Recebi esse vídeo de uma amiga. Nossa, quanta coisa a falar sobre ele. Mesmo amor que não compensa vale mais que a solidão. É triste, mas parece que é o que mais anda por aí, cada vez me convenço mais disso.
Postado por ana mariano
Recebi esse vídeo de uma amiga. Nossa, quanta coisa a falar sobre ele. Mesmo amor que não compensa vale mais que a solidão. É triste, mas parece que é o que mais anda por aí, cada vez me convenço mais disso.
Postado por ana mariano
Assisti a alguns dos filmes que concorreram ao Oscar. Não, ainda, ao Quem quer ser milionário. No programa que antecedeu à cerimônia de entrega dos prêmios, um dos apresentadores disse que esse era um feel good film , ou seja um filme que nos faz acreditar que tudo termina sempre bem, basta acreditar.
Não passei por nenhuma das duas grandes guerras mas lembro do meu pai dizendo que o pós-guerra era um tempo de "futilidades" de "supérfluos". Um tempo no qual as pessoas estavam tão cansadas do lado pesado da vida, do sofrimento que se voltavam para o que embeleza: cosméticos, roupas charmosas, sedas, rendas.
Não estou menosprezando nem o filme nem as rendas, a beleza pela beleza é parte da vida. Querem coisa mais inútil que a poesia? Poesia, tecnicamente, não serve para nada. E, no entanto, não imagino o mundo sem.
Com a crise econômica que estamos atravessando, equiparável à de 29, as muitas guerras, a fome, a pobreza, a violência urbana e rural, um feel good film teria mesmo que ganhar. A vida não é apenas choro.
Postado por ana mariano
Algumas praias aqui no Uruguai têm trocadores de roupa parecidos com esses de loja. Algo simples, bem europeu, e muito prático. Num desses trocadores há uma propaganda dos óculos Oakley, patrocinadores de Lance Armstrong, aquele ciclista americano que venceu várias vezes o Tour de France.
Desde o início do veraneio essa propaganda me chamou a atenção. Em preto, sobre fundo branco, uma foto de Lance e algo que ele disse ou escreveu.
Como vocês deve saber, Armstrong lutou contra um câncer de testículos, com metástases no pulmão e cérebro. Contra todas as previsões, conseguiu não apenas vencer a doença mas voltar a competir.
Por ter tido esse problema sério e pelas dores que devia sentir também como atleta, imagino que, na citação, ele se referia a dores do corppo mas, o que disse, pode muito ser ampliado para dores do espírito, uma metáfora para a coragem não apenas física mas também emocional. Coragem de viver.
Olhem como é bonito, especialmente o final.
" El dolor es temporal, este puede durar un minuto, una hora, un dia, un año, pero eventualmente pasará y otra sensation tomará su lugar. Si desisto, el dolor durará para siempre. "
Nada mais verdadeiro, viver pode ser dolorido mas a dor eventualmente passará.
Se desistimos, a dor durará para sempre.
Postado por ana mariano
Talvez, ouvindo Bethânia, a gente, mais que entender, consiga sentir a saudade de outros carnavais de que falou Drummond.
Postado por ana mariano
Carnaval, carne dada aos vermes
(diz a falsa etimologia)
como pode o cronista inerme
cronicar em plena folia?
Como esquivar-se a teu império
que é serrano em Vila ou Mangueira,
se em mim ri aquilo que é sério
e séria, mesmo, é a brincadeira?
Carnaval, já não sou tão moço
para emilinguir-me no frevo
e sair de guizo ao pescoço
(riso, quatripétalo frevo).
Também inda não sou tão velho
que não ouça o ronco na cuíca.
E da razão o bom conselho
(má rima) não me mortifica.
Entre duas águas, meu caro,
meio-lá-maio-cá me sinto
como um animal semi-raro
divagando no labirinto.
Carnaval, magia do samba!
Fígado, fiscal do consumo...
Para dançar na corda bamba
tanto faz, serpentina, o rumo.
Não fugirei para a montanha
nem pescarei na Marambaia,
pois ante confusão tamanha,
quedemos (Posto 6) na praia,
perto-longe da farra, ouvindo
e vendo, imaginando, enquanto
um carnaval muito mais lindo
dentro de nós eleva seu canto;
carnaval de delícias longas
e cabriolas arlequinais,
feito de caras songamongas
se esbaldando no nunca-mais;
carnaval antigo e futuro
baile de outro Municipal
ou Praça 11 acesa no escuro
da saudade do carnaval.
E é o melhor de tudo, afinal.
Carlos Drummond de Andrade
Postado por ana mariano
Um pouco de paz, mas uma paz inteligente, criativa, não apenas ausência.
Postado por ana mariano
Alguém sabe quem é o autor(a) deste poema? Aparece como de autoria desconhecida, mas é bom demais para isso.
Postado por ana mariano
Murga - Foto de Marcelo Hernandez
Eu achava que era em Recife ou na Bahia mas, segundo os uruguaios, o carnaval mais comprido do mundo é o daqui. Começa em fevereiro e entra março adentro. São mais ou menos 40 dias de carnaval.
As Murgas, uma espécie de teatro popular satirizando os acontecimentos sociais e políticos, por estranho que pareça, são de origem espanhola. Há concursos de Murgas em vários locais mas especialmente no Teatro de Verão. Nesses concursos são valorizados não apenas a apresentação, a dança, a maquiagem mas o texto, as letras mais inteligentes.
De origem negra e ao som dos tambores ele têm a Llamada e o Candombe. Esses, mais populares, recordam os encontros dos antigos escravos fora das cidades. A maneira de dançar e o ritmo são totalmente diferentes dos nossos.
Cultura inútil? Até pode ser, mas é carnaval e eu estou melancólica.
Postado por ana mariano
Quem tem amigos na web pode morrer pagão mas não ignorante. Já recebi a resposta e a letra completa da música. Obrigada. A canção chama-se Mensagem, foi composta por Aldo Cabral e Cícero Nunes em 1946. Era cantada por Isaurinha Garcia.
Postado por ana mariano