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Loucura e genialidade

24 de julho de 2008 14

Quem assistiu ao documentário sobre Vinícius saiu com a impressão que ele, escolhendo viver como viveu,  além de genial foi louco. Teria, ele, desenvolvido toda a sua capacidade criativa se tivesse permanecido comportado, se não tivesse se entregue à paixão, à bebida e à boemia até se matar da forma como fez? Seria o mesmo Vinícius? Acho que não.
Arthur Bispo do Rosário, por outro lado, interno da Colônia Juliano Moreira, uma espécie de hospício no Rio de Janeiro, foi quem foi não por ser louco mas por ser gênio.
Se é verdade que  nem todo louco é gênio, costumamos dizer que todo o gênio é louco.
Uma coisa que sempre me intrigou foi essa relação entre loucura e genialidade.
Loucura e genialidade, não são iguais, mas têm ,acho eu, muitos elementos em comum.
Um exemplo? A solidão povoada de vozes ( estou pensando agora em gênios escritores). Ema Bovary sou eu, disse Flaubert e tinha razão, não há maneira de se criar um grande personagem sem encarná-lo ou, ao menos, sem tê-lo como alguém vivo, presente e real. Uma espécie de esquizofrenia.
No filme As Horas, há uma cena em que Virginia Woolf fala sozinha (loucura !) ou com seus personagens ( loucura? ). Eu mesma, que não tenho nada de genial, para desespero da família, falo de meus personagens como se fossem os vizinhos do apartamento ao lado.
Outro exemplo: para ser genial, ou louco, é preciso desligar-se da realidade, tirar os pés do chão. O gênio, em princípio, volta, o louco, em princípio, não. Como aconteceu com Vinícius, o gênio pode também não voltar .
Van Gogh  teria feito aqueles céus violetas onde se pode ver os ventos, o movimento do mundo, se não fosse meio louco ? Tenho minhas dúvidas.
Notem bem, estou falando de genialidade, não de simples criatividade.
Posso ser escritora medíocre, dessas, igual a milhares de outras, sem ser louca.
Mas posso ser verdadeiramente genial sem ser, de certa forma, louca? Gostaria muito de discutir isso com voc6es.

Postado por ana mariano

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Comentários (14)

  • cronópio diz: 25 de julho de 2008

    …e viva a “loucura” do Vinícius , que o fez viver a vida intensamente , sem deixar nada pra depois e ainda por cima escrevendo poesia e fazendo música.
    Não, nunca o considerei louco , sempre achei que ele estava certíssimo e comprei o DVD do documentário , pra poder rever, quando for preciso.

  • ana mariano diz: 27 de julho de 2008

    Oi Tarsila,dizer que todo gênio é louco é clichê, mas, como se diz, onde há fumaça há fogo. Ou seja, ser genio não é ser louco mas, entendo eu, é dividir com a loucura muitas das suas características. Com este nome, Tarsila, sei que entendes bem o que eu digo.

  • angela diz: 24 de julho de 2008

    Complementando:Exemplificando Vinicius, Einstein só para citar foram gênios.E pelo fato de o serem,o talento ultrapassa o que é “comum”.
    Chega um tempo em que é difícil o convívio com as emoções em familia, sociedade e há um fragmentar-se ,isolamento.Advindo a loucura,sem retorno!
    Lembro um depoimento neste documentário da Suzana de Moraes,filha de Vinicius que “segurou muita barra”.

  • angela diz: 24 de julho de 2008

    O gênio pode ou não tornar-se esquizofrênico em função de sua capacidade ou incapacidade de tolerar,lidar com as intensas experiências emocionais que são mobilizadas por seu talento.O que está diretamente ligado a condição de força e desenvolvimento de tolerar as angústias ,caso contrário tende à fragmentár-se ou sufocar o gênio.O esquizofrênico não tolera qualquer contacto com experiências emocionais e não tem nada de gênio.O Gênio pode acabar louco!

  • Augusto diz: 24 de julho de 2008

    Apesar da psiquiatria dizer que a loucura existe quando o gênio ou qualquer um de nós não consegue conviver com as emoções em comunidade,há um fragmentár-se=Loucura.Eu ainda acho que todo o gênio é louco,para criar obras fantásticas,tem de sair do meramente banal!

  • ana mariano diz: 25 de julho de 2008

    Oi cronópio, bom te ver de novo, gostei da idéia de ter o documentário como ” lembrete de liberdade “, acho que vou te copiar.

  • ana mariano diz: 25 de julho de 2008

    É isso mesmo, Angela. Uma amiga psicanalista me contou que uma paciente um dia lhe disse – nós, doentes mentais, somos apenas isso.
    Muito triste ser rotulado no isolamento,

  • angela diz: 24 de julho de 2008

    Ana,há uma fragmentação,cisão da personalidade levando ao isolamento.Com isto um distanciamento de todos os laços,emoções,vínculos para a criação.Isolamento leva ao afastamento da realidade e mergulho num só seu.

  • Vic diz: 25 de julho de 2008

    Oi Ana,o que o Augusto disse é muito profundo:o G~enio é maravilhoso à distancia para admirar suas obras lindas,mas próximo é insuportável o convívio ,pois acaba um bloco de gelo,isento de afeto. O que achas disto?Melhor continuar o que somos e de vez em quando cometer uma “loucura”,pois tudo muito normal é chato, mas sem cisão.

  • Vic diz: 24 de julho de 2008

    Depende da capacidade do gênio em lidar com as emoções.Então é um salto para a loucura.

  • ana mariano diz: 24 de julho de 2008

    Também lembro, Angela, do comentário. E vocës todos trouxeram outro ponto em comum: o isolamento. Isolamento é maior que solidão, pode-se ser solitário em grupo, isolamento é uma espécie de exílio.
    Nenhum psi por aí pra dar uma opinião?

  • Augusto diz: 24 de julho de 2008

    Imagine um iceberg,ele está lá completamente frio com sua criação.

  • Zeca diz: 24 de julho de 2008

    Todo o gênio é louco,impossível não sê-lo.Por não ser compreendido é um eterno solitário.

  • tarsila diz: 27 de julho de 2008

    Oi gente. Acho que isso seja um clichê, mais uma generalização bonita e atraente. A genalidade pode estar, sim, mergulhada na loucura- assim como na simplicidade, na modéstia, na timidez e ostracismo. Não vejo loucura na vida de Machado de Assis- de Iberê Camargo, sem dúvida, gênios. E vejo um forte apelo quase artificial ao louco (sem juízo algum de valor) na biografia de Bukowski, p.e. Criação é criação, loucura é loucura e a genialidade acompanha, às vezes ou não.Do contrário, vira paranóia.

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