A década de 50 foi berço de um fenômeno musical marcante no Rio Grande do Sul: os conjuntos melódicos, que substituíram com sucesso as orquestras na trilha sonora de bailes, boates e emissoras radiofônicas de um tempo em que dançar era não apenas prazer, mas também uma necessidade social.
Entre as dezenas de grupos com esse perfil surgidos na Capital e no Interior, o Conjunto Melódico Norberto Baldauf não foi o pioneiro (papel que coube ao grupo de Aderbal D'Ávila), mas acabou se mostrando o mais conhecido, querido e duradouro. Na ativa até hoje como um verdadeiro super-herói dos Anos Dourados, ainda que sem a mesma frequência dos velhos tempos, o grupo completa hoje 60 anos.
O Melódico em 1953. Foto: Acervo Marcello Campos
O début "oficial" se deu em reunião dançante promovida pelos acadêmicos da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. A sonoridade suave e dançante do quinteto instrumental formado por Norberto Baldauf (piano), Raul Lima (guitarra), Victor Canella (acordeon), Leo Velloso (contrabaixo) e Porto Rico (bateria) caiu no gosto da rapaziada, definindo um estilo que serviria de inspiração para dezenas de outros grupos de baile pelos anos seguintes.
Notícia da estreia do conjunto. Foto: reprodução
O grupo no Rio de Janeiro. Foto: Acervo Marcello Campos
Tempos depois, a turma acrescentaria as figuras do crooner (Luís Octávio, depois Edgar Pozzer), do ritmista (Fausto Touguinha) e do vibrafonista (Hélio Santos, Heitor Barbosa). Destes, permanecem à frente do grupo, seis décadas depois, Norberto (85 anos) e Raul (89), fato que torna o hoje octeto sério candidato a figurar no Guiness Book como o mais antigo grupo musical brasileiro em atividade com membros originais.
Além dos milhares de bailes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Paraná, Argentina e Uruguai, a trajetória do grupo inclui seis discos de 78 rotações, dois compactos, dois discos de 10 polegadas e 12 LPs pelas gravadoras Odeon, Philips e Continental (todos ainda inéditos em CD), além de programas fixos na Rádio Farroupilha e Gaúcha e TV Piratini, sempre com sucesso de audiência.
Capas de discos do conjunto. Foto: reprodução
A saga do grupo foi detalhada pelo jornalista e pesquisador Marcello Campos no livro independente Week-End no Rio, lançado em 2006 e rapidamente esgotado.
















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