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(Mais) Versos para as mães

14 de maio de 2012 0

O leitor Olinto Vargas, de Sapucaia do Sul, enviou ao Almanaque Gaúcho um poema de sua autoria em homenagem ao Dia das Mães, comemorado no último domingo. Eis o texto:

Dia das Mães 2012

Neste dia lindo que raia,

Presto minha saudação,

De alma e de coração

Às mamães de Sapucaia!

Sob o céu todo de azul,

A minha voz eu levanto,

Pra cantar meu acalanto

Às mães dos Pagos do Sul!

Por toda Pátria Brasil,

Vai meu verso varonil

E o meu querer bem fecundo!

Com esta humilde mensagem,

Eu envio minha homenagem,

A todas mamães do mundo!

Poemas para as mães

13 de maio de 2012 1

Leitores e colaboradores do Almanaque Gaúcho dedicaram generosos versos ao Dia das Mães. Reproduzimos aqui alguns poemas recebidos nos últimos dias.

Mãe

Jaime Vaz Brasil

Mãe.

Nossa Senhora do Ventre.

Do parto, do colo, dos braços,

do seio, do beijo e do abraço.

Mãe.

Nossa Senhora do Berço.

Do choro e das noites em claro,

das cantigas e dos amparos.

Mãe.

Nossa Senhora dos Passos.

Dos andares e dos tropeços,

das quedas e do recomeço.

Mãe.

Nossa Senhora da Escola.

Do bom conselho, da merenda

e do joelho que se remenda.

Mãe.

Nossa Senhora da Espera.

Da hora que se ancora à sala,

da noite que se alonga e cala.

Mãe.

Nossa Senhora do Adeus

e do prato fundo que a vida

sempre aquece, nas despedidas.

Só as mães são felizes

Suzana Soriano Corrêa

Por que só as mães são felizes?

Simplesmente,

porque são mães.

Alegram-se sempre,

às vezes, sem motivo;

elogiam sempre,

às vezes, sem razão,

e acarinham,

nos momentos de solidão,

os sonhos não vividos,

ou vividos

de serem mães.

Mãe

Nelly Todeschini Cantele

No cotidiano, tuas batalhas

tuas conquistras,

momentos de desilusão

e de alegria,

projetos de amor todos os dias,

na busca da mais certa das verdades.

E assim tu seguirás,

sendo caminho onde os passos passam

e desaparecem

mas os sonhos se aninham e permanecem,

com nuances de passados

e futuros.

E tu seguirás sendo alegria

e as mesmas horas seguirão contigo,

entre alegres risos e despertat ansioso,

pelos risos, pelas lágrimas

e pelo tempo.

E tu seguirás sendo tristeza,

no entardecer de uma beleza triste,

que se transforma em noite

e volta a ser o sonho,

enquanto a madrugada

te detém desperta

e faz do teu sonho

a claridade incerta,

que espera pela luz

do acontecer.

E tu seguirás sendo esperança,

enquanto teus olhos cativarem

as visões de um infinito,

onde as estrelas acenam como gritos,

ao encontro das respostas

que procuras.

E tu seguirás sendo VIDA,

seguirás sendo retornos e partidas,

seguirás sendo saudade na distância,

até a distância te fazer ETERNIDADE!

Dois homens

Adersen Chrestani

Eles vêm da solidão do tempo

Do plano infinito, do astro água.

Dois homens cavalgando sem parar

Nas entranhas do corpo máter.

Eles vêm da vida célula,

Já atravessaram o estágio vidro

E se perfectibilizam no ventre ninho.

Dois homens e muitos destinos.

Quais deuses adorarão?

Quais símbolos haverão de seguir?

Dois homens que se alimentam do

Sangue pulso de uma menina mulher,

Que lhes dará a luz

E o seio farto do colo MÃE...

E o amor sublime que só ela tem.

Mãe

José Nedel

Ser mãe é distender-se em muitos afazeres,

Sem lamentar-se a si, por lágrimas ou dó.

É como ensina um mestre, rico de saberes:

“Também existem muitas mães em uma só”*.

(*José Outeiral)

Mãe

Suzana Soriano Corrêa

Mãe, símbolo de abnegação.

Aconchego de todas as horas.

Uma embarcação segura,

rumo ao porto da esperança.

Uma história contada em contos,

crônicas, romances, biografias,

enfim, em um contexto

sempre presente nas leituras da vida.

Um feitiço que enlaça,

em prosa e verso,

um amor perpetuado pelos tempos.

Mãe,

autora de uma obra de amor.

Filhos, devotai às suas mães

um amor incondicional!

Mães, devotai aos seus filhos

um carinho especial!

Mães de Bagé

Roselaine Funari

saudades do útero verde

caminhos que não percorri

saudades dos Pampas meu vô

histórias que não vivi

saudades de manhãs e lares

colares que não conheci

saudades guardadas no tacho

doces que não servi

saudades são mães de Bagé

Alziras Corinas Albertinas

prendas que nunca vi

e capeando este poema

nem sei se é mesmo minha

a saudade que sinto de ti

Mãe! Uma canção de amor

Pedro Porcher Neto

Ao longe o cantarolado

luz de um céu azulado

o suor no vestido floriado

um suspiro de dor!

O caminhar apressado

um tesouro bem guardado

a prontidão do cuidado

o perfume da flor!

A ternura do beijo molhado

consolo imaculado

o olhar iluminado

uma cançaõ de ninar!

Belezura do rosto rosado

o doce colo ganhado

estrela guia do sonhado

a missão de amar!

O eterno berço aleitado

alimento infinitado

o canto entoado

um sorriso de alegria!

O buquê ornamentado

um coração consolado

o verso inspirado

o rimar da poesia!

O grande amor incondicionado

refúgio do xale dourado

o sonho do céu estrelado

uma doçura no explendor!

O cheiro da bravura no canto acarinhado

perfume na esperança do caminho ilustrado

a saudade no cantarolar lagrimado

Mãe! Uma canção de amor...!

Mãe

Maira Vicenzi Knop

Obrigada mãe por me deixar vir

por estar comigo enquanto crescia

por apoiar planos e trajetórias

por me incentivar

na descoberta de novos caminhos

obrigada mãe

por repartir comigo tua ternura

teus sorrisos

teu dia-a-dia

me ensinaste com teu amor

a ser grande e crescer como pessoa

hoje não sou mais quem fui ontem

sou ainda melhor

pois perto do teu coração

me espelhei desde cedo

e ao longo de minha vida

te tenho como recompensa

enquanto a premiada

serei sempre eu

Mãe

Alexandre Ruszczyk Neto

enquanto viveres eu sonharei

se me faltares, só terei a noite

és o melhor que a vida me trouxe

o olhar mais puro, o sorriso mais doce

contigo, tenho um pé no chão

e outro pé na primavera do homem

a vida nas árvores agarrado na tua pele

o fruto maduro sagrado

na tua ausência, serei só lembrança, vento

Imortalidade
Jaime Katz
Minha mãe viajou dia dois
deste ano de dois mil e cinco
Não levou roupas nem malas
Não levou sequer seus brincos
Foi passear entre as estrelas
De ninguém se despediu
pra brincar nos meteoros
de mãos dadas com meus tios
Minha mãe era tão boa
e também era tão linda
como poucos são ainda
neste mundo não gentil
Não vos quero entristecer
ao falar desta senhora
Já não era assim tão moça
mas que falta faz agora
Pela mãe que Ele deu
de presente para mim
e que afinal recolheu
para enfeitar o seu jardim
Desconfio, minha gente
mesmo sendo irreverente
que o Senhor onipotente
tinha ciúmes de mim
Quando se adora uma mãe
com a mais pura devoção
ela não morre, sesteia
e para sempre passeia
na alma do coração
Mãezinha
Neida Rocha
Tua Metade adormeceu!
Tua voz calou!
Teu braço caiu!
Tua perna parou!
Estás incompleta!
Estás pela metade!
No entanto,
teu coração está vivo
e a metade que funciona
é justamente
onde está teu coração.
Agradeço
por poder te dedicar
uma parcela do amor,
que tanto me dedicaste.
Sei que tudo isso é passageiro
e que tua garra e tua vontade
te levantarão mais cedo
do que todos pensam.
E sem ter que provar
nada, a ninguém,
breve estarás "inteira".
E quero ainda dizer-te,
que mesmo estando incompleta,
és mais completa do que muitas
"perfeitas"!
(homenagem da autora à própria mãe, que sofreu um derrame e perdeu os movimentos do lado direito do corpo)
Milagre da vida
Francisca de Carvalho Messa
Depois de uma noite de amor
Pode acontecer a concepção
A natureza tal uma flor
Abrirá a corola é a benção
A futura mãe vai gerar o embrião
Alguns meses essa mulher
Nutrirá o fruto dessa união
Até chegar o dia de nascer
O esperar desse filho amado
É prazeroso  cheio de expectativa
Seu corpo fica por Deus dignificado
A postura da futura mãe é receptiva
A alma cheia de ternura e docilidade
Feliz de quem  realiza esse sonho
A mulher fica plena com a maternidade
Foi atingida pelo Milagre da Vida

Outros leitores preferiram enviar versos escritos por outros autores. Confira:

Ao que deve chegar

Regina Gregory Brunet

Como uma nuvem,

como um perfume...

Música que se pressente,

brisa que foge,

vaga forma de sonho –

– era como estavas em mim.

E agora já palpitas

em teu claustro misterioso

e te debates,

como pequenino pássaro aprisionado

Sofres a saudade

dos anjos com que brincavas,

– ou é a esperança

do mundo que te chama?

Já te cansa o teu retiro, talvez...

– queres distender-te, respirar...

e eu quisera guardar-te, ainda,

poupar-te ao impacto

desse aqui-fora que se imporá a ti,

e te receberá,

fazendo-te chorar...

Mas...é tempo de acordar:

– de pisar as estradas ásperas,

de tocar os espinhos agudos.

Mas é tempo, também,

de expandir-se ao sol

e deliciar-se com os belos frutos.

Porém mais que tudo,

– é tempo de aprender

a conciliar esses opostos,

de construir um mundo novo,

– meu filho, –

ser um homem.

(Poema de 1956, enviado pelo filho da autora, Júlio Brunet)

Embalos no colo da mãe

Dilan Camargo

Me embala, mãe

me embala

bem juntinho do teu colo

que me enrolo

que me enrolo

sou um novelo no teu colo.

Me embala, mãe

me embala

no quentinho do teu colo.

Faz um bolo

faz um bolo

que depois não te amolo.

Me embala, mãe

me embala

me dá um beijo e uma bala.

Me embala, mãe

me embala

é só um pouquinho de balda.

Pai e Mãe

Dilan Camargo

Só pai leva ao futebol?

Só mãe arruma o lençol?

Só pai faz um pão com queijo?

Só a mãe é que dá beijos?

Pai só leva a tiracolo?

Só a mãe leva no colo?

Pai só faz coceira na barriga?

Só a mãe canta uma doce cantiga?

Só o pai paga e salda?

Só a mãe que troca fraldas?

Só o pai assa salsicha?

Só a mãe é que cochicha?

Pai só se arruma?

Só mãe se perfuma?

Só o pai faz mágica?

Só a mãe é trágica?

Só o pai trabalha?

Mãe só limpa tralha?

Pai e mãe! Quantas perguntas

pra respostas que andam juntas!

(Poemas enviados por Magda Brito)

E três textos enviados pela leitora Natália Setúbal:

Já mocinha, olhava minha mãe limpar um frango,

estava calma e doce. Descansou a faca na mesa, pôs

a mão na minha cabeça e me falou ensinando como boa mãe: olha aqui, Pia,

um frango bem picado, contando com os pés e a cabeça, dá vinte e um pedaços.

Achei que éramos especiais, pois sendo então uma família de sete pessoas,

cabiam a cada um três pedaços exatos. Minha mãe me quer.

(Adélia Prado)

De fato, és bem filha de tua mãe (Ezequiel, 16:45)

O amor de mãe

por seu filho é

diferente de qualquer outra coisa no mundo.

Ele não obedece lei ou piedade,

ele ousa todas as coisas

e extermina sem remorso

tudo o que ficar em seu caminho.

(Agatha Christie)

Mães de maio

12 de maio de 2012 0

Faz 35 anos que um numeroso grupo de mães argentinas se reúne frequentemente na Praça de Maio, centro de Buenos Aires, para protestar contra o sumiço de seus filhos durante a ditadura militar que vigorou naquele país de 1976 a 1983 – período em que cerca de 30 mil pessoas foram presas e desapareceram.

Foto: Eduardo Di Baia, AP, BD, 30/4/2007

Essas mães já foram homenageadas com uma canção da banda irlandesa U2 – e, em Porto Alegre, a Rua Mães da Praça de Maio, na Lomba do Pinheiro, também é um tributo a elas.

Anita, heroína e mãe

11 de maio de 2012 0

A história de Anita Garibaldi (1821 – 1849) é uma saga de romantismo e coragem. A história de uma moça de Laguna (SC) que se apaixonou pelo guerreiro italiano Giuseppe Garibaldi (1807 – 1882), que então estava combatendo em nome da República Rio-Grandense, durante a Guerra dos Farrapos. A vida do casal, com passagens por Uruguai e Itália, incluiu batalhas violentas, fugas cinematográficas e muito companheirismo – e o resultado foram quatro filhos, Menotti, Rosa, Teresa e Ricciotti.

Foto: Ricardo Chaves, BD, 30/10/2003

Anita Garibaldi dá nome a uma rua que passa pelos bairros Mont’Serrat, Boa Vista e Passo D’Areia. Há também a Rua Garibaldi, entre a Floresta e o Bom Fim, e a Praça Garibaldi, no início da Avenida Venâncio Aires, na qual está o monumento retratado acima.

Voz de mãe

10 de maio de 2012 0

Foto: Hajimu Hirano, BD, 24/3/1967

Há muito a dizer sobre Elis Regina (1945 – 1982), mas pode-se começar pelo mais importante: ela é considerada a maior cantora brasileira de todos os tempos. Como na letra de uma de suas gravações mais famosas, Maria Maria, ela soube combinar a força, a raça, a manha e a graça, para cantar a dor e a alegria. A prova está em várias outras canções que ganharam interpretação de Elis – Águas de Março, O Trem Azul, Fascinação, Como Nossos Pais e Nada Será Como Antes.

Nome de um largo na região do IAPI, onde nasceu e foi criada, Elis foi mãe de três filhos, todos músicos – João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita – esta, em turnê que lembra os 30 anos da morte da mãe.

Foto: Paulo, BD, 17/12/1974

Luciana de Abreu

09 de maio de 2012 1

Uma das ruas mais elegantes do Moinhos de Vento homenageia uma mulher de destaque na história cultural gaúcha – Luciana de Abreu (1847 – 1880).

Foto: reprodução

Sua vida foi surpreendente: de órfã abandonada na Roda dos Expostos da Santa Casa, na noite de 11 de julho de 1847, ela tornou-se professora, escritora e defensora dos direitos das mulheres. Integrou o Partenon Literário – sociedade formada por jovens intelectuais de Porto Alegre –, onde realizou discursos contundentes.

Em um deles, de 1873, defendeu a igualdade de direitos entre os sexos: “Nós (mulheres) não somos somenos ao homem: a nossa alma tem a mesma passividade e atividade que a dele, e tanto a sensibilidade como a inteligência e liberdade participam do mesmo grau de capacidade e podem ter o mesmo grau de desenvolvimento num ou noutro sexo.”

Além de tudo isso, Luciana foi esposa dedicada e mãe de um casal de filhos.

Ana Terra, de mãe para filha

08 de maio de 2012 1

Ana Terra é personagem do primeiro volume da trilogia O Tempo e o Vento, obra-prima de Erico Verissimo que relata a saga gaúcha.

Ana vem, com seus pais, de Sorocaba (SP) para povoar o imenso e ermo continente sulista, conflagrado por lutas contra os castelhanos. Grávida de um índio missioneiro, quando ela dá à luz Pedro Terra é o Rio Grande que está nascendo também.

Foto: Nauro Júnior, BD, 11/4/2012

Na nova versão cinematográfica da obra, em produção, Cleo Pires (acima) interpreta o mesmo papel que sua mãe Gloria (abaixo) já fez no passado, Ana Terra. Esse é também o nome de uma rua na Lomba do Pinheiro, na Capital.

Foto: TV Globo, divulgação, BD

Homenagem às mães

07 de maio de 2012 0

Foto: Reprodução da obra Madona dos Cravos, de Rafael Sanzio (1483 - 1520)

O próximo domingo será Dia das Mães. Durante esta semana, que antecede tão justa homenagem, o Almanaque Gaúcho vai lembrar algumas mulheres, que simbolizarão outras tantas.

Em comum, todas elas, além de relevantes razões pelas quais se tornaram célebres, entregaram-se primordialmente à vocação de gerar e zelar por seus filhos.

Reconhecidas, hoje emprestam seus nomes a ruas da nossa Capital. Mais de uma centena de logradouros menciona aquela que é tão importante entre todas: Nossa Senhora, mãe do menino Jesus.

Com a bela imagem renascentista reproduzida acima, e com um poema enviado pela leitora Zeni Silveira de Silveira, abrimos a série.

Mãe

Ser delicado, frágil como a rosa;
mas para cumprir sua missão,
se transforma em destemida guerreira,
lutando com razão e coração.
Ponto de referência no aconchego-lar.
Fonte inesgotável de sorriso e compreensão.
Amiga de todas as horas, atuante, conselheira,
semeando amor, ternura e afeição.
Farol, estrela-guia; conduzindo o filho-criança,
por caminhos seguros, retos, certos.
Ensina a viver com alegria e esperança,
estendendo os braços, em abraços.
Mãe! Mulher preocupada, ansiosa,
abnegada, cuidando o filho doente.
Mulher sofrida, rezando para que o filho (desviado)
encontre seu caminho, novamente.
Mãe! Mulher que gerou em seu ventre
um novo ser: razão de seu viver.
Mulher que com infinita bondade,
Também acalentou o filho “de ninguém”.
Mãe! – branca; negra; índia...
– rica; pobre...
Todas trazem dentro do peito
o mesmo coração, o mesmo jeito.
À toda mulher-mãe, em cada geração:
– mãe antiga, mãe moderna, culta, resoluta,
mensageira do amor, guerreira em luta,
a minha homenagem de todo coração!