amigos da Vila dos Comerciários) e manivelava sem parar um telefone vertical de madeira, preso a uma parede.

A tecnologia tornou esse recurso de comunicação tão banal, e irritante quando funciona mal, que seu valor só é percebido quando a conta chega.

De lavradores e sapateiros

12 de julho de 2013 0

Você trocaria de esposa com um amigo, caso estivesse infeliz no casamento? E se a troca envolvesse algo mais – uma porca, uma gamela e um saco de batatas? Pois foi isso mesmo que dois imigrantes alemães fizeram, na década de 1830.

Essa história e outra – a de uma família de lavradores e sapateiros que chegou ao Rio Grande do Sul no alvorecer da imigração alemã, no início do século 19, e inventou uma suposta e inexistente ancestralidade na nobreza germânica – estão no livro O Lavrador e o Sapateiro (EdiPUCRS), que o pesquisador gaúcho Rodrigo Trespach lança hoje, na programação da 4ª Feira do Livro de Inverno de Tramandaí.

Capa de O Lavrador e o Sapateiro. Foto: reprodução

O texto resulta de pesquisas realizadas no Brasil e na Alemanha, incluindo relatos de imigrantes alemães coletados na região do Litoral Norte pelos pastores protestantes Augusto E. Kunert, Ernesto Fischer e Elio Müller, entre as décadas de 1940 e 1970. Há também a transcrição de uma carta de 1827, escrita por um colono para contar aos familiares que ficaram na Alemanha como estava a vida no Novo Mundo.

O Rio Três Forquilhas, no Litoral Norte, e a colônia alemã homônima, no início do século 20. Foto: Carlos Bach, acervo do Arquivo Público Municipal Antônio Stenzel Filho

O pastor Ernesto Fischer e a mulher, Johanna Dummer. Foto: Acervo de Francisco Dummer Fischer

Julho, o mês fatídico

08 de julho de 2013 0

Foto: reprodução

Julho não tem sido um mês favorável na história do Mercado Público. Em 1912, no dia 5 de julho, um dia antes do sinistro de agora, ele sofreu um grande incêndio, que marcou a vida do nosso Estado, conforme reportagem publicada em 1999, que recapitulava os principais fatos do século 20 no Rio Grande do Sul. Em 15 de julho de 1979, um domingo, o Mercado foi atingido novamente por um incêndio que destruiu 17 bancas.

O incêndio de agora, na noite de sábado, dia 6 de julho, pode ser só uma coincidência, mas os esotéricos talvez tenham uma explicação para essa “fragilidade astral” do nosso querido Mercado com o mês de julho. Como todos os porto-alegrenses, tenho motivos de sobra para ficar triste com o acontecido. Talvez tenha até mais. Como editor da página de memória da ZH, sei o que esse monumento representa para a cidade. Como fotógrafo, interessado no trabalho dos meus antecessores, percebo que ele é personagem e testemunha, sempre presente nas fotos do Centro Histórico. E, por último, levo no sangue o respeito por aquele espaço. Meu avô, um calabrês chamado Natale de Leone, foi o responsável, nas primeiras décadas do século passado, pela Banca “D”, uma das pioneiras na venda de galinhas limpas (depenadas e sem as vísceras) no coração da Capital.

Vamos reconstruir o Mercado e, por via das dúvidas, sempre que julho estiver começando, vamos reforçar a vigilância e ficar de olho. Ele merece.

Memória em risco

01 de julho de 2013 6

O município de Arroio Grande vai comemorar este ano o bicentenário de nascimento de um filho ilustre – o empresário Irineu Evangelista de Sousa (1813-1889), o Visconde de Mauá.

O Visconde de Mauá. Foto: reprodução

A perspectiva de celebração contrasta com o estado de dois importantes prédios históricos da cidade. O casarão que foi a primeira sede da Câmara Municipal está destelhado, enquanto o prédio do centenário Clube do Comércio está interditado e cercado de tapumes.

Acima e abaixo, a primeira sede da Câmara Municipal nos anos 1930. Fotos: arquivo pessoal

O casarão na atualidade. Foto: Eliana Lúcio, arquivo pessoal

Os edifícios – ambos na esquina das ruas Herculano de Freitas e Doutor Monteiro, junto à Praça Central de Arroio Grande – acompanham boa parte da história da cidade. Na antiga Câmara, por exemplo, nasceu no século 19 outro personagem importante da cidade, o advogado Uladislau Herculano de Freitas (1865-1926), ministro da Justiça em 1913 e 1914. Agora, as duas construções carecem de restauro – e é pena que, como eles, haja tantos outros por aí em situação parecida.

O Clube do Comércio – fundado em 1902 como Clube Instrução e Recreio – em 1912. Foto: arquivo pessoal

O prédio do clube em 2013. Foto: Sissi Ferreira, arquivo pessoal

(colaboraram Antonio Rodrigues Franco, Fabio da Cunha e Carla Silveira Machado)

Voos cada vez mais altos

25 de junho de 2013 2

Daqui a 10 meses, o terminal principal do aeroporto Salgado Filho, inaugurado em 2001, deverá passar por obras de ampliação. Na verdade, a necessidade de aumentar o espaço do aeródromo tem sido uma constante ao longo das últimas oito décadas. Ainda nos anos 1930, a Varig começou a usar a área no bairro São João para pousos e decolagens, e ali foi construído o primeiro terminal de passageiros, com acesso pela Rua 18 de Novembro.

Nas fotos, o primeiro terminal de passageiros do aeroporto. Foto: reprodução

Foto: Museu Joaquim José Felizardo

O segundo terminal, voltado para a Avenida dos Estados, começou a funcionar em 1953, e passou por sucessivas reformas ao longo das décadas seguintes, até ser desativado em 2001. Foi reativado em dezembro de 2010 para complementar as atividades do novo aeroporto, voltado à Avenida Severo Dullius.

Conhecido anteriormente como Aeroporto São João, o terminal recebeu a denominação oficial atual no início dos anos 1950, em homenagem ao político porto-alegrense Joaquim Pedro Salgado Filho (1888-1950), que foi o primeiro a exercer o cargo de ministro da Aeronáutica, durante o governo de Getúlio Vargas.

O trem húngaro

21 de junho de 2013 8

O trem na estação ferroviária de Guaporé. Foto: Samuel Teixeira, arquivo pessoal

A Ferrovia do Trigo, após ter sido inaugurada em 1978 pelo presidente Ernesto Geisel, recebeu uma linha regular de trem de passageiros entre Passo Fundo e Porto Alegre. A primeira excursão pelo trem húngaro se deu em 18 de março de 1979, e em seguida foi implantada a linha diária, numa extensão de 289 quilômetros e com uma duração de cinco horas de viagem num trem moderno. Mas, em 1982, a Rede Ferroviária Federal suspendeu a linha do trem húngaro.

A viagem era uma atração turística, pois o trem furava montanhas e saltava vales e canhadas da estrada de ferro, que tem 26 pontes e viadutos e 34 túneis. Desses, 21 estão entre Guaporé e Muçum – sendo que, neste trecho, está o Número 13, também conhecido como Viaduto do Exército. Com 509 metros de comprimento e 143 metros de altura, esse seria o maior viaduto ferroviário da América Latina, e um dos mais altos do mundo.

O Viaduto 13. Foto: Caco Konzen, BD, 27/10/2006

Outro viaduto importante dessa ferrovia é o Mula Preta, localizado em Dois Lajeados.

O Viaduto Mula Preta. Foto: Edmar Migliavacca, arquivo pessoal

Desde o início do traçado da ferrovia até a sua inauguração, se passaram 67 anos. É difícil imaginar, percorrendo o trecho, como os operários conseguiram construir uma estrada numa região de relevo tão montanhoso. Difícil também é crer que uma ferrovia com tantas obras gigantescas, emoldurada por paisagens de um verde exuberante, não tenha uma linha de trem de passageiros a percorrê-la.

(colaborou Edmar Migliavacca)

Monumento sobre as coxilhas

07 de junho de 2013 1

Fotos: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Hoje as ruínas da igreja de São Miguel Arcanjo, na região das Missões, são um sítio arqueológico preservado com monumentos restaurados, recebem centenas de turistas mensalmente, possuem um pequeno mas valioso museu, contam com acesso asfaltado e têm ao lado a infraestrutura da jovem cidade que se emancipou de Santo Ângelo em abril de 1988. É impossível a gente não se emocionar quando se chega nesse lugar, impregnado de história, e se vê a majestosa construção, especialmente se for pela primeira vez.

Os conflitos após o Tratado de Madrid, em 1750, destruíram as reduções jesuíticas. O que restou ficou abandonado por todo o século 19 e também no início do século 20. Foi só lá por 1925 ou 1927 que o Governo do Estado procedeu a limpeza e a consolidação dos remanescentes do povoado. No final dos anos 1930, com a criação do Iphan (Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional), o Governo Federal passou a dar atenção ao lugar, tombado como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1983.

Fico imaginando um gaúcho do passado, viajando a cavalo, que subitamente viesse a encontrar o cenário das fotos desta página…

(fonte: livro O Tempo e o Rio Grande nas Imagens do AHRS)

Viagem pelas águas

04 de junho de 2013 1

Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

A foto acima remete a uma tradição que vigorou no Rio Taquari entre o final do século 19 e a primeira metade do 20: o transporte fluvial.

Embarcações como essa, retratada provavelmente entre as décadas de 1930 e 1940, levavam centenas de passageiros a cidades como Taquari, Porto Alegre e Estrela. Em 1930, por exemplo, a companhia de navegação de Jacob Arnt transportou ao todo 66,3 mil pessoas na rota do Taquari.

Arnt foi um dos quatro grandes empreendedores fluviais do Estado daquela época. Os outros, curiosamente, eram homônimos: Jacob Becker trabalhava no Rio Jacuí, Jacob Michaelsen, no Rio Caí e Jacob Blauth, no Rio dos Sinos. Os Quatro Jacós, como ficaram conhecidos, hoje dão nome a uma rua da Cidade Baixa, em Porto Alegre.