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Posts com a tag "bonde"

De olho no cobrador

13 de março de 2013 2

A Rua Riachuelo é uma das mais antigas do centro da cidade. Começa na Ponta do Gasômetro e vem paralela, entre a Rua da Praia e a Rua Duque de Caxias, até a Praça Conde de Porto Alegre. Em tempos antigos, tinha duas denominações, conforme o Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco: da Rua da Ladeira para o lado da Usina do Gasômetro, era conhecida como Rua do Cotovelo, por causa da curva que forma atrás do Theatro São Pedro, e da ladeira para o lado da Praça do Portão (antigo nome da Conde de Porto Alegre), era chamada de Rua da Ponte.

Foto: Roberto Manera, BD, 6/3/1969

No trecho entre a Casa Touro, na Avenida Borges de Medeiros, e a Casa Reinaldo – cujo slogan era: "a maluquinha da Praça do Portão" –, a Riachuelo comportou, durante muitos anos, um intenso movimento de bondes.

Ali, a gurizada que morava na redondeza brincava de ir e vir pendurada, perigosamente em pé, no estribo dos veículos elétricos – com um olho no cobrador e outro no movimento da rua, pronta para pular na calçada antes da bronca do funcionário da Companhia Carris.

Quando o cobrador era o condutor

15 de janeiro de 2013 0

Funcionários da Carris na antiga oficina da empresa na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre. Fotos: Acervo Memória Carris

Se o 25 de julho é sempre lembrado como Dia do Motorista, um outro personagem importante do transporte – de passageiros, pelo menos – também ganhou sua data. Na empresa porto-alegrense Carris, já faz 11 anos que o 15 de janeiro é comemorado como Dia do Cobrador.

Bondes de Porto Alegre e seus cobradores, também chamados condutores

O papel do cobrador é decisivo nos coletivos desde o tempo dos bondes, quando esse profissional era conhecido como condutor.

Cobrar as passagens, orientar o motorista – então chamado de motorneiro – sobre a entrada e a saída dos usuários e marcar o movimento no contador de passageiros (foto abaixo) eram algumas das atribuições do cobrador de antigamente.

Identificado por um distintivo no quepe (abaixo), o condutor costumava andar com notas enroladas nos dedos para facilitar o troco.

Uma marchinha de 1937, da dupla Alvarenga & Ranchinho, homenageou os condutores:

(fonte: Memória Carris)

O parque, o bonde, o cinema

10 de janeiro de 2013 1

Foto: reprodução

A foto acima mostra um dos cenários urbanos de Porto Alegre nos quais a ação do tempo é mais evidente: a Avenida Osvaldo Aranha. Na pista dos automóveis, os trilhos dos bondes ocupavam o espaço do atual corredor de ônibus. À esquerda, o Parque Farroupilha – também conhecido como Redenção – ainda tinha a aparência de um descampado, sem a farta ramagem das árvores presentes hoje. À direita, o processo foi quase oposto: a imponência do prédio do Cinema Baltimore desapareceu por completo, e a área é agora um terreno aberto, usado como estacionamento.

Os bondes saíram de cena em 1970, mas o Baltimore, assim como outros cinemas de calçada da Capital, sobreviveu por mais algum tempo. Com o tempo, o cinema – que tinha capacidade para mais de 1,8 mil espectadores nos anos 1930 – chegou a se dividir em até quatro salas.

O Baltimore nos anos 1980. Foto: Edison Vara, BD, 20/11/1987

O Baltimore foi desativado no ano 2000, 69 anos depois de inaugurado. Em 2003, uma parte da fachada do prédio desabou. No ano seguinte, o que restava da construção foi demolido.

O caminho das jardineiras

10 de setembro de 2012 2

No início do século 20, o principal meio de transporte coletivo de Porto Alegre eram os bondes - primeiro a tração animal (clique aqui para ler mais) e depois elétricos, em circulação até 1970. Os automóveis, que apareceram na cidade ainda em 1906, foram se tornando cada vez mais numerosos, até que na década de 1920 surgiram por aqui os primeiros ônibus motorizados.

Fotos: arquivo pessoal

Alguns desses veículos eram apelidados de jardineiras - provavelmente por ser esse o termo usado pelos agricultores franceses da época para designar os veículos usados para levar produtos, depois adaptados para conduzir passageiros.

Uma dessas jardineiras é a personagem principal das fotos deste post, enviadas pelo leitor Ayrton Balsemão. O ônibus trafegava na linha do bairro Glória, e um dos motoristas da época era o avô de Ayrton, Amândio Rocha Machado, que aparece à esquerda nas fotos acima e abaixo.

(colaborou Ayrton Balsemão)

Você lembra das jardineiras em Porto Alegre ou outras cidades? Deixe seu comentário.

Novas do bonde

03 de junho de 2012 0

O bonde na areia de Tramandaí, mostrado aqui no blog Almanaque Gaúcho durante a semana passada (leia aqui), segue repercutindo. A leitora Clair Meneghetti enviou à coluna uma foto feita em 1970, na qual aparece seu falecido avô, Albino Olinto Schmaedecke, com o bonde ao fundo. Um retrato dos veraneios de outros tempos.

Foto: arquivo pessoal

Outra leitora que lembrou do bonde em Tramandaí foi Marlise Lautert, que enviou um relato sobre o funcionamento do bar e lancheria no bonde. Seguem trechos:

"A foto do bonde é em Tramandaí, lembro muito bem e até tenho foto minha em cima dele. Se reparar bem, ao fundo, há um barco ou aquela boia do Tedut, no mar. Este bonde foi colocado nas proximidades do Edifício Hoffmeiter, na Beira Mar, 1.088. Eu lembro que brincamos muito, a imaginação punha até asas no bonde (hehehe). Naquela época não havia quiosques na beira da praia, apenas ambulantes, e foi considerada uma ideia de vanguarda instalar uma lanchonete-barzinho, muito original, dentro do bonde."

Agradecemos aos leitores pela atenção e pelas mensagens.

Bonde sem mistério

31 de maio de 2012 7

O leitor Regis Zigue esclareceu a história da foto do bonde na praia, publicada ontem aqui no Almanaque Gaúcho.

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

Explica ele, por e-mail, que sua família adquiriu o veículo da Cia. Carris para transformá-lo em bar e lancheria nas areias de Tramandaí. O estabelecimento funcionou por cerca de quatro anos, a partir do verão de 1970 para 1971. Veja trechos da mensagem de Regis:

"Aquele bonde foi comprado da Cia. Carris por meus pais Augusto Lautério Zigue e Zeny do Nascimento Zigue, e colocado nas areias da praia de Tramandaí. A localização era a seguinte: seguindo pela rua da Igreja, ao chegar na praia, cerca de 500 metros à esquerda.

Os bonde nº 2 da Carris foi transformado em um bar e lancheria, onde trabalhei com meus pais e irmãos por alguns anos durante os verões. A foto é realmente do ano de 1970, antes de o bar ficar pronto e entrar em funcionamento no verão de 1970 para 1971.

Lembro, porém, que o bonde não ficou muito tempo em atividade, no máximo quatro anos. Era inviável financeiramente, porque na época Tramandaí não tinha uma população residente como existe hoje, e isso impossibilitou o funcionamento do bar o ano todo. Os adultos tinham empregos fixos em Porto Alegre durante o ano e no verão se tornava difícil a permanência deles na praia, a não ser que estivessem em férias. Às vezes, apesar de bem jovem (14 anos), eu passava a semana inteira atendendo sozinho no bar. Esses problemas de "operacionalização" imagino que também tenham sido preponderantes para que a ideia do bonde fosse abandonada, infelizmente.

O bonde foi vendido depois e, se não me falha a memória, os compradores tinham a intenção de colocá-lo no pátio de algum colégio. O município onde estaria localizado aquele colégio, infelizmente, não me recordo."

O trajeto do bonde até o Litoral foi um episódio à parte. O veículo foi levado na carroceria de um caminhão pela RS-030, já que ainda não havia freeway. Regis lembra que não foram feitas fotos da viagem, mas conta a história pelos relatos de seu irmão mais velho, Loeci Antônio Zigue, já falecido:

"Meu irmão Loeci acompanhava o transporte em um Ford 1949, que já era velho naquele ano de 1970. O carro teve problemas mecânicos em Gravataí e ele perdeu de vista o caminhão e sua preciosa carga. Feitos os reparos necessários no Ford, ele se encaminhou o mais rápido possível para tentar alcançar o caminhão e o bonde. Foi tão rápido que acabou ficando em dúvida se já não havia ultrapassado o caminhão, caso o motorista tivesse parado para descansar em algum posto de gasolina ou restaurante.

Em Santo Antônio da Patrulha, às margens da rodovia, havia um posto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) _ onde, naturalmente, sempre havia algum engarrafamento pela velocidade reduzida dos veículos ao passar pela PRE.

Já nervoso e em dúvida sobre a localização do bonde, Loeci colocou quase todo o corpo para fora da janela do carro e perguntou bem alto para o policial que estava dentro do posto:

- Tu viu se passou algum bonde por aqui?

Talvez vocês possam imaginar a expressão das pessoas que escutaram pergunta e as risadas que seguiram, mas talvez ninguém possa imaginar a reação das pessoas quando o policial, lá de dentro do posto, respondeu, em voz mais alta ainda:

- O bonde? Acabou de passar. Se te apressares, poderás encontrá-lo logo ali, talvez antes de Osório."

Agradecemos ao Regis pelo relato, esclarecendo o mistério do bonde da praia.

O fim do mistério do bonde na praia

30 de maio de 2012 0

Os leitores do Almanaque Gaúcho atenderam ao chamado da coluna desta quarta-feira e explicaram a insólita cena do bonde na beira da praia - retratada no post "Sem rodas nem trilhos". No post, o leitor Jorge Karkling deixou comentário lembrando que a imagem foi feita em Tramandaí. Regis Fernando Zigue explicou que o bonde tinha sido comprado por sua família para ser usado como bar na praia (leia aqui).

Por e-mail, outros dois leitores enviaram mensagens sobre o tema. Uma é de Daniel Heuser, de Guaíba:

"Esse bonde estava na praia em Tramandaí, ou então um igualzinho. Creio que funcionou como barzinho na época do veraneio. Eu costumava passar os finais de semana na casa da praia, no inverno inclusive. Convém lembrar que, nessa época, Tramandaí virava cidade-fantasma exatamente em 28 de fevereiro - depois, até o verão, nem jornais tinha. Também convém lembrar que, naquela época, as casas não precisavam ser engaioladas como hoje.

Creio que foi no inverno de 1972. Do bonde, existia apenas a carcaça abandonada e invadida pelo mar. Tenho ainda hoje um fecho daquela portinhola onde ficava o letreiro do destino do bonde, e também um levantador de janela que retirei dos pedaços do bonde (veja fotos reproduzidas abaixo).

Fotos: arquivo pessoal

A localização exata, creio, era no prolongamento da Ubatuba de Farias. Acredito que o mar deve ter levado o que sobrou dele.

Diminuindo a foto da ferragem da janela dá para ver que era um bonde Bradley . Pelo que li, foram construídos em 1912."

Outra mensagem foi enviada por Paul Tornquist:

"No verão de 1971, veraneamos em Tramandaí (a casa ficava de frente ao mar, perto da foz do rio, mas eu não saberia dizer exatamente onde, só passei um verão lá). Pois bem, na praia havia um bonde desativado que tinha sido convertido em lanchonete. Deve ser esse aí. Os bondes de Porto Alegre haviam saído de linha no ano anterior, e as 'sucatas' foram espalhadas pelo Estado. Da mesma época, deve ser o bonde posicionado perto da entrada do Parque Zoológico em Sapucaia, lembrança que guardo muito viva de uma excursão de escola (será que ainda está lá? Nunca mais fui ao zoológico...)."

Agradecemos aos leitores que contribuíram para explicar a presença do bonde na praia.

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

Sem rodas nem trilhos

30 de maio de 2012 2

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

São comuns nossas incursões ao arquivo fotográfico de Zero Hora em busca de imagens para o Almanaque Gaúcho. As fotos nas pastas e os envelopes contendo negativos, guardados nas gavetas dos armários de aço, podem ser contados aos milhões – além, é claro, do material já digitalizado que podemos acessar no computador. Também é comum buscar uma coisa e, no caminho, encontrar outra tão ou mais interessante. É o caso da insólita cena acima.

A data é 20 de dezembro de 1970. O local, o litoral gaúcho, provavelmente Pinhal ou Cidreira. Você viu, ao vivo, o bonde na areia? Deixe seu comentário. Queremos detalhes perdidos no tempo.

Vestígios do passado

28 de maio de 2012 4

Não são necessárias pesquisas ou escavações arqueológicas para que encontremos no chão, em alguns pontos da cidade, vestígios do passado. Em muitos lugares ainda se pode ver, num buraco no asfalto ou numa pavimentação malfeita que o tempo se encarregou de remover, os trilhos por onde, antigamente, corriam os velhos bondes da Companhia Carris Porto-Alegrense.

A retirada dos trilhos não foi uma operação fácil. Começou antes mesmo daquele histórico domingo, 8 de março de 1970, em que cinco bondes em cada uma das três últimas linhas ainda existentes (Glória, Teresópolis e Partenon) fizeram gratuitamente as últimas viagens. Foi o denominado Passeio da Saudade, evento que encerrou o uso desse meio de transporte na Capital.

Mas, pelo jeito, nem todos os trilhos foram removidos. A Siderúrgica Riograndense comprava por NCr$ 130 (cento e trinta cruzeiros novos) a tonelada do metal retirado. Em 3 de março de 1970, uma equipe de 16 homens da companhia trabalhava na Avenida Osvaldo Aranha, no corredor central por onde hoje trafegam os ônibus. Veja fotos:

Fotos: Shigueru Nagassawa, BD, 3/3/1970

Veja também imagens da retirada dos trilhos na Praça Daltro Filho, junto à Borges de Medeiros. O prédio ao fundo é o do Cine Capitólio, na época chamado Premier.

Fotos: Armênio Abascal, BD, 16/6/1971

Você ainda vê trilhos de bonde no calçamento da sua rua? Deixe seu comentário.

Bonde da folia

22 de fevereiro de 2012 1

Nesta Quarta-feira de Cinzas, já conhecemos a campeã do Carnaval de Porto Alegre, a Estado Maior da Restinga, que se apresentou no Porto Seco no sábado, segunda noite de desfiles no sambódromo porto-alegrense.

Em 1971, bem antes de haver o Complexo do Porto Seco, as oficinas da antiga sede da Carris Porto-Alegrense, na Avenida João Pessoa – prédio retratado recentemente aqui no Almanaque Gaúcho – serviram de local improvisado para a preparação de carros alegóricos e decorações carnavalescas.

Fotos: banco de dados

Depois que o último bonde elétrico circulou pelas ruas da Capital, em março de 1970, o edifício da Carris ainda funcionou até 1973, para depois dar lugar à Perimetral e ao Viaduto Imperatriz Leopoldina. Pelo menos naquele Carnaval, as alegorias conviveram ali com os velhos bondes desativados.


Naquele ano, o tema do Carnaval eram o tricampeonato brasileiro na Copa do Mundo do ano anterior e a América Latina. Tanto que um dos carros trazia uma réplica gigantesca da Taça Jules Rimet.

Também foram espalhados pela cidade bonecos representando nove países latino-americanos, com dimensões generosas: a cabeça de cada figura tinha dois metros de orelha a orelha. Enquanto bonecos e carros eram construídos, a população curiosa acompanhava os trabalhos através do grande portão de tela do pavilhão da Carris.


O desfile dos carros alegóricos de 1971 foi realizado na Terça-feira Gorda, em pista que começava no final da Avenida Borges de Medeiros e se estendia pela Rua João Alfredo.

Os bondes passaram, e o Carnaval 2012 também.