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Posts na categoria "Verão"

Flashback

12 de fevereiro de 2013 1

É certo que, agora, ir ao cinema durante a temporada de férias, na praia, é muito mais confortável do que era antigamente. Salas climatizadas, poltronas estofadas, melhor projeção, som, etc. Mas é inevitável, para quem frequentou os velhos cinemas de calçada do nosso Litoral, lembrar deles com enorme carinho – afinal, eles foram cenário de algumas das nossas mais gratas recordações. Da infância aos amores da adolescência.

Fachada do Cine Rio Grandense, de Capão da Canoa. Foto: Armênio Abascal, BD, 2/1/1977

A primeira grande diferença tem a ver com a informalidade. A gente via o filme de calção e camiseta, e muitas vezes descalço. Pela manhã, a caminho do mar, era praxe, em Capão da Canoa, dar uma passadinha pelo saguão do Cine Rio Grandense para conferir a programação da matiné ou da sessão da noite. Cada dia tinha um filme (ou mais) diferente. A gurizada chegava no início da tarde, abraçada numa pilha de gibis para trocar:

– Já vi, já vi, já vi... Esse não!

O saguão do Cine Rio Grandense. Foto: Armênio Abascal, BD, 2/1/1977

Slides de propaganda antecediam a película, até que a luz se apagava. O piso inclinado, de madeira, trovejava com dezenas de pés batendo ao mesmo tempo para saudar a chegada da cavalaria, nos filmes de mocinho. Ao final, portas laterais davam acesso ao corredor de saída. Ainda ofuscados, aspirávamos a brisa que vinha do mar.

Outros tradicionais cinemas de calçada do Litoral Norte foram o Cine Mar, de Atlântida (acima), e o Coimbra e o Caiçara, de Tramandaí
(fotos ao lado). Havia ainda, em Torres, a sala de cinema da Sapt

Outros tradicionais cinemas de calçada do Litoral Norte foram o Cine Mar, de Atlântida, e o Coimbra e o Caiçara, de Tramandaí. Havia ainda, em Torres, a sala de cinema da Sapt.

Acima e abaixo, o Cine Mar, de Atlântida. Fotos: Luiz, BD, 15/2/1976

Em Tramandaí, os cinemas Caiçara (acima) e Coimbra (abaixo). Fotos: Arivaldo Chaves, BD, 21/12/1976

Calor causticante

11 de fevereiro de 2013 2

A Avenida Borges de Medeiros deserta, em fevereiro de 1960. Foto: Joaquim da Fonseca, Revista do Globo

É claro que, como sempre, Porto Alegre deu aquela esvaziada neste feriadão de Carnaval. Mas duas constatações são inevitáveis: o verão, com exceção dos dias próximos ao Natal, até que vem sendo camarada, e a Capital já não fica tão deserta durante o período de férias de verão como em outros tempos.

Uma reportagem de Enéas de Souza, publicada na Revista do Globo em fevereiro de 1960, é um bom testemunho disso. Sob o título "A cidade vazia", o texto lembra que, então, "todos os dias parecem domingos. (...) O clima mortiço, abafado, abrasador leva o porto-alegrense ao longo êxodo de três meses. (...) Na solidão, a cidade se despe, o rendimento do comércio é baixo, as rádios e os jornais veem a publicidade diminuir, os homens de negócios pouco resolvem, os cinemas apresentam as piores produções, o futebol desaparece e o namoro também, porque as garotas foram para o mar. (...) A saída da cidade é feita de qualquer maneira, naquela ânsia dos afogados, de carro próprio, de ônibus, de carona, de lambreta, de vespa, de qualquer coisa, o importante é sair deste forno detestável que é Porto Alegre no verão (...) Sobram os bares. Alguns, inclusive já possuem ar-condicionado. O bar é o último reduto de quem fica".

O largo da Praça XV, também deserto. Foto: Joaquim da Fonseca, Revista do Globo

Pelo jeito, no passado, sobreviver ao verão daqui era mais difícil do que hoje, né?

O verão das garotas

05 de fevereiro de 2013 0

Antes do sucesso do Garota Verão, que terá a final da sua 31ª edição no dia 2 de março, um outro concurso de beleza foi tradição da orla marítima na década de 1960. Era o Rainha do Atlântico Sul. Patrocinado por Diários Associados, Loide Aéreo Nacional, Mundial Tur e Sociedade Amigos de Xangri-lá, o certame reuniu, em 1961, 13 candidatas, cada uma representando uma praia do nosso Litoral.

As 13 candidatas de 1961 diante do Hotel Termas Xangri-lá. Fotos: Ney Fonseca, Revista do Globo

Antes da grande final no Hotel Xangri-lá, as meninas desfilaram em carreata pelas ruas dos diversos balneários, ao som das buzinas e sentadas sobre o capô de carrões como o Chevrolet Impala 1959 da foto abaixo.

O desfile diante do Hotel Riograndense, em Capão da Canoa

A porto-alegrense Jacira Martins, de 16 anos, veranista de Cidreira, foi eleita a Rainha, tendo como princesas Tania Maria Chanan (Imbé) e Clélia Cohen (uma carioca que passava férias em Capão da Canoa).

A rainha Jacira

Aluna do Normal da Escola Nossa Senhora da Glória, a nova soberana do Atlântico Sul disse a Jacy Pinho, da Revista do Globo, que "gosta de ler José de Alencar e Saint-Exupéry", que seu prato preferido era lasanha com champanhe e que, embora fosse cedo para pensar nisso, "pretende encontrar um homem que pode ser loiro ou moreno, mas tem de ser inteligente, culto e sincero... muito sincero".

Praias sonoras

21 de janeiro de 2013 1

Foto: reprodução do livro A Saga das Praias Gaúchas - de Quintão a Torres

Nos dias 1º e 2 de fevereiro, um dos eventos mais famosos do Litoral Norte vai se concretizar novamente: o Planeta Atlântida. Trata-se de um grande festival, com dezenas de atrações que vão do rap ao rock, do axé ao eletrônico, reunindo milhares de pessoas na plateia e fazendo muito sucesso desde 1996.

Mas a tradição de levar a música para a orla gaúcha vem de muito tempo antes. Nas primeiras décadas do século 20, por exemplo, os hotéis de Tramandaí apostavam nas orquestras para embalar as refeições dos hóspedes, tocando ao vivo – na foto acima, estão os músicos de um desses grupos, em 1925. Depois do jantar, o baile seguia, literalmente, enquanto o gerador de energia elétrica estivesse ligado.

Fonte: livro A Saga das Praias Gaúchas - de Quintão a Torres, de Leda Saraiva Soares

Tempos de tantos veraneios

07 de janeiro de 2013 0

Foi em 1928 que o professor de ginástica alemão Georg Black (1877-1949), um dos pioneiros do escotismo no Brasil, inaugurou o Hotel e Pensão Itapeva, localizado na praia homônima, no sul da orla de Torres, no Litoral Norte.

O hotel em 1951. Foto: arquivo pessoal

Centenas de hóspedes, vindos do Exterior e de outras partes do Brasil, usufruíram dessa que foi uma das melhores e mais rústicas pousadas das praias gaúchas. A viagem de Porto Alegre a Itapeva, nos primeiros anos, podia levar até três dias, exigindo percursos de navio, trem e carretas de bois. Passeios a cavalo ao Itaimbezinho e a Barra do Ouro, ginástica funcional na praia, jogos e recreação, pescarias, vôlei, caminhadas pelas matas e dunas, além de rodas de corais e música, faziam parte do dia a dia dos hóspedes

Hóspedes diante do hotel em 1936. Foto: arquivo pessoal

A partir dos anos 1940, as empresas Jaeger, Ibanês, Santos Dumont, Atlantico e Unesul atendiam a região, deixando os hóspedes na praia – de onde eles tinham que se locomover pelas dunas, a pé ou em carreta de bois, numa distância de 600 metros morro acima.

Em 1971, o terreno da pousada foi decretado área de utilidade pública e desapropriado, encerrando, assim, as atividades do hotel.

(colaborou Arno Black)

Novas do bonde

03 de junho de 2012 0

O bonde na areia de Tramandaí, mostrado aqui no blog Almanaque Gaúcho durante a semana passada (leia aqui), segue repercutindo. A leitora Clair Meneghetti enviou à coluna uma foto feita em 1970, na qual aparece seu falecido avô, Albino Olinto Schmaedecke, com o bonde ao fundo. Um retrato dos veraneios de outros tempos.

Foto: arquivo pessoal

Outra leitora que lembrou do bonde em Tramandaí foi Marlise Lautert, que enviou um relato sobre o funcionamento do bar e lancheria no bonde. Seguem trechos:

"A foto do bonde é em Tramandaí, lembro muito bem e até tenho foto minha em cima dele. Se reparar bem, ao fundo, há um barco ou aquela boia do Tedut, no mar. Este bonde foi colocado nas proximidades do Edifício Hoffmeiter, na Beira Mar, 1.088. Eu lembro que brincamos muito, a imaginação punha até asas no bonde (hehehe). Naquela época não havia quiosques na beira da praia, apenas ambulantes, e foi considerada uma ideia de vanguarda instalar uma lanchonete-barzinho, muito original, dentro do bonde."

Agradecemos aos leitores pela atenção e pelas mensagens.

Verão sem fim

02 de março de 2012 6

As águas da Guarita, neste primeiro fim de semana de março, vão fechar o verão. Amanhã e domingo, essa tradicional praia de Torres vai mergulhar no tempo. Lá estarão reunidos os pioneiros do surfe em nosso Estado. O Madeirite Trópico é um festival desse esporte que vai homenagear os veteranos que descobriram, na década de 1960, o prazer de deslizar sobre as ondas do Atlântico Sul.

Foto: Arquivo Jorge Gerdau Johannpeter, reprodução
Foto: Arquivo Eduardo Bier, reprodução

Será a oportunidade para os mais jovens conhecer, ao vivo, as longas pranchas que eram usadas antigamente. Ouvidos atentos, poderão escutar preciosos relatos dos protagonistas que fazem parte da memória e dos primórdios do surfe. Sim, antes deles, por aqui, nada dessa pratica, agora tão difundida, existia.

Fotos: Arquivo Manuel Tostes, reprodução

Certamente alguns deles têm, como eu, vivo na lembrança, o filme The Endless Summer (1966), um clássico que fez a cabeça de tanta gente.

Ao garoto que eu era, restou a pueril decisão de imediatamente pintar, na planonda de isopor, a ilustração em alto contraste que estampava o cartaz afixado na porta do cinema Imperial (ou seria o Guarany?).

Foto: reprodução

Nunca surfei, mas penso entender perfeitamente o que o surfe significou, e ainda significa, para esses senhores grisalhos ou calvos, que estarão no mar ou na areia da Guarita. Na vida, como no surfe, é preciso seguir o sol. Se nos mantivermos em busca da luz, nosso verão não acabará nunca.

Foto: Arquivo Eduardo Bier, reprodução

Cavaleiros de verão

29 de fevereiro de 2012 6

Houve uma época em que andar a cavalo nas praias do nosso Litoral não implicava participar das polêmicas cavalgadas realizadas à beira-mar todos os anos. Numa época de menos alternativas de lazer nos balneários gaúchos, os cavalos de aluguel eram uma das principais atrações - e um programa ansiosamente aguardado pelos veranistas.

Fotos: J. B. Scalco, BD, 13/1/1971

Em muitas praias, alguns moradores dispunham de cavalos devidamente encilhados que eram oferecidos aos visitantes em troca de um valor cobrado por hora de empréstimo.

Foto: Galeno Rodrigues, BD, 4/2/1973

Foto: banco de dados, janeiro de 1961

Foto: Antônio Pacheco, BD, 28/2/1979

Com o passar do tempo e o aumento do número de veículos nas ruas e de banhistas na areia, o convívio com os animais foi criando conflitos. Protestos e denúncias de maus-tratos, por parte de alguns locatários e proprietários, acabaram extinguindo, especialmente durante os anos 1980, essa antiga tradição dos veraneios sulistas.

Você lembra dessa época? Deixe seu comentário.

Vale a pena

24 de fevereiro de 2012 2

No último sábado, cerca de 80 mil veículos passaram pela freeway rumo ao Litoral. Foi o recorde, num único dia, na história da rodovia. Durante o mesmo fim de semana, pela freeway e pela RS-040, cerca de 184 mil veículos se dirigiram "pras praia", como se diz num informal gauchês.

Talvez você seja um dos heróis desse êxodo e possivelmente estivesse dentro de um dos carros. Vida dura em busca de alguns momentos de descanso e lazer. Se, em seu destino, você ainda encontrou muita gente, pegou alguma fila ou teve dificuldades para conseguir algo de que precisava, as fotos deste post podem servir de consolo.

Se hoje as coisas não são fáceis, quem sabe elas nunca tenham sido. Nas três primeiras décadas do século 20, por exemplo: não dava para ir num dia e voltar no outro (ou no mesmo). Estradas, se existiam, eram ruins – e, além dos cavalos do motor, talvez você precisasse de uma junta de bois para desatolar o carro, como na foto abaixo, feita em 1930 em Capão da Canoa.

Fotos: reprodução

Comprar carne (não frigorificada) para o churrasco talvez exigisse a espera pelo abate do boi. Na imagem abaixo, aparece um dos primeiros açougues de Capão da Canoa, o Anno Bom, com as carnes expostas na janela e na porta.

Os hotéis não tinham muito (?) conforto, e talvez você mesmo pintasse a placa que identifica o estabelecimento, como fez um dos primeiros hóspedes do Hotel Nunes, de Capão, vide a foto abaixo.

Isso tudo e ainda por cima muita roupa na hora do banho de mar, especialmente nelas.

Fica acertado que agora é mais fácil. Tá?

Lembranças do veraneio

13 de fevereiro de 2012 1

O verão – e, principalmente, o veraneio – aqui no Rio Grande do Sul é mais do que a estação do calor, do banho de mar e das férias. Desfrutar os meses de janeiro e (ou) fevereiro à beira da praia tem, para nós gaúchos, um sabor de vingança e um tom de celebração.

Anualmente comemoramos – sobreviventes que somos de longos e tenebrosos invernos – a superação de mais uma etapa difícil, vivida coletivamente aqui nesse extremo austral de um Brasil calorento e invejável, que tem praia o ano todo. Sabendo que logo, logo, vai acabar, nos jogamos com tudo. A estrada lotada, os preços altos, o vento, o mar rom... Deixamos tudo de lado porque temos pressa e precisamos aproveitar o verão enquanto é tempo.

Talvez isso tudo tenha justificado, durante muitos anos, a nossa necessidade básica de um registro fotográfico datado que comprovasse: sim, eu estive lá! Diante da demanda, e com criatividade, os fotógrafos profissionais que trabalhavam à beira-mar na época pré-digital e pré-celular com câmera colocavam à nossa disposição o cenário ideal.

Em 1967, por exemplo, o sucesso eram os Três Porquinhos - na foto abaixo, quem está com eles é minha irmã Maria Betânia.

Foto: arquivo pessoal

A imagem estava guardada em um monóculo como esses da foto abaixo:

Foto: Ricardo Chaves

Em 1970, um barquinho atraía as crianças na praia:

Fotos: banco de dados

Em 1973, o sucesso era o Topo Gigio.


Até uma carrocinha puxada por um bode teve seu lugar na orla gaúcha.

Você também tirava fotos com os fotógrafos de beira de praia? Deixe seu comentário ou envie imagens para o e-mail almanaque@zerohora.com.br.