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Olhos de cadela

11 de abril de 2008 3

                            

Ao castanho que a faz comum, ao branco

raiando, repentino e breve, no seu pêlo

ela mistura o cio, já cansado o flanco 

e na veloz vertigem de cem mil veleiros,

sai a buscar seu mastro.

Pelo estreito beco, alheia a outros sonhos,

silêncio retorcido entre silêncios indo,

é carne peregrina e, dos que passam, tela.

Cercada pelo pó, o nojo transeunte

recebe, conformada, falos sem memória

Precisa ter seus filhos. Como? Não importa.

Úmidas mucosas, misteriosos cheiros,

fazem dela escrava, independente e bela,

turgidez de tetas aleitando a história.

Por que seremos nós mais do que ela ?

Em ondulantes quartos de caladas guerras,

gravitamos Eros, voz dos que hão de vir,

ventos sem tutelas.

Ainda que jamais abandonemos Tróia,

buscamos novos sonhos , queremos outras terras

exalamos cheiros,  quebradiças velas,

seios maternais, olhos de cadela.

Postado por ana mariano

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Comentários (3)

  • ana mariano diz: 12 de abril de 2008

    Oi Ricardo, quando publiquei o Olhos de Cadela,um jornalista me ligou e disse – que tu eras uma pessoa especial eu sabia, mas que tinha culhões, isso eu não sabia! Teu elogio tem o mesmo sabor, obrigada,um beijo

  • angela diz: 11 de abril de 2008

    Olhos que vêem o vazio e a espera do preenchimento.Aquele olhar protetor, maternal que os olhos de cadela têem e nos remete à lembrança de Helena de Tróia sempre tão desejada.Gosto muito deste teu poema,é lindo demais!!!

  • Ricardo diz: 11 de abril de 2008

    Nessa tríade mulher, sexo e maternidade; no jogo de cores e sensações; nesses olhos de cadela, Ana Mariano é uma deliciosa escritora, úmida, visceral, PORRETA!!!

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