Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

A outra metade

25 de abril de 2008 24

Pedro me escreve pedindo que eu explique a  referência que fiz a Platão e o fato de sermos eternamente incompletos.

A história é a seguinte.
Em O Banquete, um dos diálogos de Platão, discute-se Eros e o amor.
Aristófanes, um dos participantes do banquete, conta que em outros tempos a natureza humana era diferente do que é hoje.
Havia três sexos: homem, mulher e andrógino, que reunia em si o homem e a mulher. O homem provinha do fogo, a mulher da terra e o andrógino da lua, que participa da terra e do sol.
Esses seres tinham a forma de um círculo, quatro braços, quatro pernas e dois rostos colocados em sentidos opostos numa só cabeça.
Por serem fortes, tornaram-se orgulhosos e, em seu orgulho, decidiram subir ao céu para  combater os deuses.
Esses, embora pudessem fazê-lo, não queriam matá-los porque, se o fizessem,  não teriam mais quem os cultuasse.
Júpiter, depois de muito meditar, encontra uma solução: repartiria aqueles seres orgulhosos  em duas metades. Dessa forma os tornaria mais fracos e ainda duplicaria o número de adoradores. E assim foi feito.
Apolo, o deus da ordem, curou as feridas dessa separação, colocou os rostos na frente e costurou os cortes no ventre, deixando o umbigo como lembrança da ruptura.
Aconteceu porém algo inesperado. Cada metade passou a procurar desesperadamente a outra e quando se encontravam queriam fundir-se novamente e, esquecidas de comer, de beber, morriam. Dessa forma, a raça humana ia se extinguindo, justamente o que os deuses queriam evitar.
Júpiter compadecido, buscou uma nova solução.
Decidiu tomar os  órgãos sexuais, que haviam ficado nas costas, e colocá-los na frente, de forma que as duas metades pudessem unir-se.
Dessa forma, nasceu o ato amoroso e, desde então, cada um de nós procura, desesperadamente, sua outra metade para nela, pelo menos por instantes, reencontrar a plenitude.

Postado por ana mariano

Bookmark and Share

Comentários (24)

  • Vic diz: 30 de abril de 2008

    HEI,Ricardo!”Guri” que contradição,saudade do Cartola e da Bishop,desnecessário comentar.É só ouvir e ler.Ah!Saudade para voce é um pé no saco…aposto que nunca ouviu Cartola…caia na real!!!E pare de bancar filósofo…copiar da internet…

  • ana mariano diz: 26 de abril de 2008

    Ë mesmo carlos, nao tinha me dado conta que ele é bem parecidinho com Jupiter, até com relacao à poetas na república

  • Vic diz: 26 de abril de 2008

    E por que não,Ricardo?Nós estamos no século XXI , se fores analisar sempre existiram o homo e bissexualismo em toda a trajetória da história humana(como negros,brancos,amarelos,índios,ricos,pobres,judeus,etc…)Preconceito ?

  • angela diz: 30 de abril de 2008

    Ana,tu não vais virar filósofa,já está impresso em teus textos e poemas que nos brinda diariamente.Já tens na essência filosofia pura!É sempre um destilar da vida ler teus poemas e textos.Beijo!

  • Vic diz: 28 de abril de 2008

    De modo a compreender esta perspectiva aristofânica nos vincularemos a proposta de análise de Shutton Jr. (1992: 32-33) e Shapiro (1992: 71-72). Sendo assim, procuraremos entender as representações da homossexualidade em Aristófanes inserindo-as em seu contexto histórico, em que, a partir da ascensão da democracia “radical”, os valores relacionados a homossexualidade aparecem disforizados (desvalorizados) demonstrando o acirramento dos conflitos políticos entre aristocratas e democratas.

  • Ricardo diz: 30 de abril de 2008

    Vic, oi linda! Tava com SAUDADES de ti. Isso aqui também serve para isso: discussões. Não acredito em Deus e falo para meus filhos toda a hora, fiquem com Deus. No meu coração não tem contradição não… é a força da expressão. Desculpa se te magoa, mas não preciso copiar nada.
    Tenho lido mais que antes – na internet principalmente. Agradeça à Ana e, que sirva de exemplo, é boa fonte para melhorar o nível cultural/intelectual. Abraço.

  • Ricardo diz: 25 de abril de 2008

    Ana, muito bonito o jeito que contaste, que é o que importa aqui, mas será que a intenção do Aristófanes não foi tentar achar uma explicação velada para o homossexualismo e/ou bissexualismo? Desculpa se fugi do tema, ok?

  • ana mariano diz: 30 de abril de 2008

    Nossa, vocês estão me dando um baile.
    Desse jeito, vou virar mesmo alguma coisa, tomara que não seja sapo, que nem nas histórias infantis.
    Boa a tua sugestão, Ricardo, de falar sobre desamor. Vou ver do que me lembro.

  • angela diz: 30 de abril de 2008

    Para Platão o amor é um princípio cósmico.Afirmou que é como uma escada com 7 degraus,que vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do Universo.O ser humano busca imortalidade através da pessoa amada por meio da procriação,fixar-se neste primeiro degrau é permanecer parado.Há uma progressão do concreto para o imaterial sob influencia e inspiração do amor.Ele jamais apoiou relações físicas só por meio do prazer.Há um desdobramento natural da condição de amar.Transcende!

  • Carlos josé diz: 25 de abril de 2008

    Simplificando imaginem que Bush se inspira na filosofia de Platão…

  • Ricardo diz: 29 de abril de 2008

    O que quis dizer no meu primeiro comentário, era que o post estava muito oportuno (amor), mas que Aristófanes falava das diversas formas de amor – me chamaram de preconceituoso. Aristófanes tinha ciúme da sabedoria de Sócrates e belo como era, “trocava figurinha” em troca de favores. Acabou criticando Sócrates em uma de suas comédias, daí um dos motivos do desgosto de Platão. Acrescento que naquela época a bissexualidade masculina era aceita. Os pais aprovavam erastes e erômenos. Educavam.

  • Vic diz: 26 de abril de 2008

    Angela,que sensibilidade a sua..lindo o que escreveste “O amor por ser um mistério não se deixa compreender.Amar é desejar o desejo do outro”.Arrasou!!!Beijos,Vic

  • Vic diz: 28 de abril de 2008

    Homossexualidade e Política nas comédias de Aristófanes

    As considerações apresentadas neste artigo fazem parte do terceiro capítulo de nossa Dissertação de Mestrado intitulada: Erastés, erómenos e os Aristocratas Atenienses. Esta dissertação foi defendida no Programa de Pós-Graduação de História Social (PPGHIS) da UFRJ sob orientação da Professora Titular Doutora Neyde Theml e apoio financeiro da Capes.

    Em Aristófanes o que nos chamou a atenção foi o fato de o poeta cômic

  • ana mariano diz: 26 de abril de 2008

    Nao estás absolutamente fugindo do tema, Ricardo. No O Banquete discute-se o amor, em todas as suas formas, sem preconceito. Notaste como as três formas – o masculino, o feminino e o adrógino, existem em igualdade de condicoes? A humanidade precisou 2000 anos para chegar perto disso de novo, entender que o amor pode existir de várias formas e maneiras.

  • ana mariano diz: 27 de abril de 2008

    Não sei se Aristófanos era desafeto, fiquei curiosa, vou perguntar ao professor. O que eu sei é que eles achavam que o amor entre homens, por ser amor entre iguais e sem finalidade de procriação, era especial.

  • ana mariano diz: 28 de abril de 2008

    Oi Vic, teu comentário cortou pela metade. Fiquei super curiosa, vi que és entendida no assunto. Tenta escrever em duas partes, ou mais, quando completar os 500 caracteres continua em outro quadrinho. Tenho certeza que todos vão gostar de saber. um beijo

  • Vic diz: 28 de abril de 2008

    Em Aristófanes o que nos chamou a atenção foi o fato de o poeta cômico contrariar a visão amplamente difundida de que a homossexualidade era aceita e até mesmo valorizada pela sociedade dos atenienses no período clássico, portanto que se tratasse de uma relação entre um jovem rapaz ainda sem barba, o erómenos, e um homem adulto, o erastés, e que esta relação estivesse voltada para a educação do jovem, não sendo puramente sexual. Esta posição tem sido defendido pela historiografia, que corrobora

  • Ricardo diz: 29 de abril de 2008

    Ana, acho que tu vais virar filósofa também, ou historiadora, sei lá… Grande beijo guria. Saudades do Cartola e da Bishop.

  • Vic diz: 28 de abril de 2008

    (1) As peças de Aristófanes, escritas posteriormente, por volta dos anos de 425-388 a.C. e que estavam voltadas para um público mais amplo, envolvendo toda a comunidade, têm como tema central a heterossexualidade. A homossexualidade, quando aparece, é representada de forma desvalorizada (Shutton: 1992: 32-33).

    44

    Hélade 3 (1), 2002: 44-59

    Se a comunidade política é formada por variados grupos políticos, iremos priorizar duas facções aristocráticas rivais: os Alcmeônidas e

  • ana mariano diz: 26 de abril de 2008

    amar é desejar o desejo do outro, isso é muito bonito, Angela

  • Ricardo diz: 29 de abril de 2008

    Continuando: Platão, pela boca de Diotima recontada por Sócrates, contraria a idéia de metades apresentada por Aristófanes, de certa forma com desprezo, argumentando que não se ama a outro ou outra porque constituem uma metade nossa, mas porque tem a qualidade de serem bons. Gore Vidal sugere que Platão seria homossexual e que usava estes diálogos para conseguir parceiros. RESUMINDO: tinha muitos homossexuais, sem dúvida, naquele tempo, mas a moral ateniense era muito operante, para se assumir..

  • Ricardo diz: 26 de abril de 2008

    Oi. O que quis dizer com meu comentário é que naquela época, para o homem era mais importante ter um amigo, que uma mulher e, parece que acontecia atração sexual entre ambos, com ou sem sexo, não sei. Ninguém falava abertamente e me parece que esse discurso de Aristófanes, pode ter a ver como querer explicar , para aceitarem a relação. Não se trata de preconceito, imagina! E tb Aristófanes era poeta e parece que desafeto de Platão – que história mais longa hehehehe – e emocionante!Esses poetas..

  • ana mariano diz: 29 de abril de 2008

    Vic, eu estava convencida de que a homossexualidade era encarada com a maior naturalidade e, como tu referes, até incentivada como uma forma de iniciação sexual dos efebos.Sabes alguma coisa sobre o desafeto de Platão e Aristófanos ? O meu professor deu a entender que havia mesmo alguma coisa mas ficou de me explicar com mais calma. Amanhã te explico a questão da Sherazade. Um beijo

  • angela diz: 25 de abril de 2008

    Ana,submete-se o corpo ao espírito e o ato de amor desvincula-se de um determinado indivíduo ocupando-se com a pura contemplação da beleza.A sociedade não convive em harmonia com a idéia do amor.Isso talvez se deva às circunstâncias de o AMOR por ser um MISTÉRIO NÃO se deixar COMPREENDER.Amar é estender seu corpo em direção a um outro,exigir que esse corpo também se estenda;é desejar o desejo do outro.A finalidade do desejo proveniente do amor é o repeito à co-existência em sociedade.

Envie seu Comentário