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Posts com a tag "automobilismo"

Frase do dia: Ayrton Senna

21 de março de 2013 0

Foto: Genaro Joner, BD, 25/3/1991

Ayrton Senna (1960-1994) foi um dos maiores pilotos da história da Fórmula-1, não apenas do automobilismo brasileiro. Poucos corredores conseguiram a marca de três campeonatos mundiais - no caso, os de 1988, 1990 e 1991. Vitórias conquistadas à base de muita técnica e perfeccionismo, características que marcaram a trajetória de Senna desde o início, nos tempos das corridas de kart.

Em uma década de atuação na Fórmula-1, Senna passou por equipes como Lotus, McLaren e Williams, atingiu números espantosos de pole positions e vitórias e protagonizou, com seu característico capacete amarelo, duelos memoráveis com rivais como o francês Alain Prost. Carreira que terminou dramaticamente, num acidente em uma das curvas do circuito de Imola, no GP de San Marino de 1994.

Extremamente competitivo, Senna era um personagem que costumava desafiar a si mesmo constantemente. "O capacete oculta sentimentos incompreensíveis" é a frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quinta-feira.

Capotas no porta-malas

28 de fevereiro de 2013 0

Para o parisiense Georges Paulin – dentista por profissão, mas designer de carroçarias por paixão –, não bastava fabricar carros conversíveis despojados e elegantes. No seu entender, capotas de lona com armação em metal eram pouco práticas no abrir e fechar, além de ter pouca durabilidade. Era necessário projetar um mecanismo que tornasse retrátil também as rígidas e pesadas capotas de aço.

O Peugeot 402 de 1936. Foto: arquivo pessoal

Com apoio de Émile Darl’Mat, preeminente concessionário da Peugeot, e do encarroçador Marcel Pourtout, a ideia de Paulin, patenteada, ganhou realidade com os lançamentos do Peugeot 401 Éclipse e do 601, ambos em 1934, e do 402 (foto acima), a partir de 1935. Acionada eletricamente, a capota rígida se escondia (eclipsava) no porta-malas em apenas cinco segundos, com um simples aperto de botão no painel.

Nos Estados Unidos, a Ford revolucionou ao produzir, de 1957 a 1959, o Fairlane 500 Skyliner Retractable, um automóvel suntuoso, no qual eram necessários cinco motores elétricos para o acionamento da capota, alavancada por um possante mecanismo hidráulico – sistema também usado no Galaxie 1959.

Um raro Skyliner Retractable 1958, nas cores royal blue turquoise (azul-turquesa real) e ivory (tom do marfim), despertava a atenção quando, lá pelos anos de 1970 e 1980, desfilava pelas ruas de Porto Alegre, conduzido por seu proprietário, o hoje juiz aposentado José Maria Boris Gehlen (abaixo).

Acima, Gehlen e seu Fairlane. Foto: Lisette Guerra, BD

O Fairlane, de outro ângulo. Foto: arquivo pessoal

(colaborou Guilherme Ely)

Sempre às ordens

28 de fevereiro de 2013 0

Nas décadas de 1950 e 1960, quando a frota de carros que trafegava nas ruas da Capital era ainda relativamente pequena, o nome Rimoli era bem conhecido. Rimoli significava serviço de garagem, oficina, posto de abastecimento e guincho.

Propaganda publicada no Guia de Porto Alegre do Touring Club, 1955. Foto: reprodução

"Se estiver em dificuldade, disque 6700 ou 4566. RIMOLI lhe enviará seu Caminhão-Socorro!", dizia o anúncio de 1955.

O caminhoneiro veloz

22 de novembro de 2012 0

Theodolindo Artemio Foresti nasceu em Guaporé em 1926, filho de pequenos agricultores. Aos 12 anos, entendeu que a dura vida na roça não era o suficiente e resolveu buscar oportunidades na Capital. Em Porto Alegre, seu primeiro trabalho foi lavar garrafas para uma vinícola. Depois, fez um pouco de tudo, até chegar a caminhoneiro.

Foi no transporte de cargas que se afirmou e empreendeu. Em 1957, criou a Transportadora Foresti Ltda. Em 20 anos, era a quinta maior transportadora do país. Chegou a ter 25 filiais e uma frota de mais de 200 caminhões.

Um dos caminhões da Foresti, em janeiro de 1968. Foto: reprodução

Quando Foresti resolveu se dedicar ao automobilismo, não foi difícil conseguir um bom carro. Para cada 10 caminhões FeNeMê que comprava, ganhava da Fábrica Nacional de Motores um JK-FNM 2000, um dos carros brasileiros mais caros da época.

Foto: arquivo pessoal

Ele chegou a competir com uma carreteira Ford nº 8 como no GP Estrada da Produção, em Carazinho, em 1963 (foto acima). Mas ficou mais conhecido em sua parceria com Paulo Feijó pilotando o JK nº 97 em provas como as 12 Horas e as 500 Milhas de Porto Alegre. Veja fotos:

Foresti nas 500 Milhas de Porto Alegre em dezembro de 1963. Fotos: arquivo pessoal

O FNM em uma prova noturna dos anos 1960. Foto: arquivo pessoal

Foresti morreu em 2006.

O piloto e seu FNM-JK. Foto: banco de dados

(colaboraram João Luiz Foresti e Guilherme Ely)

Colecionador de Galaxies lança livro sobre o carro

09 de novembro de 2012 2

Gelson Joní Mathias Teixeira é apaixonado por carros antigos em geral. Mas gosta mesmo é de um tipo em particular: o Ford Galaxie. Sábado próximo ele dá mais uma inequívoca demonstração dessa devoção. Lança, em parceria com Marcelo Ávila Marques, às 18h, e com coquetel na Expo 2012, no Parcão Municipal de Cachoeirinha, o livro: Galaxie-Grandes Carros, Grandes Amigos. A obra (R$180) tem 336 páginas e dezenas de ilustrações dedicadas exclusivamente aos diversos modelos de Galaxie produzidos pela Ford.
Aqui no Brasil, entre 1967 e 1983 foram produzidas quase 80 mil unidades desse automóvel de luxo, identificados como Galaxie 500, LTD ou Landau. Era o carro das mais altas autoridades e dos abastados que prestigiavam a indústria nacional. Gelson possui uma coleção de 14 carros, entre os quais, três são Galaxies. Impressionou a mulher Daiane com o carrão, quando saíram juntos pela primeira vez. Após casar, eles deixaram o templo com Gelson na direção de um Galaxie. A filha Joanna, também saiu da maternidade a bordo de um Galaxie. Daiane adora guiar o “banheirão”.
No livro, estão reunidos diversos depoimentos de Galaxeiros, como se intitulam os aficionados pela marca. Muitas histórias daqueles que afirmam ter “o melhor carro nacional de todos os tempos”.

Confira as imagens do modelo 500, de 1967:

O Typ 14 - Karmann Ghia

24 de outubro de 2012 1

Ele veio para se tornar um clássico. Com suas linhas curvas, era ousado e sensual. Numa alusão aos dois únicos lugares, foi chamado até de sutiã: “Só cabem dois, e tem que ter peito para comprar”, diziam. Não era barato. Custava um pouco menos de 20% do preço de um JK (FNM), o carro nacional mais caro e sofisticado da época.

Foto: arquivo pessoal

O Volkswagen Karmann Ghia custava mais ou menos o mesmo que um Simca ou um Aero Willys. Além de audácia para gastar, exigia do motorista coragem para pilotar tão perto do chão – o banco baixo, quase no assoalho do carro, as finas colunas e os amplos vidros provocavam uma visão um tanto assustadora ao transitar em uma estrada, por exemplo, ao lado de um caminhão.

Foto: reprodução

Na Europa, surgiu em 1955, sob o código Typ 14, quando ainda não tinha nome. No Brasil, foi produzido de 1962 até 1971. Do modelo conversível, hoje um dos mais valorizados entre os colecionadores, foram fabricadas apenas 176 unidades.

O carro é personagem importante na canção A Moça do Karmann Ghia Vermelho (que tem o guitarrista gaúcho Luís Vagner como coautor), gravada pelo grupo Os Caçulas em 1969. Veja abaixo:

(colaborou Guilherme Ely)

Humor em tempos difíceis

13 de setembro de 2012 0

Nos anos 1940, com a II Guerra Mundial, mesmo por aqui o combustível andava escasso e racionado. Os automóveis estavam com os movimentos bastante limitados, e os carros de corrida parados, como a barata DKW do piloto gaúcho Olavo Guedes.

Olavo e sua barata de competição. Fotos: Revista do Globo, reprodução

Olavo participara de provas importantes no Rio Grande do Sul e também na Gávea, no Rio. Além de não ter gasolina, ele tinha dois problemas adicionais: como, antes da guerra, vendia carros alemães, estava sem trabalho, e como morava no bairro Tristeza, longe do Centro, deslocar-se estava quase impossível. Foi quando, bem-humorado, anunciou que trocaria, temporariamente, os 20 cavalos do motor de seu carro por um burro.

O piloto na carroça puxada pelo burro DKW

Trazido de Vacaria por Norberto Jung, seu amigo e consagrado piloto, o animal foi atrelado a uma carroça e, como era "um burro metido a besta", recebeu o nome de DKW.

Com um "ás no volante", o piloto cumpria o percurso de sua casa até a cidade, em "apenas" hora e meia. Formidável!

Os sedanetes da GM

11 de setembro de 2012 0

A General Motors, a partir de 1941, e até 1952, privilegiou seus compradores ao oferecer como opção nos automóveis produzidos em todas as suas divisões – Chevrolet, Pontiac, Oldsmobile, Buick e Cadillac – um pitoresco e elegante desenho de carroçaria. Era o formato sedanete, no qual a capota, a partir da sua metade traseira, iniciava uma curva descendente e contínua até envolver o final do porta-malas.

Veja alguns exemplos:

Cadillac 1947. Fotos: Paulo Bajestero e Guilherme Ely, arquivo pessoal

Chevrolet 1948

Oldsmobile 1948

Chevrolet 1952

Nos Cadillac, a partir de 1948, a forma traseira sugeria um rabo de peixe, provocado pelas sinaleiras traseiras proeminentes e arrebitadas pelo contorno da lataria. As versões sedanetes da marca, inspiradas no avião Lockheed P-38 Lightning, foram o retrato mais fiel de uma aeronave em uma produção automobilística. Veja o Cadillac 1948:

Foto: reprodução

Aqui, o avião Lockheed:

Foto: reprodução

Outras fabricantes, como a Packard, também produziram modelos sedanetes.

(colaborou Guilherme Ely)

Circuito Farroupilha

30 de agosto de 2012 0

O advogado Luiz Fernando Saint'Pierre coleciona informações sobre automobilismo e tem entre seus guardados uma relíquia. Está em seu poder um dos três troféus que foram oferecidos ao piloto que vencesse o 1º Grande Prêmio Cidade de Porto Alegre. A prova, realizada no dia 15 de novembro de 1935, foi um dos eventos comemorativos ao centenário da Revolução Farroupilha.

Uma das taças da prova. Foto: Ricardo Chaves

A competição se deu na zona sul da Capital, no chamado Circuito Farroupilha, que tinha uma extensão de 15 quilômetros, com largada no Largo do Cristal e chegada na Avenida Wenceslau Escobar – onde foram construídas arquibancadas para melhor acomodar o público, calculado em 50 mil espectadores.

A largada. Foto: reprodução

Doze pilotos estavam inscritos para a corrida, inclusive o carioca Hugo Teixeira de Souza e o uruguaio Ramón Sierra, que teve seu favoritismo confirmado pela posição ocupada na primeira fila (o carro número 2 na foto acima) e pela oferta de uma taça da Comisión de Turismo y Carreras del Centro Automovilista del Uruguay, que confiava em sua vitória.

Detalhe da taça. Foto: Ricardo ChavesDetalhe da taça escrita em espanhol. Foto: Ricardo Chaves

Na sexta volta, quando ocupava a quarta colocação, ao descer a curva da Pedra Redonda, o uruguaio derrapou e capotou três vezes, escapando milagrosamente apenas com luxações leves.

O Ford V8 de Norberto Jung. Foto: reprodução

Norberto Jung, o “Pintacuda dos Pampas”, que largara na quarta fila com seu Ford V8 de número 16, foi o grande vencedor, com direito às três taças do histórico prêmio.

Acima e abaixo, Norberto Jung em duas provas diferentes. Fotos: reprodução

(colaborou Luiz Fernando Saint'Pierre)

Você lembra da corrida do centenário farroupilha em 1935? Deixe seu comentário.

A parte feliz da vida

23 de agosto de 2012 1

Foi uma aventura. No verão de 1962, meu pai colocou a família na camionetazinha e partiu para as férias no Rio de Janeiro. Saímos de manhã e, lá pelo meio-dia, paramos depois de atravessar a ponte do Rio das Antas. Tomamos banho numa pequena cachoeira e almoçamos uma galinha enfarofada, preparada por minha mãe na véspera. Dormimos em Curitiba, onde visitamos uma tia. No dia seguinte, chegamos a São Paulo, com tempo para descansar e tomar um ice cream na Rua Augusta. A viagem era prêmio à minha irmã Maria Teresa, que havia passado no Exame de Admissão. A irmã menor, Maria Betânia, então com dois anos, muito pequena para a aventura familiar, ficara em Porto Alegre.

Nilce, Maria Teresa e Ricardo Chaves no Rio. Foto: Hamilton Chaves, arquivo pessoal

Eu e Teresa vimos o Rio pela primeira (e inesquecível) vez a bordo de uma Vemaguet. A perua DKW (a sigla, em dado momento, passou a designar a expressão alemã "Das Kleine Wunder", "a pequena maravilha" em português) alcançava uma velocidade entre 120 e 125 quilômetros por hora. Mas para que mais? O motor de dois tempos e três cilindros consumia óleo, que era misturado à gasolina na hora de abastecer. Mais que um ronco, emitia um ruído de panela fazendo pipoca.

Anúncio da Vemaguet publicado na Revista Senhor de abril de 1960. Foto: reprodução

Carrinho valente, o DKW foi o segundo veículo (o primeiro foi a Romi Isetta) de fabricação brasileira, produzido de 1956 a 1967. Foi o primeiro a ter certificado do Geia, órgão do governo JK encarregado de estimular a produção automobilística no Brasil. Que viagem...

Visita de Juscelino Kubitschek à fábrica da Vemag, em 1956. Foto: arquivo pessoal

Você também lembra da DKW Vemaguet? Deixe seu comentário.