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Posts na categoria "porto alegre"

Lotação em três fases

15 de maio de 2013 0

Um dos antigos lotações no centro de Porto Alegre, no final dos anos 1950. Foto: arquivo pessoal

Os mais velhos lembram dos antigos carrões, ao estilo cubano, que faziam as linhas de táxi-lotação para os bairros da Capital – até esse tipo de serviço ser extinto, na década de 1960. Eram modelos Chevrolet, Ford, Chrysler, Lincoln e Dodge que ostentavam sobre a capota placas com nomes como Teresópolis, Glória, Partenon, etc. Representavam uma alternativa de transporte coletivo aos bondes e ônibus.

Em maio de 1977, 36 anos atrás, uma nova modalidade de táxi-lotação era introduzida nas ruas de Porto Alegre. Foi quando as primeiras 19 kombis-lotação passaram a servir os passageiros das linhas Tristeza e Ipanema.

Apresentação das kombis à população. Fotos: Maurecy Santos, BD, 16/5/1977

Acima, o primeiro dia de funcionamento das kombis-lotação. Foto: Maurecy Santos, BD, 17/5/1977

Em novembro de 1980, elas foram substituídas por veículos de até 17 lugares, e em 1992 foram autorizados micros com 21 assentos. Hoje, rodam na cidade mais de 400 micro-ônibus, que atendem 29 linhas.

Foto: Adriana Franciosi, BD, 8/1/2013

Vol d'oiseau

28 de março de 2013 0

Esta vista aérea – ou em "voo de pássaro", traduzindo a expressão francesa usada em arte – é de 1925 (imagem abaixo). A legenda esclarece: é a "Casa de Correcção – numa vista tomada de um aeroplano – pelo artista photographo sr. J. Franco".

Foto: J. Franco, reprodução

Cercada pelo Guaíba, bem na extremidade da península onde se localiza o centro de Porto Alegre, a "Ponta da Cadeia" era referência para os visitantes que chegavam à cidade pelo rio. Contornada a antiga e sólida construção concluída em 1855, o desembarque no porto estava próximo.

A praia dos pedestres

26 de março de 2013 2

O dia 8 de novembro de 1974 marcou uma mudança significativa na vida da cidade de Porto Alegre. Ao final da tarde, com pompa e circunstância, foi inaugurado o primeiro trecho do calçadão da Rua da Praia, entre a Rua General Câmara e Avenida Borges de Medeiros.

A inauguração do calçadão. Foto: Galeno Rodrigues, BD, 8/11/1974

O prefeito Jaime Lerner, de Curitiba, tinha inaugurado, em maio de 1972, a Rua das Flores, um pedaço central da Rua XV de Novembro – primeiro segmento de rua, no país, dedicado exclusivamente ao trânsito de pedestres. Aqui, na esquina da Andradas com a Rua Uruguai, foi armado um palanque. Teve música e, naturalmente, discurso de Telmo Thompson Flores, o prefeito nomeado de então.

O primeiro dia do calçadão. Foto: Hipólito Pereira, BD, 9/11/1974

Banir os carros e entregar as artérias centrais à população que se deslocava a pé era projeto a ser implementado. No calçadão, foram instalados orelhões de acrílico (o acrílico tinha que ser usado em tudo que fosse moderno), floreiras e bancas de jornais modernosas e, estranhamente, esféricas.

Uma das bancas esféricas. Foto: Nene, BD, 16/4/1976

Quando, em 1975, começou a obra do outro trecho do calçadão, da Borges para cima – e o lindo calçamento de paralelepípedos (com grafia e duas cores) começou a ser removido –, houve quem percebesse a violência histórica que estava sendo cometida. E o calçadão foi interrompido na esquina da Rua Marechal Floriano. Decisão acertada, ao que parece.

A retirada dos paralelepípedos em frente à Livraria do Globo. Foto: Carlos Rodrigues, BD, 24/2/1975

Na orla da Zona Sul

25 de março de 2013 0

Foto: banco de dados

Quem chega ao bairro de Ipanema pela Avenida Coronel Marcos e dobra à direita na Rua Déa Coufal, em direção à praia, é obrigado, quando chega à beira do rio, a virar à esquerda. Se andar mais duas quadras, estará na esquina da Avenida Guaíba com a Avenida Flamengo. Exatamente ali, em 1931, foi feita a foto acima. Como se pode ver na imagem, naquela época a orla ainda não estava urbanizada – ou, mais precisamente, começava a sê-lo.

À esquerda, se percebe a construção de uma grande residência. É a casa da família do engenheiro Oswaldo Coufal, ainda em obras. Oswaldo comprou uma grande área da Zona Sul e fez o loteamento que deu origem ao bairro Ipanema. Déa, sua mulher, além de uma das primeiras moradoras daquele arrabalde, foi responsável por importantes iniciativas – como a construção, em 1935, da capela que atualmente é o Santuário Nossa Senhora Aparecida, e também da Casa da Criança Inválida, hoje conhecida como Educandário São João Batista. Ela faleceu em 1967 e, um ano depois, a Rua Ipanema teve seu nome trocado para Déa Coufal. Praticamente sinônimos.

Déa e Oswaldo Coufal. Foto: reprodução

(fonte: historiadora Janete da Rocha Machado)

Memórias em Porto Alegre

23 de março de 2013 0

A memória de uma cidade é a soma das memórias de seus habitantes. Além da fotografia, outro meio poderoso para preservação da história é a escrita. O livro A Descoberta da Cidade – Memórias em Porto Alegre (Editora Dublinense, 256 páginas, R$ 35) reúne textos de 22 autores, alunos da oficina de literatura do professor Luís Augusto Fischer, organizador da obra.

Foto: reprodução

O lançamento, na semana em que a Capital está completando 241 anos, será nesta segunda-feira, dia 25, às 19h30min, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country.

A foz do Riacho

22 de março de 2013 1

O riacho nasce no Parque Saint-Hilaire e seu curso de aproximadamente 20 quilômetros entra em Porto Alegre pelos bairros Partenon, Santana e Azenha. Antigamente, percorria a Cidade Baixa e desaguava no Guaíba, já no Centro, junto à Ponte de Pedra. Em 1925, surgiram as primeiras ideias de canalizá-lo a partir da ponte da Azenha, e lançá-lo direto ao estuário. Isso só aconteceu nas décadas de 1940 e 1950, quando foi aberta a Avenida Ipiranga. Antes da canalização, o riacho, também conhecido como Arroio Dilúvio, vinha em seu traçado tortuoso pela Rua da Margem (atual João Alfredo).

A foz do Arroio Dilúvio, em imagem do início do século 20. Foto: reprodução

Próximo da foz, uma ponte de madeira foi construída e reconstruída diversas vezes, até que em 1846 começou a ser construída a Ponte de Pedra. Em março de 1948, ela já ligava as duas margens do riacho, unindo os dois lados da cidade cortados pelo arroio. No centro da foto acima, pode-se ver dois dos três arcos de sua arquitetura.

A Ponte de Pedra em janeiro de 1938. Foto: Ilme Italino Ferlauto, acervo de Renato Rosa

A Ponte de Pedra, que hoje está preservada sobre o espelho d’água de um pequeno lago artificial, é talvez a única construção identificável que ainda sobrevive naquela grande área hoje ocupada pelo Largo dos Açorianos. O litoral da Praia do Riacho era ocupado por lavadeiras e depósitos de lenha. A rua de terra veio a ser a Pantaleão Teles, e agora se chama Rua Washington Luiz. No passado, o nível normal do riacho deixava os pilares da ponte à mostra, como se constata na foto abaixo. Hoje, é como se a ponte estivesse sempre sob regime de enchente.

(fonte: Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco)

De olho no cobrador

13 de março de 2013 2

A Rua Riachuelo é uma das mais antigas do centro da cidade. Começa na Ponta do Gasômetro e vem paralela, entre a Rua da Praia e a Rua Duque de Caxias, até a Praça Conde de Porto Alegre. Em tempos antigos, tinha duas denominações, conforme o Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco: da Rua da Ladeira para o lado da Usina do Gasômetro, era conhecida como Rua do Cotovelo, por causa da curva que forma atrás do Theatro São Pedro, e da ladeira para o lado da Praça do Portão (antigo nome da Conde de Porto Alegre), era chamada de Rua da Ponte.

Foto: Roberto Manera, BD, 6/3/1969

No trecho entre a Casa Touro, na Avenida Borges de Medeiros, e a Casa Reinaldo – cujo slogan era: "a maluquinha da Praça do Portão" –, a Riachuelo comportou, durante muitos anos, um intenso movimento de bondes.

Ali, a gurizada que morava na redondeza brincava de ir e vir pendurada, perigosamente em pé, no estribo dos veículos elétricos – com um olho no cobrador e outro no movimento da rua, pronta para pular na calçada antes da bronca do funcionário da Companhia Carris.

Cavalhada

06 de março de 2013 1

Conhecida antigamente como Estrada da Cavalhada – depois de a região abrigar a cavalaria da Fazenda Real, no século 18 –, a atual Avenida Cavalhada é uma das mais importantes da zona sul de Porto Alegre.

Foto: Antônio Carlos Mafalda, BD, 12/10/1974

A imagem acima mostra o aspecto da via na década de 1970, já com bom fluxo de veículos.

Maldito picumã

01 de março de 2013 0

Foto: Leo Guerreiro, arquivo pessoal

A foto acima, batida por Leo Guerreiro no final dos anos de 1950 (ou no início dos 1960), mostra a "ponta da cadeia" ou "ponta do gasômetro", com a usina – que seria desativada nos anos de 1970 – ainda em plena e poluidora atividade. A geração de eletricidade a partir da queima de carvão mineral provocava sobre a cidade uma constante nuvem de fuligem, que era o terror dos que moravam, principalmente, no Centro.

Meu avô, Natale di Leone, era proprietário e morava ao lado do açougue que manteve durante muitos anos na Rua Duque de Caxias, no Alto da Bronze. Ainda muito criança, lembro de minha avó Fermina amuada, reclamando dos flocos negros que se depositavam sobre a roupa lavada que quarava ao sol. Na parte inferior da imagem, também aparece, cercada pelo alto muro pintado de branco, a Casa de Correção – ou Cadeião, como era chamado o presídio, até ser dinamitado em 1962.

No prolongamento do muro lateral (oposto ao que está ao lado da chaminé), segue a Rua Duque, e se vê o grande prédio da escola Ernesto Dornelles. No canto direito da cena, estão os tanques da Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado. Eles abasteceram fogões e lampiões e denominaram aquela área.

Porto Alegre arranha o céu

21 de fevereiro de 2013 0

Se pensarmos no Empire State – que em Nova York, em 1931, chegou a 102 andares – e no Burj Khalifa – inaugurado em Dubai, nos Emirados Árabes, em 2010, com 160 andares –, fica até chato chamar nossos maiores edifícios de arranha-céus. Mas é inegável constatar que, nas décadas de 1950 e 1960, Porto Alegre iniciou sua verticalização.

O edifício Santa Cruz em construção. Foto: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

O edifício mais alto da Capital continua sendo o Santa Cruz, localizado, com seus 32 andares, no número 1.234 da Rua dos Andradas. Foi o primeiro, em nosso Estado, a ser construído com estrutura metálica. O Edifício Cacique, construído mais ou menos na mesma época do Santa Cruz, e também na Rua da Praia, 943, foi inaugurado em 1957, com 26 andares. Abrigou o Cine Cacique – o melhor da cidade na época, com 1,6 mil lugares – e depois, também, o Cine Scala, no mezanino do Cacique. Os dois foram desativados em 1994.

A obra do Edifício Cacique. Foto: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Na noite de 26 de junho de 1996, o Edifício Cacique sofreu um grande incêndio, mas sobrevive para contar nossa história.

Foto: Ricardo Chaves, BD, 26/06/1996