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Posts com a tag "tramandaí"

Nefasto pragmatismo

18 de abril de 2013 0

Existe uma enorme contradição no triste ato da diretoria da SAT (Sociedade Amigos de Tramandaí) em permitir a demolição da sede da instituição para viabilizar a gestão do clube. Quem abre a página da SAT na internet, encontra, logo no cabeçalho, uma foto panorâmica do prédio tão familiar, motivo do afeto de tantos veranistas e moradores daquele balneário. É de supor, portanto, que exista orgulho e zelo pela fachada icônica do edifício, que é (foi?) a cara e o cenário de uma longa história.

A sede da SAT, na Avenida da Igreja, nesta semana, e no cabeçalho do site na Internet.
Primeira foto: Ed Oliveira, arquivo pessoal. Segunda foto: reprodução do site.

Aliás, nessa mesma página inicial, que representa digitalmente o clube na rede, não se encontra nenhum item com dados sobre a história da agremiação. A explicação pode ser a mesma da “falta de recursos”, para atualizar o site, aquela que  “obriga” os responsáveis a suprimir o passado para manter o presente. Mas pode ser também que seja uma sintomática e eloquente falha: quem desconhece o decorrido não tem motivo nenhum para valorizá-lo.

Diva Mesquita é eleita rainha do Carnaval de 1962.
Foto: Banco de dados, Última Hora, 25/02/1962.

Megachurrasco na inauguração de  novas instalações em 1978.
Foto: Arivaldo Chaves, banco de dados, 08/01/1978.

Lembrança de Tramandahy

18 de março de 2013 3

Nesta semana, entraremos no outono. O verão que acaba passará a fazer parte da memória. Talvez um dia, daqui a muitos anos, alguém decida contar aos nossos pósteros como era o veraneio em nosso Litoral nas primeiras décadas do século 21. Fico imaginando se nossas fotos, tiradas com câmeras digitais ou smartphones, despertarão tanta curiosidade e serão tão esquisitas como as que ilustram o livro que Felipe Kuhn Braun lançará no próximo mês.

Foto: reprodução

Tramandahy: as Idas à Praia no Início do Século XX é uma publicação de 125 páginas, com mais de uma centena de fotografias, que conta como eram os costumes quando os descendentes de alemães decidiram ocupar a pequena vila de pescadores e utilizá-la como balneário.

Cartão-postal mostra veranistas diante do Hotel Sperb

Felipe revela que um passo importante nesse sentido se deu quando, em 1898, Eneas Sperb, um hoteleiro de São Leopoldo, resolveu inaugurar um novo empreendimento próximo ao mar. Nessa época, a viagem do Vale do Sinos até o Litoral podia levar até três dias e meio sobre uma carreta de bois.

Famílias de posses usavam os automóveis para ir à praia

Nos primeiros 30 anos de ocupação daquela região, praticamente não havia casas particulares – e, quando havia, eram modestas como as acomodações fornecidas pelas hospedarias.

Outras imagens de cartão-postal

Formado em Jornalismo e pós-graduado em História, o autor pesquisou por nove anos para conseguir esse retrato fiel do passado. Quem sabe, no futuro, seremos nós os personagens da história.

As fotos deste post são reproduzidas do livro Tramandahy: as Idas à Praia no Início do Século XX.

Novas do bonde

03 de junho de 2012 0

O bonde na areia de Tramandaí, mostrado aqui no blog Almanaque Gaúcho durante a semana passada (leia aqui), segue repercutindo. A leitora Clair Meneghetti enviou à coluna uma foto feita em 1970, na qual aparece seu falecido avô, Albino Olinto Schmaedecke, com o bonde ao fundo. Um retrato dos veraneios de outros tempos.

Foto: arquivo pessoal

Outra leitora que lembrou do bonde em Tramandaí foi Marlise Lautert, que enviou um relato sobre o funcionamento do bar e lancheria no bonde. Seguem trechos:

"A foto do bonde é em Tramandaí, lembro muito bem e até tenho foto minha em cima dele. Se reparar bem, ao fundo, há um barco ou aquela boia do Tedut, no mar. Este bonde foi colocado nas proximidades do Edifício Hoffmeiter, na Beira Mar, 1.088. Eu lembro que brincamos muito, a imaginação punha até asas no bonde (hehehe). Naquela época não havia quiosques na beira da praia, apenas ambulantes, e foi considerada uma ideia de vanguarda instalar uma lanchonete-barzinho, muito original, dentro do bonde."

Agradecemos aos leitores pela atenção e pelas mensagens.

Bonde sem mistério

31 de maio de 2012 7

O leitor Regis Zigue esclareceu a história da foto do bonde na praia, publicada ontem aqui no Almanaque Gaúcho.

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

Explica ele, por e-mail, que sua família adquiriu o veículo da Cia. Carris para transformá-lo em bar e lancheria nas areias de Tramandaí. O estabelecimento funcionou por cerca de quatro anos, a partir do verão de 1970 para 1971. Veja trechos da mensagem de Regis:

"Aquele bonde foi comprado da Cia. Carris por meus pais Augusto Lautério Zigue e Zeny do Nascimento Zigue, e colocado nas areias da praia de Tramandaí. A localização era a seguinte: seguindo pela rua da Igreja, ao chegar na praia, cerca de 500 metros à esquerda.

Os bonde nº 2 da Carris foi transformado em um bar e lancheria, onde trabalhei com meus pais e irmãos por alguns anos durante os verões. A foto é realmente do ano de 1970, antes de o bar ficar pronto e entrar em funcionamento no verão de 1970 para 1971.

Lembro, porém, que o bonde não ficou muito tempo em atividade, no máximo quatro anos. Era inviável financeiramente, porque na época Tramandaí não tinha uma população residente como existe hoje, e isso impossibilitou o funcionamento do bar o ano todo. Os adultos tinham empregos fixos em Porto Alegre durante o ano e no verão se tornava difícil a permanência deles na praia, a não ser que estivessem em férias. Às vezes, apesar de bem jovem (14 anos), eu passava a semana inteira atendendo sozinho no bar. Esses problemas de "operacionalização" imagino que também tenham sido preponderantes para que a ideia do bonde fosse abandonada, infelizmente.

O bonde foi vendido depois e, se não me falha a memória, os compradores tinham a intenção de colocá-lo no pátio de algum colégio. O município onde estaria localizado aquele colégio, infelizmente, não me recordo."

O trajeto do bonde até o Litoral foi um episódio à parte. O veículo foi levado na carroceria de um caminhão pela RS-030, já que ainda não havia freeway. Regis lembra que não foram feitas fotos da viagem, mas conta a história pelos relatos de seu irmão mais velho, Loeci Antônio Zigue, já falecido:

"Meu irmão Loeci acompanhava o transporte em um Ford 1949, que já era velho naquele ano de 1970. O carro teve problemas mecânicos em Gravataí e ele perdeu de vista o caminhão e sua preciosa carga. Feitos os reparos necessários no Ford, ele se encaminhou o mais rápido possível para tentar alcançar o caminhão e o bonde. Foi tão rápido que acabou ficando em dúvida se já não havia ultrapassado o caminhão, caso o motorista tivesse parado para descansar em algum posto de gasolina ou restaurante.

Em Santo Antônio da Patrulha, às margens da rodovia, havia um posto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) _ onde, naturalmente, sempre havia algum engarrafamento pela velocidade reduzida dos veículos ao passar pela PRE.

Já nervoso e em dúvida sobre a localização do bonde, Loeci colocou quase todo o corpo para fora da janela do carro e perguntou bem alto para o policial que estava dentro do posto:

- Tu viu se passou algum bonde por aqui?

Talvez vocês possam imaginar a expressão das pessoas que escutaram pergunta e as risadas que seguiram, mas talvez ninguém possa imaginar a reação das pessoas quando o policial, lá de dentro do posto, respondeu, em voz mais alta ainda:

- O bonde? Acabou de passar. Se te apressares, poderás encontrá-lo logo ali, talvez antes de Osório."

Agradecemos ao Regis pelo relato, esclarecendo o mistério do bonde da praia.

Dindinho & Lilico

20 de fevereiro de 2012 2

Um dia, no início dos anos 1960, olhei pela janela do nosso chalezinho de madeira na esquina da Avenida Paraguassu com a Maranguab e fiquei encantado com a novidade. Um trenzinho puxado por um jipe circulava por Capão da Canoa. Era um novo meio de transporte, que chamavam Lilico.

Fiquei sabendo, muito depois, que foi o senhor Nery Farias, em 1960, em Tramandaí, o introdutor desse tipo de veículo nas praias gaúchas. A inspiração era um antigo bonde – que andava sobre trilhos e era puxado por um Ford de Bigode – que entrou em operação no final dos anos 1920 para levar os veranistas dos hotéis até a beira-mar. A dificuldade em conseguir peças de reposição na época da II Guerra inviabilizou a linha.

Quando Nery fabricava os primeiros vagões, agora com pneus, o menino Carlos Renato, seu sobrinho e afilhado, com idade por volta dos cinco anos, frequentava a oficina e perguntava sobre tudo o tempo todo: "Dindinho, o que é isso? Dindinho, o que e é aquilo? O que estás fazendo, Dindinho?" Estava aí a resposta para a questão que atormentava Nery: como batizar a nova frota.

Dindinhos em Tramandaí em 1961. Fotos: banco de dados




Dindinho no trajeto Cidreira-Pinhal. Foto: Gerson Schirmer, BD, 17/1/1973

No rastro dos Dindinhos de Tramandaí, surgiram os Lilicos de Capão, isso lá por 1964, por obra de Antonio Porto Emerim, apelidado de Nico. Em 1977, Nico vendeu a empresa para Otavio Souza. São os filhos de seu Otávio que tocam o negócio, hoje, em Capão.

O Dindinho de Tramandaí evoluiu, com a empresária Simone Marques de Souza, para o Carrossauro, que tem até acessibilidade para cadeirantes. Dindinho, Lilico ou Carrossauro, o nome não importa tanto, boa mesmo é a ideia – e a brisa do verão no rosto.

(colaboraram Leda Soares e Odilon V. de Souza)

Você lembra dos antigos dindinhos do Litoral? Deixe seu comentário.

Nas guaritas

10 de fevereiro de 2012 6

Neste verão, em torno de 750 salva-vidas estão se revezando nas guaritas do Litoral Norte, cuidando dos banhistas. Uma atividade cuja tradição, no Rio Grande do Sul, já atravessa mais de sete décadas. Nesse tempo, como se pode ver nas fotos que ilustram este post, os postos de observação destinados aos guardiões da vida na praia mudaram bastante – no tempo e no lugar. Hoje, as casinhas são padronizadas e singelas, mas houve um tempo em que cada praia tinha sua arquitetura própria – ora mais simples, ora mais sofisticada.

Torres em 1970. Fotos: banco de dados

Zona Nova, em Capão da Canoa
Tramandaí
Relógio operado manualmente pelos salva-vidas nas guaritas de Capão da Canoa

Um dos primeiros a ocupar uma dessas guaritas foi o homem da foto acima, tirada em Capão da Canoa em 1944. A convite da prefeitura de Osório, em 1936, Manoel Albino de Castro Filho começou um período de mais de três décadas realizando salvamentos em praias como Santa Teresinha, Tramandaí e Capão da Canoa.

Neto de marinheiro e irmão de outros sete salva-vidas, ele viveu muitas aventuras. Em uma ocasião, por exemplo, teve de usar uma corda para salvar nove pessoas – e outras quatro logo em seguida – de uma só vez. Devido à intensa exposição ao sol durante os anos de trabalho, acabou perdendo a visão no olho esquerdo.

Histórias contadas a Zero Hora em reportagem publicada em março de 1991, quando Manoel já estava aposentado, morando nos arredores de Capão da Canoa.

Você lembra de outras guaritas ou salva-vidas que fizeram história? Deixe seu comentário.

A aventura de ir à praia

09 de janeiro de 2012 7

A inauguração da Freeway, em 1973, abriu uma nova fase na relação entre os gaúchos e o Litoral Norte. O percurso entre Porto Alegre e Tramandaí, por exemplo, passou a ser feito em menos de duas horas – o que, décadas antes, podia levar um dia inteiro. No início do século 20, por exemplo, era comum os veranistas-aventureiros se deslocarem para a orla usando carroças puxadas por bois ou cavalos, como na foto abaixo.

Foto: reprodução

Em Tramandaí, a questão do deslocamento era até mais importante: como a cidade nasceu às margens do rio, o centro ficava a mais de um quilômetro do mar.

O Rio Tramandaí em 1943. Foto: reprodução

Muitos hotéis se concentravam na Avenida Capitão Antônio Mariante (hoje Emancipação), como é o caso do Beira-Mar – ao lado, em sua versão antiga, com chalés de madeira, substituídos nos anos 1960 pelo prédio atual.

Imagens do Hotel Beira-Mar feitas entre as décadas de 1940 e 1960. Fotos: reprodução

O transporte para a praia, ao longo dos anos, foi feito com carretas, bondes, ônibus e dindinhos.

Você lembra desse período? Deixe seu comentário.

Roupa de banho

05 de janeiro de 2012 2

Foto: banco de dados

A foto acima, que mostra um grupo de banhistas aproveitando o mar de Tramandaí em um verão dos anos 1930, comprova que a moda das praias mudou muito ao longo do século 20.

Como se vê, muito tecido foi economizado depois dos anos 1950, quando os biquínis (cujo nome alude ao atol de Bikini, no Pacífico) começaram sua jornada rumo à popularidade – e também à exiguidade.

Choque de ordem

30 de dezembro de 2011 3

A Zero Hora de ontem informou que a Operação Golfinho, da Brigada Militar, terá este ano um reforço de 800 policiais a mais do que no verão anterior, elevando o número de envolvidos para um total de 4,7 mil homens.

Se alguém quiser saber como era antigamente, pode perguntar ao ex-guarda civil Valdevino Francisco da Silva, 79 anos, como fez o Almanaque Gaúcho ontem. Ele, lúcido e forte, vai contar que, durante o veraneio de 1955, depois de alguns distúrbios e vandalismos promovidos em Capão da Canoa por "filhinhos de papai" da "juventude transviada", o delegado Moisés Golubcik, titular da 10ª Delegacia de Polícia, no Bom Fim, na Capital, foi procurado por amigos e moradores do bairro, muitos dos quais passavam as férias naquele balneário. Eles pediam providências urgentes para que houvesse ordem e que a paz pudesse voltar à praia.

Atendendo à solicitação, o delegado falou com a chefia da Polícia Civil, que determinou o imediato envio de um grupo de policiais do "Choque" – o batalhão de elite da Guarda Civil.

Fotos: arquivo pessoal

Os guardas foram ao Litoral para resolver a questão e voltar, mas os apelos para que ficassem foram mais fortes. As calças compridas deram lugar às bermudas e, a partir de 1955, todos os anos, 15 homens eram destacados para a vigilância de Capão.

Em 1956, Tramandaí também passou a receber outros 15 policiais. Em Capão, eles dormiam numa barraca (cedida pelo Exército) montada no pátio da caixa d’água – e cada hotel, por cortesia, se encarregava da alimentação de dois guardas.

Nos primórdios do que viria a ser a Operação Golfinho, apenas 30 homens atuavam para manter a tranquilidade dos veranistas no litoral gaúcho banhado pelo sol de janeiro e fevereiro.

Você lembra da Guarda de Choque na vigilância do Litoral? Deixe seu comentário.