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Posts com a tag "carro"

A chave está no sabonete

03 de maio de 2013 0

Esta foi uma grande promoção do sabonete Lifebuoy nos anos 1940. Quem comprasse o produto poderia encontrar, implantada dentro do sabão, uma chave de carro. Não um carro qualquer: um Chevrolet 47, quatro portas, tipo Luxo.

Foto: Revista do Globo, reprodução

A propaganda acima mostrava que o primeiro automóvel já tinha sido presenteado a um sortudo cidadão paulistano, identificando o ganhador por nome, endereço e localização da farmácia onde havia comprado o sabonete.

O reclame ainda incentivava o público a comprar Lifebuoy em grande quantidade para ter mais chances de ganhar um dos muitos veículos oferecidos na promoção. Um "presente milionário para os que amam o asseio corporal".

Do cavalo aos HPs

01 de maio de 2013 0

Foto: Hugo Peretti, acervo Marcelo Peretti

A foto acima, tirada pelo fotógrafo Hugo Peretti em 1937, no município de Encantado, é um bom testemunho das transformações que afetaram o comportamento dos gaúchos com o passar do tempo. Nela se pode ver, em primeiro plano, dois cavalos encilhados, ao que parece, amarrados a um poste. Mais atrás, estão sete veículos expostos orgulhosamente diante da agência da Ford daquela cidade. Todas as pessoas que aparecem na imagem demonstram ter seu interesse voltado para os carros.

Naquela época, os automóveis, mesmo no Interior, já não eram a novidade de alguns anos antes – mas, certamente, já impunham suas vantagens como meio de transporte de cargas e pessoas. A Agência Ford de Guido Cé – que, estabelecida na esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Padre Anchieta, operou de 1937 até 1998 – foi uma das mais importantes do Estado, e motivo de justo orgulho para a população do Alto Taquari.

Ainda hoje, o velho “pingo” continua com prestígio junto à gauchada. Mas, agora, os mais de 15 mil carros que circulam pelas ruas asfaltadas do município de Encantado já não convivem, como antes, com cavalos amarrados nas esquinas.

(colaborou Marcelo Peretti)

Adorno

29 de novembro de 2012 1

Quem tem 60 anos, ou mais, talvez reconheça o objeto que aparece na foto abaixo.

Foto: Ricardo Chaves

Era, digamos assim, um ornamento para placas de automóveis, vendido nas lojas de acessórios muitos anos atrás. Fundido em metal leve, tipo alumínio, era muito apreciado por motoristas de táxi, e podia ser encontrado decorando as placas de nove entre 10 daqueles carrões importados que faziam o serviço de lotação: Glória, Partenon, Teresópolis, por exemplo.

Com o slogan "Porto Alegre cidade sorriso", a peça conferia ao auto um toque meio... cubano.

O caminhoneiro veloz

22 de novembro de 2012 0

Theodolindo Artemio Foresti nasceu em Guaporé em 1926, filho de pequenos agricultores. Aos 12 anos, entendeu que a dura vida na roça não era o suficiente e resolveu buscar oportunidades na Capital. Em Porto Alegre, seu primeiro trabalho foi lavar garrafas para uma vinícola. Depois, fez um pouco de tudo, até chegar a caminhoneiro.

Foi no transporte de cargas que se afirmou e empreendeu. Em 1957, criou a Transportadora Foresti Ltda. Em 20 anos, era a quinta maior transportadora do país. Chegou a ter 25 filiais e uma frota de mais de 200 caminhões.

Um dos caminhões da Foresti, em janeiro de 1968. Foto: reprodução

Quando Foresti resolveu se dedicar ao automobilismo, não foi difícil conseguir um bom carro. Para cada 10 caminhões FeNeMê que comprava, ganhava da Fábrica Nacional de Motores um JK-FNM 2000, um dos carros brasileiros mais caros da época.

Foto: arquivo pessoal

Ele chegou a competir com uma carreteira Ford nº 8 como no GP Estrada da Produção, em Carazinho, em 1963 (foto acima). Mas ficou mais conhecido em sua parceria com Paulo Feijó pilotando o JK nº 97 em provas como as 12 Horas e as 500 Milhas de Porto Alegre. Veja fotos:

Foresti nas 500 Milhas de Porto Alegre em dezembro de 1963. Fotos: arquivo pessoal

O FNM em uma prova noturna dos anos 1960. Foto: arquivo pessoal

Foresti morreu em 2006.

O piloto e seu FNM-JK. Foto: banco de dados

(colaboraram João Luiz Foresti e Guilherme Ely)

Colecionador de Galaxies lança livro sobre o carro

09 de novembro de 2012 2

Gelson Joní Mathias Teixeira é apaixonado por carros antigos em geral. Mas gosta mesmo é de um tipo em particular: o Ford Galaxie. Sábado próximo ele dá mais uma inequívoca demonstração dessa devoção. Lança, em parceria com Marcelo Ávila Marques, às 18h, e com coquetel na Expo 2012, no Parcão Municipal de Cachoeirinha, o livro: Galaxie-Grandes Carros, Grandes Amigos. A obra (R$180) tem 336 páginas e dezenas de ilustrações dedicadas exclusivamente aos diversos modelos de Galaxie produzidos pela Ford.
Aqui no Brasil, entre 1967 e 1983 foram produzidas quase 80 mil unidades desse automóvel de luxo, identificados como Galaxie 500, LTD ou Landau. Era o carro das mais altas autoridades e dos abastados que prestigiavam a indústria nacional. Gelson possui uma coleção de 14 carros, entre os quais, três são Galaxies. Impressionou a mulher Daiane com o carrão, quando saíram juntos pela primeira vez. Após casar, eles deixaram o templo com Gelson na direção de um Galaxie. A filha Joanna, também saiu da maternidade a bordo de um Galaxie. Daiane adora guiar o “banheirão”.
No livro, estão reunidos diversos depoimentos de Galaxeiros, como se intitulam os aficionados pela marca. Muitas histórias daqueles que afirmam ter “o melhor carro nacional de todos os tempos”.

Confira as imagens do modelo 500, de 1967:

Os sedanetes da GM

11 de setembro de 2012 0

A General Motors, a partir de 1941, e até 1952, privilegiou seus compradores ao oferecer como opção nos automóveis produzidos em todas as suas divisões – Chevrolet, Pontiac, Oldsmobile, Buick e Cadillac – um pitoresco e elegante desenho de carroçaria. Era o formato sedanete, no qual a capota, a partir da sua metade traseira, iniciava uma curva descendente e contínua até envolver o final do porta-malas.

Veja alguns exemplos:

Cadillac 1947. Fotos: Paulo Bajestero e Guilherme Ely, arquivo pessoal

Chevrolet 1948

Oldsmobile 1948

Chevrolet 1952

Nos Cadillac, a partir de 1948, a forma traseira sugeria um rabo de peixe, provocado pelas sinaleiras traseiras proeminentes e arrebitadas pelo contorno da lataria. As versões sedanetes da marca, inspiradas no avião Lockheed P-38 Lightning, foram o retrato mais fiel de uma aeronave em uma produção automobilística. Veja o Cadillac 1948:

Foto: reprodução

Aqui, o avião Lockheed:

Foto: reprodução

Outras fabricantes, como a Packard, também produziram modelos sedanetes.

(colaborou Guilherme Ely)

A parte feliz da vida

23 de agosto de 2012 1

Foi uma aventura. No verão de 1962, meu pai colocou a família na camionetazinha e partiu para as férias no Rio de Janeiro. Saímos de manhã e, lá pelo meio-dia, paramos depois de atravessar a ponte do Rio das Antas. Tomamos banho numa pequena cachoeira e almoçamos uma galinha enfarofada, preparada por minha mãe na véspera. Dormimos em Curitiba, onde visitamos uma tia. No dia seguinte, chegamos a São Paulo, com tempo para descansar e tomar um ice cream na Rua Augusta. A viagem era prêmio à minha irmã Maria Teresa, que havia passado no Exame de Admissão. A irmã menor, Maria Betânia, então com dois anos, muito pequena para a aventura familiar, ficara em Porto Alegre.

Nilce, Maria Teresa e Ricardo Chaves no Rio. Foto: Hamilton Chaves, arquivo pessoal

Eu e Teresa vimos o Rio pela primeira (e inesquecível) vez a bordo de uma Vemaguet. A perua DKW (a sigla, em dado momento, passou a designar a expressão alemã "Das Kleine Wunder", "a pequena maravilha" em português) alcançava uma velocidade entre 120 e 125 quilômetros por hora. Mas para que mais? O motor de dois tempos e três cilindros consumia óleo, que era misturado à gasolina na hora de abastecer. Mais que um ronco, emitia um ruído de panela fazendo pipoca.

Anúncio da Vemaguet publicado na Revista Senhor de abril de 1960. Foto: reprodução

Carrinho valente, o DKW foi o segundo veículo (o primeiro foi a Romi Isetta) de fabricação brasileira, produzido de 1956 a 1967. Foi o primeiro a ter certificado do Geia, órgão do governo JK encarregado de estimular a produção automobilística no Brasil. Que viagem...

Visita de Juscelino Kubitschek à fábrica da Vemag, em 1956. Foto: arquivo pessoal

Você também lembra da DKW Vemaguet? Deixe seu comentário.

O primeiro esportivo brasileiro

14 de agosto de 2012 0

O Interlagos. Fotos: arquivo pessoal

Cobiçado por jovens e apreciadores de carros durante a década de 1960, o Willys Interlagos foi o primeiro automóvel esportivo montado no Brasil. Foi produzido pela Willys Overland do Brasil S.A. até 1966, na fábrica em Interlagos, em São Paulo (foto abaixo).

O Interlagos em fabricação

Mas essa história começa na França, na linha de montagem da Willys de lá, onde o paulista Luiz Antonio Greco – que viria a liderar o departamento de competições da empresa no Brasil – observou por meses a construção do modelo Alpine, grande inspiração para o Interlagos brasileiro. Aqui, o carro começou a ser produzido na Willys a partir das impressões de Greco, integradas ao trabalho do mecânico espanhol Jesus Ibarzo Martinez e do preparador e piloto Cristian Heins – que teve morte trágica mais adiante, nas 24 Horas de Le Mans, em 1963. Sob a superintendência de Emil Schmidt, o veículo foi construído em três versões: Berlineta, Coupé e Cabriolet (conversível).

Greco (E),  Ibarzo (C) e Schmidt (D) recebem visita de Juan Manuel Fangio (ao centro, de gravata)

Apresentado no II Salão do Automóvel, em São Paulo, em 1961, o Interlagos era um carro pequeno e leve – a carroceria, por exemplo, era produzida em fibra de vidro e resina de poliestireno. Fez muito sucesso nas ruas e nas pistas. Um exemplo foi a segunda edição da prova 500 Milhas de Porto Alegre, em dezembro de 1963, na qual os três primeiros colocados usaram Interlagos: Wilson Fittipaldi e Vitório Andreatta em primeiro, Bird Clemente em segundo e Scavone e Danilo Lemos em terceiro. Outra grande vitória veio em fevereiro de 1968, na prova Antoninho Burlamaque, quando os Interlagos Mark I deram o primeiro lugar a Luiz Pereira Bueno e o segundo a Bird Clemente.

A equipe Willys, , com o chefe Greco ao centro, Luiz Pereira Bueno (E) e Bird Clemente (D)

(colaboraram Graziela e Nelson M. Rocha)

Davi e Golias

09 de julho de 2012 0

Foto: Guilherme Ely, arquivo pessoal

Foi numa das exposições mensais do Veteran Car Club/RS, em Porto Alegre, no início dos anos 1990. Uma foto, feita propositalmente, evidenciou o contraponto entre as dimensões de um antigo e possante caminhão Mack, produzido nos EUA, e de um pequeno Romi-Isetta, marco do início da indústria automotiva brasileira.

O Mack era propriedade da Transportadora Ltda., então com sede na zona norte da Capital. O Romi-Isetta, ano 1959, pertencia ao aficionado e expert em microcarros Mário Estivalet. Naquele distante domingo, a produção do programa Fantástico, da Rede Globo, "comprou" a ideia de divulgar o evento, contrapondo, além das imagens, o som das buzinas e dos motores desses dois veículos tão distintos na origem, na forma e na finalidade.

(colaborou Guilherme Ely)

Os bons ares dos anos dourados

12 de junho de 2012 0

O rico, nobre e charmoso bairro Bel Air, no oeste de Los Angeles, na Califórnia, foi a inspiração para um ícone da indústria automobilística - o Chevrolet Bel Air, produzido entre 1950 e 1975.

O Bel Air 1956. Foto: arquivo pessoal

Os modelos da fase inicial, dos chamados anos dourados, foram os que ficaram no imaginário, culminando no modelo 1957, tido como o top por seu estilo - que aliava o consagrado rabo de peixe com ornamentos cromados que aludiam à evolução aeroespacial, distribuídos com elegância e equilíbrio. Assim como o Fairlane tornou-se inesquecível entre os Ford, o Bel Air é o Chevrolet antigo mais lembrado pelos apreciadores de antigas marcas e modelos.

O modelo 1957. Fotos: Guilherme Ely, arquivo pessoal

Até 1955, os Chevrolet Bel Air eram equipados com motores de seis cilindros em linha. A partir daquele ano, surgiu a opção V8 (oito cilindros formando um V). Podiam ser monocromáticos ou "saia e blusa" (duas cores), combinando bege e marrom, cinza e azul, azul e branco ou verde e branco, entre outras possibilidades. Assim como nos carros atuais, não era incomum adquirir um Bel Air com direção hidráulica, câmbio automático (hidramático) e com acionamento elétrico dos vidros.

O Bel Air 1953. Foto: Paulo Bajestero, arquivo pessoal

Os modelos até 1954 não foram raros entre os gaúchos, mas escassearam a partir de 1955, por força de uma portaria federal que proibiu a importação de automóveis. Em 1958, a GM lançou o modelo Impala como top de linha da Chevrolet - um nome marcante, mas que não se eternizou como o Bel Air.

(colaborou Guilherme Ely)

Você lembra dos automóveis Bel Air? Deixe seu comentário.