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Posts na categoria "Personagens"

Tatuzinho

11 de junho de 2013 0

Foto: acervo de Zith Bueno

Ele era gaúcho e se chamava Ary Valdez, mas era conhecido nacionalmente como Tatuzinho. Comediante e músico – tocava cavaquinho –, foi amigo de Lupicínio Rodrigues e casou-se, no Rio, em 1939, com a cantora Elizeth Cardoso, com quem teve um filho, Paulo César Valdez.

Tatuzinho fazia sucesso na era do rádio e apresentava-se no histórico Cassino da Urca com um célebre número de humor: entrava no palco carregando um enorme estojo de violoncelo, de onde retirava, com solenidade, o seu minúsculo cavaquinho. Humor ingênuo de um tempo que passou.

Como bom instrumentista, Valdez chegou a tocar no Bando dos Tangarás, onde era o reserva de Noel Rosa. Fez parte do regional de Dante Santoro, gravou discos, e foi nos estúdios de gravação que conheceu a jovem e bonita Elizeth. O casamento durou pouco – além de tomar todas, parece que Tatuzinho tinha “um parafuso a menos”, como afirmavam alguns de seus amigos. Entre crises de depressão e insanidade, Ary voltou ao Sul nos anos de 1950, e morreu no começo da década de 60.

(fonte: A Era do Rádio, de Arthur de Faria)

O cinema era o espetáculo

10 de junho de 2013 0

Em nossa coluna do dia 8 de abril, enfatizamos a faceta de empresário inovador que Eduardo Hirtz possuía. Afinal, seu estabelecimento gráfico foi pioneiro na impressão sobre folhas de metal, o que incrementou muito a apresentação das embalagens no início do século passado. Mas ele empresta seu nome a uma sala de cinema da Casa de Cultura Mario Quintana pela importância que teve no desenvolvimento do cinema gaúcho. Ele é reconhecido como o produtor e diretor do que seria o primeiro filme de ficção rodado no Estado.

Eduardo Hirtz. Foto: Atelier Barbeitos, acervo de Rejane Hirtz Trein

O filme – que, até onde se sabe, não existe mais – era um curta-metragem de aproximadamente quatro minutos, e teve como título Ranchinho do Sertão, ou Ranchinho de Palha, não se sabe ao certo. Em 1908, Hirtz comprou a sala de cinema Recreio Ideal (na Andradas, defronte a Praça da Alfândega), onde veio a projetar pela primeira vez seu filme, feito no ano anterior. Em 1910, em sociedade com os Irmãos Petrelli, inaugurou o Cine Coliseu, na esquina da Voluntários da Pátria com a Pinto Bandeira. Quatro anos depois, no início da Avenida Independência, na Praça Dom Feliciano, em abril de 1914, ele abriu o Theatro Apolo (abaixo).

Foto: E. Becker, acervo de Rejane Hirtz Trein

O grande Apolo tinha 1.554 lugares de primeira classe e 450 na segunda. Foi a sala mais importante de sua época. Eduardo Hirtz, a quem a imprensa saudava como alguém "que tem contribuído decisivamente para elevar, através de seus bastos empreendimentos, o renome de progresso do Rio Grande do Sul", morreu em 1951.

Um ingresso de poltrona de primeira classe no Apolo. Foto: acervo de Rejane Hirtz Trein

(colaborou Rejane Hirtz Trein)

Pedro centenário

28 de maio de 2013 1

Hoje se completam cem anos do nascimento de um personagem da Porto Alegre do século 20: o médico Pedro Sirangelo (1913-1968).

A carteira profissional do médico. Foto: arquivo pessoal

Além de atuar como clínico geral no bairro Floresta, Pedro lecionou na UFRGS, foi presidente do Grêmio Náutico União, vice-presidente do Sport Club Internacional e também dirigiu o Rotary Club Porto Alegre Norte e a Federação Gaúcha de Futebol. Será lembrado pelos familiares em missa na Igreja São Pedro, às 18h de hoje.

Foto: arquivo pessoal

A foto acima mostra Sirangelo – homenageado com o nome de uma rua e de uma escola pública na Capital – ao lado da mulher, Yvonne.

Mãos limpas

25 de maio de 2013 1

Fernando Ferrari em novembro de 1962. Foto: Assis Hoffmann, BD

Hoje se completam 50 anos do acidente aéreo fatal que interrompeu a carreira do político gaúcho Fernando Ferrari – ele tinha 42 anos incompletos. Em 25 de maio de 1963, a pequena aeronave Cessna, prefixo PP-BRR, colidiu com o Morro do Chimarrão, próximo a Torres, matando Ferrari, seu correligionário Ivan Macedo Coelho e o piloto Airton Braggio.

Como homenagem, em São Pedro do Sul, sua cidade natal, será lançado, às 19h, no Centro Cultural que leva seu nome, o livro Fernando Ferrari, Ensaio Sobre o Político das Mãos Limpas. A moralidade pública – assim como a justiça social e o desenvolvimento econômico – era uma das suas principais bandeiras.

Foto: arquivo pessoal

Dissidente do antigo PTB, Ferrari fundou o MTR (Movimento Trabalhista Renovador), foi três vezes deputado federal e chegou a concorrer a vice-presidente da República. O Centro Administrativo do Estado, em Porto Alegre, leva o seu nome.

Ferrari em entrevista coletiva, dois meses antes do acidente fatal. Foto: Banco de dados, 14/3/1963

Fernando Ferrari Filho, um dos autores da obra que resgata as ideias e propostas de seu pai, estará presente no evento deste sábado.

Hermano de mano caliente

23 de maio de 2013 2

Atahualpa Yupanqui na Califórnia da Canção Nativa, em 1980. Foto: Tude Munhoz, banco de dados

Nesta quinta-feira, em Buenos Aires, na Argentina, diversos artistas – entre eles, o gaúcho Demétrio Xavier – estarão reunidos no Salão Azul do Senado para prestar uma homenagem a Don Atahualpa Yupanqui, que morreu nesta data, 21 anos atrás. Quando nasceu, em 1908, ele recebeu o nome de Héctor Roberto Chavero mas, ainda adolescente, decidiu que adotaria o nome do último imperador inca.

Pajador, compositor, violonista, cantor e mito, ele se tornou um dos maiores nomes da música folclórica latino-americana. É autor de inúmeros clássicos da música criolla, como Los Hermanos ("Yo tengo tantos hermanos...") ou Los Ejes de mi Carreta ("Porque no engraso los ejes..."), e também foi ele quem resgatou do folclore popular Duerme Negrito, uma canção-símbolo da América do Sul.

Quem teve a oportunidade histórica de ouvi-lo, em dezembro de 1980, na Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, certamente entende a humildade irônica da frase que encerra a letra de El Payador Perseguido: "!Talvez alguno se acuerde que aqui cantó um argentino!".

(colaborou Geraldo Hasse)

O legendário

10 de maio de 2013 1

O Marechal Osório. Foto: reprodução

O Exército brasileiro festeja, neste dia 10 de maio, o aniversário de nascimento do Marechal Manoel Luis Osorio, o patrono da Cavalaria brasileira. Nascido em solo gaúcho, na então Conceição do Arroio (hoje Osório, em sua homenagem), no ano de 1808, Osorio foi, assim como Caxias, um dos mais destacados militares brasileiros. Até o começo do século 20, sua fama era, inclusive, maior do que a do militar carioca. Muito devido a sua simplicidade e à liberdade que tinha com seus comandados. Não era brilhante estrategista como Caxias, mas de capacidade tática, no campo de batalha, como poucos. Na Guerra do Paraguai, de atuação destacada, foi o primeiro a entrar em território inimigo, em 1866.

A casa onde o Marechal Osorio nasceu, na fazenda dos avós maternos, foi restaurada pelo Exército e inaugurada em 10 de maio de 1970, com a presença do então presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici. No local, atualmente município de Tramandaí, foi criada a Fundação Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio, onde está instalado o 3º Regimento de Cavalaria de Guarda, o Regimento Osorio.

A casa de Osorio no início do século 20. Foto: Acervo Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho

Aspecto atual da casa. Foto: Tiago L. Trespach. arquivo pessoal

Falecido no Rio de Janeiro, em 1879, seu corpo foi embalsamado e levado para o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Ilha do Bom Jesus. Após a proclamação da República, seus restos mortais foram depositados sob a estátua equestre construída em sua homenagem na Praça XV de Novembro, no Rio. Osorio só retornou para casa em 1993 – quando, com permissão da família, seus restos mortais foram retirados do monumento e enviados para o Rio Grande do Sul. O traslado passou por Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, até chegar, na manhã de 11 de dezembro, sob o toque do clarim, ao local onde "o legendário" havia nascido quase dois séculos antes.

Amanhã, dia 11, será realizada a tradicional encenação de batalhas ("cargas de cavalaria" dos tempos de Osorio) no Parque Histórico.

(colaborou Rodrigo Trespach)

Bom de embocadura

07 de maio de 2013 0

O trombonista Adalberto Bueno. Fotos: arquivo pessoal

O dia era 4 de junho de 1976. Adalberto Bueno vinha com sua Rural Willys pela Avenida Oscar Pereira. Próximo ao Cemitério Israelita, seu veículo foi colhido por um ônibus. Esse acidente tirou a vida do conhecido trombonista gaúcho.

Adalberto nasceu em Dom Pedrito em 1912, mas foi na banda do 9º Regimento de Cavalaria de São Gabriel, em 1936, que ele se encontrou na música (foto abaixo).

No início do anos de 1940, o músico já estava em Porto Alegre e era músico da Banda Municipal. Logo em seguida, passou a tocar nas principais rádios da cidade, Farroupilha e Gaúcha, e em bailes da Capital. Tocou em orquestras famosas como as de Karl Faust e Herbert Gehr. Trabalhava também no Banrisul. Nos anos de 1960, teve sua própria banda (foto abaixo).

A orquestra (acima) e um cartaz das apresentações do grupo

Adalberto também foi presidente do Sindicato dos Músicos (foto abaixo) por 20 anos. Casou-se com D. Gabriela, morava na Glória e, com o trombone na boca, deixou cinco filhos formados.

(colaborou Zith Bueno)

Vida, arte e gosto pela imagem

26 de abril de 2013 1

Propaganda do estúdio Foto Hugo em 1933.  Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Todo mundo que nasceu e viveu uma vida inteira num mesmo lugar teve a oportunidade de acompanhar cada mudança que se passou a sua volta. Se essa pessoa tiver sido um dedicado fotógrafo, como foi Hugo Décio Peretti, certamente ela terá reunido um número significativo de imagens que constituem um minucioso inventário das transformações que se processaram em sua época.

Encantado em 1931. Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Encantado em 1940. Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Encantado em 1950. Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Se ainda, por sorte, existir alguém que, anos depois, seja capaz de reconhecer o valor desse acervo e, além de preservá-lo, tiver o discernimento de colocá-lo à disposição do público, estará fechado um magnífico círculo virtuoso em favor da memória coletiva.

Hugo em 1930. Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Hugo em 2003. Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Hoje se completam 80 anos de funcionamento do ateliê fotográfico de Hugo Peretti (1918-2003) na cidade de Encantado. O falecido pioneiro da fotografia no Alto Taquari, certamente, ficaria feliz em ver seu neto Marcelo mantendo o negócio e recuperando o material produzido para disponibilizá-lo na Casa de Cultura Municipal. E é disso que estamos falando.

O estúdio Foto Hugo nos anos 1970. Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

Fogo amigo

25 de abril de 2013 2

O patrono da cadeira número 33 da Academia Rio-Grandense de Letras, João César de Castro, tem uma curiosa biografia. Gaúcho de Porto Alegre, nascido em 8 de fevereiro de 1884, estudou na Escola Preparatória de Rio Pardo, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e voltou ao Sul para concluir seu curso militar, em 1908, na Escola de Guerra da Capital. No curso do Estado Maior do Exército, obteve o grau de Engenheiro Geógrafo, e em seguida fez aperfeiçoamento no Exército. Em 1925, formou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Além de militar e médico, dedicava-se também às letras. Era escritor, poeta da escola simbolista, prosador e cronista.

João César de Castro. Foto: arquivo pessoal

Quando eclodiu a Revolução de 1930, ele servia ao Exército, como major e subcomandante do 23º Batalhão, na cidade paraibana de Sousa. Seu chefe e comandante era o tenente-coronel cearense Pedro Ângelo Correia. Como se sabe, o assassinato do Presidente da Paraíba, João Pessoa, no Recife, em 26 de julho de 1930, foi o estopim para a articulação da revolução que já se prenunciava. No dia 3 de outubro, o movimento armado se iniciou, ganhando as ruas, aqui em Porto Alegre. Foi a véspera da morte do militar-doutor e poeta gaúcho, ocorrida no distante estado nordestino onde ele servia.

Na casa do posto de comando, Pedro Ângelo, seu sub João Cesar e alguns poucos subordinados de sua guarda pessoal recebem voz de prisão dos colegas revolucionários rebelados. O comandante não acata a insubordinação, bate a porta e se entrincheira, trocando tiros com os revoltosos. Diante da situação, com o grupo encurralado, o sub insiste para que o chefe se renda. Ângelo, decidido a resistir e desesperado, atira no subordinado, e também num soldado da guarda que tenta acudi-lo. Finalmente, abre a porta e sai gritando que não morrerá "como um cão enfurnado". Alvejado, morre. João César de Castro não resiste ao ferimento provocado pela arma do seu comandante e também morre.

Ele deixou mais de uma dúzia de obras literárias publicadas, como Esperança Morta, de 1908.

(Colaboraram Renata Carrion e Nety Maria Heleres Carrion)

O Gasolina

20 de março de 2013 0

Ele se chamava Antonio Monte de Souza e frequentava a Rádio Gaúcha com uma vassoura na mão – era varredor da emissora. De acordo com reportagem de Enéas de Souza publicada na Revista do Globo, um dia Ivan Castro, envolvido pelo sorriso largo e pelo astral do Gasolina, apelido pelo qual Antonio era conhecido, permitiu que ele cantasse no programa Variedades em Revista. Foi o início de uma carreira de sucesso, com momentos de glória em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Gasolina em ação. Foto: Jacques Mongaut, Revista do Globo

Impulsionado por Sílvio Caldas, Cesar Alencar e Nelson Gonçalves, Gasolina foi contratado da Record por seis anos. Além de cantar, fez teatro – era o sacristão na peça O Auto da Compadecida –, televisão – aos sábados, se apresentava no programa Copacabana Show – e cinema – participou com Anselmo Duarte, Marlene e Luiz Delfino do filme O Cantor e o Milionário (1958).

No Rio, enchia a boate Plaza participando do espetáculo Bossas da Velhacap, de Haroldo Costa. Era sempre empurrado para frente por gente como Antonio Maria, Fernando Lobo, Stanislaw Ponte Preta e Mr. Eco. Segundo a revista, foi um "Sammy Davis Jr. dos Pobres".

Foto: Jacques Mongaut, Revista do Globo

Hoje, poucos lembram dele – nem na internet se encontram muitas informações sobre Gasolina. Injusto.