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Posts com a tag "centro"

De olho no cobrador

13 de março de 2013 2

A Rua Riachuelo é uma das mais antigas do centro da cidade. Começa na Ponta do Gasômetro e vem paralela, entre a Rua da Praia e a Rua Duque de Caxias, até a Praça Conde de Porto Alegre. Em tempos antigos, tinha duas denominações, conforme o Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco: da Rua da Ladeira para o lado da Usina do Gasômetro, era conhecida como Rua do Cotovelo, por causa da curva que forma atrás do Theatro São Pedro, e da ladeira para o lado da Praça do Portão (antigo nome da Conde de Porto Alegre), era chamada de Rua da Ponte.

Foto: Roberto Manera, BD, 6/3/1969

No trecho entre a Casa Touro, na Avenida Borges de Medeiros, e a Casa Reinaldo – cujo slogan era: "a maluquinha da Praça do Portão" –, a Riachuelo comportou, durante muitos anos, um intenso movimento de bondes.

Ali, a gurizada que morava na redondeza brincava de ir e vir pendurada, perigosamente em pé, no estribo dos veículos elétricos – com um olho no cobrador e outro no movimento da rua, pronta para pular na calçada antes da bronca do funcionário da Companhia Carris.

Maldito picumã

01 de março de 2013 0

Foto: Leo Guerreiro, arquivo pessoal

A foto acima, batida por Leo Guerreiro no final dos anos de 1950 (ou no início dos 1960), mostra a "ponta da cadeia" ou "ponta do gasômetro", com a usina – que seria desativada nos anos de 1970 – ainda em plena e poluidora atividade. A geração de eletricidade a partir da queima de carvão mineral provocava sobre a cidade uma constante nuvem de fuligem, que era o terror dos que moravam, principalmente, no Centro.

Meu avô, Natale di Leone, era proprietário e morava ao lado do açougue que manteve durante muitos anos na Rua Duque de Caxias, no Alto da Bronze. Ainda muito criança, lembro de minha avó Fermina amuada, reclamando dos flocos negros que se depositavam sobre a roupa lavada que quarava ao sol. Na parte inferior da imagem, também aparece, cercada pelo alto muro pintado de branco, a Casa de Correção – ou Cadeião, como era chamado o presídio, até ser dinamitado em 1962.

No prolongamento do muro lateral (oposto ao que está ao lado da chaminé), segue a Rua Duque, e se vê o grande prédio da escola Ernesto Dornelles. No canto direito da cena, estão os tanques da Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado. Eles abasteceram fogões e lampiões e denominaram aquela área.

Um mito na esquina

20 de dezembro de 2012 0

Fotos: Arquivo Família Sondermann, reprodução

A Casa Louro – que aparece na foto acima decorada para um Natal dos anos 1970 – foi mais que uma loja de moda feminina, instalada num dos quatro cantos da esquina mais importante da Capital: Borges com Andradas. É um mito que, ainda hoje, provoca suspiros de nostalgia.

O point requintado nasceu quando Juan Sondermann, um comerciante judeu vindo da Alemanha, chegou à cidade para trabalhar na Esquina Modas (na Andradas com Marechal Floriano) e tornar essa loja referência de elegância no centro da cidade. Em 1960, Sondermann deixou a Esquina Modas e adquiriu um antigo negócio fundado em 1922 pela modista Cecília Louro, já estabelecido na famosa esquina da cidade.

Ele manteve o nome Louro e, antenado nas tendências internacionais, conferiu reconhecido status à casa. Cuidava de tudo com sofisticada visão de marketing, da estampa das embalagens às famosas liquidações que encobriam as vitrines e provocavam longas filas.

Foto: Nico Esteves, BD, 6/8/1973

De 1960 a 1976, imperou a “Casa Louro: Onde o bom gosto não custa(ava) mais”.

(fonte: livro Porto Alegre na Vitrine - Sindilojas)

A praça de todos os poderes

18 de dezembro de 2012 0

Foto: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

A imagem acima faz parte do belo livro O Tempo e o Rio Grande nas Imagens do Arquivo Histórico do RS, premiado no último dia 10 na categoria Especial do Prêmio Açorianos de Literatura. É apenas uma das mais de 200 fotografias publicadas na obra de 168 páginas, concebida por Luiz Carlos da Cunha Carneiro e organizada por Rejane Penna.

As cenas, que vão do século 19 até a contemporaneidade, são acompanhadas por textos de renomados pesquisadores e mostram a passagem do tempo sob diferentes contextos. Foram selecionadas em quatro temas principais: antepassados, espaços/natureza, sociabilidade e luta/política.

Só uma fotografia como essa poderia nos contar com tanta precisão como era a Praça da Matriz por volta de 1866, com seu chafariz de mármore diante do Theatro São Pedro inaugurado em 1858. Esse logradouro existe desde o início da povoação, e ali foram construídos o primeiro palácio do governo e a matriz da freguesia da Nossa Senhora da Madre de Deus. Além do antigo teatro, a praça abriga, hoje, as sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, e também a Catedral Metropolitana.

O velho quiosque

18 de dezembro de 2012 0

Espaço tradicional do centro de Porto Alegre, a área da Praça XV de Novembro já foi ponto de bancas de peixe e depósito de lixo, em tempos bem passados.

Foto: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

A foto acima mostra o local já urbanizado, mas ainda com o antigo quiosque que foi substituído, em 1911, pelo famoso chalé atual.

Os tempos áureos do Hotel Majestic

06 de novembro de 2012 0

Famoso na década de 1920, o Hotel Majestic foi referência pela hospitalidade e pela infraestrutura luxuosa. Um anúncio publicado no Guia de Porto Alegre de 1955 dava conta das pompas oferecidas pelo hotel. "Colchões de mola, telefone e água corrente em todos os apartamentos e confortável hall" eram os elementos que ajudavam a "vender" o estabelecimento.

Anúncio publicado no Guia de Porto Alegre de 1955

Em 1980, foi realizado um leilão com os móveis e utensílios do local. Mas foi em 1983 que o Majestic foi arrolado como prédio de valor histórico e iniciada a sua transformação no que é hoje: a Casa de Cultura Mario Quintana, em homenagem a um de seus mais ilustres hóspedes, o poeta que viveu lá de 1968 a 1980.

Veja fotos da época em que o prédio abrigava o hotel

Hotel na década de 1970
Foto: Galeano Rodrigues, Bando de Dados ZH

Imagem mostra como eram os quartos no Majestic
Foto: Galeano Rodrigues, Bando de Dados ZH

Verticalização acelerada

05 de novembro de 2012 2

Foto: Santos Vidarte, Guia de Porto Alegre Touring Club 1955, reprodução

Quando o fotógrafo Santos Vidarte sobrevoou a Capital e fez a foto acima, em 1955, o centro da cidade já mostrava um certa verticalização. No Guia de Porto Alegre do Touring Club do Brasil, no qual a foto foi publicada, a legenda chamava atenção para a "edificação monumental" que ocorria.

Vista hoje, a percepção é outra. Uma curiosidade evidente é a presença do Edifício Malakoff – prédio de três andares, além do térreo, que chegou a ser o mais alto da cidade –, visível no canto inferior direito, entre o abrigo dos bondes da Praça XV e o Edifício Guaspari (de costas).

O Malakoff foi demolido no início dos anos 1960. O Edifício Guaspari, projeto de Fernando Corona de 1936, aliás, foi considerado também "um marco de progresso, indicador das vertiginosas transformações por que tem passado a Capital".

No alto da imagem, a Catedral aparece ainda sem a cúpula, e o Guaíba, sem o aterro.

Abaixo, a imagem enfatiza os edifícios Malakoff e Guaspari.

Imagem feita, provavelmente, no final dos anos 1930. Foto: Sioma Breitman, acervo de Samuel Breitman

Vista da torre

25 de julho de 2012 1

Foto: Acervo Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo

No final do ano de 2006, Gisela Bastian Pinto Ribeiro – ex-funcionária da Embaixada do Brasil em Paris e viúva do conde francês Pelacot – doou à fototeca Sioma Breitman do Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo uma coleção de 108 antigas fotografias que haviam pertencido a seu pai, João Pinto Ribeiro Neto. A imagem acima é uma delas.

Não foi possível identificar o autor das fotos – ou, quem sabe, os autores. Mas podemos afirmar com certeza que, no momento em que registrou essa imagem, o fotógrafo se encontrava numa das torres da Igreja das Dores. Ele estava voltado para a Cidade Baixa, tendo à frente a esquina das ruas Riachuelo (que passa nos fundos da igreja) e General Bento Martins (que, na imagem, traça uma diagonal rumo ao Guaíba). No lado esquerdo da cena, logo abaixo da linha do horizonte, se pode identificar uma construção mais alta – é um cantinho do antigo prédio do Colégio Anchieta, que ficava na Rua Duque de Caxias, ao lado do Museu Júlio de Castilhos. Um pouquinho mais para a direita, também se vê uma ponta do ainda existente edifício que abriga a Escola Estadual Paula Soares, na ladeira da Rua General Auto.

Na época em que as fotos foram doadas, estive no mesmo ponto de vista. Encontrei uma paisagem bem diferente e fiz, então, a foto abaixo, em cores.

Foto: Ricardo Chaves, BD, 13/12/2006

Caixa de ressonância

13 de julho de 2012 3

A fotografia é poderosa para ajudar-nos a estabelecer comparações. O registro implacável das transformações, se processando ao longo do tempo, evidencia qual o rumo que tomou a mudança. É por esse motivo que imagens, muitas vezes, podem ser tão cruéis.

O peso dos anos não precisa, necessariamente, tornar tudo pior. Como as pessoas, a velha cidade tem de evitar perder sua identidade. Resistir para não ser uma caricatura do que já foi. O espaço aberto na marra, como na foto abaixo, é a cicatriz na face da urbe.

Nos espaços vazios, ficavam o prédio da Caixa Federal (em primeiro plano) e o Grande Hotel. À direita, está a Rua Caldas Junior. No alto, ao fundo, a Catedral Metropolitana. Foto: Maurecy Santos, BD, 23/12/1976

O quarteirão ao lado da Praça da Alfândega enfatiza as oportunidades perdidas. O prédio da Caixa Econômica Federal já foi o gracioso "castelinho" que ficava próximo ao Grande Hotel, como se vê na foto de 1932.

A Praça da Alfândega, com a Caixa Federal à direita, em 1932. Foto: Tabacaria Alpha, reprodução

Demolido, o prédio deu lugar a uma nova sede, o interessante prédio art déco que, em 1976, também veio abaixo.

O segundo prédio da Caixa na Praça da Alfândega. Foto: Olívio Lamas, BD, 28/10/1976

Talvez alguém, um dia, sinta falta do atual prédio da Caixa, inaugurado em 1979 (abaixo). Não estarei aqui para assistir. Ainda bem.

Foto: Fernando Gomes, BD, 16/11/1979

Árvores na avenida

29 de maio de 2012 2

Visão da Avenida Senador Salgado Filho. Foto: Arivaldo Chaves, BD, 2/2/2006

Sobre a foto da Avenida Senador Salgado (antiga Dez de Novembro) publicada nesta terça-feira no Almanaque Gaúcho, a leitora Renata Rizzotto envia mensagem esclarecedora sobre a arborização daquela via. Seguem trechos:

"No canteiro central, exitem arbustos podados em formato retangular, segundo técnica conhecida como topiaria (...).

Ela foi bastante utilizada em Porto Alegre podendo ser observada em fotos antigas das Praças da Alfândega e Otávio Rocha, cujo plantio deve ter ocorrido na mesma época. Na Alfândega, formava sebes que envolviam o centro da Praça, e, na Otávio Rocha, emoldurava o monumento.

Esta espécie de ficus, Ficus microcarpa, é exótica de origem asiática, sendo que no Brasil se encontra bem adaptada, de crescimento vigoroso e agressivo, apresentando sementes viáveis, segundo BACKES & IRGANG (2004).

Também tem a característica de germinar em qualquer lugar, lançando raízes adventícias (que crescem verticalmente para baixo em busca de substrato, que aumentam seu metabolismo) e emitindo várias raízes que acabam por se fundirem umas as outras estrangulando o suporte inicial (vegetal ou edificação) e se transformando em uma única grande árvore.

Existe uma recomendação do setor de Patrimônio Natural do IPHAN para expurgar estas figueiras da vizinhança de sítios ou edificações históricas. A arborização da Avenida Salgado Filho se apresenta fora do padrão normal, pois não existem muitas raízes aflorando e levantando o passeio. Já ouvi dizer que poderia ser por haver rochas sob a avenida que não permitiriam o desenvolvimento normal.

Infelizmente, nas duas praças citadas, foi necessária a remoção (das árvores), pois estavam ocasionando danos irreversíveis nos dois lugares, sendo que na Otávio Rocha os muros e o monumento estavam todos rachados e inclinados.

Abraços,

Renata Rizzotto"