É certo que, agora, ir ao cinema durante a temporada de férias, na praia, é muito mais confortável do que era antigamente. Salas climatizadas, poltronas estofadas, melhor projeção, som, etc. Mas é inevitável, para quem frequentou os velhos cinemas de calçada do nosso Litoral, lembrar deles com enorme carinho – afinal, eles foram cenário de algumas das nossas mais gratas recordações. Da infância aos amores da adolescência.
Fachada do Cine Rio Grandense, de Capão da Canoa. Foto: Armênio Abascal, BD, 2/1/1977
A primeira grande diferença tem a ver com a informalidade. A gente via o filme de calção e camiseta, e muitas vezes descalço. Pela manhã, a caminho do mar, era praxe, em Capão da Canoa, dar uma passadinha pelo saguão do Cine Rio Grandense para conferir a programação da matiné ou da sessão da noite. Cada dia tinha um filme (ou mais) diferente. A gurizada chegava no início da tarde, abraçada numa pilha de gibis para trocar:
– Já vi, já vi, já vi... Esse não!
O saguão do Cine Rio Grandense. Foto: Armênio Abascal, BD, 2/1/1977
Slides de propaganda antecediam a película, até que a luz se apagava. O piso inclinado, de madeira, trovejava com dezenas de pés batendo ao mesmo tempo para saudar a chegada da cavalaria, nos filmes de mocinho. Ao final, portas laterais davam acesso ao corredor de saída. Ainda ofuscados, aspirávamos a brisa que vinha do mar.
Outros tradicionais cinemas de calçada do Litoral Norte foram o Cine Mar, de Atlântida, e o Coimbra e o Caiçara, de Tramandaí. Havia ainda, em Torres, a sala de cinema da Sapt.
Acima e abaixo, o Cine Mar, de Atlântida. Fotos: Luiz, BD, 15/2/1976
Em Tramandaí, os cinemas Caiçara (acima) e Coimbra (abaixo). Fotos: Arivaldo Chaves, BD, 21/12/1976

































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