Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Neruda II

22 de abril de 2008 3

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

   Pablo Neruda

Postado por ana mariano

Bookmark and Share

Comentários (3)

  • Ricardo diz: 22 de abril de 2008

    Bah, mata a pau! A força do silêncio. Que poesia, hein? Aqui entra também a cumplicidade, de uma dos “Olhos..” postada aqui.

  • ana mariano diz: 23 de abril de 2008

    bonita não é ? também gosto principalmente o primeiro verso pela contradição – gosto quando te calas porque estás como ausente. Uma maneira de sentir saudades, vontade de ter a amada mais perto mesmo quando perto, o Vinícius tem um poema assim também, monólogo de Orfeu do Orfeu do Carnaval. Recitado pela Bethânia então, é lindo…

  • Ricardo diz: 1 de maio de 2008

    Oi, Ana. To em casa, por isso não envio um e-mail (tenho teu endereço na minha Clínica). Teu blog é genial, mas não vou mais comentar, certo? O pessoal parece que me odeia ou te ama demais, ou eu não sei me conter, sei lá. Beijo e fica bem (com Deus, hehe). Não publica isso, claro.

Envie seu Comentário