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Melódico sessentão

17 de maio de 2013 0

A década de 50 foi berço de um fenômeno musical marcante no Rio Grande do Sul: os conjuntos melódicos, que substituíram com sucesso as orquestras na trilha sonora de bailes, boates e emissoras radiofônicas de um tempo em que dançar era não apenas prazer, mas também uma necessidade social.

Entre as dezenas de grupos com esse perfil surgidos na Capital e no Interior, o Conjunto Melódico Norberto Baldauf não foi o pioneiro (papel que coube ao grupo de Aderbal D'Ávila), mas acabou se mostrando o mais conhecido, querido e duradouro. Na ativa até hoje como um verdadeiro super-herói dos Anos Dourados, ainda que sem a mesma frequência dos velhos tempos, o grupo completa hoje 60 anos.

O Melódico em 1953. Foto: Acervo Marcello Campos

O début "oficial" se deu em reunião dançante promovida pelos acadêmicos da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. A sonoridade suave e dançante do quinteto instrumental formado por Norberto Baldauf (piano), Raul Lima (guitarra), Victor Canella (acordeon), Leo Velloso (contrabaixo) e Porto Rico (bateria) caiu no gosto da rapaziada, definindo um estilo que serviria de inspiração para dezenas de outros grupos de baile pelos anos seguintes.

Notícia da estreia do conjunto. Foto: reprodução

O grupo no Rio de Janeiro. Foto: Acervo Marcello Campos

Tempos depois, a turma acrescentaria as figuras do crooner (Luís Octávio, depois Edgar Pozzer), do ritmista (Fausto Touguinha) e do vibrafonista (Hélio Santos, Heitor Barbosa). Destes, permanecem à frente do grupo, seis décadas depois, Norberto (85 anos) e Raul (89), fato que torna o hoje octeto sério candidato a figurar no Guiness Book como o mais antigo grupo musical brasileiro em atividade com membros originais.

Além dos milhares de bailes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Paraná, Argentina e Uruguai, a trajetória do grupo inclui seis discos de 78 rotações, dois compactos, dois discos de 10 polegadas e 12 LPs pelas gravadoras Odeon, Philips e Continental (todos ainda inéditos em CD), além de programas fixos na Rádio Farroupilha e Gaúcha e TV Piratini, sempre com sucesso de audiência.

Capas de discos do conjunto. Foto: reprodução

A saga do grupo foi detalhada pelo jornalista e pesquisador Marcello Campos no livro independente Week-End no Rio, lançado em 2006 e rapidamente esgotado.

A capa de Week-End no Rio. Foto: reprodução

Gol de letra

17 de maio de 2013 0

Foto: reprodução

A imagem acima mostra a capa da primeira edição da revista esportiva Goool, publicada em 4 de maio de 1983. Na estreia, a revista - que comemora esta noite seu 30º aniversário - dedicava atenção especial ao ex-jogador Valdomiro Vaz Franco, ídolo do Internacional nos anos 1970.

A publicação seguiu em atividade ininterrupta nessas três décadas que se passaram, sempre com o esporte gaúcho em destaque.

Frase do dia: Dennis Hopper

17 de maio de 2013 0

Peter Fonda e Dennis Hopper (à direita) em Easy Rider. Foto: Columbia, divulgação

O nome de Dennis Hopper (1936-2010) será sempre associado a um dos grandes filmes de culto do século 20: Easy Rider - Sem Destino (1969), dirigido e estrelado por ele. A aventura dos personagens interpretados por ele e por Peter Fonda nas estradas dos Estados Unidos foi uma espécie de síntese do espírito da contracultura, conquistando plateias e influindo produções ao longo das décadas seguintes.

Mas nem só de Easy Rider se fez a trajetória de Hopper. Nas telas desde a década de 1950, ele atuou também em filmes como Bravura Indômita (1969), Apocalypse Now (1979), O Selvagem da Motocicleta (1983) e Veludo Azul (1986), além de dirigir produções como As Cores da Violência (1988) e participar de inúmeros outros trabalhos em TV. O reconhecimento conquistado no cinema fez valer sua crença, de que "a única razão para tornar-se artista é a esperança de enganar a morte deixando uma obra duradoura", frase que faz parte de uma entrevista concedida em 2001 e está reproduzida no Almanaque Gaúcho desta sexta-feira.

Depois de uma vida repleta de percalços envolvendo álcool e drogas, Hopper reabilitou-se para viver até os 74 anos. Morreu em maio de 2010, em decorrência de câncer na próstata.

A loira bárbara

16 de maio de 2013 0

Na década de 1960, os animais que representavam as duas grandes companhias de postos de combustíveis travavam uma grande guerra pela conquista da simpatia e do mercado de gasolina. Enquanto a Esso sugeria que os consumidores colocassem um tigre no seu tanque, a Shell atacava com o cordial elefantinho de macacão e boné amarelos.

O tigre da Esso (acima) e o elefantinho da Shell (abaixo). Fotos: reprodução

Foi aí, no final dos anos 1960, que a MPM, naquela época uma das maiores agências de publicidade do país, fez um gol de placa e criou um símbolo moderno e sexy para a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga: a Ipirela.

A Ipirela. Foto: Reprodução do livro Ideias Registradas ARP

Inspirada na personagem do filme Barbarella, interpretada pela atriz loira e sensual Jane Fonda, foi sucesso imediato.

Jane Fonda no filme Barbarella, de 1968. Foto: Paramount, divulgação

O cartaz do filme. Foto: reprodução

Por aqui, durante algum tempo, Ipirela foi sinônimo de loira "boazuda" (para usar um termo vintage, felizmente em total desuso).

Frase do dia: Sammy Davis Jr.

16 de maio de 2013 0

Foto: reprodução

Ator, cantor, dançarino e instrumentista, Sammy Davis Jr. (1925-1990) foi um dos artistas mais versáteis e mais queridos do público americano no século 20. E também um dos mais precoces: ainda criança já viajava ao lado do pai para apresentar-se em espetáculos de vaudeville. Aos oito anos, já estava trabalhando em filmes de curta-metragem.

Famoso já na adolescência, tornou-se um dos malandros parceiros de Frank Sinatra no Rat Pack e, nos anos 1960, tinha seu próprio programa de TV.

Davis Jr. foi também um dos grandes apoiadores da luta pelos direitos civis dos negros americanos - embora tenha gerado polêmica ao apoiar Richard Nixon nos anos 1970. O fato é que sua carreira seguiu praticamente até sua morte, em 16 de maio de 1990, em decorrência de um câncer na garganta. Profissional tarimbado em palcos e estúdios, Davis Jr. defendia que "você sempre tem duas opções: seu compromisso versus seus medos" - frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quinta-feira.

Lotação em três fases

15 de maio de 2013 0

Um dos antigos lotações no centro de Porto Alegre, no final dos anos 1950. Foto: arquivo pessoal

Os mais velhos lembram dos antigos carrões, ao estilo cubano, que faziam as linhas de táxi-lotação para os bairros da Capital – até esse tipo de serviço ser extinto, na década de 1960. Eram modelos Chevrolet, Ford, Chrysler, Lincoln e Dodge que ostentavam sobre a capota placas com nomes como Teresópolis, Glória, Partenon, etc. Representavam uma alternativa de transporte coletivo aos bondes e ônibus.

Em maio de 1977, 36 anos atrás, uma nova modalidade de táxi-lotação era introduzida nas ruas de Porto Alegre. Foi quando as primeiras 19 kombis-lotação passaram a servir os passageiros das linhas Tristeza e Ipanema.

Apresentação das kombis à população. Fotos: Maurecy Santos, BD, 16/5/1977

Acima, o primeiro dia de funcionamento das kombis-lotação. Foto: Maurecy Santos, BD, 17/5/1977

Em novembro de 1980, elas foram substituídas por veículos de até 17 lugares, e em 1992 foram autorizados micros com 21 assentos. Hoje, rodam na cidade mais de 400 micro-ônibus, que atendem 29 linhas.

Foto: Adriana Franciosi, BD, 8/1/2013

Frase do dia: Emily Dickinson

15 de maio de 2013 0

Foto: reprodução

Existem criadores cuja obra acaba se tornando mais divulgada e reconhecida depois da morte. A poeta americana Emily Dickinson (1830-1886) foi um desses casos. Uma pessoa de vida reclusa e discreta, Emily teve poucos poemas publicados em vida - e, em alguns casos, editados de forma um tanto diferente do original. Foi só nos anos 1950 que uma antologia praticamente inalterada chegou ao conhecimento do público.

Na verdade, as interferências editoriais visavam a adaptar os versos de Emily ao gosto convencional do século 19. Hoje, ela é apontada como uma versadora fora das convenções de seu tempo, experimentando inovações em vocabulário, métrica, pontuação e até mesmo em temática, abordando muitas vezes a morte e suas implicações.

De um de seus poemas mais famosos - intitulado apenas, como vários outros, com um número, neste caso, o 288 - saíram os versos reproduzidos no Almanaque Gaúcho desta quarta-feira: "Não sou Ninguém! Quem é você? / Ninguém - Também? / Então somos um par?" (no original: "I'm nobody! Who are you? / Are you nobody, too? / Then there's a pair of us-don't tell!").

Water poluída?

14 de maio de 2013 2

Foto: acervo do Museu do Grêmio Náutico União

Alguém poderia imaginar a cena da foto acima nos dias de hoje? Numa doca do porto da Capital, defronte ao Mercado Público, em pleno Guaíba, atletas disputam uma partida de polo aquático, assistida por torcedores de terno e chapéu, acomodados nos degraus, enquanto alguns sentados "nas pedras pisadas do cais" têm as pernas penduradas na borda da amurada.

A foto foi feita no longínquo ano de 1927, e cabem algumas considerações. É provável que, naquela época, as águas do estuário, naquele ponto, fossem menos poluídas, e é certo que havia menos consciência sobre danos causados pela poluição. É importante salientar também que, na Porto Alegre de então, ainda não existiam piscinas. A primeira delas, no Estado, foi inaugurada em dezembro de 1931, tinha 25mx16m e ficava no Clube Excursionista e Sportivo, situado na Rua Marcílio Dias, próximo à Praia de Belas – como informa o historiador Gunter Axt, no livro Grêmio Náutico União-Centenariamente Jovem (2007), editado por Leonid Streliaev.

Por aqui, o polo aquático começou a ser praticado pelos atletas que disputavam regatas e provas de natação, tudo no Guaíba, e o primeiro campeonato da modalidade foi realizado em 1923. Os clubes que disputaram foram: Grêmio Almirante Tamandaré, Barroso, Guaíba, Grêmio Náutico União e Vasco da Gama. O Barroso foi o vencedor.

FFFFF, FFFFF, FFFFF

14 de maio de 2013 0

Flit já foi uma daquelas marcas que se tornam sinônimo do próprio produto. Numa era em que os aerossóis não existiam (sim, meus jovens, antigamente não havia nada para vender em embalagem spray), a "bomba de flit" era a solução para pulverizar veneno nos ambientes. Os inseticidas eram comercializados em forma líquida e não dispensavam o aplicador.

Foto: reprodução

Naquela época, o DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano) ainda não tinha sido proibido, por ser perigoso à saúde, e era anunciado como uma grande vantagem. Já foi mais difícil viver?

Frase do dia: Sinatra

14 de maio de 2013 1

Foto: reprodução

Antes de Elvis Presley, antes dos Beatles, antes de Roberto Carlos, antes de Michael Jackson, a música popular teve um rei. Um artista de enorme sucesso, reconhecido por seu talento e amado pelas multidões, especialmente as femininas. Esse foi Frank Sinatra (1915-1998), estrela como cantor e como ator, dono de uma das vozes mais inconfundíveis da canção americana do século 20.

Filho de imigrantes italianos, Francis Albert Sinatra começou a carreira nos anos 1930, conheceu o sucesso nos 1940, ganhou um Oscar nos 1950 pela atuação no filme A um Passo da Eternidade (1953), gravou o hit My Way nos anos 1960, chegou a aposentar-se a e a voltar ao trabalho nos anos 1970 e se manteve no palco pelas décadas seguintes - até morrer, em 14 de maio de 1998, aos 82 anos, como uma lenda.

No caminho, Sinatra deixou dezenas de filmes e discos lançados, além de fundar uma gravadora - a Reprise Records, hoje pertencente à Warner Music. Mais do que isso, ele foi um expoente de um estilo de vida no qual a diversão, a elegância e a boemia eram alguns dos traços principais - e nisso teve a parceria de artistas como Dean Martin e Sammy Davis Jr., no grupo hollywoodiano chamado Rat Pack ("bando de ratos", em tradução aproximada). "Uma amizade nunca é uma imposição" é a frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta terça-feira.