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Posts com a tag "memória"

A loira bárbara

16 de maio de 2013 0

Na década de 1960, os animais que representavam as duas grandes companhias de postos de combustíveis travavam uma grande guerra pela conquista da simpatia e do mercado de gasolina. Enquanto a Esso sugeria que os consumidores colocassem um tigre no seu tanque, a Shell atacava com o cordial elefantinho de macacão e boné amarelos.

O tigre da Esso (acima) e o elefantinho da Shell (abaixo). Fotos: reprodução

Foi aí, no final dos anos 1960, que a MPM, naquela época uma das maiores agências de publicidade do país, fez um gol de placa e criou um símbolo moderno e sexy para a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga: a Ipirela.

A Ipirela. Foto: Reprodução do livro Ideias Registradas ARP

Inspirada na personagem do filme Barbarella, interpretada pela atriz loira e sensual Jane Fonda, foi sucesso imediato.

Jane Fonda no filme Barbarella, de 1968. Foto: Paramount, divulgação

O cartaz do filme. Foto: reprodução

Por aqui, durante algum tempo, Ipirela foi sinônimo de loira "boazuda" (para usar um termo vintage, felizmente em total desuso).

Lotação em três fases

15 de maio de 2013 0

Um dos antigos lotações no centro de Porto Alegre, no final dos anos 1950. Foto: arquivo pessoal

Os mais velhos lembram dos antigos carrões, ao estilo cubano, que faziam as linhas de táxi-lotação para os bairros da Capital – até esse tipo de serviço ser extinto, na década de 1960. Eram modelos Chevrolet, Ford, Chrysler, Lincoln e Dodge que ostentavam sobre a capota placas com nomes como Teresópolis, Glória, Partenon, etc. Representavam uma alternativa de transporte coletivo aos bondes e ônibus.

Em maio de 1977, 36 anos atrás, uma nova modalidade de táxi-lotação era introduzida nas ruas de Porto Alegre. Foi quando as primeiras 19 kombis-lotação passaram a servir os passageiros das linhas Tristeza e Ipanema.

Apresentação das kombis à população. Fotos: Maurecy Santos, BD, 16/5/1977

Acima, o primeiro dia de funcionamento das kombis-lotação. Foto: Maurecy Santos, BD, 17/5/1977

Em novembro de 1980, elas foram substituídas por veículos de até 17 lugares, e em 1992 foram autorizados micros com 21 assentos. Hoje, rodam na cidade mais de 400 micro-ônibus, que atendem 29 linhas.

Foto: Adriana Franciosi, BD, 8/1/2013

Water poluída?

14 de maio de 2013 1

Foto: acervo do Museu do Grêmio Náutico União

Alguém poderia imaginar a cena da foto acima nos dias de hoje? Numa doca do porto da Capital, defronte ao Mercado Público, em pleno Guaíba, atletas disputam uma partida de polo aquático, assistida por torcedores de terno e chapéu, acomodados nos degraus, enquanto alguns sentados "nas pedras pisadas do cais" têm as pernas penduradas na borda da amurada.

A foto foi feita no longínquo ano de 1927, e cabem algumas considerações. É provável que, naquela época, as águas do estuário, naquele ponto, fossem menos poluídas, e é certo que havia menos consciência sobre danos causados pela poluição. É importante salientar também que, na Porto Alegre de então, ainda não existiam piscinas. A primeira delas, no Estado, foi inaugurada em dezembro de 1931, tinha 25mx16m e ficava no Clube Excursionista e Sportivo, situado na Rua Marcílio Dias, próximo à Praia de Belas – como informa o historiador Gunter Axt, no livro Grêmio Náutico União-Centenariamente Jovem (2007), editado por Leonid Streliaev.

Por aqui, o polo aquático começou a ser praticado pelos atletas que disputavam regatas e provas de natação, tudo no Guaíba, e o primeiro campeonato da modalidade foi realizado em 1923. Os clubes que disputaram foram: Grêmio Almirante Tamandaré, Barroso, Guaíba, Grêmio Náutico União e Vasco da Gama. O Barroso foi o vencedor.

FFFFF, FFFFF, FFFFF

14 de maio de 2013 0

Flit já foi uma daquelas marcas que se tornam sinônimo do próprio produto. Numa era em que os aerossóis não existiam (sim, meus jovens, antigamente não havia nada para vender em embalagem spray), a "bomba de flit" era a solução para pulverizar veneno nos ambientes. Os inseticidas eram comercializados em forma líquida e não dispensavam o aplicador.

Foto: reprodução

Naquela época, o DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano) ainda não tinha sido proibido, por ser perigoso à saúde, e era anunciado como uma grande vantagem. Já foi mais difícil viver?

Águas de maio

13 de maio de 2013 0

Para nós, porto-alegrenses deste início do século 21, que desfrutamos os belos e ensolarados dias de outono da semana passada, fica até difícil imaginar as dificuldades que os cidadãos da Capital enfrentaram, exatamente nessa época do ano, 72 anos atrás.

A água na Rua José Montaury em 1941. Foto: reprodução do livro Águas de Maio, de Vitor Minas

Na publicação Águas de Maio - A Grande Enchente de 1941, o autor Vitor Minas resgata o que aconteceu e faz o "relato de um tempo extraordinário". Diz ele:

"Choveu, choveu e choveu. Uma chuva bíblica com tal pertinaz insistência que, ao final de três semanas, os gaúchos já estavam criando guelras e nadadeiras... Conforme anotou o Diário de Notícias, na 'quinta-feira negra', dia 8 de maio, o Guaíba atingiu a incrível marca de quase cinco metros acima de seu nível médio. Sem energia, as bombas do sistema de fornecimento de água potável deixaram de funcionar. A cidade ficou às escuras e só nas torneiras não havia água. O Instituto de Educação foi transformado em hospital de emergência. Os bondes e alguns jornais não circularam. O futebol foi suspenso. O abastecimento de alimentos, muito prejudicado, era precário".

Uma manchete da época da cheia. Foto: reprodução do livro Águas de Maio, de Vitor Minas (abaixo, a capa da publicação)

"Entre 10 de abril e 14 de maio, houve 22 dias de chuva na cidade. Setenta mil pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares", registra o historiador Sérgio da Costa Franco, em seu livro Porto Alegre Ano a Ano.

A antiga estação ferroviária da Rua da Conceição ficou inundada. Ao fundo, o Edifício Ely (atual Tumelero). Foto: reprodução do livro Porto Alegre Ano a Ano, de Sérgio da Costa Franco. Abaixo, a capa do livro

Felizmente, nada parecido voltou a acontecer por aqui desde então.

O mais perfeito instrumento

11 de maio de 2013 0

O anúncio abaixo, publicado numa página inteira de uma edição de 1948 da Revista do Globo, o mais discreto é a marca do produto: "Royal, a máquina de escrever nº 1 do mundo!".

Foto: reprodução

O pessoal que bolou a peça publicitária preferiu enfatizar a relação entre virtuosismo e instrumento, afirmando que os grandes e exigentes mestres só conseguem atingir o máximo de sua técnica e de sua arte se o teclado disponível for de um "piano de classe". Concluem dizendo que, também no trabalho, só uma máquina perfeita pode proporcionar ampla satisfação.

Para valorizar o produto, o texto diz que a procura "supera a capacidade de produção da fábrica". Para tranquilizar "os datilógrafos, verdadeiros virtuoses do teclado", informa que "esforços estão sendo feitos para que possam receber logo a sua Royal".

O legendário

10 de maio de 2013 1

O Marechal Osório. Foto: reprodução

O Exército brasileiro festeja, neste dia 10 de maio, o aniversário de nascimento do Marechal Manoel Luis Osorio, o patrono da Cavalaria brasileira. Nascido em solo gaúcho, na então Conceição do Arroio (hoje Osório, em sua homenagem), no ano de 1808, Osorio foi, assim como Caxias, um dos mais destacados militares brasileiros. Até o começo do século 20, sua fama era, inclusive, maior do que a do militar carioca. Muito devido a sua simplicidade e à liberdade que tinha com seus comandados. Não era brilhante estrategista como Caxias, mas de capacidade tática, no campo de batalha, como poucos. Na Guerra do Paraguai, de atuação destacada, foi o primeiro a entrar em território inimigo, em 1866.

A casa onde o Marechal Osorio nasceu, na fazenda dos avós maternos, foi restaurada pelo Exército e inaugurada em 10 de maio de 1970, com a presença do então presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici. No local, atualmente município de Tramandaí, foi criada a Fundação Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio, onde está instalado o 3º Regimento de Cavalaria de Guarda, o Regimento Osorio.

A casa de Osorio no início do século 20. Foto: Acervo Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho

Aspecto atual da casa. Foto: Tiago L. Trespach. arquivo pessoal

Falecido no Rio de Janeiro, em 1879, seu corpo foi embalsamado e levado para o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Ilha do Bom Jesus. Após a proclamação da República, seus restos mortais foram depositados sob a estátua equestre construída em sua homenagem na Praça XV de Novembro, no Rio. Osorio só retornou para casa em 1993 – quando, com permissão da família, seus restos mortais foram retirados do monumento e enviados para o Rio Grande do Sul. O traslado passou por Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, até chegar, na manhã de 11 de dezembro, sob o toque do clarim, ao local onde "o legendário" havia nascido quase dois séculos antes.

Amanhã, dia 11, será realizada a tradicional encenação de batalhas ("cargas de cavalaria" dos tempos de Osorio) no Parque Histórico.

(colaborou Rodrigo Trespach)

Risco luminoso

09 de maio de 2013 0

No final de 1949, o fotógrafo da revista Life Gjon Mili procurou Pablo Picasso em seu ateliê, no sul da França, e mostrou algumas experiências que tinha feito, usando uma fonte de luz em movimento, gravada em película fotográfica durante uma longa exposição do filme. O gênio espanhol viajou na ideia, que acabou rendendo um histórico ensaio publicado pelo magazine em 30 de janeiro de 1950.

Uma das imagens do ensaio de Gjon Mili. Foto: Revista Life, reprodução

Provavelmente entusiasmado pelo que viu na revista americana, o fotógrafo Zygmunt Haar procurou seu colega da Revista do Globo, o ilustrador Nelson Boeira Faedrich, grande desenhista e artista plástico, para propor algo parecido.

Nelson Boeira Faedrich e o desenho luminoso, registrado por Zygmunt Haar. Foto: Revista do Globo, reprodução

O traço efêmero, leve e bem-humorado de Faedrich, resultado desse feliz encontro, foi publicado na edição de 13 de maio de 1950. Muito legal.

Fotos: Zygmunt Haar, Revista do Globo de 13 de maio de 1950, reprodução

Cheio de grau

08 de maio de 2013 0

Anéis de formatura ainda existem, mas já não têm a importância que tinham na metade do século passado. Aliás, com exceção de roqueiros, hoje, são mais raros os homens que usam anéis.

Foto: Revista do Globo, reprodução

A foto acima, de 1948, que mostra uma senhora na Casa Ibañez comprando um anel de grau para o filho "doutor", é o testemunho do valor que se atribuía ao gesto, que significava o reconhecimento dos pais pelo esforço dos filhos em atingir elevado objetivo.

Cada cor de pedra preciosa identificava uma profissão, especialmente as mais tradicionais, como Direito (rubi), Medicina (esmeralda) e Engenharia (safira azul).

Propaganda de fevereiro de 1947. Foto: Revista do Globo, reprodução

Bom de embocadura

07 de maio de 2013 0

O trombonista Adalberto Bueno. Fotos: arquivo pessoal

O dia era 4 de junho de 1976. Adalberto Bueno vinha com sua Rural Willys pela Avenida Oscar Pereira. Próximo ao Cemitério Israelita, seu veículo foi colhido por um ônibus. Esse acidente tirou a vida do conhecido trombonista gaúcho.

Adalberto nasceu em Dom Pedrito em 1912, mas foi na banda do 9º Regimento de Cavalaria de São Gabriel, em 1936, que ele se encontrou na música (foto abaixo).

No início do anos de 1940, o músico já estava em Porto Alegre e era músico da Banda Municipal. Logo em seguida, passou a tocar nas principais rádios da cidade, Farroupilha e Gaúcha, e em bailes da Capital. Tocou em orquestras famosas como as de Karl Faust e Herbert Gehr. Trabalhava também no Banrisul. Nos anos de 1960, teve sua própria banda (foto abaixo).

A orquestra (acima) e um cartaz das apresentações do grupo

Adalberto também foi presidente do Sindicato dos Músicos (foto abaixo) por 20 anos. Casou-se com D. Gabriela, morava na Glória e, com o trombone na boca, deixou cinco filhos formados.

(colaborou Zith Bueno)