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Posts na categoria "memória"

Domingo no parque

20 de maio de 2013 0

"Nas tardes de domingo, os porto-alegrenses lotam o Parque Farroupilha", diz o texto da Revista do Globo numa de suas edições de 1947. A reportagem de sete páginas, com muitas fotografias de Ed Keffel e texto de José Amádio, permite perceber que, embora a Redenção continue a mesma, especialmente nos finais de semana, muita coisa mudou na paisagem e no comportamento dos frequentadores do parque.

O lago da Redenção nos anos 1940. Fotos: Ed Keffel, Revista do Globo

Na foto acima, se percebe, por exemplo, que naquela época os casais de namorados navegavam no lago em barcos de madeira, a remo. Na mesma cena se vê, ao fundo, parte do antigo pavilhão de alvenaria da representação do Estado do Pará na Exposição do Centenário Farroupilha em 1935 – era o último grande vestígio daquela festa, mas acabou por ser também demolido.

Chapéus masculinos (acima) e freiras com hábito (abaixo) agora também são raridade.

Veja mais imagens da reportagem:

Fotos: Ed Keffel, Revista do Globo

Águas de maio

13 de maio de 2013 0

Para nós, porto-alegrenses deste início do século 21, que desfrutamos os belos e ensolarados dias de outono da semana passada, fica até difícil imaginar as dificuldades que os cidadãos da Capital enfrentaram, exatamente nessa época do ano, 72 anos atrás.

A água na Rua José Montaury em 1941. Foto: reprodução do livro Águas de Maio, de Vitor Minas

Na publicação Águas de Maio - A Grande Enchente de 1941, o autor Vitor Minas resgata o que aconteceu e faz o "relato de um tempo extraordinário". Diz ele:

"Choveu, choveu e choveu. Uma chuva bíblica com tal pertinaz insistência que, ao final de três semanas, os gaúchos já estavam criando guelras e nadadeiras... Conforme anotou o Diário de Notícias, na 'quinta-feira negra', dia 8 de maio, o Guaíba atingiu a incrível marca de quase cinco metros acima de seu nível médio. Sem energia, as bombas do sistema de fornecimento de água potável deixaram de funcionar. A cidade ficou às escuras e só nas torneiras não havia água. O Instituto de Educação foi transformado em hospital de emergência. Os bondes e alguns jornais não circularam. O futebol foi suspenso. O abastecimento de alimentos, muito prejudicado, era precário".

Uma manchete da época da cheia. Foto: reprodução do livro Águas de Maio, de Vitor Minas (abaixo, a capa da publicação)

"Entre 10 de abril e 14 de maio, houve 22 dias de chuva na cidade. Setenta mil pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares", registra o historiador Sérgio da Costa Franco, em seu livro Porto Alegre Ano a Ano.

A antiga estação ferroviária da Rua da Conceição ficou inundada. Ao fundo, o Edifício Ely (atual Tumelero). Foto: reprodução do livro Porto Alegre Ano a Ano, de Sérgio da Costa Franco. Abaixo, a capa do livro

Felizmente, nada parecido voltou a acontecer por aqui desde então.

Encanto coral

24 de abril de 2013 0

O Orpheão Rio Grandense em 1933. Foto: Dutra e Azevedo, acervo de Rejane Hirtz Trein

Talvez pela forte presença de alemães e italianos na formação étnica do nosso Estado, a tradição de reunir um grupo de pessoas para cantar em conjunto há muito faz parte das atividades culturais no Rio Grande do Sul.

Um importante coral fundado em 1930 foi o Orpheão Rio Grandense. No site Porto Alegre Antigo - O Maior Presente, o autor JPM nos conta que João Sigismundo Baldauf – um cantor alemão que participara do Coral Misto Santa Cecília, da Igreja São José, e também de outros grupos, como o da Sociedade Eintracht – foi procurado por um colega, o cantor de câmara Comendador Obstätter, e convidado a reunir outros artistas para estudar e apresentar no Theatro São Pedro um arranjo que havia feito, para quatro vozes, do Hino Nacional Brasileiro.

Com o professor Léo Schneider escolhido como maestro, estava fundado o Orpheão Rio Grandense, que teria sido a primeira sociedade organizada aqui para cantar em português.

Escola Prudente

23 de abril de 2013 1

Nesta terça-feira, 23 de abril, a Escola Estadual Prudente de Morais, em Osório, lança o livro Prudente de Morais: a Escola na Memória dos seus Professores 1942-2012, obra organizada pelos professores Ana Maria Rocha Rufino, Elaine Medeiros Perfeito e Paulo César Cardoso de Medeiros.

Capa do livro. Foto: reprodução

A escola foi criada originalmente em Passinhos, em 1942. Em 21 de julho de 1944, foi instalada nas proximidades do Porto, em Osório, como Grupo Escolar Porto Lacustre, para atender a cerca de cem crianças, filhas dos funcionários dos Serviços de Transporte entre Palmares do Sul e Torres. O primeiro prédio da escola, de propriedade de Antônio da Silva Neto, foi alugado pela prefeitura, e a primeira diretora foi a Professora Clotilde Amaral, esposa do ex-prefeito Osvaldo Amaral, e a primeira professora na pessoa de Maria Madalena Queiroz Weber. Durante os primeiros anos, a escola teve como sala de aula, além do prédio alugado, também a capela e a casa da própria professora.

Em 1948, a escola foi transferida para um prédio reformado na Lacustre e, em 1963, o Estado, sob governo de Leonel Brizola, construía novos prédios para atender a demanda crescente de alunos, as chamadas "Brizoletas".

Entre 1961 e 1988, funcionou no bairro, dividindo espaço com a Escola Prudente, o Ginásio Industrial Abramo Eberle. Em 1974, o Ginásio foi transformado em Centro de Artes, Ciências e Tecnologia, o CACT. Depois de 1988, Prudente e CACT passaram a formar uma só escola, ocupando todo o espaço físico onde havia se estabelecido a empresa de navegação.

No Prudente de Morais localiza-se importante patrimônio histórico da região, o "Sobrado da Lacustre", ou o "Casarão", prédio construído entre 1925 e 1926 que serviu de escritório e residência aos engenheiros do Serviços de Transporte entre Palmares do Sul e Torres. Em 1998, o prédio foi reinaugurado, após restauração financiada pelo governo Estadual, servindo hoje como secretaria da escola.

O casarão restaurado. Foto: Tiago Trespach, arquivo pessoal

(colaborou Rodrigo Trespach)

Mão na estrada

01 de abril de 2013 0

Foto: Arquivo Histórico de Caxias do Sul

O início do século passado foi um tempo em que deslocar-se pela serra gaúcha podia ser uma aventura. A imagem acima, feita na década de 1920, dá uma ideia da dificuldade que os ônibus da época enfrentavam para trafegar naquela região. Muitas vezes, as próprias comunidades serranas se reuniam em mutirões para abrir as estradas.

Semana Santa em Rio Pardo

29 de março de 2013 0

Rio Pardo é um dos quatro municípios mais antigos do Rio Grande do Sul. Em 1633, padres jesuítas já conviviam com os nativos Tapes. Em 1715, chegaram os primeiros colonos portugueses e, em 1752, a construção do Forte Jesus, Maria e José abriu caminho para o surgimento da cidade, que foi crescendo em torno da fortificação. Rio Pardo deu origem a outros 200 municípios que foram se emancipando.

A capela de São Francisco de Assis, uma das primeiras do período colonial, recebeu do Vice-Ministro da Ordem Terceira, Joaquim José de Oliveira, em 1807, a doação de preciosas imagens sacras, em tamanho natural.

Uma das imagens do Museu de Arte Sacra de Rio Pardo. Foto: banco de dados

Durante muito tempo, a cidade teve em Biagio Tarantino um guardião de seu patrimônio histórico e cultural. Nos anos de 1970, Biagio recebia com grande cordialidade, especialmente durante a Semana Santa, os visitantes que chegavam para a tradicional Procissão do Senhor Morto. Muitos eram convidados para saborear, em sua antiga casa colonial, a célebre galinha ao molho que mandava preparar para a ocasião.

Criador do Museu de Arte Sacra e hoje nome de uma escola, muito a preservação da memória rio-pardense deve a Biagio Tarantino.

Outra das imagens do museu. Foto: banco de dados

Defendendo a fé

19 de março de 2013 0

Com a chegada do argentino Mario Bergoglio à condição de Sumo Pontífice, são principalmente duas as novidades: é o primeiro latino-americano a ser escolhido papa e também a primeira vez que um jesuíta chega lá.

Aqui, como sabemos, os jesuítas já estão, há muito tempo. A Redução Jesuítica de São Miguel Arcanjo data de 1735-1745. Duzentos anos antes, em 1534, em Paris, era criada a Companhia de Jesus – a nova ordem foi aprovada pelo papa Paulo III em 1540.

As Ruínas de São Miguel nos anos 1930. Foto: acervo Marcelo Rech

Lembrança de Tramandahy

18 de março de 2013 3

Nesta semana, entraremos no outono. O verão que acaba passará a fazer parte da memória. Talvez um dia, daqui a muitos anos, alguém decida contar aos nossos pósteros como era o veraneio em nosso Litoral nas primeiras décadas do século 21. Fico imaginando se nossas fotos, tiradas com câmeras digitais ou smartphones, despertarão tanta curiosidade e serão tão esquisitas como as que ilustram o livro que Felipe Kuhn Braun lançará no próximo mês.

Foto: reprodução

Tramandahy: as Idas à Praia no Início do Século XX é uma publicação de 125 páginas, com mais de uma centena de fotografias, que conta como eram os costumes quando os descendentes de alemães decidiram ocupar a pequena vila de pescadores e utilizá-la como balneário.

Cartão-postal mostra veranistas diante do Hotel Sperb

Felipe revela que um passo importante nesse sentido se deu quando, em 1898, Eneas Sperb, um hoteleiro de São Leopoldo, resolveu inaugurar um novo empreendimento próximo ao mar. Nessa época, a viagem do Vale do Sinos até o Litoral podia levar até três dias e meio sobre uma carreta de bois.

Famílias de posses usavam os automóveis para ir à praia

Nos primeiros 30 anos de ocupação daquela região, praticamente não havia casas particulares – e, quando havia, eram modestas como as acomodações fornecidas pelas hospedarias.

Outras imagens de cartão-postal

Formado em Jornalismo e pós-graduado em História, o autor pesquisou por nove anos para conseguir esse retrato fiel do passado. Quem sabe, no futuro, seremos nós os personagens da história.

As fotos deste post são reproduzidas do livro Tramandahy: as Idas à Praia no Início do Século XX.

Infausto momento

16 de março de 2013 2

A igreja São Domingos, em Torres. Foto: Osvaldo Munari Raupp, arquivo pessoal

Quem visita a igreja São Domingos, no Morro do Farol, em Torres, inaugurada em 1824 e atualmente em reformas, não se dá conta de que, ao lado, escondida entre as árvores tal como a história se esconde em livros, fica uma antiga casa que teria abrigado Dom Pedro I num momento especialmente emotivo de sua vida.

A casa onde Dom Pedro teria ficado hospedado. Foto: Osvaldo Munari Raupp, arquivo pessoal

Especula-se que, ali hospedado, a caminho da Campanha Cisplatina (1825-1827), o imperador teria recebido, por meio de emissários da corte e do clero, a triste notícia da morte da Imperatriz Dona Leopoldina, que já se encontrava enferma havia algum tempo. A informação fez com que Dom Pedro retornasse às pressas ao Rio de Janeiro, para os funerais da esposa.

Naquele dezembro de 1826, o imperador deixou o Rio Grande do Sul por terra até Laguna, em Santa Catarina, onde apanhou um navio rumo ao Rio.

(colaborou Osvaldo Munari Raupp)

Máquinas na linha

12 de março de 2013 1

A primeira ferrovia no Brasil tinha 14,5 quilômetros, ligava o porto de Mauá à localidade de Fragoso, no Rio de Janeiro, e foi inaugurada em abril de 1854. No Rio Grande do Sul, o primeiro trecho ferroviário unia Porto Alegre a Novo Hamburgo e data de 1874. Dez anos depois, os trens já chegavam à cidade de Santa Maria – que, por sua localização geográfica e estratégica, veio a ser o principal polo e entroncamento ferroviário do Estado.

Aqui, o período áureo desse tipo de transporte se deu nas décadas de 1930 e 40. Em 1930, as oficinas de trens da região da Serra foram transferidas para Santa Maria, levando para aquela cidade grande número de mecânicos especializados. A Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS) chegou a ter 370 locomotivas, sendo que 30 a diesel, e o restante a vapor. Possuía 322 vagões de passageiros e 4.830 de cargas.

Uma oficina da VFRGS em 1956. Foto: José Abraham, acervo Alfonso Abraham

Nas oficinas da VFRGS era feita a manutenção dos trens e até eram fabricadas peças, especialmente durante a II Guerra, quando era difícil a importação. Em 30 de setembro de 1957, a VFRGS passou a integrar a Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA), que se manteve até a privatização de 1997.

Uma locomotiva a diesel em um túnel, nos arredores de Vacaria. Foto: Alfonso Abraham, arquivo pessoal