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Orfeu Negro

20 de julho de 2008 4

Ontem, em homenagem ao Breno Mello, nosso Orfeu gaúcho, jogador do antigo REnner, falecido dia 11, assisti Orfeu Negro, que ainda não havia visto.
Sou fascinada pelo mito de Orfeu e Eurídice, acho que existe  muita coisa a ser pensada sobre a saída de Orfeu no inferno, o dar sem dar dos deuses, o não poder olhar para trás, a perda. Mas sobre isso falo depois.
O filme, mesmo descontando o fato de ser de 59, achei médio.
A impressão que me deu é que  é filme ” para inglês ver”, como se diz.
As situações são ingênuas, mesmo para a época, os atores são bem arrumados demais, contrastam com os verdadeiros moradores do morro que aparecem como coadjuvantes. Na cena do ensaio da escola fica evidente que se quer mostrar como é o samba, mais uma vez, para inglês ver.
Depois, fiquei sabendo que o diretor era francês e que o Oscar de melhor filme estrangeiro foi para a França. Era mesmo filme pra inglês ver.
Esse o grande defeito, o filme é falso. Me lembrou o livro do Mia Couto, O outro pé da Sereia, onde  um afro- americano vem em busca das suas raízes e os africanos,  pra ganhar um dinheirinho, “constroem” uma África falsa, afro-americana.
Mas há, no filme, coisas boas . A cena da macumba resolve bem a questão do ida ao inferno.
O melhor de tudo, para mim, são as músicas – Manhã de Carnaval, O nosso amor ( pensei que essa era mais antiga), A felicidade.
Interessante também ver que os cenários do filme termionaram virando um documentário dentro do filme sobre as mudanças acontecidas no Brasil nesses 50 anos . A favela é paradisíaca, nada a ver com a atual, tomada pelo narcotráfico. Ninguém, hoje, mesmo como cenário, teria coragem de mostrar algo parecido e chamar de favela. O carnaval era na avenida, não no sambódromo, muito mais simples que o de hoje, e uns poucos policiais faziam a segurança, chega a dar saudades.
Não vi o novo filme ( de 99) assim com também não vi a peça, Orfeu da Conceição, acho que se alguém se dispusesse a remontá-la seria um grande sucesso. Quem sabe o Alabarse ?

 

Postado por ana mariano

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Comentários (4)

  • angela diz: 20 de julho de 2008

    O filme de Camus é assustadoramente distante da realidade brasileira. Trata de um paraíso tolo, onde as pessoas vivem cantando e dançando, e a única coisa que atrapalha é a existência da morte. É mentira em relação à favela carioca, em relação ao Brasil, mesmo em relação ao mundo. Isso não existe,já no de Cacá Diegues mostra a proximidade com a realidade no morro,nas favelas, traficantes, a bala perdida que mata Eurídice e faz Orfeu ir aos infernos em busca do assassino.O de Cacá é mais real!

  • julio diz: 20 de julho de 2008

    Nem sabia do primeiro filme mas fui ver na internet, parece que o Vinícius também não gostou.

  • ana mariano diz: 20 de julho de 2008

    Eu não vi o do Cacá, Angela, deve ser interessante comparar os dois vou pegar no vídeo, sei que a música é do Caetano mas, acho que as do Tom e Vinícius no primeiro filme são imbatíveis.

  • angela diz: 20 de julho de 2008

    A trilha sonora do Tom e Vinicius ,sou suspeita em falar,pois adoro os dois.Mas é mais bonita que a do Caetano,concordo contigo,mas depende de gosto.

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