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Sobre poetas

14 de abril de 2008 12

… porque poeta é coisa leve, e alada, e sagrada, e não pode poetar até que se torne inspirado e fora de si, e a razão não esteja mais presente nele. Até conquistar tal coisa, todo homem é incapaz de poetar e proferir oráculos.

                                                                               Platão

Postado por ana mariano

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Comentários (12)

  • Juliana diz: 18 de abril de 2008

    Vou procurar os versos da poeta. Ouvi dizer uma vez que o Mário de Andrade também era um desses privilegiados. Sorte a deles, que devem ter evitado tantas e tantas dores de cabeça na busca da palavra de som perfeito. risadas!

  • Fernanda diz: 17 de abril de 2008

    Eu confesso uma ponta de inveja de vocês. Amo escrever. Assim como amo ler poesia. Fico sempre emocionada. No entanto escrever poesia é algo misterioso (e impossível) para mim. Posso passar dias inteiros sem conseguir me inspirar para uma linha. Acho que nem em 10 anos equilibraria a emoção e a técnica. Por isso, esse debate de vocês me deixa um pouco tocada. E curiosa também.

  • Ricardo diz: 14 de abril de 2008

    Boa tarde! No teu “post” O VÔO DO FLAMINGO, do moçambicano Mia Couto, falaste que o coração é fundamental, mas Platão, diferente de Aristóteles, colocava o cérebro como o centro dos sentidos e tu, poeta que és, nos brinda agora com esse belo texto. Diga-me: antes de ser filósofo, Platão não era poeta? E o coração onde fica?

  • Ricardo diz: 16 de abril de 2008

    Na época da faculdade cheguei a publicar 2 poesias num livreto da semana de arte acadêmica. Depois, na era das “paixões desenfreadas”, escrevia com freqüência. Após 18 anos, voltei a ler e escrever alguma coisa, devagarinho. Penso ser um dom, uma habilidade, que realmente transcede. Acho muito importante crescer culturalmente (leitura, viagens, teatro, observar e conversar com as pessoas); quanto mais, maior a fluência e mandar o super-ego pro espaço.

  • Juliana diz: 16 de abril de 2008

    Oi gente! Vou entrar no debate, posso? Acho que a poesia, o cerne dela, é sim quase irracional. Mas o processo todo de criação poética não deve terminar por aí. A poesia deve ser lapidada com cuidado e dedicação. Com técnica e razão. Com paixão também, com muita paixão pensada. E leveza, a lembrar Platão. Uma entrega disciplinada. Difícil isso, não? É assim também para vocês? Eu ainda não consigo. Não tenho poemas prontos.

  • Ricardo diz: 15 de abril de 2008

    Oi Angela. O que quis questionar foi a referência a Platão, posto que discípulo de Sócrates, afirma que os poetas são medíocres, “…capazes APENAS de compor versos, de acordo com o gênero da musa que os toca…”. Acho que os poetas são e vão muito além. Beijo
    E.T.: Vou mudar o provérbio: “De médico, louco e POETA, cada um tem um pouco”. hehehehe

  • ana mariano diz: 16 de abril de 2008

    Não só pode como deve,Juliana. Eu também penso como tu mas há uns tipo a portuguesa Sofia Andersen para os quais a poesia vem pronta, morro de inveja. Eu fico meses em cima de um poema. O Trevisan me disse que levou 10 anos para terminar um. Esse equilíbrio entre emoção e técnica é muito difícil. Agora lembrei do Borges : poema é a emoção vista com serenidade, acho que é uma boa definição. O mais engraçado é que eu acho que o Platão não estava elogiando, vou falar sobre isso amanhã, elogios.bj

  • angela diz: 14 de abril de 2008

    Ricardo!Platão antes de se envolver com a filosofia socrática era poeta e excelente poeta!Foi “desencaminhado” por Sócrates.Platão condenava as ações representadas por imitação”mimesis”.Para ele :”ceder aos sentimentos que não refletimos era enfraquecer e destruir a razão”.Por isso ele se afastou da poesia para ser mais cerebral.Eis a resposta aonde está o coração.

  • angela diz: 18 de abril de 2008

    Oi Ana,difícil…muito diícil equilibrar a emoção e técnica.Escrever só versos ao sabor dos sentimentos é uma ilusão.Não é fazer poesia.Tem-se,ao contrário,necessidade da forma,da métrica,da linguagem,da seleção das palavras.E tudo isso se realiza não só no sentimento,mas na inteligência.Em minha vida escrever poemas se tornou tão vital como respirar.Como bem lembraste do Borges, também acho que é a emoção vista com serenidade.

  • ana mariano diz: 15 de abril de 2008

    Oi Ricardo e Angela, vocês dois têm razão, Platão “expulsou” os poetas da República porque não eram ” confiáveis” e, no entanto, o próprio Platão foi, de certa forma, poeta. Na verdade, Platão se contradizia muito. O trecho é do diálogo Íon onde ele fala sobre a inspiração poética. Coloquei justamente para poder discutir com vocês como acontece a poesia.Me questiono muito sobre isso conforme falei num post anterior Poemas, modo de fazer. Vamos discutir a respeito? Um beijo

  • ana mariano diz: 18 de abril de 2008

    Ricardo, conversei com o Donaldo Schuler, a respeito do teu comentário. Para Platão, me disse Donaldo, a poesia era embriaguez, e, por isso, os poetas são expulsos da República, de nada serviriam . Mas, Platão,era mesmo paradoxal. Em O Banquete, um dos seus diálogos , Alcebíades chega podre de bêbado e diz para Sócrates, olha, se eu disser bobagem tu me interrompe. Não foi interrompido nenhuma vez. Ou seja, mesmo para Platão os embriagados, os poetas, são capazes, sim, de discursos coerentes.

  • ana mariano diz: 18 de abril de 2008

    Fernanda, não sei se conheces um texto do Cortazar bem sobre isso que disseste, sobre o não conseguir escrever poemas. Pena que não o tenho aqui onde estou, mas vou me lembrar e coloco depois aqui no blog, é muito bonito e, principalmente, muito consolador. um beijo

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