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Posts de janeiro 2008

Nada se cria, tudo se transforma

31 de janeiro de 2008 2

A máxima - nada se cria tudo se transforma -  vale também para a literatura.

Lembram do bolero ?

Pois olhem esse poema do Amado Nervo, poeta mexicano nascido em 1870 e falecido em 1919. 

Alguém sabe quem escreveu o bolero e quando? Fiquei curiosa.  

 

Postado por ana mariano

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El dia que me quieras

31 de janeiro de 2008 2

 

El dia que me quieras tendrá más luz que junio;

la noche que me quieras será de plenilunio

con notas de Beethoven vibrando en cada rayo

sus inefables cosas 

y habrá juntas más rosas

que en todo el mes de mayo.

Las fuentes cristalinas

irán por las laderas

saltando cantarinas

el dia en que  me quieras.

El dia que me quieras, los sotos escondidos

resonarán arpégios nunca jamás oidos.

Extasis de tus ojos, todas las primaveras

que hubo y habrá en el mundo, serán cuando me quieras.

Cogidas de la mano, cual rubias hermanitas

luciendo golas cándidas, iran las margaritas

por montes y praderas

delante de tus pasos, el dia que me quieras…

Y si deshojas una, te dirá su inocente

postrer pétalo blanco: Apasionadamente!

Al reventgar el alba del dia que me quieras,

tendrán todos los tréboles cuatro hojas agoreras,

y en el estanque, nido de gérmenes ignotos,

floresceran las místicas corolas de los lotos.

El dia que me quieras será cada celaje

ala maravillosa; cada arrebol miraje

de las Mil Y Una Noches; cada brisa un cantar,

cada árbol una lira, cada monte un altar.

El dia que me quieras, para nosotros dos

cabrá en un solo beso la beatitud de Dios.

 

                                                        Amado Nervo

        

                                                       

 

Postado por ana mariano

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Harmonia universal

30 de janeiro de 2008 0

Não conheço quase nada ( prometo que vou estudar), mas sou fascinada pelos santos e orixás da religião afro.

 

Assim como os deuses gregos, e diferentes do atual Deus cristão, eles são deuses humanos no sentido que são representações das paixões humanas. Têm, como nós, defeitos e qualidades. A diferença é a imortalidade.

 

Digo o atual Deus cristão porque, se lermos o Antigo Testamento, o Deus que aparece tem tambémdefeitos”. É capaz, por exemplo, de numa discussão com o Diabo, torturarpara provar ao capeta que ele, Jó, é um homem fiel. Situação que, convenhamos, não combina com a atual idéia que se tem de um Deus justo e misericordioso.  

 

EmDeus,uma biografia – (livro que recomendo) , Jack Miles, um americano, teólogo e ex-jesuíta , doutor por Harvard, examina Deus, não do ponto de vista religioso mas  como um personagem  da Bíblia .

 

O Deus, personagem bíblico dos primeiros tempos, não é nem distante nem isento.  Prefere, sem maiores explicações, as oferendas feitas por Abel às de Caim (o que terminou servindo de “razãopara o assassinato) , castiga um general de Israel por ter sido misericordioso e poupado a vida de um inimigo. É, ao mesmo tempo, um Deus assustador e familiar, preocupado, por exemplo, de forma tardia, com a infertilidade de Sara .

 

Mas sobre esse assunto e esse livro falo outro dia, foi para explicar o que quis dizer com a expressãoatual Deus cristão.

 

Na proximidade do dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora dos Navegantes e de Iemanjá, o que gostaria de colocar em discussão é esse paralelismo entre os santos católicos e os santos afros.

 

Na minha ignorância, que descubro cada vez maior, eu achava que esse era um fenômeno nosso, brasileiro, nascido da proibição feita aos escravos para cultuarem seus deuses.

 

Estava enganada, a coisa não nasceu aqui, vem de mais longe.

 

O outro da sereia, livro do Mia Couto, escritor moçambicano, sobre o qual falei, desenvolve-se ao redor de uma imagem transportada de Goa a Moçambique numa primeira e fictícia tentativa de levar a religião católica à África.  Para os padres jesuítas que a transportam tratava-se de uma imagem de Nossa Senhora, os escravos, porém, reconhecem nela uma divindade das águas, algo parecido à “nossaIemanjá.

 

Dizem que esses assuntos tão discutidos – política, religião e futebol-  não se discute.

 

Não estou discutindo religião. Sou batizada mas, pelas dúvidas, no dia 31 de dezembro, sempre que estou perto do mar, faço meus pedidos a Iemanjá. Vocês não ?

 

Acho que, no fundo, não importa o nome, o que importa é nossa tentativa de buscarmos uma harmonia com essa força inexplicável, ou pelo menos ainda não totalmente explicada,que move o universo.

 

Somos, talvez, como aquele relógio parado, os ponteiros marcando sempre uma determinada hora.  Em dois momentos do dia, apenas dois, ele estará marcando a hora certa, estará em harmonia com o tempo universal.

Postado por ana mariano

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Idade certa para certas coisas

28 de janeiro de 2008 7

Quando éramos crianças, ouvíamos : não faz assim, tu não tens idade pra isso.

 

o tempo passou e nos deram uma trégua.  Tínhamos a idade, talvez ?

 

Agora, depois de um certo tempo, recomeçaram: não tens mais idade para certas coisas !

 

Como assim, não tenho idade ?

 

Se, quando eu era menina, incentivavam o adulto que se iniciava em mim, por que agora não aceitam a menina e a adolescente que, felizmente, sobrevivem?

 

Pois saibam que, por antiguidade, se não por merecimento, fui promovida, tenho direito a todas as idades.

 

E não apenas eu.

 

Qualquer ser humano, para ser humano e vivo, precisa da criança que nada sabe mas quer saber, que inventa, que se espanta, que vive no estranhamento.

 

È como diz Julio Cortazar:  Sempre serei como um menino para tantas coisas, mas um desses guris que desde o começo carregam consigo o adulto, de maneira que quando o monstrinho chega verdadeiramente à idade do adulto ocorre, que, por sua vez, carrega consigo o menino, e no meio do caminho se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de pelo menos duas aberturas para o mundo.

 

E Drummond:

 

Essas coisas

 

Você não está mais na idade

de sofrer por essas coisas.”

 

então idade de sofrer

e a de não sofrer mais

por essas, essas coisas ?

 

As coisas deviam acontecer

para fazer sofrer

na idade própria de sofrer?

 

Ou não se devia sofrer

pelas coisas que causam sofrimento

pois vieram fora de hora, e a hora é calma?

 

E se não estou mais na idade de sofrer

é porque estou morto, e morto

 

é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?

                                              

Longa vida à nossa eterna meninice, longa vida  à  louca da casa, como dizia Sta. Teresinha.

Postado por ana mariano

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Cabelos brancos

28 de janeiro de 2008 1

Cabelos brancos, marca o calendário.

Não é mais tempo de flores ocultas.

O que vivia no emaranhado,

o que era febre, pranto e ressonância

de flor oculta, nos cabelos brancos,

ninho forçado de sabedorias,

deve tornar-se terra devoluta,

deve morrer em branca simetria.

Na casa antiga,  tumba de quimeras,

com meus fantasmas, plácidos fantasmas,

confundo noites, entrelaço dias.

Tento bordar fronteiras e limites,

e as porteiras fechadas de um potreiro

onde fui égua e garanhão um dia.

Mas é incerta a colcha onde os retalhos

ora são muros, ora são demônios

reinventando flores, não apenas brancas

 

Postado por ana mariano

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Encomenda

27 de janeiro de 2008 1

 

Desejo uma fotografia

como esta – o senhor ? – como esta:

em que para sempre me ria

com um vestido de eterna festa.

 

Como tenho a testa sombria,

derrame luz na minha testa.

Deixe esta ruga, que me empresta

um certo ar de sabedoria.

 

Não meta fundos de floresta

nem de arbitrária fantasia

Não… Neste espaço que ainda resta

ponha uma cadeira vazia.

 

                                               Cecília Meireles

Postado por ana mariano

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Poeta ou poetisa?

27 de janeiro de 2008 2

Embora sinta O Prazer das Palavras, não sou nenhum Claudio Moreno, ao contrário, sou péssima em gramática. Às vezes me pego escrevendo jeito com g, igual aos portugueses, deve ser algo atávico.

 

Acentos? um fracasso. Mas também, ficam mudando toda hora, aliás sou do tempo em que tôda tinha acento para diferenciar de toda ( um pássaro, segundo me ensinaram). 

 

Vírgulas? Silêncio reverente cada vez que alguém me explica as regras.

 

Pois, apesar de tudo isso,  para mim, logo para mim, perguntam : afinal, é poeta ou poetisa?

 

Segundo o Houaiss ( um ótimo amansa-burro, como diria o meu pai) , poetisa é o feminino de poeta. Portanto, gramaticalmente, o correto seria poetisa.

 

No entanto, poeta, substantivo masculino, pode ser usado como um termo genéricofulana tem alma de poeta . 

 

Assim, sem romper com a gramática, de uns tempos para , nós, mulheres, preferimos poeta ao invés de poetisa. É uma forma de evitar a cisão entre poesia masculina e feminina.  Poesia é poesia e pronto.

 

Eu sei. Concordo com vocês: há diferenças entre homens e mulheres. Une petite difference, et vive la difference!  

 

Justamente por reconhecer, e gostar, da diferença, eu, embora use o termo poeta para todas as mulheres que escrevem poesiasempre achei que há, entre elas, algumas que, pela delicadeza e feminilidade, são poetas-poetisas. Um exemplo? Cecília Meireles. Hilda Hilst, eu nunca teria a coragem de chamar de poetisa.

 

Portanto, para resumir, de uns tempos para , usa-se o termo poeta porque  “ considera-se que o poeta tem sempre coisas a dizer; mas a poetisa, não. Em geral o homem costuma segregar a mulher que escreve, que é, por assim dizer, uma mulher prendada. Dizem os homens que a poesia na mulher é uma habilidade(…) A mulher também tem o que dizer. Tal como o homem, também tem uma experiência humana.”

 

Pela correção do parágrafo acima ( tem até ponto e vírgula !) e por ele estar entre aspas, vocês devem ter adivinhado que estou citando alguém.

 

Estou, e sabem quem ?

 

Cecília Meireles. A poeta mais poetisa que conheço.

Postado por ana mariano

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Homenagem

26 de janeiro de 2008 0

Por razões sobre as quais falarei  numa outra hora, tenho o hábito de ler obituários.

 

Nesta semana,  me entristeceu ver a foto de uma  jovem senhora de 41 anos ( um rosto lindo! )  que perdeu a batalha conta o câncer, deixou  marido e duas filhas pequenas.

 

Para a senhora que eu não conhecia, para Mariza, minha cunhada, e Ana, minha amiga, para todos os que partiram, para todos os que venceram e para os que ainda lutam e levam, com muito orgulho, no corpo, na ausência dos cabelos, os sinais dessa batalha eu dedico Cabelos de Guerra.

 

Postado por ana mariano

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Cabelos de Guerra

26 de janeiro de 2008 1

 

Os teus cabelos tão curtos,

quietos cabelos de guerra,

penugem de ave clara,

asas cortadas, tão largas!

no próprio corte voavam.

E neste vôo  atalhado

negavam a morte recente

que presa ao seio levavas.

Postado por ana mariano

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Retorno

26 de janeiro de 2008 4

Um mês de férias nunca é demais , mas o que nos espera quando se chega é demasiado. Escritório, casa, essas coisas que todos conhecem. Desculpem por ter estado ausente. Aliás, espero que tenham notado e  sentido falta. Eu senti.

Postado por ana mariano

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