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O Cúmplice

13 de abril de 2008 8

 

É bom te ter  na cama larga,

perfumada de lavanda e alecrim.

Neste mundo envolvente de lençóis sou tua dona.

Mas por vezes, em insones madrugadas,

sou tua escrava e tu és dono meu.

Sei que outras mãos te fizeram assim tão sábio.

És o reflexo dos que sobre ti pensaram.

Pouco importa este adultério partilhado,

tenho eu também o meu passado

que te confesso em setas, riscos, sublinhados.

Quando sussurras amor ao meu ouvido

eu te sonho vital, absoluto.

Me fazes rir,

és alegre, engraçado.

Podes ser difícil , complicado e te  rejeito

para, depois, humilde, penitente

ir te buscar e tentarmos novamente.

Conheço uma a uma as tuas marcas,

dobras do tempo que a nós dois rubrica.

Em ti, como num mapa muitas vezes manuseado,

encontro meu caminho e me perco .

És o epílogo onde sucumbo prazerosa.

Quando chego à tua última página roço teu dorso

com dedos silenciosos.

Antevejo o reatar da conversa interrompida,

o retorno à casa.

Porque enquanto existirmos, tu ou eu,

nossa história tem um fim

mas não acaba.

Postado por ana mariano

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Comentários (8)

  • angela diz: 13 de abril de 2008

    O que tem alma vive.Portanto enquanto o poeta existir a história não tem fim.Os livros dos poetas não precisam nem de explicação nem de defesa.São pacientes.podem esperar…Ana,muito lindo teu poema,que sensibildade!!!

  • Sara diz: 13 de abril de 2008

    Simplesmente divino!
    Quanto a ser um homem ou um livro, fica por conta da imaginação de cada um. E aí é que está o segredo!
    Parabéns!

  • ana mariano diz: 13 de abril de 2008

    é isso mesmo, livro, amante, eu mesma, tudo misturado ? sei lá. perguntem ao poema. um beijo

  • joão diz: 13 de abril de 2008

    Então vou escolher um deles. O poema é mesmo muito bonito, parabéns, João

  • Ricardo diz: 13 de abril de 2008

    Ana,
    Convenções… O importante em nossas vidas é se ter amante, se fazer amante. Dar e sentir prazer. Independente de homem, mulher, sexo, livro, dedo, mão. Essa libidinosa poesia é mansa e corrosiva. Óvulo fecundado. Cúmplice? De nós mesmos.
    Abraço.

  • joão diz: 13 de abril de 2008

    Lindo o poema, mas, ainda que mal pergunte, afinal, teu cúmplice é homem ou é livro ?

  • Ricardo diz: 13 de abril de 2008

    Boa. É isso aí. Bom final de domingo. Beijo.

  • Fernanda diz: 14 de abril de 2008

    Delicioso, sensível e inspirador. Para ler e reler com gosto.

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