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Posts de março 2009

A casa onde nasci

29 de março de 2009 8

Esta é a casa onde nasci. As duas janelas à direita eram o quarto da mãe, a última, à esquerda, o escritório do pai, antes dela, o meu quarto. Atrás havia um jardim murado com poço e flor de tuna. Esta casa me explica. casa lageado

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Não é possível ser escritor sem ser poeta

28 de março de 2009 7

 

Não é possível ser escritor sem ser poeta. a poeisis possibilita ao escritor a compreensão profunda do que é a palavra, essa energia cristalizada, essa potência imanente para os materialistas, e transcendente para os idealistas. Escritores sem poesia são escritores grosseiros, lenhadores de palavras, magarefes de personagens. Ao lê-los, sentimos o quanto pode ser pedestre a arte mal feita, o quanto pode ser derisório o contato com o “texto“. Tais “escrevedores” têm percepções, como as têm qualquer ser humano, mas não têm imaginação dinâmica e criadora. A poesia é a asa do verbo. E ela não precisa dos andaimes dos versos e estrofes e nem das muletas das rimas. Para que o verbo voe, bastam duas coisas: imagem e ritmo. E a genuína fonte da imagem e do ritmo é a linguagem em seu momento inaugural, fundante, que os poetas são capazes de produzir.”

 

                                                                                                                                                                                                                    Charles Kiefer

 

 

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O segredo das águas

27 de março de 2009 11

Vida é invenção, é poesia no sentido mais remoto, água que volta à água, tempo circular, fluidez, em cuja face, os poemas de Ângela (O segredo das águas, que eu tive o prazer de ler e comentar ) , são pequenas lágrimas atentas. Parabéns, Angela, que o teu livro tenha o merecido sucesso. Segredo das Águas

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Sucesso !

27 de março de 2009 2

A leitura de poemas no Porto Alegre Dá Poesia foi o maior sucesso. Ao final, a platéia invadiu o palco para uma animada comemoração. Vejam a foto .

 

Encontros de Poesia

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Um pequeno não tão pequeno assim

25 de março de 2009 4

No ano da França no Brasil, a Folha publica um longo artigo sobre Antoine de Saint Éxupery e seu livro mais conhecido: O Pequeno Principe.

Talvez a França preferisse ser lembrada por Proust e seus 9 ( são 9?) volumes do Em busca do tempo perdido, ou por Sartre e seu inferno que é os outros, ou por Mme.  Bovary e certamente o é,  mas, convenhamos, o pequeno príncipe não é tão pequeno assim.

Eu o li há muito tempo, antes de ser carimbado como o livro das misses,  lembro de muitas coisas. Um livro que continua a ser comprado depois de tanto tempo,  não se perdeu no tempo. Numa época de tantas obviedades, de tanta literatura fácil, esse livro merecia ser lido por quem não o leu ou relido por nós, os antigos.

Um texto alegre, criativo,  que nos diz que precisamos retirar os enormes jatobás para que eles não sufoquem as nossas rosas, que somos responsáveis por tudo aquilo que conquistamos ou seduzimos, que nos ensina a chegar minutos antes para podermos ir saboreando um encontro amoroso, convenhamos, não é de se jogar fora.

Eu ( shame on me) perdi o meu primeiro pequeno príncipe. Já providenciei num  outro.

Postado por ana mariano

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Porto Alegre dá poesia

25 de março de 2009 1

Hoje à noite, 19,30 horas no espaço do Cultural Americano, na Riachuelo, quase na Praça da Matriz, dentro da programação do Porto Alegre dá Poesia, vou conversar sobre o fazer poesia,  como a poesia me chega  e me transborda.  

Com a direção de Margarida Leoni Peixoto, eu e Sofia Salvatori atriz maravilhosa, vamos dialogar. Eu contando como  acontece e ela mostrando o resultado, ou seja, interpretando alguns dos meus poemas. Se puderem aparecer, vai estar bem legal.  

Postado por ana mariano

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Sabedoria popular

18 de março de 2009 8

Desde criança, talvez por influência do meu pai, tenho um enorme respeito pela sabedoria popular. Se repararem bem, todos os ditados são verdadeiras aulas não apenas de psicologia mas até mesmo de medicina.

A ciência confirmou, por exemplo, que na canja da galinha há substâncias que ajudam no restabelecimento de doentes . Tinham razão nossas avós ao prescreverem cama e caldo de galinha.

A bíblia, em especial o antigo testamento, é cheio de tabus ou prescrições religiosas que são, na verdade, precrições de higiene e saúde.

Há pouco descobriram, por exemplo, que a circuncisão ( segundo a bíblia, sinal da aliança de Deus com os homens) reduz em 50 a 60% os casos de transmissão do virus da Aids. É algo para se pensar

Como diz o Drauzio Varella, se dispuséssemos de uma vacina capaz de proteger 50 a 60% dos homens, deixaríamos de vacinar os meninos antes da puberdade?

Quanto mais envelheço mais me convenço  que el diabo sabe por diabo  pero mas sabe por viejo…

 

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Crônica da Casa Assassinada

16 de março de 2009 6

Por indicação de dois craques, Ivo Bender e Assis Brasil, estou lendo Cronica da Casa Assassinada, de Lucio Cardoso.  O tema é forte, incesto, o livro, muito bem escrito, delicado, faz com que se tenha  pena dos seres humanos envolvidos ao invés de culpá-los. Uma verdadeira aula de como fazer personagens. As boas histórias não são apenas histórias mas histórias de personagens.São deles que nos lembramos ao fecharmos o livro. No trecho que transcrevo abaixo, retirado do diário de André, o filho, muitos anos após a morte da mãe, o autor faz uma análise do amor. Não do amor sentimento enquanto vivenciado, uma análise do amor como se visto de forma distanciada e isenta, através de um microscópio.

Amar, amei outras vezes, mas como se fosse um eco desse primeiro amor. Não são pessoas diferentes as que amamos ao longo da vida, mas a mesma imagem em seres diferentes. Também me desesperei  de outras vezes, até que me desesperasse não mais o amor, mas o fato humano. E agora que este pobre caderno veio novamente ter às minhas mãos, entre outros restos dessa casa que não existe mais, digo a mim mesmo que realmente não há grande diferença entre aquele que fui e o que sou hoje – só que, com o tempo, aprendi a domar aquilo que no moço ainda era puro desespero; hoje , calado, sofro ainda, mas sem aquela escuridão que tantas vezes me atirou contra as quatro paredes de mim mesmo, enfurecido – e que no seu desvario era apenas a tradução adolescente desse fundo terror humano de perder e ser traído, que nos acompanha, ai de nós, durante a existência inteira.

 

                                                                                  Lúcio Cardoso

 

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Cordel

12 de março de 2009 0

Para todos os que postaram comentários sobre a questáo da menina, mando esse poema de cordel que me foi passado pelo David, um rapaz de Fortaleza, católico praticante, que está no meu grupo durante essa viagem.

 

EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

                                             Miguezim de Princesa


I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
 A vaga de sacristão.

                                                ******

 


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Budapeste

12 de março de 2009 1

A idéia que levo da Hungria, nesses poucos dias que passei aqui, é a de um lindo país tentando, desesperadamente, ser feliz.
Budapeste, cruzada pelo rio Danúbio, resultado da união de 3 cidades (Buda, Peste e Velha Buda), é belíssima.  Lembra muito Paris. Um Paris mais tristonho e menos sofisticado pois Budapeste está  apenas engatinhando no mundo sem comunismo.
Invadida desde sempre ( Hunos, Romanos, Rússia) , sofrida, revoltosa, a Hungria parece alguém que teve, durante toda  a vida , o azar de encontrar ou de se relacionar com as pessoas erradas. Ainda se pode ver, no fundo dos olhos dos que aqui vivem, um ranço de medo e, ao mesmo tempo, um desafio, o que  não os impede de serem simpáticos e se esforçarem ao máximo para fazerem o melhor.
Há. nos húngaros, um não sei o que de mágoa. Falam muito do enorme território que perderam, da destruição e da pobreza de depois da guerra ( ficaram do lado da Alemanha), das torturas e da falta de liberdade no tempo da dominação russa ( os russos, vitoriosos, aqui ficaram e em 1948 implantaram o comunismo).
Como curiosidade, contam que devem a Elizabeth Taylor a permissão de iluminar seus monumentos. Ela  veio a Budapeste ,com Richard Burton, filmar Barba Azul. Passou aqui o seu aniversário. Quis comemorar. Não havia, à época, onde. Descobriram afinal um pequeno bar no alto de um prédio, mas a vista à noite, era nada, um preto total. Envergonhados, os russos teriam permitido iluminar por algumas horas e apenas nos finais de semana uma das pontes ( a mais bonita) que liga Buda a Peste, a Ponte das Correntes. Hoje, como se recuperassem o tempo perdido, dizem, orgulhosos, que depois de Paris, Budapeste é a cidade mais iluminada da Europa e que exite hoje, em Budapeste, mais de 10 hotéis 5 estrelas.
Até hoje eles adoram Sissi e  detestam Franciso I, o imperador da época do Império Austro -Húngaro. Desse período, aliás, é a grande parte das belas construções , entre elas a Ópera, que, feita para competir com a de Viena, consegue ser bem mais bonita.
A palavra buda quer dizer água. Um dos passeios imperdíveis em Budapeste são as termas, piscinas de água quente ocupando verdadeiros palácios. Embora aqui seja inverno ou até talvez por isso, pois a água sai a 80 graus e, para ficar suportável, é resfriada a 33, as pessoas ficam nas termas ar livre ou em outras, entre paredes.
Na que conheci, havia duas enormes piscinas externas e umas outras 20 internas. Dentro da água fumegante, além de jogar conversa fora, a distração favorita é jogar xadrez nos tabuleiros feitos de mármore branco e preto nas extremidades das piscinas.  Tudo encantadoramente fora de moda, tudo encantadoramente leste europeu, tudo encantadoramente húngaro.

Postado por ana mariano

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