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Cortazar

19 de abril de 2008 13

Eu havia prometido à Fernanda, de Porto Alegre, que fez um comentário no post Sobre poetas, um texto do Cortazar sobre criação literária.

Não vou transcrever todo o  texto porque é comprido para colocar em blog, mas o nome é Do sentimento de não estar de todo e faz parte do livro de ensaios Valise de Cronópio, assim, para os que se interessarem, fica fácil de achar.

Neste texto, Cortazar fala sobre o processo de criação em geral e o seu, em particular. Entre as muitas coisas que diz,  chamo a atenção de vocês para duas que me pareceram bastante originais.

Primeiro, ao contrário de todos que dizem ser a poesia a forma mais elaborada de literatura, Cortazar ( que também foi ótimo poeta, além de contista e romancista) diz que no homem particular, costuma acontecer o que aconteceu na humanidade em geral começamos na poesia e terminamos em prosa, há uma espécie de evolução de forma de linguagem. ( Aqui, no livro, tem  um grande – será ?! – escrito por mim )

Segundo, que, todo poeta é um estranhado, alguém que vê na realidade algo que os não poetas não são capazes de ver, mas nem todo estranhado é poeta, ou seja, o fato de termos uma visão poética do mundo não nos “obriga” a fazer poesia.

Chamo a atenção também para a epígrafe do texto que é uma metáfora muito bonita da literatura – nunca real e sempre verdadeira.

Postado por ana mariano

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Comentários (13)

  • Ricardo diz: 20 de abril de 2008

    Com certeza quem tem o DOM da poesia, se diferencia. Não é melhor, nem pior. Enxerga a vida aceitando as diferenças; ao invés de criticar, tenta construir e sofre se não souber deletar quem, ou o que lhe sangra a ferida, que faz parte de um contexto que está são e é bem maior e necessita ser bem cuidado, para o todo não desfalecer. Ana, Angela, para se tentar ser feliz, tem que se ter razão! Poesia não é modo de vida, muito menos passatempo, poesia é o jorrar do leite aos descontentes. Beijos

  • angela diz: 20 de abril de 2008

    Victória,assim como tua tentativa de escrever teus sonhos é condicionada pelo mundo ambiente,assim também a obra de um autor se relaciona com o que ele quis dizer.

  • marcos henkel diz: 23 de abril de 2008

    Olá Ana. Sobre críticas e críticos e questionadores também. Creio que a crítica devas ser sempre bem entendida(nem sempre fasso isso). Como dizia Platão:” Não existe evolução sem questionamento.” Tchau.Marcos.

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    Então, Angela…voce,o Drummond,o Carlos e a Ana são uns estranhados?Não vejo como voces ,continuo achando puro blá,blá,blá e teoria!Poesia é passatempo e não um modo de vida!!!

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    Ana,é isso aí!Então viva as diferenças !!!Beijo

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    Oi Angela,não concordo com Drummond.Não creio que todo o poeta pode entrar no mundo das palavras e criar um poema.Precisa acontecer uma emoção.

  • angela diz: 20 de abril de 2008

    Victória,leia o que o Carlos aí embaixo escreveu.Concordo totalmente com o Drummond,pois o poeta extrai do olhar “estranho” da vida o que ninguém é capaz de ver, sentir e ouvir o silêncio das palavras.

  • ana mariano diz: 20 de abril de 2008

    Victoria, seja muito bem vinda ao blog, estás agitando, polemizando,o que é muito bom.O que seriam dos poetas sem quem deles duvida ? Um bando de chatos se achando o máximo, achando que a forma de verem o mundo é a única certa, quando, como bem diz o Ricardo, nem melhor é, só diferente.um beijo, segue conosco.

  • Fernanda diz: 22 de abril de 2008

    Ana, obrigada!
    Vou ler o texto do Cortazar com muito cuidado. E seguir atenta à polêmica de vocês. Quem sabe a inspiração aparece?

  • angela diz: 19 de abril de 2008

    Muito belo este texto do Cortázar que nos brindaste!Lembrei do nosso Drummond que diz “Penetra surdamente no reino das palavras lá estão os poemas que esperam ser escritos.Espera que cada um se realize e consume com seu PODER DE PALAVRA e seu PODER DE SILÊNCIO.É bem por aí,o poeta transforma o que vê em sentimento e materializa na palavra através da forma,rima,verso.

  • Carlos José diz: 20 de abril de 2008

    A vida é uma poesia!Nem todos que passam por ela são poetas.

  • Carlos josé diz: 20 de abril de 2008

    Victória,estou te achando dengosa.Te cuida aí em Niterói!

  • ana mariano diz: 20 de abril de 2008

    Infelizmente é verdade Carlos José, e agora tu me lembraste sem querer de uma passagem do Corpo de Baile do Guimarães Rosa onde o personagem, Cara de Bronze, escolhe entre seus vaqueiros um que seja poeta. Vou colocar no blog, é muito bonito.

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