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Posts do dia 8 dezembro 2007

Alimentando Papai Noel

08 de dezembro de 2007 0

                 

                  Quando contei a história dos Enterros, os tesouros que eu insistia em desencavar mesmo sabendo que não existiam, eu disse que era como acreditar em Papai Noel. Agora, vou explicar melhor.  

 

                     Talvez porque minha mãe estava sempre viajando, se dividindo entre a estância e a cidade, talvez porque eu achava que assim devia ser , todos os anos era eu quem montava a árvore de Natal e o presépio .

 

                      Pequena ainda,  fazia tudo com grande seriedade. Primeiro armava o pinheiro de mentira, pendurava os enfeites ( quebravam muito , lembram ? ) , fazia cair neve de algodão, colocava velas. Naquele tempo, não existiam  luzinhas.

 

                 Depois, armava o presépio. Com papel pardo e uma caixa de sapatos , montava a gruta onde ficavam São José, Nossa Senhora, o berço do Menino Jesus ( vazio até o dia 25), a vaca, o anjo e o burrinho.

 

                 Feito isso, colocava os demais figurantes: os reis magos ( que a cada dia eu  aproximava mais da gruta, como se caminhassem) , os pastores, três ovelhas, um galo e os dois patinhos. Para esses, eu montava um pequeno lago de espelhos  cercado de pedras e areia recolhidas na calçada. Havia calçadas naquele tempo, era onde se brincava de sapata e caçador, e havia também terrenos baldios

 

                Dia 24, antes de ir dormir , colocava, perto da árvore, um copo de leite e um prato com biscoitos para o Papai Noel.

 

                 No meio da noite, levantava, derramava o leite na pia da cozinha ( não gosto muito de leite), comia alguns biscoitos e amassava outros , deixando cair farelos.

 

                 Primeira a acordar, na manhã de Natal, corria para a sala e, com SURPRESA !! grande e real como essas letras , gritava :

 

– o Papai Noel veio ! o Papai Noel veio ! e vocês não vão acreditar ! ele tomou o leite e comeu todos os biscoitos! Devia estar com muita pressa, deixou tudo sujo de farelo.

 

            Freud explica ? Talvez, mas prefiro acreditar que o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.

Postado por ana mariano