Foi por meio da repercussão da coluna Choque de Ordem, publicada no dia 30 de dezembro aqui no Almanaque Gaúcho (veja aqui), que o comissário Valdevino Francisco da Silva, 79 anos, foi lembrado como figura indispensável para aparecer no calendário 2012 do Grupamento de Operações Especiais (GOE). Aposentado desde 1982, Valdevino foi o fundador e primeiro chefe do GOE nos idos de 1967.
Foto: Genaro Joner
Vestido orgulhosamente com a farda atual, que usa para desfilar anualmente no 20 de Setembro, o policial aposentado posou ontem para a foto do calendário, em frente ao Palácio da Polícia - local onde, atualmente, fica a sede do grupamento. Muito à vontade ao usar o símbolo do grupo, ele aproveitou o momento para relembrar fatos marcantes dessa história.
Ele conta que em 1967, quando foram extintas as Polícias de Choque da Guarda Civil nos Estados, o GOE foi estruturado para suprir as operações desenvolvidas pela guarda. Na época, eram 172 homens altamente treinados, considerados a elite da polícia, e foram destinados a integrar esse novo grupo, chefiado por Valdevino - que, como integrante do Choque, havia participado de operações no Litoral Norte nos anos 1950, como contamos aqui no Almanaque Gaúcho do dia 30.
Valdevino (ao centro) com a Guarda de Choque em Capão da Canoa, em 1955. Foto: arquivo pessoal
O GOE era, no início, responsável pelo policiamento de locais como a Ilha do Presídio, com exilados políticos, além de uma ala do Presídio Central.
- O nosso grupo inspirou a formação de outros GOE em todo o país - afirma Valdevino, enquanto revira fotos antigas em seu escritório no bairro Guarujá.
Valdevino mostra o antigo uniforme da Polícia de Choque. Foto: Genaro Joner
O comissário ainda atuou no Gabinete de Segurança, dentro do Departamento Central de Informação, até se aposentar, em 1982. Mesmo sem estar na ativa, ele se mantém muito bem informado e atuante entre os colegas da Polícia Civil e é vice-presidente da União Gaúcha dos Policiais Civis. Sua casa abriga um verdadeiro altar para medalhas, fotos e diplomas acumulados ao longo da carreira.
Sem mostrar saudosismo, Valdevino diz que, apesar da diminuição do efetivo (hoje gira em torno de 52 homens), sente-se muito orgulhoso do crescimento do GOE perante a sociedade, principalmente na credibilidade que tem frente a opinião pública.
- Em um ideal, eu vejo o GOE dando cobertura a todo e qualquer órgão da Polícia Civil no Rio Grande do Sul, e também de posse de um quartel com toda a estrutura de alojamentos, refeitórios e local para treinamento que merece - vislumbra.
(reportagem de Luísa Medeiros)
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