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Posts de janeiro 2009

Piazzola - Adios Nonino

31 de janeiro de 2009 8

 Acho que já contei aqui que casamentos e formaturas me comovem pela esperanças que noivos e formandos trazem no rosto. Quando minha filha casou consegui, não sei até hoje como, ler um poema que havia feito para ela. Foi a única surpresa numa cerimônia planejada por nós duas nos mínimos detalhes. Foi também quando a noiva chorou.  Olhando esse video não pude deixar de lembrar .

A noiva aqui é Maxima Zorreguieta, argentina que casou com o principe holandês. Piazzola será sempre, sem duvida alguma, uma bela homenagem.  E Adios Nonino que ele fez quando soube da morte do pai tem muito a ver com uma vida que acaba, a de solteira, e outra que começa.

 

Postado por ana mariano

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Tirado do baú

31 de janeiro de 2009 9

 Ando meio sem assunto, aproveito para postar esse vídeo que uma amiga, sabendo que gosto de Bethania e Paulino tirou do fundo do baú. Teria sido quando um francês filmou um documentário chamado Saravah ( eu, burra, nunca tinha ouvido falar). Gostei de ver os dois bem adolescentes até meio que se paquerando. A Bethânia mostrando, em forma quase embrionária, todos os gestos que faz hoje.

 

Postado por ana mariano

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Momento Caras

28 de janeiro de 2009 5

Maria Luiza nos agitos do litoral …

Postado por ana mariano

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O ridículo do amor

27 de janeiro de 2009 7

Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas e tinha razão, o amor, para os que não estão nele, é ridículo. Nem Zeus escapa.
Zeus ( ou Júpiter ou Jove) grande conquistador, quando apaixonado, gostava de transformar-se em alguma coisa para chegar perto da amada. Assim, não a assustava e evitava também a ira da esposa ciumenta, Hera. Foi ganso, chuva dourada e, no caso de amor que teve com Europa, foi touro. 
Difícil narrar o ato amoroso, o que entre amantes não é infantil, caricato,  nojento ou pornográfico, pode tornar-se, quando mal narrado. Ovídio, em tradução de Bocage consegue narrar o ridículo sem tirar dele o amoroso.
Imaginem um touro que se deixa colocar flores nos beiços, que salta e brinca na relva, deita-se de lado na areia, oferece brandamente o peito para que o afague a mão formosa, que se deixa enfeitar de guirlandas. Pois tudo isso fez Zeus para conquistar Europa e conseguir com que se atrevesse a subir-lhe às costas.
Ridículo ? Não. Apaixonado.
Quando Europa ousa, enfim, sentar-se às costas do touro ele
põe mentiroso pé n´água primeira,
vai depois mais avante… enfim, nadando,
leva a presa gentil entre as ondas.
Ela de olhos na praia, ela medrosa
segura uma das mãos numa das pontas,
sobre o dorso agitado a outra encosta;
enfuna o vento as sussurrantes vestes.
Despida finalmente a falsa imagem,
eis que aparece o deus, eis brilha Jove,
e em teus bosques, ó Creta, Amor triunfa!

 

Postado por ana mariano

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Faz-se o caminho ao andar

26 de janeiro de 2009 9

Ontem, conversando com uma amiga uruguaia/brasileira, falamos de António Machado, poeta espanhol.
Contei  a ela que, quando comecei a ler Borges, eu não sabia quem era esse Machado a quem ele se referia à toda hora. De início, na minha ignorância, pensei que fosse o nosso, o de Assis. Não era.
Hoje, ela me repassa um site com alguns poemas muito bonitos.

Então é dele o tão repetido - se faz o caminho ao andar ? Alguém sabe me dizer?

   
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Caminhante, são teus rastros
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Esse outro, fala de um pensamento muito caro a Borges desenvolvido, de forma magistral, por exemplo, no conto Ruinas Circulares.
Não existimos realmente, somos o sonho de alguém.

Era un niño que soñaba
un caballo de cartón.
Abrió los ojos el niño
y el caballito no vio.
Con un caballito blanco
el niño volvió a soñar;
y por la crin lo cogía…
¡ Ahora no te escaparás!
Apenas lo hubo cogido,
el niño se despertó.
Tenia el puño cerrado.
¡ El caballito voló!
Quedóse el niño muy serio
pensando que no es verdad
un caballito soñado.
Y ya no volvió a soñar.
Pero el niño se hizo mozo
y el mozo tuvo un amor,
y a su amada le decía:
¿ Tú eres de verdad o no?
Cuando el mozo se hizo viejo
pensaba: todo es soñar,
el caballito soñado
y el caballo de verdad.
Y cuando vino la muerte,
el viejo a su corazón
preguntaba: ¿ Tú eres sueño?
¡ Quién sabe si despertó!


 Era um menino a sonhar
com um cavalo de cartão.
O menino abriu os olhos
e não viu o cavalinho.
Com um cavalinho branco
ele voltou a sonhar;
pelas crinas o prendia…
Assim não te escaparás!
Mal o conseguiu prender,
logo o menino acordou.
Tinha a sua mão fechada.
O cavalinho voou!
O menino ficou sério,
pensando não ser verdade
um cavalinho sonhado.
Já não voltou a sonhar.
E o menino fez-se moço
e o moço teve um amor,
e dizia à sua amada:
Tu és de verdade ou não?
Quando o moço se fez velho
pensava: Tudo é sonhar,
o cavalinho sonhado
e o cavalo de verdade.
E quando chegou a morte,
o velho ao seu coração
perguntava: Tu és sonho?
Quem saberá se acordou!
 
   ( tradução, José Bento)

Postado por ana mariano

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Solidão

24 de janeiro de 2009 17

Uma amiga me lembra que suportar a solidão pode ser uma das consequencias do assumir a responsabilidade por suas escolhas, e para ilustrar, manda  esse vídeo maravilhoso.

Postado por ana mariano

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Angústia

23 de janeiro de 2009 11

Uma das coisa mais “assustadoras”  pra mim é a angústia.

Não tenho formação para definir o que seja angústia, mas me chamou a atenção algo que li recentemente - O Conceito de Angústia por Kierkegaard ( 1813 – 1855) .

Segundo ele, a angústia tem por fundamento não a necessidade mas a liberdade, é provocada pelo infinito de possibilidades com o qual o homem se  defronta.

Queremos uma síntese, mas a síntese não existe, existe apenas e sempre uma infinidade de possibilidades entre as quais é preciso escolher.

Não é estranho que a liberdade de escolha, aquilo pelo qual lutamos nossa vida toda, seja justamente o que nos causa angústia ?

Postado por ana mariano

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" Minhas certezas erradas"

21 de janeiro de 2009 15

Meu filho chama a minha atenção para uma crônica excelente do José Pedro Goulart na Zero Hora do dia 16/01.
“A verdade é uma ilusão e o carvão da ilusão é a mentira. O que tu achas? “ me pergunta ele.
Confesso que me atrapalhei um pouco com a frase, assim, solta, fora do contexto, especialmente com a segunda parte dela.
Lendo a crônica porém, fica tudo muito claro.
Falando sobre aquele questionário da ZH no qual uma das perguntas é – em que situação vale a pena mentir ? –  Zé Pedro diz que a resposta mais verdadeira  – que, segundo ele, seria  SEMPRE – nunca é dada.
Transcrevo parte da crônica, sugiro que acessem a ZH.com para ler o texto completo.
Mentimos, fingimos, enganamos.  E queremos que os outros nos mintam, queremos ter fé. É na ilusão de que o outro irá nos redimir que reside a paixão, por exemplo. A paixão acaba quando termina a idealização. A verdade é chata. A imagem do mágico cujo truque dá errado é a de um cara triste, um cara que não sabe mentir direito.”
Com relação à paixão, eu toda, inteira, concordo. Com relação ao amor, porém, parte de mim, (minha parte com bem mais de 50) concorda,  outra parte de mim, ( a que insiste em conservar essa inocência de menina à espera) ,  discorda.
Sei que, igual à paixão, é o velamento que alimenta o amor.
Um corpo desnudo à luz do sol, um corpo sem véus, um corpo que nada esconde, não é erótico. Uma mulher ou um homem totalmente previsíveis também não.
Porém o que atrai, o erotismo, o véu, o “cosmético” que embeleza e alimenta o amor, a mentira se quiserem colocar assim, não pode existir sem a pele que está embaixo.
E a pele, embora imperfeita, é verdadeira.
Verdade ou mentira, o que, afinal, sustenta Eros ?

Postado por ana mariano

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Walk on the wild side

18 de janeiro de 2009 9

Postado por ana mariano

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Acho que aprendi, mas não garanto...

16 de janeiro de 2009 17

Um filme francês – O Jardineiro – me ensinou algo importante: a felicidade não se enfia goela abaixo. A minha fórmula para  ser feliz nem sempre é a do outro e, portanto, por mais bem intencionada que eu esteja, não posso forçar  minha maneira de ser feliz, como quem força milho no papo de um ganso para fazer foie gras.  
O filme é muito simples, quase singelo. Um pintor, em crise conjugal, volta à casa do interior da França onde viveu quando menino. Põe um anúncio  procurando jardineiro e quem responde é um antigo colega de escola que nunca saiu da cidadezinha. Retomam a amizade. Enquanto o pintor se perde em angustias e indagações, o jardineiro é feliz. O agora patrão quer entender como.
E nas férias, onde tu vais ? pergunta. Vou sempre á mesma praia com a minha mulher responde o outro. Ficamos sempre no mesmo hotel, é bom porque já sabemos como é , de manhã  sentamos olhando o mar, na hora do almoço almoçamos, já sabemos o cardápio de cada dia, á tarde sesteamos e depois  vamos caminhar na beira do mar, sempre tem bastante gente caminhando, sentamos num banco para ver o por do sol, jantamos e dormimos.
Enquanto ele fala , a câmara mostra o que parece ser “o cúmulo da chatice”. É maravilhoso! Conclui o jardineiro.
Foi quando “aprendi”, aprendi no sentido mesmo de aprender, o que disse no início: felicidade não se enfia goela abaixo, as maneiras de ser feliz variam de pessoa a pessoa.
Confesso que durante muito tempo tentei “salvar” uma amiga muito querida (que me dizia estar triste) da mesmice ( segunda se ouve ópera , quarta se busca pizza, sexta janta-se fora com o marido, sempre no mesmo lugar, sempre o mesmo peixe, sábado se faz supermercado, quinta é dia de ir à praia, segunda é dia de voltar, qualquer alteração ? inconcebível !) sem perceber que, diferente de mim,  era a segurança da repetição que fazia a sua vida, se não feliz, ao menos  suportável. Bem no fim compliquei as coisas tentando “libertá-la” : inventei cursos, teatros, passeios, taças de vinho na Praça da Matriz. Só consegui atordoá-la. Burrice minha que não consegui ver as diferenças. Se, para mim, a felicidade está ligada à criação, à novidade (uma seqüência de tardes ensolaradas, por mais bonitas que sejam, me deprime) para ela, era justamente ao contrário.
Enfim, como diz  Paulinho da Viola:  as coisas estão no mundo só que eu preciso aprender.

Postado por ana mariano

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