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A linguagem do João

20 de abril de 2008 10

A linguagem do João Guimarães Rosa, para quem não está acostumado, é meio difícil, por isso, para facilitar a leitura dos trechos, eu conto parte da história sem obedecer a ordem exata do livro para não ficar muito longo e dividindo com títulos inventados para ficar mais claro.

Em Cara-de-Bronze, uma das histórias que compõe o livro Corpo de Baile, um fazendeiro rico está morrendo e resolve escolher entre os seus vaqueiros um que parta de viagem para buscar algo que não se sabe bem o que é.

Esse vaqueiro, para ser o escolhido, precisava ter uma qualidade, o estranhamento.

Ou seja, o vaqueiro, ao modo dele, precisava ser poeta. 

Primeiro os vaqueiros contam como o fazendeiro mudou.

Ao invés de perguntar a eles  as coisas de sempre sobre o gado, as plantações, começou a perguntar pequenas coisas, bobagens, como se estivesse ficando caduco.

O que fazia, na verdade, era tentar encontrar, entre os seus vaqueiros, quem era “estranhado” .

Entre todos os vaqueiros, o fazendeiro escolheu 3, a esses 3 explicou melhor como era necessário ver o mundo para poderem trazer a ele o que pedia.

Mandava que fossem nos lugares e que, na volta, contassem o que tinham visto.

Desses 3, com base no que contavam, ou seja, com base na forma como tinham visto o mundo comum, o de sempre, o fazendeiro escolheu um, o Grivo.

Este, segundo os vaqueiros que contam a história, foi o escolhido porque já era poeta, tinha em si, de forma natural, o modo estranhado de olhar o mundo, só amadureceu.

Se ficarem com preguiça de ler tudo, leiam ao menos as duas últimas partes, por favor! É muito lindo!

Postado por ana mariano

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Comentários (10)

  • Carlos José diz: 21 de abril de 2008

    Victória,o fato de estares conosco não deixa de fazer parte deste poema.Como diz o Ricardo, eu Grivo,tu Grivas,ele Griva.Só que não estás enxergando!!!

  • Ricardo diz: 20 de abril de 2008

    Eu grivo, tu grivas, ele griva… Nós grivamos, vós grivais, ele grivam… Grivam !!!

  • angela diz: 21 de abril de 2008

    Pois é Victória…não estás “conseguindo” ler com os olhos da alma.”Se não formos capazes de viver inteiramnete como pessoas,ao menos façamos tudo para não vivermos inteiramente como animais.
    Provavelmente só no mundo dos CEGOS,as coisas serão o que verdadeiramente são.”

  • ana mariano diz: 21 de abril de 2008

    Victoria, parece que o Carlos José tem razão, muito lindo o que escreveste,estás com um cheirinho de poeta. Gosto muito do Saramago. Sabias que ele escreveu poesia? Eu não sabia, encontrei um livro dele por acaso, mas a poesia que ele faz em prosa é melhor que os poemas

  • angela diz: 20 de abril de 2008

    Ana!É lindo demais,obrigada por colocar aqui no blog!!!Agora a Victória certamente entenderá melhor o ser POETA.
    “E ver o que no comum não se vê…essas coisas de que ninguém faz conta”Beijo

  • Fernanda diz: 22 de abril de 2008

    Pelo que leio Victória estás, sim, abrindo os olhos da alma… ainda levemente, como ao acordar de manhã cedo, após uma boa noite de sono.

  • Victória diz: 20 de abril de 2008

    Pois é Angela, o texto que a Ana postou é bonito,mas acho uma viagem escolher um vaqueiro poeta.Mesmo sendo Guimarães Rosa ,não consigo ver como voces!

  • Victória diz: 21 de abril de 2008

    Dentro de nós tem uma coisa que não tem nome e essa coisa é o que somos(Saramago).

  • Vic diz: 21 de abril de 2008

    Ana,com este convívio estou ficando com este cheirinho de “estranhada”.Gosto muito do Saramago,mas poesia dele não li,não.Bj,Vic.

  • ana mariano diz: 21 de abril de 2008

    É um cheirinho muito gostoso Vic, que faz a gente ficar feito noiva nua, toda pratas-e-ouros, como diria o João.

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