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Gurizada medonha de 1950

21 de maio de 2013 0

Na edição número 503, de 4 de março de 1950, a Revista do Globo publicou um short fotográfico – hoje chamaríamos de ensaio – feito por Zygmunt Haar, mostrando a gurizada que vivia, como o próprio fotógrafo, nas ruas mais pacatas do Centro, próximo da Usina do Gasômetro.

Os garotos do ensaio fotográfico de 1950. Fotos: Zygmunt Haar, Revista do Globo

Naquele então, Haar incursionou pelo ruidoso “mundo do faz de conta” dos pirralhos valentões que desfrutavam um dia de folga sem preocupação com as lições de casa.

Cinco anos depois de acabada a II Guerra, os garotos simulavam o conflito, usando quepes, óculos de aviador e tampinhas de garrafa presas ao peito, como se medalhas fossem. Guerreando divididos entre azuis e vermelhos, no fim, tudo acabava em paz entre os camaradas. Nilo era comandante e tinha a cadela Kitty como mascote. Pinho tinha carranca de sargento. Gordo era um boa-praça. Mosquito era pequeno e inquieto. Mandinho, um malandro que queria ser piloto de avião. Pichurim, moleque decidido e a fim de viagens, e o Beto, com suas comendas de mentira, completavam o grupo.

Nilo e a cadela Kitty

Por onde andarão eles?

Do futebol ao rúgbi

22 de abril de 2013 0

Bento Gonçalves já foi uma colônia de Montenegro. No início da povoação, o lugar se chamava  Cruzinha, mas foi com a chegada dos imigrantes italianos, a partir de 1875, que a vila se consolidou na colônia denominada Dona Isabel. Em 1890, desmembrou-se de Montenegro e ganhou o nome que homenageia o líder Farroupilha. Uma das principais cidades da serra gaúcha, se tornou importante polo vitivinícola e industrial.

Avenida Osvaldo Aranha, com o Estádio da Montanha, em 1966. Foto: Arquivo Pessoal

Curiosamente, o rúgbi está se tornando lá um esporte cada vez mais popular. O Farrapos Rúgbi Clube foi, em 2010, campeão nacional da segunda divisão e, com isso, garantiu sua participação no Campeonato Brasileiro de Rúgbi, como o primeiro representante gaúcho nessa modalidade. Com a inauguração do Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos, em 2004, a antiga casa do Clube Esportivo, chamada de Estádio da Montanha, teve seu campo adaptado para a prática do rúgbi. Em 2011 o Campeonato Sul-Americano de Rúgbi foi disputado ali.


Colaborou: Dolmires José Visentin Lunardi

Na mesma rua, o campo atual, que foi adaptado para a prática do rúgbi.
Foto: Reprodução Google Maps

Ponta de saudade

22 de abril de 2013 0

Com uma “ponta de saudade” e “de volta aos tempos de escola”, a leitora Helga Renate Coelho leu no Almanaque de sexta-feira a referência aos tubos que permitiam usar o lápis até o fim. Animada, escreveu para nós: “Ainda tenho um desses, em uso!”, e enviou-nos a foto abaixo.  De madeira, esse tem o logotipo da extinta empresa aérea Savag. Além dos tubos, o próprio conceito de economia, de evitar desperdícios, está em desuso. E isso não é bom.

Leitora ainda tem (e usa) tubo que permite usar o lápis até o final.
Foto: Arquivo Pessoal

Encontros de família

20 de abril de 2013 0

Hugentobler

Com os imigrantes que falavam a língua alemã, provenientes da Prússia, que chegaram ao Brasil no início de 1800, estava o casal de primos Jean Jaques e Louise Adele Hugentobler, vindos de Bevaix, Neuchâtel, na época pertencente à Suíça. No Brasil, instalaram-se em São Leopoldo, onde casaram-se em 1849 e adquiriram, mais tarde, terras localizadas em Taquara do Mundo Novo, na estrada que liga os municípios de Taquara e São Francisco de Paula. O terceiro encontro dos descendentes do casal ocorre neste domingo, em Taquara. Os interessados em participar e reservar convites podem contatar Ivo Almiro pelo telefone (54) 9978-1156. Na foto acima, um encontro da família ocorrido na década de 1960.

Encontro da família Hugentobler na década de 1960. Foto: Arquivo pessoal


Finkler

A 11ª Finklerfest, que será em 27 e 28 de abril, em Nova Petrópolis, comemora nesta edição 20 anos de realização do evento, que ocorre a cada dois anos, desde 1993. O primeiro imigrante da família no Brasil foi o alfaiate Mathias Finkler, que chegou no Rio de Janeiro em 25 de outubro de 1846, dirigiu-se a Porto Alegre e se estabeleceu em Santo Inácio da Feliz, ex-colônia de São Leopoldo. Informações e reservas de convites com Cíntia, pelo telefone (51) 9969-7849, pelo e-mail cintia@finkler.com.br ou pela página www.facebook.com/familiefinkler.

Família de Nicolau Finkler, que es estabeleceu no distrito de Joaneta, pertencente ao atual município de Picada Café. Foto: Arquivo Pessoal

Os Nove de novo

20 de abril de 2013 0

Completo, depois de 50 anos, e no mesmo auditório onde realizou seu primeiro concerto, apresenta-se hoje, às 19h, no Colégio Sinodal (Avenida Amadeo Rossi, 467), em São Leopoldo, o coral Os Nove do Sul. Em 1963, com o nome de Coral da Faculdade de Teologia, eles gravaram em São Paulo um LP de música sacra e outro com canções folclóricas do RS. Nesta noite será lançado o CD Cantigas de Sempre.

O coral em foto de 1963. Foto: Divulgação.

Com uma ponta de nostalgia

19 de abril de 2013 0

O lápis é  um sobrevivente. Apesar de toda a evolução tecnológica, ele ainda tem seu papel no cotidiano dos homens e continua sendo, essencialmente, o mesmo e primitivo objeto, composto por uma barra de grafite envolta por madeira. A primeira mina de grafite teria sido descoberta na Inglaterra, por volta de 1560. É dessa época o primeiro lápis. Mesmo depois  da chegada da informática, que revolucionou também o desenho, especialmente o técnico, o lápis ainda é muito útil em profissões como a de marceneiro, por exemplo. Já os estudantes de hoje, não têm a mesma relação de intimidade e dependência que tinham com ele os do passado.

Apontador de papelão com ilhoses e lugar para colocar uma gilette era chamada de marília (ou marilha). Foto: Ricardo Chaves

Lembro da letra perfeita, grafada com esmero, a lápis, de dois dos meus professores. Talvez por tentarem, em aulas particulares de reforço, me ensinar bem de perto, os conteúdos que eu teimava em não aprender. Os lápis bem apontados e a caligrafia invejável do professor Hastimphilo, ou da professora Lydia Crusius é tudo que me lembro... e não por falta de dedicação deles. Também continuo sem saber por que o apontador de papelão com ilhoses e lugar para colocar uma gilette era chamado, por nós, de “marília”. Ou seria “marilha”? E aquele tubo de metal com um anel, que permitia usar o lápis até ficar um toquinho? Recordações... macias como o toque de um 6B sobre papel branco.

Colaborou: Guilherme Ely

Três gerações de apontadores: duas máquinas americanas antigas de apontar lápis - uma Boston (à esquerda) e uma Giant (à direita). No centro, o apontador como conhecemos hoje. Fotos: Reprodução.

Nefasto pragmatismo

18 de abril de 2013 0

Existe uma enorme contradição no triste ato da diretoria da SAT (Sociedade Amigos de Tramandaí) em permitir a demolição da sede da instituição para viabilizar a gestão do clube. Quem abre a página da SAT na internet, encontra, logo no cabeçalho, uma foto panorâmica do prédio tão familiar, motivo do afeto de tantos veranistas e moradores daquele balneário. É de supor, portanto, que exista orgulho e zelo pela fachada icônica do edifício, que é (foi?) a cara e o cenário de uma longa história.

A sede da SAT, na Avenida da Igreja, nesta semana, e no cabeçalho do site na Internet.
Primeira foto: Ed Oliveira, arquivo pessoal. Segunda foto: reprodução do site.

Aliás, nessa mesma página inicial, que representa digitalmente o clube na rede, não se encontra nenhum item com dados sobre a história da agremiação. A explicação pode ser a mesma da “falta de recursos”, para atualizar o site, aquela que  “obriga” os responsáveis a suprimir o passado para manter o presente. Mas pode ser também que seja uma sintomática e eloquente falha: quem desconhece o decorrido não tem motivo nenhum para valorizá-lo.

Diva Mesquita é eleita rainha do Carnaval de 1962.
Foto: Banco de dados, Última Hora, 25/02/1962.

Megachurrasco na inauguração de  novas instalações em 1978.
Foto: Arivaldo Chaves, banco de dados, 08/01/1978.

O guarda-cena

17 de abril de 2013 0

Jacob Prudêncio Herrmann nasceu em 1896, aqui em Porto Alegre. Homem feito, tornou-se guarda-livros, era essa a sua profissão. Mas ele também gostava de música e de fotografia. Viveu 71 anos e nos deixou um importante legado visual. Como testemunha atenta e armado com uma câmara fotográfica, fixou  imagens que registram, além da paisagem, o comportamento dos seus contemporâneos.

Herrmann fotografava imagens do cotidiano, como os vendedores de galinha acampados na cidade. Foto: Fumproarte


Despretensiosamente, produziu um inventário de profissões que lembra o trabalho do fotógrafo alemão August Sander(1876/1964). Ao contrário de Sander, que fazia retratos frontais como se buscasse construir um catálogo da sociedade alemã, Prudêncio parece mais romântico e coloquial em sua abordagem. Vendedores de galinha acampados na cidade (foto acima), limpadores de chaminés, um engraxate, um verdureiro com seus balaios, o garoto diante da carrocinha, todos parecem à vontade em suas atividades cotidianas.

Verdureiro e engraxate executando seus trabalhos. Foto: Fumproarte

Através do olhar de Jacob Prudêncio, podemos ver o passado com ternura e interesse. Como dizia o título de uma exposição  do fotógrafo organizada pela Secretaria Municipal de Cultura alguns anos atrás, ele teve “uma visão estética e histórica da Porto Alegre da década de 1930”.

Colaborou: Goida

Limpadores de chaminé e carrocinha também foram fotografados por Herrmann. Foto: Fumproarte

Giuseppe Carapella

16 de abril de 2013 0

Não sei se atualmente, aqui em Porto Alegre, alguém manda fazer sapatos sob medida. No final dos anos 1950 e durante a década de 60, era prática chique. Um siciliano, chamado José Carapella (ou Giuseppe Carapella), fez grande sucesso e ganhou fama fazendo, nessa época, sapatos sob encomenda para a alta sociedade da Capital. Chegou a manter uma loja na Rua 24 de Outubro, próximo da esquina com a Rua Florêncio Ygartua.

O siciliano vestiu os pés das gaúchas do high society porto-alegrense nos anos 1960. Foto: Revista do Globo, 20/10/1956

Carapella nasceu em Messina, na Sicília e, ainda jovem, foi estudar desenho, modelagem e corte para calçados em Milão. Passando pelo Brasil, a caminho de Montevidéu, acabou retido aqui na Capital em função de questões de seu visto consular. Como o cônsul estava viajando, enquanto aguardava, perambulava pelas ruas do centro e bisbilhotava nas lojas de seu ramo de atividade. Foi numa delas que uma senhora encomendou-lhe sapatos para um casamento. Como tinha que pagar o hotel e estava temporariamente desocupado, aceitou. Foi o início de uma decisão posterior de ficar definitivamente na cidade.

Carapella chegou a manter uma loja na Rua 24 de Outubro. Foto: Revista do Globo, 20/10/1956

Carapella criava sapatos com o requinte de como se faz um vestido. Recebeu outros pedidos e, quando o visto chegou, já não precisava dele. Casou-se com uma gaúcha e nunca mais foi embora daqui. Gostava de lembrar do tempo curto, mas marcante, em que trabalhou numa filial de Salvatore Ferragamo na Cine-Cittá de Roma. Dizia, com orgulho, que os sapatos de Gina Lollobrigida no filme La Romana tinham sido feitos por ele. Recordava que, Silvana Mangano usava 37 e meio, e que a única estrela realmente famosa para quem trabalhara tinha sido Anna Magnani, afinal Gina estava começando e ninguém ainda havia ouvido falar nela...

Italiano ficou retido na Capital em razão de problemas com o visto consular durante viagem a Montevidéu, mas decidiu ficar na Capital mesmo com a situação resolvida. Foto: Revista do Globo, 20/10/1956

A antiga Matriz

16 de abril de 2013 0

A foto abaixo é a visão que se tinha da Praça da Matriz a partir do último andar do Grande Hotel, que ficava junto da Praça da Alfândega até a antiga Igreja Matriz ser demolida, no início dos anos de 1920, para a construção da nova Catedral Metropolitana. O antigo templo começou a ser construído por volta de 1780. Em 1846, ainda foram feitas as últimas obras. Logo depois disso, começou a ser considerado pequeno demais.

Foto: Banco de Dados