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Posts na categoria "porto alegre"

A foz do Riacho

22 de março de 2013 1

O riacho nasce no Parque Saint-Hilaire e seu curso de aproximadamente 20 quilômetros entra em Porto Alegre pelos bairros Partenon, Santana e Azenha. Antigamente, percorria a Cidade Baixa e desaguava no Guaíba, já no Centro, junto à Ponte de Pedra. Em 1925, surgiram as primeiras ideias de canalizá-lo a partir da ponte da Azenha, e lançá-lo direto ao estuário. Isso só aconteceu nas décadas de 1940 e 1950, quando foi aberta a Avenida Ipiranga. Antes da canalização, o riacho, também conhecido como Arroio Dilúvio, vinha em seu traçado tortuoso pela Rua da Margem (atual João Alfredo).

A foz do Arroio Dilúvio, em imagem do início do século 20. Foto: reprodução

Próximo da foz, uma ponte de madeira foi construída e reconstruída diversas vezes, até que em 1846 começou a ser construída a Ponte de Pedra. Em março de 1948, ela já ligava as duas margens do riacho, unindo os dois lados da cidade cortados pelo arroio. No centro da foto acima, pode-se ver dois dos três arcos de sua arquitetura.

A Ponte de Pedra em janeiro de 1938. Foto: Ilme Italino Ferlauto, acervo de Renato Rosa

A Ponte de Pedra, que hoje está preservada sobre o espelho d’água de um pequeno lago artificial, é talvez a única construção identificável que ainda sobrevive naquela grande área hoje ocupada pelo Largo dos Açorianos. O litoral da Praia do Riacho era ocupado por lavadeiras e depósitos de lenha. A rua de terra veio a ser a Pantaleão Teles, e agora se chama Rua Washington Luiz. No passado, o nível normal do riacho deixava os pilares da ponte à mostra, como se constata na foto abaixo. Hoje, é como se a ponte estivesse sempre sob regime de enchente.

(fonte: Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco)

De olho no cobrador

13 de março de 2013 2

A Rua Riachuelo é uma das mais antigas do centro da cidade. Começa na Ponta do Gasômetro e vem paralela, entre a Rua da Praia e a Rua Duque de Caxias, até a Praça Conde de Porto Alegre. Em tempos antigos, tinha duas denominações, conforme o Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco: da Rua da Ladeira para o lado da Usina do Gasômetro, era conhecida como Rua do Cotovelo, por causa da curva que forma atrás do Theatro São Pedro, e da ladeira para o lado da Praça do Portão (antigo nome da Conde de Porto Alegre), era chamada de Rua da Ponte.

Foto: Roberto Manera, BD, 6/3/1969

No trecho entre a Casa Touro, na Avenida Borges de Medeiros, e a Casa Reinaldo – cujo slogan era: “a maluquinha da Praça do Portão” –, a Riachuelo comportou, durante muitos anos, um intenso movimento de bondes.

Ali, a gurizada que morava na redondeza brincava de ir e vir pendurada, perigosamente em pé, no estribo dos veículos elétricos – com um olho no cobrador e outro no movimento da rua, pronta para pular na calçada antes da bronca do funcionário da Companhia Carris.

Cavalhada

06 de março de 2013 1

Conhecida antigamente como Estrada da Cavalhada – depois de a região abrigar a cavalaria da Fazenda Real, no século 18 –, a atual Avenida Cavalhada é uma das mais importantes da zona sul de Porto Alegre.

Foto: Antônio Carlos Mafalda, BD, 12/10/1974

A imagem acima mostra o aspecto da via na década de 1970, já com bom fluxo de veículos.

Maldito picumã

01 de março de 2013 0

Foto: Leo Guerreiro, arquivo pessoal

A foto acima, batida por Leo Guerreiro no final dos anos de 1950 (ou no início dos 1960), mostra a “ponta da cadeia” ou “ponta do gasômetro”, com a usina – que seria desativada nos anos de 1970 – ainda em plena e poluidora atividade. A geração de eletricidade a partir da queima de carvão mineral provocava sobre a cidade uma constante nuvem de fuligem, que era o terror dos que moravam, principalmente, no Centro.

Meu avô, Natale di Leone, era proprietário e morava ao lado do açougue que manteve durante muitos anos na Rua Duque de Caxias, no Alto da Bronze. Ainda muito criança, lembro de minha avó Fermina amuada, reclamando dos flocos negros que se depositavam sobre a roupa lavada que quarava ao sol. Na parte inferior da imagem, também aparece, cercada pelo alto muro pintado de branco, a Casa de Correção – ou Cadeião, como era chamado o presídio, até ser dinamitado em 1962.

No prolongamento do muro lateral (oposto ao que está ao lado da chaminé), segue a Rua Duque, e se vê o grande prédio da escola Ernesto Dornelles. No canto direito da cena, estão os tanques da Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado. Eles abasteceram fogões e lampiões e denominaram aquela área.

Porto Alegre arranha o céu

21 de fevereiro de 2013 1

Se pensarmos no Empire State – que em Nova York, em 1931, chegou a 102 andares – e no Burj Khalifa – inaugurado em Dubai, nos Emirados Árabes, em 2010, com 160 andares –, fica até chato chamar nossos maiores edifícios de arranha-céus. Mas é inegável constatar que, nas décadas de 1950 e 1960, Porto Alegre iniciou sua verticalização.

O edifício Santa Cruz em construção. Foto: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

O edifício mais alto da Capital continua sendo o Santa Cruz, localizado, com seus 32 andares, no número 1.234 da Rua dos Andradas. Foi o primeiro, em nosso Estado, a ser construído com estrutura metálica. O Edifício Cacique, construído mais ou menos na mesma época do Santa Cruz, e também na Rua da Praia, 943, foi inaugurado em 1957, com 26 andares. Abrigou o Cine Cacique – o melhor da cidade na época, com 1,6 mil lugares – e depois, também, o Cine Scala, no mezanino do Cacique. Os dois foram desativados em 1994.

A obra do Edifício Cacique. Foto: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Na noite de 26 de junho de 1996, o Edifício Cacique sofreu um grande incêndio, mas sobrevive para contar nossa história.

Foto: Ricardo Chaves, BD, 26/06/1996

Esquina movimentada

18 de fevereiro de 2013 2

Foto: Ed Keffel, acervo Carlota Keffel

A guarita – com um guarda de trânsito dentro e sinaleiras sobre o teto, voltadas para todos os lados – não deixa dúvidas: no final dos anos de 1940 e início dos 50, quando provavelmente a foto acima foi batida, essa era uma das esquinas mais movimentadas da Capital dos gaúchos. O momento cristalizado pelo fotógrafo Ed Keffel nos traz diversas informações sobre como era, então, nossa cidade.

A fotografia nos mostra o início da Avenida Farrapos, na confluência com a Rua da Conceição e a Rua Voluntários da Pátria. Sobre a marquise do edifício que aparece em construção, a placa identifica: Obras do Hotel São Luiz, que ali se estabeleceu até ser desativado. Agora, esse prédio abriga o Hotel Umbu, que funcionou, por muitos anos, mais adiante e na calçada oposta da Avenida Farrapos.

Além da carroça, do caminhão carregado de tábuas, dos carros estacionados, de um caminhão-guincho e do ônibus de transporte coletivo, se pode ver (e ler) no alto do imóvel vizinho ao hotel o letreiro Palácio das Gaitas. Pouco depois, está o Edifício Azir/Azevedo, Bento & Cia. Bem ali, do lado esquerdo, e fora da foto, ficava a Estação da Viação Férrea, conhecida como Castelinho, e demolida em 1971 para dar passagem à elevada da Conceição.

Travessia democrática

16 de fevereiro de 2013 2

Os porto-alegrenses se acostumaram a chamar o cruzamento da Avenida Borges de Medeiros com a Rua da Praia de Esquina Democrática, por ser um dos espaços públicos mais conhecidos da cidade e um ponto onde comícios e manifestações costumavam ser frequentes. Também é uma das passagens com maior concentração de pedestres no Centro.

Foto: Carlos Rodrigues, BD, 23/4/1976

Mas, como ilustra a foto acima, nem sempre a pista da Andradas foi um calçadão exclusivo para quem vai a pé. A imagem, feita nos anos 1970, mostra o fluxo de ônibus e carros, nos dois sentidos da avenida, obrigando os passantes da Rua da Praia a esperar sua vez de cruzar a pista.

Tempos depois, ainda durante a gestão do prefeito Guilherme Villela, o calçadão da Rua da Praia restringiu o trânsito de veículos na esquina, até hoje proibido em horário comercial e nas manhãs de sábado.

Promessa não cumprida

06 de fevereiro de 2013 1

Foto: Pedro Flores, acervo de Pedro Flores Filho

“Nunca te deixarei” era o título do filme em cartaz no Cine Teatro Guarani no final da década de 1950, que aparece nesta imagem do fotógrafo Pedro Flores. É também, e acima de tudo, uma promessa que a passagem do tempo não permitiu que fosse cumprida.

Faz muito que essa Porto Alegre da foto nos abandonou. No chão, pintadas a cal, as primeiras letras do nome de Wilson Vargas, candidato a prefeito derrotado nas eleições de 1959. Ao lado do Guarani, cujo edifício sediava a Previdência do Sul (Previsul), estava a antiga Pharmácia Carvalho, vizinha ao Restaurante Ghilosso, que ocupava o térreo do prédio onde ficava o comando local da UDN (União Democrática Nacional).

Na esquina da Rua da Praia com a Caldas Jr., o imponente prédio do Grande Hotel, consumido por um incêndio em 1967. Sem o calçadão de hoje, automóveis Austin, Citroën e Dodge, entre outros, estacionavam na diagonal. Sob a sombra dos jacarandás, belos bancos de alvenaria acolhiam os passantes sem pressa, para um papo amigo.

Ficamos nós, com os vestígios e na saudade.

Praia da graça

04 de fevereiro de 2013 2

Desde 1865, o nome oficial é Rua dos Andradas – mas é difícil encontrar quem more em Porto Alegre e não se refira a ela como Rua da Praia. A história da via, surgida às margens do Guaíba no século 18, se confunde com a da própria cidade.

Curioso é que, nas primeiras décadas do século 19, o trecho entre a atual Rua General Câmara e Praça Dom Feliciano era conhecido formalmente como Rua da Graça. O nome desapareceu com o tempo, e essa rua – que já foi o principal ponto de encontro e ainda é um dos grandes focos comerciais da Capital – terá sempre a Praia como história.

O trecho da Rua da Praia que foi conhecido como Rua da Graça. Foto: reprodução

O mesmo trecho da rua, visto do ângulo oposto. Foto: Mário Brasil, BD, 23/2/2004

Para mais informações e curiosidades sobre a Rua da Praia, visite o site da prefeitura de Porto Alegre.

O giro da Azenha

30 de janeiro de 2013 1

Neste ano e no próximo, com as obras da Copa do Mundo, muitos cenários de Porto Alegre irão passar por transformações significativas – especialmente em pontos da Terceira Perimetral.

Na Avenida da Azenha e no vizinho bairro Medianeira, as mudanças também terão razões ligadas ao futebol: a demolição do Estádio Olímpico para a construção de prédios comerciais e residenciais certamente vai interferir na paisagem urbana da região.

Trecho da Azenha entre a Ipiranga e a Princesa Isabel, ainda com mão dupla. Foto: Armênio Abascal Meireles, BD, 14/4/1971

O certo é que a vocação comercial da Azenha – assim batizada desde o século 18, quando um moinho movido a água estava situado próximo ao Arroio Dilúvio – deverá ser conservada.

Foto: Dante, BD, 19/11/1974