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Tratamento abre caminhos para novas pesquisas com pacientes que sofrem de paralisia

20 de novembro de 2012 0

Na Inglaterra, cientistas da Universidade de Cambridge conseguiram devolver os movimentos das pernas traseiras a cachorros paraplégicos. Essa técnica abriu caminhos para pesquisas novas com pacientes que sofrem de paralisia.

Um cãozinho é um gigante da ciência. Ele é mais um exemplo do imenso poder da medicina. Quem vê Jasper correndo na grama atrás de seus donos, não imagina o que ele passou. Até quatro anos atrás, o animal sofria de paralisia total nas pernas traseiras. Os veterinários já pensavam em sacrificá-lo, quando os cientistas apresentaram uma nova chance: em um mês de tratamento, Jasper já conseguia dar os primeiros passos.

A técnica, publicada na revista de medicina Brain, consiste em retirar células do focinho e injetar no nervo lesionado. As células nervosas do nariz, tanto de pessoas quanto de animais, são capazes de se multiplicar e crescer rapidamente. Quando aplicadas na coluna, conseguem construir uma ponte entre os nervos que foram separados em um acidente, por exemplo.

Já estão sendo feitos os primeiros testes em humanos, mas os pesquisadores deixam claro que essa técnica não será capaz de curar totalmente a paralisia. O processo poderá ser usado em breve como parte de uma terapia envolvendo outros métodos.

O doutor Robin Franklin, coordenador da pesquisa, lembra que cachorros andam em quatro patas. Isso significa que o tratamento para seres humanos terá um efeito diferente, mas a técnica será a mesma: criar um número grande de células nasais e injetá-las na coluna lesionada. Jasper é uma prova viva de que a ciência está no caminho certo.

Porque o nariz?

Após chegar a idade adulta, o nariz é a única parte do corpo em que terminações nervosas continuam a crescer.

As células foram retiradas da parte posterior da fossa nasal. São células especiais que rodeiam os neurônios receptores que nos permitem sentir cheiros e convergir estes sinais para o cérebro.

Os cientistas dizem que as células transplantadas regeneraram fibras na região lesionada da medula. Isto possibilitou que cachorros voltassem a usar as suas patas traseiras e coordenar o movimento com as patas da frente.

Em humanos, o procedimento poderia ser usado em combinação com outras drogas para promover a regeneração da fibra nervosa e substituir tecidos lesionados.

Geoffrey Raisman, o especialista em regeneração neurológica da University College London, descobriu em 1985 este tipo de célula olfativa, que foi usada na pesquisa de agora.

Ele avalia que este foi o maior avanço dos últimos anos na área, mas diz que não é a cura para lesões de medula. “O procedimento permitiu que um cachorro lesionado voltasse a usar suas pernas traseiras, mas as diversas outras funções perdidas em uma lesão de medula, como uso da mão, controle da bexiga e regulação de temperatura, por exemplo, são mais complicados e ainda estão muito distantes”.

Na pesquisa, as novas conexões não ocorreram em longas distâncias, necessárias para conectar o cérebro a medula. Os pesquisadores do MRC disseram que em humanos isto seria vital para pacientes com lesões na medula, que perderam funções sexuais e o controle da bexiga e do intestino.

Fonte: Jornal Nacional e BBC Brasil.

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