Um filme francês - O Jardineiro - me ensinou algo importante: a felicidade não se enfia goela abaixo. A minha fórmula para ser feliz nem sempre é a do outro e, portanto, por mais bem intencionada que eu esteja, não posso forçar minha maneira de ser feliz, como quem força milho no papo de um ganso para fazer foie gras.
O filme é muito simples, quase singelo. Um pintor, em crise conjugal, volta à casa do interior da França onde viveu quando menino. Põe um anúncio procurando jardineiro e quem responde é um antigo colega de escola que nunca saiu da cidadezinha. Retomam a amizade. Enquanto o pintor se perde em angustias e indagações, o jardineiro é feliz. O agora patrão quer entender como.
E nas férias, onde tu vais ? pergunta. Vou sempre á mesma praia com a minha mulher responde o outro. Ficamos sempre no mesmo hotel, é bom porque já sabemos como é , de manhã sentamos olhando o mar, na hora do almoço almoçamos, já sabemos o cardápio de cada dia, á tarde sesteamos e depois vamos caminhar na beira do mar, sempre tem bastante gente caminhando, sentamos num banco para ver o por do sol, jantamos e dormimos. Enquanto ele fala , a câmara mostra o que parece ser "o cúmulo da chatice". É maravilhoso! Conclui o jardineiro.
Foi quando “aprendi”, aprendi no sentido mesmo de aprender, o que disse no início: felicidade não se enfia goela abaixo, as maneiras de ser feliz variam de pessoa a pessoa.
Confesso que durante muito tempo tentei “salvar” uma amiga muito querida (que me dizia estar triste) da mesmice ( segunda se ouve ópera , quarta se busca pizza, sexta janta-se fora com o marido, sempre no mesmo lugar, sempre o mesmo peixe, sábado se faz supermercado, quinta é dia de ir à praia, segunda é dia de voltar, qualquer alteração ? inconcebível !) sem perceber que, diferente de mim, era a segurança da repetição que fazia a sua vida, se não feliz, ao menos suportável. Bem no fim compliquei as coisas tentando “libertá-la” : inventei cursos, teatros, passeios, taças de vinho na Praça da Matriz. Só consegui atordoá-la. Burrice minha que não consegui ver as diferenças. Se, para mim, a felicidade está ligada à criação, à novidade (uma seqüência de tardes ensolaradas, por mais bonitas que sejam, me deprime) para ela, era justamente ao contrário.
Enfim, como diz Paulinho da Viola: as coisas estão no mundo só que eu preciso aprender.
Postado por ana mariano




Não sabia que tu eras terapeuta!E ainda por cima ocupacional!As feridas da alma não se curam com passatempo!
Pois é, Tranquilo, me meti de pato a ganso, quis "tornar mais interessante" a rotina de quem a queria exatamente assim como era, rotineira. MInha única defesa é que escrever, fazer cursos, se dar tempo para pensar tomando um vinho para mim não são pasatempos, é fundamento , a única maneira de me sentir viva.
A tua intenção pode ter sido das melhores.Mas como diz o velho ditado:podemos ensinar a pescar,mas ...o outro tem de aprender e fazer suas escolhas.
Essa hitória do "galo" está muito corococó!Não entendi nada!
Ana,
momentos felizes todos temos. A diferença está em conseguir detectar esses momentos e usufrui-los enquanto acontecem, ou, pelo contrário, só os relacionar com felicidade quando eles já passaram e não existem mais.
feliz é quem constrói sorrisos e quem consegue sorri-los de facto, hoje.Porque a felicidade também se constrói. Querer ser feliz é o primeiro passo para conseguir sê-lo.
É verdade, Filipa. Como é mesmo aquela frase - a vida é o que acontece quando não se está olhando - algo assim. Não lembro direito como é e nem quem disse. Típicamente eu, ouço cantar o galo mas não sei o nome dele e nem onde cantou.
Isso é um parecer geral.Não é como eu sou.
Acredito que a situação financeira é o que tempera a situação emocional de cada um.
O resto é tudo blá-blá-blá.
Caro Rodrigo!
Discordo de voce,felicidade independe da situação econômica.
Ela está na simplicidade,na natureza,no interior de cada um, de acordo com nossas vivências.
Acho muito triste relacioná-la à "grana".
Mas é uma questão de valores pessoais!
Como gostaria de ter uma amiga assim!
Abriste um leque de possibilidades para ela.Mas fazer o quê?Ela também deve ter aprendido ,não?
A trivialidade por mais monótona que seja para alguns,é a felicidade de muitos.Não podmos querer arrancar de vez que será sofrido!
Ana, deves mostrar um caminho, mas quem tem de percorrê-lo é o outro.Tua amiga sentiu tua intenção,das melhores! Mas não podemos e nem devemos escolher pelo outro,é muita responsabilidade,não achas?
Agora fiquei imaginando...gosto e tenho animais de estimação.Já percebeste o que acontece se durante anos convivendo com um gato em uma casa e de repente o levas para morar em apartamento?Ele nunca irá se adaptar, será uma jornada difícil!
Pouco importa ver ou saber o nome do galo, para que?Voce não acha?...o importante é ter sensibilidade para ouvir e senti-lo.
Ana, sei como é isso. È instinto maternal, a gente quer o melhor para os nossos filhos, nossos amigos e acha que o melhor para eles é o que faz bem a nós, esquece que eles podem ser diferentes.
É Ana, a vida é um eterno aprendizado!
Cada um deve buscar a sua felicidade.E tantas vezes ela está na que é simlicidade.O que é "mesmice", uma vida morna para mim,pode não ser para o outro.
ÀS vezes buscamos longe o que está tão perto,mas só depois de perdermos é que conseguimos enxergar,valorizar.
Pelo menos mostraste a tua amiga um outro mundo e certamente acrescentou a ela.
Existem pessoas que se adaptam a um mundo sem "cor",de rotina.Quando tentam saltar fora, não conseguem e o sofrimento é muito maior.Ou ela muda radicalmente,arrisca. Se está infeliz tem que pular fora da relação ou do que quer seja a causa desencadeante.Pois´só se vive uma vez e vale tenatar pelo menos Ser Feliz!