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Livro do Êxodo

11 de outubro de 2007 1

Como quem traz nas mãos uma estilhaçada louça de família,

trago essas crianças perdidas,

entre andores e imagens,

na procissão insana dos humanos.

Seus vizinhos,

pessoas comuns, morando ali na esquina,

as arrancaram de casas invisíveis,

onde havia uma cidade, um povoado.

Sua pátria é só memória,

lamento escrito às pressas

num muro derrubado.

São dura substância, essas crianças.

O riso lateja ainda em seus olhos mudos.

Posso senti-lo, lagarto absurdo, pastoreando sonhos.

Bastaria, para vê-lo consentido,

a paz da mesa posta ao fim da tarde

e o pátio que lhes foi roubado.

Crianças arrancadas continuam.

Insistem no vício da esperança.

( Ana Mariano )

Postado por ana mariano

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Comentários (1)

  • R.M diz: 13 de outubro de 2007

    Outubro é o mes do êxodo por todas as crianças que fomos!A inocência é só uma vez!
    Fantástico o teu poema!!!Já o conhecia do teu livro,mas quando relido é como a primeira vez.

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