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Cara-de-bronze

20 de abril de 2008 2

A mudança do fazendeiro

 

Cara-de-Bronze começou, mas vagaroso, feito cobra pega seu ser do sol. Assim foi-se notando. Como que, vez em quando, ele chamava os vaqueiros, um a um, jogava o sujeito em assunto, tirava palavra. De princípio, não se entendeu. Doidara? Eh, ele sempre tinha sido homem-senhor, indagador, que geria suas posses. Por perguntar noticiazinhas, perguntava, caprichava nisso. Só que, agora, estava mudado. Não queria relatos da campeação, do revirado na lida: as querências das vacas parideiras, o crescer das roças, as profecias do tempo, as caças e a vinda das onças, e todos os semoventes, os gados, os pastos. Nem não eram outras coisas proveitosas, como saber de estórias de dinheiro enterrado em alguma parte ou conhecer a virtude medicinal de alguma erva, ou do lugar de vereda que dá o buriti mais vinhoso. Mudara. Agora ele indagava engraçadas bobeias, como estivesse caducável.

 

O que o fazendeiro queria             

 

Ele queria uma idéia como o vento. Por espanto, como o vento… Uma virtudinha espritada, que transpassa o pensamento da gente – atravessa a idéia, como alma de assombração atravessa as paredes.

Não-entender, não-entender, até se virar menino.

Queria é que se achasse para ele o quem das coisas.

 

De 3 vaqueiros, escolheu um

-Ele queria era um só.

Aquilo não era fácil. O homem media nosso razoado….

Carecia de abrir a memória!

E ver o que no comum não se vê: essas coisas de que ninguém não faz conta….

O velho mandava todos os três juntos, nos mesmos lugares. No voltar, cada um tinha de dar relato a ele, separado.

Mandava-os por perto, a ver, ouvir e saber – e o que ainda é mais do que isso, ainda, ainda.

Tirar a cabeça, nem que seja por uns momentos: tirar a cabeça, para fora do doido rojão das coisas proveitosas.

O velho mandava. Tinha de ir, em redor, espiar a vista de de-cima, do morro e depois se afundar no sombrio de toda beira de vertente, e lá em alta campina, onde o sol estrala; e enquanto o vento roda a chuva, quando a chuva fecha o campo.

Todos tinham de transformar, ter em outras retentivas.

O Velho escolheu o Grivo.

Faço por saber: como é que o pobre do Grivo deu para entender, para aprender essas coisas?

Deu. Qual que sabia, aprendeu

Aprendeu porque já sabia em si, de certo. Amadureceu…

 

 

 

Postado por ana mariano

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Comentários (2)

  • Ricardo diz: 21 de abril de 2008

    Olhei 1, UM COMENTÁRIO! Como deixar o Rosa com 1 comentário? Um? Poxa, o Grivo foi teleguiado pelo Cara-de-Bronze: isso me dá uma raiva… Logo o Grivo, GRIVO!!! Como somos Grivo no dias de hoje… A noiva, o pai que não morrreu… Será que tudo está anunciado?

  • Carlos José diz: 20 de abril de 2008

    Ana,tens razão.É muito lindo!Obrigado!

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