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Não quero ter razão, quero ser feliz.

18 de abril de 2008 17

Uma amiga me contou que, ao fazer as pazes com o namorado, disse toda carinhosa: é, amor, nós dois precisamos aprender a ceder . Ao que ele respondeu, indignado : já vens tu com as tuas imposições…

Num primeiro momento fiquei igual a ela, revoltada, que cara egoísta, pensei, ela falou nos dois cederem um pouco.

Depois, pensando de forma grega, como pensavam os filósofos, me dei conta que dizer, vamos cada um ceder um pouco, era, sim, uma forma de imposiçao e me lembrei de uma crônica do Ferreira Gullar que li há pouco, Frases de vidro ( bem nome de coisa escrita por poeta)

Pois, na crônica, Gullar conta que gosta de criar frases , aforismos.  Esse é dele: a crase não foi feita para humilhar ninguém.

Conta também que , numa das intervenções que fez na feira de literatura em Paraty, falando sobre a guerra entre judeus e árabes, mas utilizando como exemplo as brigas entre casais, disse, sem pensar muito : Não quero ter razão, quero é ser feliz.

Foi um sucesso, onde ele ia as pessoas repetiam a frase, contavam que haviam ligado para a namorada, o marido, tinham feito as pazes, tinham desistido de suas razões em favor da felicidade.

Desde que a li estou com a frase do Gullar atravessada, não a digeri mas também não a rejeitei.

Ora eu acho o máximo, ora eu detesto.

Voltando ao caso da minha amiga. Não rejeitem de saída o que disse o namorado, ele deve ter suas razões para dizer o que disse, não conheço o contexto, mas se não é louco, deve ter. Ela, a minha amiga, também tem suas razões . Enfim, maiores ou menores, mais claras ou mais obscuras, todos nós temos as nossas razões.

E não vale dizer igual à minha amiga, cada um cede um pouco, isso eu já sei. Gullar não disse quero ter um pouco de razão, ele disse: não quero ter razão, quero ser feliz .

Num exemplo mais fácil de entender: os judeus, assim como os árabes, acham que estão cobertos de razões e, enquanto a elas se aferrarem, não teremos paz, toda tentativa de cada um ceder um pouco esbarra em novas razões justificadas e inarredáveis.

Então, o que me pergunto é :

As razões, mesmo razoáveis, impedem a felicidade?

Até onde podemos abrir mão das nossas razões e apenas sermos felizes sem abrir mão da dignidade?

Perguntinha difícil essa.  Eu, por enquanto, igual aquele grego, só sei que nada sei

Postado por ana mariano

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Comentários (17)

  • César diz: 18 de abril de 2008

    Ana, falando sério, também não sei a resposta. Mas falando específico, acho que tua amiga devia desistir desse namorado. Parabéns pelo blog.César

  • JP diz: 20 de abril de 2008

    Interesse nenhum Vitória, a não ser o de ter um pouco de companhia. Não disse que a cumplicidade não existe, digo que é muito difícil e rara. Acho que tu talvez sejas uma das poucas que teve sorte.Eu não tive.

  • César diz: 20 de abril de 2008

    Regina, tu achas que esse poor man vale o esforço ? Será que sendo generosa sem qualquer retorno ela não vai também ser infeliz ? Boa a nossa discussão.

  • ana mariano diz: 19 de abril de 2008

    Tudo bem, esqueçam a amiga, no amor, talvez seja mais difícil ( embora a Cláudia, uma amiga analista, tenha achado a frase uma libertação mesmo nas relações amorosas.)  Mas pergunto, na família, no trabalho, nas relações entre países, a frase é válida? Vocês não sentem um alívio ? alguma coisa meio zen? 

  • JP diz: 20 de abril de 2008

    Já passei muito da metade do caminho e com a idade aprendi que a cumplicidade é muito rara, coisa para muito poucos. Se vamos exigi-la num relacionamento, o mais certo é que vamos ficar sozinhos. Mas num relacionamento sem cumplicidade também estamos sozinhos, vocês dirão,é verdade mas teremos alguém por perto, se me entendem.

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    JP,podes me dizer por que ?

  • regina refosco diz: 20 de abril de 2008

    Não concordo com Cesar de que a amiga deva finalizar com o namorado.Ela tem que ser um espelho para ele : devolver o seu próprio reflexo : ele é um irascivel. Não acredito que quem não cede no amor, vá ceder em qualquer área da vida. Muito menos consigo mesmo. Esse namorado precisa mais de generosidade do que discurso. A poor man !

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    JP!Só quero lembrar algo, me desculpe,mas cumplicidade não é um jogo.
    Leia o poema da Ana Mariano que está aqui no blog”Cúmplice” que voce compreenderá melhor.

  • Nina Furtado diz: 21 de abril de 2008

    Oi Ana
    Penso que estão acontecendo reflexões muito boas no teu blog.Pensar a respeito de si mesmo e de nossos sentimentos requer coragem.Acho que não precisamos nos preocupar muito com respostas, já que elas são a desgraça das perguntas.Porém tenho a impressão que dentro do assunto comentado, cumplicidade, amor, parceiro ideal, quem diz que não acredita que exista é porque acredita mas está cansado de procurar e de ver tantos desencontros.
    um abraço forte e parabéns
    Nina

  • regina refosco diz: 20 de abril de 2008

    cesar, desculpa a franqueza e espero, MUITO, não estar sendo agressiva, mas me pareces um pouco preguiçoso no afeto. se o outro não é como quero eu passo adiante. será ? se assim fosse, te garanto, a maioria dos homens seria só. e, sempre vale a pena praticar o exercicio da generosidade com quem se ama ( filhos, marido, amigos ) afinal como diz o ditado ´não faças o bem se não conseguires tolerar a ingratidão´. acho que carecemos de mais compreensão e temos muita razão. beijo cesar

  • marcos diz: 20 de abril de 2008

    Hapyness is the war gun – J.W.Lennon.
    O comentário vai por e-mail.
    Um abraço.
    marcos.

  • angela diz: 18 de abril de 2008

    Não se pode abrir outro mundo além daquele que há em nossa alma.Existem as oportunidades,os impulsos,mas a chave é nossa.
    A meu ver não se pode ser feliz abandonando uma razão.Em toda a relação tem de haver um equilíbrio,onde um acaba sempre cedendo,não há cumplicidade.
    A felicidade está distante e a relação fadada ao término.

  • angela diz: 19 de abril de 2008

    Ana,é mesmo meio Zen!Quando atingimos um equilíbrio logo o maior objetivo é der feliz.
    Nos preocupamos menos com o fato de ter razão e com seus pricípios e mais em ser pragmáticos,em fazer um esforço empático para entender os outros e aceitá-los nas suas diferenças e fazer-nos entender sem medos,sem cobranças,sem chantagens,sem discussões mesquinhas,sem querermos ter razão com entendimento e consenso Sabemos o que é preciso para perseguir nossos objetivos,agirmos em conformidade.Ser feliz!

  • ana mariano diz: 21 de abril de 2008

    Nina, nesse espaço reduzido que é reservado ao comentário, que, segundo me disseram é sempre mais importante que o discurso, mataste todas, é bem assim,um beijo

  • JP diz: 20 de abril de 2008

    Victoria, agora tu me pegaste. Não sei porque. Problema meu talvez? Falta de sorte? Essas coisas são dificeis de explicar.

  • César diz: 20 de abril de 2008

    Regina, de maneira nenhuma, não estás sendo agressiva, já disse que é boa a nossa discussão. Mas as mulheres generosas como você parece ser são raras, a maior parte apenas finge que concorda e no fundo fica magoada, vai cobrar, um dia.

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    Oi JP,não cocordo contigo.Talvez ainda não encontraste a pessoa certa em teus relacionamentos.Pois quando existe amor,a cumplicidade faz parte.Há não ser quando se está junto por outros interesses?

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