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Posts do dia 18 dezembro 2007

Mas afinal, o que é realidade ?

18 de dezembro de 2007 0

 

Ontem, depois de terminar as últimas compras de Natal, sentei para tomar um café e, na mesa ao lado, uma senhora , um pouco mais velha que eu, conversava animadamente com uma cadeira vazia.

 

Era uma conversa normal. O rosto, expressivo, não era triste. Sem grandes gesticulações, sem grandes ênfases, normalmente, ela conversava com alguém, apenas, esse alguém não estava ali.

 

Num primeiro momento, senti aquele mal-estar que a gente sente quando algo que nospena. Pensei em solidão, uma senhora sozinha no shopping com algum problema mental, e sendo, talvez, objeto de risos e piadas.

 

Depois, tentei me colocar no lugar dela.

 

Pensei, e se ela está sonhando? E se para ela existe alguém ali, de verdade ? Quem é mais de verdade, ela ou o sonho dela ? Quem me assegura que essa senhora  e eu não somos apenas sonhos e que a pessoa invisível com quem ela está conversando não é a verdadeira  ?

 

Vocês devem estar pensando, agora sim, endoidou de vez !

 

Tudo bem, estou lendo o último livro do Harry Potter ( sim, senhores intelectuais, Harry Potter) e estou enfiada até a garganta em sonhos e magia, mas não estou sozinha nisso. Borges está comigo ( se ainda não o fizeram, leiam Ruínas Circulares, um conto lindíssimo do Borges sobre um homem que sonhava que criava um homem e....   não vou contar o fim, tem na Internet ) Octávio Paz, o escritor mexicano ganhador do Nobel de Literatura, está comigo e , dá um exemplo muito bonito do que estou tentando dizer numa poesia que se chama, justamente:

 

Exemplo

 

A borboleta voava entre os carros.

Maria José me disse: deve ser Chuang Tzu

passeando por Nova York,

Mas a borboleta

não sabia que  era uma borboleta

que sonhava ser Chuang TZu

ou Chuang Tzu que sonhava ser uma borboleta.

A borboleta não duvidava: voava.

                                               Octavio Paz

 

Outro dia falo da borboleta e de Chuang Tzu, por agora pergunto :

 

Quem é mais digna de pena e riso, a senhora que acredita tanto em seus sonhos que até fala com eles ou nós, com vergonha de sonhar ?

Postado por ana mariano

Classificados II

18 de dezembro de 2007 0

Paulo Almeida

Tenho penúria de amor, daqueles doces, melados, envoltos em palha de milho, puxa-puxa esfiapado das antigas carrocinhas. Não quero amor complicado.

Postado por ana mariano